Financiamento coletivo tenta resgatar romance de escritora policial

Autora americana esquecida pelo tempo foi a primeira a trazer elementos da ficção de mistérios repetida até hoje por livros, séries e filmes

 

E se você escrevesse um livro e fosse esquecida? E se suas ideias fossem copiadas, repetidas 140 anos depois, mas a maioria daqueles que amam sua criação nunca nem mesmo tivesse ouvido falar de você?

 

 

Ao publicar The Leavenworth Case: A Lawyer’s Story, Anna Katherine Green inventou o romance policial como se conhece até hoje e com as técnicas que são usados à exaustão por livros, filmes e séries de televisão. Para citar apenas alguns elementos criados por ela: um detetive experiente que suspeita de “todos e de ninguém”, um jovem apaixonado pela mulher, cuja evidência aponta como suspeita, o uso de lógica e técnicas forenses para encontrar o culpado (pedaços de cartas, testemunhas desaparecidas) e técnicas de escritas de mistério que oferecem pistas – muitas falsas – para que o caso seja investigado também pelo leitor. Além disso, Ebenezer Gryce se tornou o primeiro detetive serial da literatura.

 

 

O estilo de escrita de Green foi tão marcante em seu primeiro romance que arrebatou fãs em diversos países. Naquela ocasião ela se tornou referência para escritores de todo o mundo, tendo entre seus fãs o britânico Arthur Conan Doyle, o pai de Sherlock Holmes, que viajou para conhecer a escritora americana. Outra fã foi ninguém mais ninguém menos que Agatha Christie.

 

Para resgatar e devolver a Anne seu papel nas histórias de ficção, a jovem editora Monomito Editorial e a autora Cláudia Lemes, uma das escritoras de romances policiais mais importantes da literatura brasileira da atualidade, deram início ao financiamento coletivo através do Catarse.

Segundo Cláudia, o fundamental agora é trazer ao conhecimento de autores e leitores de romance policial as origens do gênero. “Se essa mulher não tivesse transgredido ainda jovem as ordens do pai e não tivesse escrito às escondidas esse livro, por seis anos, talvez o romance de investigação não tivesse chegado onde chegou com nomes fortes como Agatha Christie”.

 

Anna Katharine Green (Imagem: Wikipedia)

De acordo com a publisher da Monomito Editorial, Adriana Chaves, o projeto do financiamento foi pensado para destacar os elementos típicos dos romances de investigação. A capa, por exemplo, foi desenhada pelo estúdio da ProjectNine que escondeu easter eggs para proporcionar desde o princípio a experiência de mistério e investigação ao leitor. Além disso, uma das recompensas para os primeiros colaboradores será um jogo de mistério. “A brincadeira será coordenada pela Cláudia. Os participantes serão detetives em uma narrativa policial com missão e claro gratificação”.

 

Sinopse

O rico homem de negócios Horatio Leavenworth foi assassinado dentro de sua mansão com um tiro. Ele deixou uma grande fortuna e duas sobrinhas, e uma delas, Eleanore, se torna a principal suspeita ao ser revelado que ela não herdaria os bens do tio. A incumbência de descobrir o assassino e o motivo do crime recai sobre o investigador Ebenezer Gryce, que usa inteligência e capacidade de dedução acima da média para juntar pistas e revelar segredos. Em paralelo, o jovem advogado Everett Raymond decide conduzir sua própria investigação com o intuito de provar a inocência de Eleanore, a mulher por quem se apaixonou.

Informações: adriana@monomitoeditorial.com

Clique para conhecer o projeto no Catarse 

 

3 comentários em “Financiamento coletivo tenta resgatar romance de escritora policial

  • outubro 3, 2018 em 10:53 pm
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    Existem duas traduções do romance de Anne Katherine Green: o testamento do milionário (Coleção Vampiro, Coluna Sociedade Editorial, Brasil, 1953) e O caso da Quinta Avenida (Coleção Vampiro n. 562, Livros do Brasil, Portugal, 1994). Acredito que as bases do whodonit foram lançadas por Poe em 1841, precedendo em 37 anos o romance de A C Green.
    Grato e parabens pela empreitada
    Ivan G Maia

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  • novembro 9, 2018 em 12:39 pm
    Permalink

    Já me inscrevi nesse financiamento, achei fantástico porque é a primeira mulher escritora que lançou as bases do romance policial e foi esquecida por aqui. Recomendo este projeto, tanto pela excelência da obra e da edição, quanto pelo valor literário que o projeto representa.

    Resposta

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