RESENHA | República Paradiso, de Sergio Lang

MINAS GERAIS HISTÓRICA – Com um nome atrativo, nos desviando da temática tensa que vem a seguir, o autor conseguiu trazer para a literatura policial brasileira uma narrativa interessante e que empolga os amantes de história. Para um romance de estreia, o livro é ótimo!

A história se passa em três períodos diferentes – 1966, 1974 (a data fatídica) e 1999 – e é muito bem estruturada. Contando a história – ou a saga – de Thomas Dapieve, que tem uma obrigação de retornar a Ouro Preto 25 anos após a sua formatura para selar o pacto que ele e seus amigos haviam feito em 1974. Muitas aventuras acontecerão até esse pacto chegar e os pontos de tensão escolhidos pelo autor nos deixam interessados do começo ao fim. Assassinatos, roubos de obras de arte de museus de Ouro Preto e Mariana, Chico Rei, a festa dos Doze, ditadura militar, teologia da libertação, pedofilia, rituais, congada, romances, traições, ufa! É uma mistura e tanto, mas acreditem, funciona e muito bem!

As tramas paralelas que servem de pano de fundo na verdade se mostram tão interessantes quanto o motivo principal – o assassinato por enforcamento pelas mãos de uma turba enlouquecida do Padre Anselmo (um padre militante da Teologia da Libertação) após a Festa do Doze, em outubro de 1974 (por assassinato ou queima de arquivo da ditadura?) – estranhamente – e brilhantemente – se conectam em um final de grande qualidade!

Padre Anselmo foi julgado, condenado e executado (tudo no mesmo dia) por uma multidão enlouquecida após a morte brutal de Bentinho, que havia sido emasculado e encontrado nos portões da Igreja de Santa Efigênia. Era esse o real motivo? Tudo parece que sim, mas algumas pistas vão levar Thomas (ou Tomate) e seus amigos em uma busca pela verdade. Mas o tempo passa e muita água vai rolar ainda até que todo esse mistério seja resolvido. E como!

O passeio por Ouro Preto e Mariana é pra lá de interessante. Se você já foi às Cidades Históricas de Minas Gerais, certamente vai se lembrar de bons momentos, e se nunca foi, Sergio Lang te oferece uma “olhadinha pay-per-view”, mas a visita é fundamental. Todas as igrejas, museus, ladeiras, cada paralelepípedo nos enche de uma sensação agradável, indescritível! Leia o livro e visite as cidades.

Meu único senão é para a velocidade da narrativa. Achei meio lento na maioria dos trechos, onde os acontecimentos exigiam um pouco mais de ação. Nada que desabone a obra, mas não te mantém com os olhos grudados o tempo todo, querendo devorar o livro de uma vez só.

Espero que curtam tanto quanto eu!

Abraços literários!

* Livro enviado pelo autor

Título: República Paradiso
Autor: Sergio Lang
Editora: Tinta Negra
Páginas: 324
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SINOPSE – Durante a ditadura militar, em 1974, em Ouro Preto, o corpo do menino Bentinho é encontrado, nu e castrado, diante da Igreja de Santa Efigênia. Padre Anselmo Grimaldi, culto e progressista, é preso, acusado de pedofilia e de autor do crime. Acaba sendo executado por populares ensandecidos no Morro da Forca.
Em 1999, uma turma de ex-moradores da República Paradiso se reencontra para comemorar os 25 anos de formatura. Um deles, o Caveira, jornalista e refugiado durante o regime militar, investiga a morte de Bentinho e de padre Anselmo. Os amigos da república viverão romances, aventuras e mistérios, resgatando o esplendor de Vila Rica, as irmandades religiosas, Chico Rei, a genialidade de Aleijadinho, se defrontando com o tráfico de obras de arte e as transformações políticas e sociais das décadas de 1960 e 1970.

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Raquel de Mattos

Carioca aquariana da gema, museóloga em Barretos (SP). Fã de Agatha Christie, descobriu diversos autores fantásticos ao longo da estrada da literatura policial. Ama café, livros e chocolate e é fácil de ser agradada!

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