A Noite da Encruzilhada, de Georges Simenon

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maigret_clipartEm A noite da encruzilhada (Companhia das Letras, 2014), Maigret não percorre as vielas de Paris sondando suspeitos e interrogando testemunhas, tão pouco descansa os ossos nalguma mesa da Brasserie Dauphine, regado a sanduíches e cerveja no cantinho geralmente reservado a ele no restaurante. Não há dias luminosos nesse romance policial de 1931, um dos primeiros a trazer o personagem. Pelo contrário, eles são enevoados e cinzentos, úmidos como o orvalho da manhã.

Na sinopse, Maigret investiga como o corpo de um comerciante de diamantes aparece misteriosamente na casa de campo de Carl Andersen, um milionário dinamarquês que vive recluso com a irmã. Ninguém na localidade isolada de Arpajon, a 37 km de Paris, consegue explicar o fato, tão pouco viu ou ouviu algo que contribua para solucionar o caso. Maigret, intuitivo como sempre, sente o cheiro de mentira no ar e vaga pelo livro identificando distorções nas versões dos envolvidos, que são o dono da casa, sua irmã e vizinhos das redondezas.
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A encruzilhada do título é conhecida por “Encruzilhada das Três Viúvas”, um perímetro que abriga três casas adjacentes: uma oficina de carros, uma casa de pedra no melhor estilo casa de campo e outra casa a duzentos metros da última, de muro alto, telhado de ardósia e várias árvores ornamentais. É nesse Triângulo das Bermudas que transcorre praticamente toda a investigação policial.

A personalidade de Maigret foi sendo moldada com o tempo, certamente pelos 75 romances policiais criados por Simenon. Neste livro suas falas breves, seu jeito lacônico e desconfiado e seus silêncios pensativos já despontam. Simenon trabalhou continuamente na concepção de Maigret, sempre descrevendo cenários com muita sensibilidade. Uma de suas especialidades eram mesmo as ricas descrições de Paris e dos cenários bucólicos frequentados pelo comissário, fotografias praticamente líricas de uma época.

Essa história já foi parar no cinema e também na TV. O primeiro filme foi feito na França em 1932, com direção de Jean Renoir e Pierre Renoir – ambos filhos do pintor impressionista. Pierre viveu o comissário Maigret. Na TV, um dos intérpretes foi Jean Richard, na também francesa “Les Enquêtes du commissaire Maigret” (1967 – 1990). No youtube há episódios completos do programa, porém em francês e sem tradução. A seguir, um trecho do início desse episódio com a polícia examinando o corpo do comerciante, interrogando os envolvidos e a chegada de Maigret ao local: https://www.youtube.com/watch?v=-5K8GwgJcjI

Quem prefere romances policiais mais no estilo de Agatha Christie, onde a solução do mistério é fundamental para a história, talvez não se encante a princípio pelas fábulas de Maigret. Mas para aqueles que gostam de viajar no tempo, de encontrar paisagens e figuras particulares e uma narração policial mais sensível, é um bom livro para abrir as portas ao clássico detetive parisiense.

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Título: A noite da encruzilhada
Autor: Georges Simenon
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 144
Ano: 2014
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SINOPSE – Georges Simenon reinventou a literatura de mistério. Antes dele, o que definia os romances do gênero era a busca pelo assassino. O escritor deixava uma série de pistas ao longo do livro e cabia ao leitor, ao fim, juntar as peças para tentar adivinhar a identidade do criminoso. Em A noite da encruzilhada, Maigret tenta desvendar os motivos da morte de um vendedor de diamantes. O corpo foi encontrado na mansão de Carl Andersen, um milionário dinamarquês, mas Maigret o interroga por dezessete horas, sem sucesso. Talvez a irmã dele, Else, que vive trancada num quarto da mansão, tenha a chave para o mistério. O projeto gráfico da coleção, o mesmo no Brasil, nos Estados Unidos e na Inglaterra, é coordenado pela Companhia das Letras. As capas são de Alceu Chiesorin Nunes, diretor de arte da editora

4 comentários em “A Noite da Encruzilhada, de Georges Simenon

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