Serial Killers: Anatomia do Mal, de Harold Schechter

Por Ana Paula Laux – De acordo com Platão, “os bons homens se limitam a sonhar aquilo que os maus praticam”. Então será que todas as pessoas possuem um lado oculto que é fascinado pelo proibido? O que difere as pessoas “normais” dos chamados “assassinos em série”?

Serial Killers: Anatomia do Mal (Darkside Books, 2013) é um livro duro de terminar. A cada novo capítulo de Harold Schechter, vão se misturando o medo e a perplexidade ao constatar como vivemos num mundo tão cheio de perigos e de armadilhas. Aqui o leitor descobrirá conceitos como o que é um serial killer ou classificações de assassinato e as diferenças entre termos como psicopata e psicótico (o escritor Herman Melville já falava sobre isso em 1924). Há também uma infinidade de casos que marcaram a história da criminologia, desde Gilles de Rais, nobre francês que estuprou e matou centenas de crianças no século 15, até Jeffrey Dahmer, assassino necrófilo e canibal, que morreu em 1994.

 


“De todas as criaturas já feitas, o homem é o mais detestável… Ele é a única criatura que causa dor por esporte, com consciência de que isso é dor.”
(Mark Twain)

 

Eu achava que era mais antigo, mas o termo “serial killers” foi criado por um agente especial do FBI no final do século 20. Porém, não se pode dizer o mesmo dos assassinos em série, já que eles sempre existiram na história da humanidade. Dos mitos gregos às histórias de cavaleiros medievais e de Shakespeare, há muitas evidências de que o homem, durante os séculos, matou pelo prazer de matar. Antigamente, o imaginário coletivo os definia como “demônios assassinos” ou “diabos em forma humana”, e seus crimes eram transmitidos pelas letras de cantiga e contos de fada (como em várias histórias dos Irmãos Grimm).

Schechter tenta responder muita coisa em “Anatomia do Mal”. Por que serial killers matam? Como tornam-se criminosos? Como escolhem suas vítimas? Quais características têm em comum, se é que têm? Dividido em nove capítulos, o livro traz seções sobre os temas abordados, como os casais que matam juntos, os pedófilos, os médicos assassinos, os envenenadores, os errantes, os “pais de família”, os torturadores, os atiradores e aqueles que mataram pela fama ou para imitar outros criminosos. Há ainda uma galeria com os dez piores serial killers da história (mas apenas nos Estados Unidos), com nomes como Edward Gein (a inspiração para o personagem Norman Bates, de Psicose) e o pedófilo e canibal Albert Fish, uma das figuras mais tétricas e repugnantes de todas.

Os exemplos de horrores da vida real são incontáveis, mas escolhi dois estudos de caso que mais me impressionaram. O primeiro é o caso de Richard Case, o “Vampiro de Sacramento”, que morreu em 1980. Diagnosticado com esquizofrenia, ele assassinava suas vítimas, depois desmembrava os corpos e bebia seu sangue, ou ainda fazia batidas repulsivas no liquidificador com entranhas e sangue de pequenos animais.

O segundo caso é o de John Wayne Gacy, ou “O Palhaço Assassino”, que matou pelos menos 33 pessoas em seis anos. Durante o dia, ele vestia a máscara do ’empresário respeitável’ ao se voluntariar no hospital da cidade para entreter crianças doentes com uma fantasia de palhaço. À noite, molestava, assassinava e enterrava o corpo de garotos no porão da própria casa.

serial2“A definição do FBI para serial killer é qualquer pessoa que mata 3 ou mais vítimas com um intervalo de tempo entre cada homicídio. E assim o fazem por prazer.”

 

Guiados pelas sensações de dominação, manipulação e controle das vítimas, dá para concluir que serial killers têm alguns pontos em comum: uma infância de maus tratos, uma sensação de inutilidade e de baixa auto-estima, famílias fragmentadas e disfuncionais, exposição à violência e tratamento abusivo no passado. O que não significa que todos que passam por essas situações na infância tornem-se futuros criminosos.

A verdade é que há ainda muito a se descobrir sobre o comportamento psicótico desses criminosos, e talvez essa falta de respostas seja o mais assustador. Ao contrário do que o psiquiatra Cesare Lombroso acreditava no século 19, não há características físicas que identifiquem serial killers. Mas uma coisa é certa: eles têm um vínculo frágil com a realidade, gostam de provocar sofrimento nas pessoas e não sentem remorso algum por isso. Alguns até se consideram tão inteligentes ao ponto de guardar provas incriminatórias de seus crimes, supondo que nunca serão capturados. Como o indivíduo que guarda uma caneta-tinteiro cheia de arsênico, ou um diário com o nome das vítimas ou até mesmo registros em vídeo das barbáries.

Para quem procura material sobre o tema, fica a dica. Com um catálogo repleto de histórias, fotos, ilustrações, bibliografia sugerida e ainda uma diagramação incrível, Serial Killers: Anatomia do Mal é uma enciclopédia sobre assassinos em série.

 

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Título: Serial Killers: Anatomia do Mal (2013)
Autor: Harold Schechter
Páginas: 480
Editora: Darkside Books
Este livro no Skoob

SINOPSE – Histórias reais, assassinos reais, de uma maneira que você nunca viu, estudados com profundidade, rigor científico e conhecimento psicológico. Um livro que vai atrair a atenção dos fãs das séries CSI, Dexter, Criminal Minds e do Canal Discovery Investigation e de todos aqueles que que querem entender o que se passa na mente dos assassinos mais temidos e cruéis de todos os tempos.

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Ana Paula Laux

Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book "Os Maiores Detetives do Mundo" (Chris Lauxx).

2 comentários em “Serial Killers: Anatomia do Mal, de Harold Schechter

  • dezembro 8, 2015 em 1:41 pm
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    Parece bem instigante, informações diversas e histórias verídicas. Interessei-me!

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    • dezembro 8, 2015 em 2:50 pm
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      Se você estiver procurando muitas informações sobre o tema, é o livro ideal!

      Resposta

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