Luther: A série policial para quem já perdeu a fé em séries policiais

Por Luciana da Cunha – Há algumas edições do Globo de Ouro eu já estava de olho em Idris Elba e na série Luther, que recebeu algumas indicações e até mesmo o prêmio de Melhor Ator. Em meio a um turbilhão de séries é difícil se empolgar por algo que já está em andamento e que nenhum dos seus amigos acompanha. Até hoje nunca consegui desenvolver muito o assunto de Luther numa roda de amigos, mas ainda bem que eu tenho vocês aqui <3

Pra começo de conversa, eu tenho uma notícia ótima: você não vai precisar dedicar muitas horas para estar em dia com Luther. Na verdade, trata-se de uma minissérie da BBC: algumas temporadas têm apenas quatro episódios, o que ajuda bastante na correria em que todo mundo vive. Pra continuar a conversa: você vai se ver tão envolvido com tudo, que temporadas tão curtas talvez pareçam pouco pra você.

 

O foco da história é o policial John Luther (Idris Elba – que logo estará nas telonas em uma saga de Stephen King!). Apesar de ser um investigador brilhante, Luther tem seus próprios demônios para acalmar e um grave problema de temperamento.

 

Não, não é um novo Dexter. Mas pra quem é fã de Dexter, é como se a série fosse sobre o Doakes. Um Doakes mais inteligente, interessante e com sotaque britânico, é claro.

Mas não pense que você vai estar do lado dele o tempo inteiro. A imprevisibilidade do personagem talvez seja um dos pontos altos da série: você nunca tem certeza de que ele vai fazer a coisa certa. E nem sempre ele vai. Isso se repete com todos os personagens. Não dá pra dizer que existem vilões e mocinhos bem definidos (ok, alguns assassinos são vilões do início ao fim), mas não se surpreenda se você sentir simpatia por uma psicopata e raiva de um policial. É assim mesmo, nenhum personagem é tão raso e linear do início ao fim.

Por falar em fim, Luther é daquelas séries em que você não deveria se apegar a ninguém. Mais ou menos como em Game of Thrones. Isso porque aqui não existe personagem importante demais pra não morrer. Tá todo mundo na roda e você só não sabe quando e nem onde. Mesmo com isso em mente, já passei muitos apertos em finais de temporada (de ficar sem respirar mesmo) e já me emocionei de verdade com morte de personagem.

Outra coisa legal é que você nunca sabe o quanto um vilão vai render. Não é daquelas séries de um mistério por episódio (vide Elementary) ou um assassino por temporada (no estilo de Dexter). Alguns têm histórias tão densas e complexas que rendem vários episódios, mesmo em paralelo com outros problemas enfrentados por Luther, como a sua conduta de policial que é investigada desde o início.

Para quem costuma torcer o nariz para a insipidez de boa parte das produções britânicas, Luther é uma verdadeira quebra de paradigma. Mesmo com uma trama mais pesada e diálogos densos, o ritmo é bem rápido e exige a sua atenção a todo instante. Àqueles que, como eu, já estão cansados de histórias rasas, personagens descartáveis e tramas fantasiosas demais para o segmento policial, tem tudo para ser uma das melhores séries de investigação dos últimos tempos.

[Imagem: Divulgação]

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Luciana da Cunha

Jornalista em Blumenau, desde os 15 anos se aventura pela blogosfera. Cinéfila desde a sua primeira VHS da Disney, escreve sobre o tema há nove anos. Descobriu a paixão pela literatura com romances policiais, mas hoje lê um pouco de tudo - principalmente tudo aquilo que vai parar nas telonas.

15 comentários em “Luther: A série policial para quem já perdeu a fé em séries policiais

  • maio 23, 2016 em 6:16 pm
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    Vou ver. Espero ser melhor que Dexter, série sem muita graça.

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    • maio 23, 2016 em 8:23 pm
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      A pegada é bem diferente, Ivan. E, diferentemente de Dexter que teve seus altos e baixos, ainda não perdeu qualidade. Espero que goste 😀

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  • maio 23, 2016 em 7:57 pm
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    Faltou falar do “nome” da série que é a atriz Ruth Wilson. Ela está genial.

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    • maio 24, 2016 em 4:56 pm
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      Sem dúvida! Aliás, os coadjuvantes são brilhantes, de forma geral. Foquei no Elba porque ele é a série. Queria que a Ruth Wilson tivesse mais tempo de tela.

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  • maio 24, 2016 em 1:48 am
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    insipidez das produções britânicas????? vc só pode estar brincando!!!!!!!!

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    • maio 24, 2016 em 4:59 pm
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      Elas costumam ser mais lineares do que as de Hollywood, mas nem por isso deixam de ser sensacionais 😉

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  • maio 24, 2016 em 1:48 pm
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    Me convenceu! Haha. Já estava de olho na série pensando na “torre negra”. Queria ver mais o trabalho do Idris Elba, que, em “beasts of no nation”, por exemplo, é incrível!
    Já está na lista. Obrigado pela dica.
    Ótimo texto! 🙂

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  • julho 7, 2016 em 1:26 am
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    Onde vc viu? Netflix?

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  • novembro 5, 2016 em 3:24 pm
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    Olá, com certo atraso, vi a primeira temporada, tenho que confessar que me surpreendeu, a pegada contemporânea das produções policiais britânicas são fora de série, Sherlock e Luther, cada uma a sua maneira, demonstram as excelentes possibilidades neste campo, para além das bobagens estadunidense.

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    • novembro 7, 2016 em 10:46 am
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      É demais, né Hélio? Depois de quatro temporadas Luther continua conseguindo surpreender. Seja pelos novos personagens, mudanças na trama ou simplesmente pelo talento do elenco e da equipe de produção 😀

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  • novembro 8, 2016 em 1:06 pm
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    Luciana, realmente, considerei acima da média, as reviravoltas na trama e os suspenses criados são muitos bons. Gostaria de sugerir, que o site, abrisse um espaço pra discussão de séries policiais, sejam elas nacionais ou estrangeiras. Fica aqui meu pedido de fã! Um abraço!

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  • novembro 15, 2017 em 4:45 am
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    Tô assistindo a terceira temporada e é isso mesmo q você falou. Pelo pouco que acompanho de séries, percebo muitos repetecos, fórmulas exaustivamente usadas etc. Em Luther, os personagens não são rasos, há umas reflexões interessantes, acho uma boa série no geral :)))) Outra coisa que concordo mto contigo é que realmente não sabemos quanto um vilão vai render. Tem uns casos que foram solucionados mais rápido do q imaginei e outros não, por exemplo. Luther é uma série que recomendo! 😀

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