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Entrevista: Patricia Cornwell fala sobre o filme de Scarpetta


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Após 25 anos da série Scarpetta, Patricia Cornwell vendeu 100 milhões de livros. (Photo: Andrew Crowley/The Telegraph)

É MELHOR QUE SEJA BOMPatricia Cornwell é uma das romancistas policiais mais famosas da atualidade. Com mais de 100 milhões de livros vendidos no mundo, sua personagem estrela é Kay Scarpetta, a médica-legista que aparece pela primeira vez em 1990 no livro Postmortem.

Em turnê mundial para divulgar seu mais recente livro da série, Flesh & Blood, Cornwell tem frequentado programas de TV, páginas de jornais, sites e eventos literários. Nesta recente entrevista para o jornal inglês The Telegraph, ela fala sobre o desafio de escrever para um público cada vez mais conectado, o sucesso em mais de 120 países e a demora para ver Kay Scarpetta no cinema. Desde 2011, especula-se que Angelina Jolie irá viver a médica-legista em um filme.

Confira algumas declarações.

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TEMPOS MODERNOS – “Acho que as pessoas hoje em dia têm momentos de falta de atenção, então eu realmente tento manter o suspense funcionando, para não dar uma razão para que deixem meu livro de lado e prefiram ler 20.000 tweets ao invés disso.”

SOBRE ARMAS, AMOR E RELIGIÃO – “Eu não acredito que qualquer político possa ou deva retirar o direito do povo norte-americano de portar armas, mas eu me recuso em votar em qualquer partido que interfira em minhas escolhas pessoais e tente me dizer por quem devo me apaixonar ou para qual Deus devo rezar.”

TERMÔMETRO DA SOCIEDADE – “Romances policiais são uma ótima desculpa para reunir pessoas, observar a sociedade e analisar as questões que afetam a todos. O crime é apenas o ponto de partida para revelar as pessoas. Scarpetta fica presa nos mesmos congestionamentos que ficamos, ela sofre as mesmas pressões modernas, ela tem que lidar com mídia social em um ambiente reconhecidamente contemporâneo.”

ADAPTANDO LIVROS – “Sempre penso em como as pessoas estão lendo e como elas estão gerindo o seu tempo, então eu adapto meus livros por aí. Cada capítulo costumava ter 20 páginas, mas agora são 10; os livros ainda são longos, mas apresentados em cenas menores, como cenas de filmes, então você tem um ponto de parada óbvio.”

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Foto: Instagram oficial @1pcornwell

JORNALISMO – “Ainda sou uma jornalista de coração. Preciso ver, ouvir, cheirar e sentir alguma coisa pra poder transmitir as sensações para o meu leitor. Se eu quero escrever sobre uma nova arma perigosa (como eu faço em Flesh & Blood), procuro um especialista que vai me mostrar como usá-la e o estrago que ela pode fazer. Nunca me interessei por mergulho, mas como neste livro Scarpetta mergulha de um barco em uma cena de 100 pés debaixo d’água, eu tinha que fazer isso também.”

VIVENDO SCARPETTA – “Eu escrevo sobre crime, e meus livros são sobre a ciência da morte – mas também, e muito mais ainda, sobre a arte da vida. Quando eu me sento pra escrever sobre Scarpetta, eu me coloco na posição dela. É meu trabalho suportar o dia ruim dela. Eu a presenteio com um crime e faço da vida dela um inferno, escondo as informações que possuo, as quais ela tem que descobrir, penosamente, ao longo do livro.”

NO CINEMA – “Scarpetta abriu as portas que permitiram que outras pessoas usassem a ciência forense em um contexto de ficção de crime. Eu gostaria que ela tivesse esse crédito, mas quem quer que ganhe o crédito… foi um verdadeiro choque quando acordei um dia e vi que minha carreira estava nas telas; de repente, as programações estavam cheias de temas forenses. Em um mundo ideal teria sido Scarpetta (no cinema); deveria ter sido Scarpetta, mas ela foi amarrada e mantida refém.”

NO CINEMA 2 – “Infelizmente Scarpetta foi presa e, enquanto isso, qualquer um pode pegar meus livros e retirar o que quiser deles. Tem sido uma grande decepção para mim, a espera tão longa desse filme; tenho grandes esperanças de que algo está finalmente acontecendo, então é melhor que seja grande, e que seja bom, e que valha a pena.”

Leia a entrevista do jornal The Telegraph na íntegra (em inglês)

Rapidinha: Você sabia?

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Segundo o documentário “New Detectives”, do canal Discovery Channel, Kay Scarpetta foi inspirada em uma médica da vida real, a Doutora Marcella Farinelli Fierro, uma das patologistas forenses mais respeitadas dos Estados Unidos. A Dra. Fierro, que já trabalhou com Cornwell, aposentou-se em 2008 como médica-legista chefe do estado de Virginia, mas desde os primeiros livros em que Scarpetta começa a aparecer na década de 1990 ela atuou como uma espécie de conselheira para a escritora.

(Imagens: The Telegraph, Instagram Patricia Cornwell, NLM)

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