Sobre “O problema dos três corpos”, de Cixin Liu

Por Raquel de Mattos – Um livro muito interessante, com vários aspectos que se unem de forma graciosa, mas que peca pelo excesso de termos técnicos e explicações pouco esclarecedoras para os leitores menos acostumados com a física quântica, nanotecnologia, astrofísica, entre outras matérias do mundo das ciências exatas.

Se você está acostumado a livros de literatura policial e vai começar a ler esse por causa do título (mesmo sabendo que é uma ficção científica), já te alerto que o caminho não é esse. O problema dos três corpos foi sugerido pelo físico suíço Leonhard Euler (1707-1783), onde ele estuda como três corpos podem orbitar entre si, segundo suas forças gravitacionais (ou mais ou menos isso…). Esse é o mote do livro e, embora não pareça muito óbvio desde o começo, vai exercer enorme importância ao longo da história.

O autor – que teve seu livro como ganhador do Prêmio Hugo – chega a fazer descrições de forma poética de situações inusitadas, como esta:

 

É possível que a relação entre humanidade e mal seja semelhante à relação entre o oceano e um iceberg que flutua em sua superfície? Tanto o oceano quanto o iceberg são feitos do mesmo material. O iceberg só parece diferente porque tem outra forma. Na realidade, é apenas uma parte do vasto oceano… Era impossível esperar um despertar moral da humanidade, assim como era impossível esperar que os humanos movessem a Terra com os próprios cabelos. O despertar moral exigia uma força externa à raça humana. (p.26)

Liu conseguiu unir de forma brilhante vários temas, que iam desde a Revolução Cultural Chinesa (1966-1969), passando pela radiação cósmica de fundo em micro-ondas (energia presente no planeta resultante do Big Bang), singularidade e viagens interestelares. Mistura diversos fatos cotidianos – como a existência do programa Fronteiras da Ciência – com vida extraterrestre.

Apesar de ter ficado confusa sobre o papel de alguns personagens dentro da trama – já que são muitos personagens, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, com muitas informações novas surgindo e as cenas se desenrolando no presente e no passado –, algumas coisas podem ser explicadas nos próximos livros da trilogia (esse é o primeiro).

Como disse, muita gente que curte o gênero vai gostar bastante; mas se o conhecimento prévio de alguns termos descritos não existe (como foi o meu caso), a leitura se torna mais difícil. Mas o livro é realmente bom. Abraços literários!

Título: O problema dos três corpos
Autor: Cixin Liu
Tradução: Leonardo Alves
Editora: Suma
Páginas: 320
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SINOPSE – China, final dos anos 1960. Enquanto o país inteiro está sendo devastado pela violência da Revolução Cultural, um pequeno grupo de astrofísicos, militares e engenheiros começa um projeto ultrassecreto envolvendo ondas sonoras e seres extraterrestres. Uma decisão tomada por um desses cientistas mudará para sempre o destino da humanidade e, cinquenta anos depois, uma civilização alienígena à beira do colapso planeja uma invasão. O problema dos três corpos é uma crônica da marcha humana em direção aos confins do universo. Uma clássica história de ficção científica, no melhor estilo de Arthur C. Clarke. Um jogo envolvente em que a humanidade tem tudo a perder.

Raquel de Mattos

Carioca aquariana da gema, museóloga em Barretos (SP). Fã de Agatha Christie, descobriu diversos autores fantásticos ao longo da estrada da literatura policial. Ama café, livros e chocolate e é fácil de ser agradada!

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