A Máscara de Flandres resgata o Brasil do século 19

Por Ana Paula Laux – No filme Copycat, a Vida Imita a Arte (1995), Sigourney Weaver é uma psicóloga de San Francisco que tenta identificar um serial killer imitão, o conhecido copycat, aquele que reproduz crimes de outro assassino “famoso” para chamar a atenção da polícia e da mídia. No livro de Cristiane Krumenauer, também temos um aspirante a copycat, só que aqui os crimes acontecem no interior de São Paulo, na região do Vale do Paraíba.

Lançamento da escritora gaúcha, A Máscara de Flandres é um romance policial com a detetive Alice Stoifeld, uma ex-manicure que entra para a força policial e sente-se frequentemente julgada num ambiente machista também por conta de sua ocupação anterior. Em uma região que guarda fortes memórias da era escravagista, ela precisará descobrir quem roubou os instrumentos de tortura em exposição no museu da cidade, bem como o diário de Geraldo Medeiros, filho de um cafeicultor do século 19 que tinha distúrbios psiquiátricos e que assassinou várias escravas, enterrando os corpos no porão da Casa Grande onde morava.

As crueldades de Geraldo tornam-se de conhecimento público com o passar das décadas, tanto que alguém se inspira em seu livro para praticar mais crimes sem deixar pistas para a polícia. O sequestro de mulheres é o próximo passo do assassino, que quer reproduzir nelas as torturas registradas no diário e que irá desafiar a policial Stoifeld a encontrá-lo a todo momento.

A trama é intercalada em dois períodos de tempo, um no final do século 19 com as narrações do diário, e o outro no presente, com o roubo do museu e sequestro das mulheres. O título em si, A Máscara de Flandres, refere-se a um instrumento de tortura usados em escravos, uma máscara que os impedia de comer e beber qualquer coisa para castigá-los, e que também os impedia de cometer suicídio pois obstruía o acesso de veneno e terra à boca.

O livro de Cristiane resgata uma fase histórica no Brasil, quando o Vale do Paraíba era o centro do cultivo de café no país (o produto chegou a ser exportado para 75% dos países consumidores) e explorava a mão-de-obra escrava nas plantações.

Os escravos vinham da África em navios negreiros e eram submetidos a torturas, açoites e castigos terríveis a mando dos barões de café, fazendeiros ricos e grandes apoiadores do imperador. Eles moravam nas hoje históricas fazendas conhecidas pela opulência, com salas e oratórios decorados com peças vitorianas e francesas enquanto que as senzalas, os alojamentos onde os escravos viviam, eram galpões coletivos onde eles se alimentavam apenas uma vez por dia, dormiam no chão e eram torturados e acorrentados pelos feitores diariamente. A região do Vale do Paraíba mantém muitas dessas fazendas ainda hoje, preservadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Turístico.

Cristiane Krumenauer já tem quatro livros lançados e se dedica à literatura policial. A Máscara de Flandres foi escrito durante sua estadia na Namíbia, e publicado no Brasil pela Editora Giostri.

* Exemplar enviado pela autora

Título: A máscara de Flandres
Autora: Cristiane Krumenauer
Páginas: 186
Editora: Giostri
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SINOPSE – O passado volta a assombrar uma pequena cidade do estado de São Paulo, onde um homem misterioso furta os instrumentos de tortura e um diário bicentenário do museu para afligir suas vítimas. A policial Stoifeld promete ir além de seus limites para libertar as reféns e desvendar a identidade do criminoso. Uma luta alucinante contra o preconceito e a crueldade. A necessidade vital da coragem e da inteligência. E o desafio de sobreviver a um assassino imerso nas atrocidades do tempo.

 

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Ana Paula Laux

Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book "Os Maiores Detetives do Mundo" (Chris Lauxx).

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