RESENHA | As sobreviventes, Riley Sager

Por Ana Paula Laux – Stephen King disse que este é o primeiro grande thriller de 2017, e inclusive é a recomendação usada na capa do livro para chamar a atenção dos leitores. “As Sobreviventes” é uma história sobre três garotas, Quincy, Lisa e Samantha, que são as únicas sobreviventes de chacinas em diferentes cidades norte-americanas em um intervalo de alguns anos. Em todos os casos o assassino foi morto mas o trauma persistiu para elas, que logo viraram uma espécie de celebridade para os jornais sensacionalistas, apelidando-as de Garotas Remanescentes.

A história foca em uma das garotas, Quincy, sobrevivente do massacre no Chalé Pine. Ela não se lembra de quase nada da noite do crime – condição que os médicos atribuem a uma amnésia -, apenas de memórias esparsas sobre a chegada no lugar e como foi salva por um policial enquanto tentava escapar do assassino pela floresta. O mistério está exatamente no que ela não lembra e no que vai acabar voltando aos poucos no decorrer da história. Obviamente a lembrança total só acontece nas últimas páginas.

 

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“Você não pode mudar o que aconteceu.
A única coisa que pode controlar é a maneira como lida com isso.”

 

O autor, que usa o pseudônimo de Riley Sager, alterna entre o presente e o passado da protagonista para criar expectativa e aguçar a curiosidade do leitor, contrastando a vida reclusa que Quincy leva com o noivo – sua ocupação é confeitar para um blog de culinária -, alimentando vícios como o uso de remédios e bebida e, nos flashbacks, voltando às lembranças do Chalé Pine, que se tornam cada vez mais claras e assustadoras.

Mais para a metade do livro, vem a sensação de que as coisas não são exatamente o que parecem ser. Todos passam a ser suspeitos, de uma forma ou de outra, seja porque dão a entender que sabem mais do que realmente sabem, seja porque parecem não ser quem dizem ser, seja porque parecem esconder informações. E aí não se tem certeza de quase nada, só de que a história está mesmo mal contada.

A leitura é viciante! “As Sobreviventes” é aquele tipo de livro que vamos virando as páginas rapidamente para saber o que acontece no final. Fiquei na dúvida com relação a uma ou duas questões em especial, uma no que diz respeito ao comportamento da protagonista, que eu achei desproporcional em alguns momentos, e algo que acontece bem no finalzinho do livro que se relaciona à explicação do mistério (achei que fez pouco sentido, porém não posso falar mais por motivos de spoiler!). Acho que o fato de ser um page-turner foi um dos aspectos que levou Stephen King a recomendar a leitura também, e pra quem gosta desse tipo de livro é uma boa sugestão.

Só para complementar o livro foi escrito pelo Riley Sager, que é o pseudônimo de um escritor chamado Todd Ritter. Em inglês, chama-se “Final Girls”. É mais um livro com “Girls” no título, assim como “Garota Exemplar”, da Gillian Flynn, e “A Garota no Trem”, da Paula Hawkins, só que Riley Sager é um homem, mesmo que o nome soe ambíguo (e me parece que foi essa a intenção, porque o próprio autor fala sobre isso em uma entrevista). É um homem escrevendo sob a perspectiva de uma mulher. Imagino que, já que a fórmula deu certo com essas outras autoras, pode-se estar tentando emplacar mais um título nessa tendência. Essa é uma informação que pode ser determinante para alguns leitores, para outros, não.

“As Sobreviventes” sai no Brasil pela Editora Gutenberg, e acho que o livro pode ser adaptado para o cinema já que tem muitas cenas que me parecem bastante visuais!
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Assista a resenha em vídeo

Título: As sobreviventes
Autor: Riley Sager
Editora: Gutenberg
Páginas: 336
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SINOPSE – Há dez anos, a estudante universitária Quincy Carpenter viajou com seus melhores amigos e retornou sozinha, foi a única sobrevivente de um crime terrível. Num piscar de olhos, ela se viu pertencendo a um grupo do qual ninguém quer fazer parte: um grupo de garotas sobreviventes com histórias similares. Lisa, que perdeu nove amigas esfaqueadas na universidade; Sam, que enfrentou um assassino no hotel onde trabalhava; e agora Quincy, que correu sangrando pelos bosques para escapar do homem a quem ela se refere apenas como Ele. As três jovens se esforçam para afastar seus pesadelos, e, com isso, permanecem longe uma da outra; apesar das tentativas da mídia, elas nunca se encontraram. Um bloqueio na memória de Quincy não permite que ela se lembre dos acontecimentos daquela noite, e por causa disso a jovem seguiu em frente: é uma blogueira culinária de sucesso, tem um namorado amoroso e mantém uma forte amizade com Coop, o policial que salvou sua vida naquela noite. Até que um dia, Lisa, a primeira sobrevivente, é encontrada morta na banheira de sua casa com os pulsos cortados; e Sam, a outra garota, surge na porta de Quincy determinada a fazê-la reviver o passado, o que provocará consequências cada vez mais assustadoras. O que Sam realmente procura na história de vida de Quincy? Quando novos detalhes sobre a morte de Lisa vem à tona, Quincy percebe que precisa se lembrar do que aconteceu naquela noite traumática se quiser as respostas para as verdades e mentiras de Sam, esquivar-se da polícia e dos repórteres insaciáveis. Mas recuperar a memória pode revelar muito mais do que ela gostaria.

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Ana Paula Laux

Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book "Os Maiores Detetives do Mundo" (Chris Lauxx).

3 comentários em “RESENHA | As sobreviventes, Riley Sager

  • julho 25, 2017 em 12:14 am
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    Se o Mestre indicou, vamos nessa!

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  • agosto 12, 2017 em 2:10 am
    Permalink

    Gostei da sua resenha! Esperando agora ainda mais ansiosamente pelo lançamento do livro!

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  • junho 23, 2018 em 3:12 am
    Permalink

    Achei que Stephen King foi muito, muito equivocado em classificar esse como o melhor Thriller de 2017. Caramba ! As partes do Chalé Pine são isso mesmo , mas as partes da narrativa em que foca na vida de Quincy , principalmente na amizade dela com Sam é chatissima. Não prende , não dá vontade de virar página. Sugiro doses cavalais dos livros de Tess Gerritsen ou os clássicos de Aghata Christie, para quem achar esse livro bom.

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