Um vento à porta, de Madeleine L’Engle

Por Luciana da Cunha – Sagas infanto-juvenis não são novidade. A familiaridade com um estilo de trama e com os próprios personagens ajudam no sucesso de histórias como Harry Potter, As Crônicas de Nárnia, Desventuras em série e tantas outras. Não muito distante destes títulos está a série Uma Dobra no Tempo, da escritora norte-americana Madeleine L’Engle, que se mantém atual mesmo passados mais de 50 anos de seu lançamento.

 

No segundo volume da série, Um vento à porta, o leitor tem a oportunidade de voltar a acompanhar as aventuras de Meg, Charles Wallace e Calvin um ano após os eventos de Uma dobra no tempo.

 

O livro foi lançado originalmente em 1973 e publicado recentemente no Brasil pela Harper Collins em uma edição bem fofinha, de capa dura e uma arte que tem tudo a ver com o clima de ficção-cientifica misturado com fantasia que a série propõe.

Na trama, Charles Wallace começou a frequentar a escola e passa a ter problemas com os coleguinhas por causa de sua inteligência acima do normal. Diferentemente de Meg, que já passava por uma situação parecida no primeiro livro mas mantinha-se discreta, Charles Wallace está constantemente envolvido em brigas. Apesar do bullying constante, o diretor da escola, Sr. Jenkins, pouco faz para solucionar a questão.

Paralelamente, seres fantásticos, como dragões, surgem no jardim da casa de Meg e Charles Wallace, contribuindo para aquele clima de magia do primeiro livro. Novamente, um ser de outro mundo surge para ensinar às crianças lições sobre o amadurecimento delas. Além de tudo isso, Charles Wallace corre algum risco relacionado ao adoecimento de suas mitocôndrias e cabe a Meg salvar seu irmão.

Assim como no primeiro livro, Um vento à porta tem uma leitura fluida e voltada ao público infanto-juvenil. Novamente a autora faz alguns jogos de palavras, porém, no segundo livro há muitos seres mágicos inventados por ela e fica um pouco difícil lembrar quem é quem na trama. Por ser uma história curta, o leitor não chega a se familiarizar por completo com estes novos seres, o que dificulta um pouco a compreensão da história e a percepção do senso de ameaça que paira sobre Charles Wallace.

Lendo a história como adulta, a gente entende que o livro novamente traz uma metáfora sobre amadurecimento e o enfrentamento de alguns problemas tão comuns em crianças e adolescentes em idade escolar. Neste caso estamos falando de bullying, de se adaptar a um meio que você não faz muita questão de fazer parte e, principalmente, de enfrentar o preconceito que muitos jovens têm com autoridades, no caso, o diretor Sr. Jenkins. Aposto que se uma criança ler o livro em diferentes momentos do seu amadurecimento ela poderá tirar uma nova mensagem em cada leitura.

Uma das vantagens de Um vento à porta é que, embora seja o segundo volume de uma saga, não é absolutamente necessário ter lido o primeiro livro para entender a história. Fora a contextualização dos personagens principais, os eventos de Uma dobra no tempo não servem de referência para a nova aventura. Se você não leu o primeiro, pode ler o segundo sem problema algum. As histórias possuem início, meio e fim.

Mesmo sem ter o mesmo brilho do primeiro livro, Um vento à porta é uma leitura leve e com mensagens atemporais. Com metáforas de fantasia e ficção-cientifica, a história pode ser uma forte aliada de crianças e pré-adolescentes que lidam com o constante desafio do amadurecimento.

* Exemplar enviado pela Harper Collins Brasil.

 

 

Título: Um vento à porta
Autora: Madeleine L’ engle
Tradução: Érico Assis
Páginas: 224
Editora: Harper Collins Brasil
Este livro no Skoob

SINOPSE – Toda vez que uma estrela se apaga, mais um Echthros venceu uma batalha. Logo antes do irmão mais novo de Meg Murry, Charles Wallace, ficar perigosamente doente, ele vê dragões no jardim de casa. Meg descobre que os dragões na verdade são Proginoskes, um querubim que é todo asas, vento e chamas. Agora Proginoskes, Meg e seu amigo Calvin precisam salvar a vida de Charles Wallace. Para fazer isso, eles devem partir em uma viagem para dentro do corpo do menino e derrotar os Echthroi (aqueles que odeiam) para que possam restaurar a brilhante harmonia e alegria do ritmo da criação, a música do universo.

Luciana da Cunha

Jornalista em Blumenau, desde os 15 anos se aventura pela blogosfera. Cinéfila desde a sua primeira VHS da Disney, escreve sobre o tema há nove anos. Descobriu a paixão pela literatura com romances policiais, mas hoje lê um pouco de tudo - principalmente tudo aquilo que vai parar nas telonas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *