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Safe, a série viciante de Harlan Coben


Por Rogério Christofoletti – Colocamos grades nas janelas, cercamos a casa de muros e instalamos câmeras nas esquinas. Isso faz com que nos sintamos mais seguros e aí, seguimos a vida felizes em nosso ensolarado bairro, certo? Mais ou menos. Afinal, a felicidade não é resultado apenas da segurança, e segurança não é o mesmo que a sensação de estar seguro. As aparências enganam e é conveniente também que nos auto-enganemos todos os dias, pois a grande verdade é que o mundo é um lugar muito inseguro para se viver. Duvida? Então, assista à “Safe”, a mais recente produção disponibilizada pela Netflix. Criada pelo best-seller Harlan Coben, a série de oito episódios é ambientada num confortável e charmoso condomínio no interior da Inglaterra, cenário onde nossa ingenuidade acreditaria que nada de mal poderia acontecer. Mas em “Safe”, todos os segredos do mundo cabem num condomínio.

Um casal de adolescentes desaparece após uma festa, e o pai da jovem Jenny sai em busca de seu paradeiro. Ele é um respeitado cirurgião, viúvo há um ano, que tenta reconquistar a confiança da filha mais velha, revoltada com a perda familiar. Seus vizinhos são saudáveis, educados, gentis, aparentemente, perfeitos. Mas todos têm direito a guardar segredos. É justamente uma intrincada teia de lembranças, mentiras, erros e crimes que farão com que aquele paraíso desmorone bem diante dos nossos olhos.
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Michael C. Hall vive o atormentado médico Tom Delaney que percorre ruas e casas atrás de pistas da filha. O ator é conhecido pelo papel-título em “Dexter”, o serial killer que caçava serial killers em oito temporadas sangrentas, de 2006 a 2013.

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O ator ainda conserva uma certa frieza no olhar, mas desta vez se orienta por um sentimento mais humano, o remorso. Ele tem a seu lado o melhor amigo, Pete Mayfield (vivido por Marc Warren, que lembra fisicamente o escritor Jo Nesbo), e a policial Sophie Mason (Amanda Abbington), com quem tem um caso.

A exemplo dos romances de Harlan Coben, a série apresenta um desfile de personagens oblíquos em situações rotineiramente suspeitas. Pequenas tramas paralelas adicionam mais camadas à narrativa principal, e pequenos (e grandes) segredos são revelados a conta-gotas. O resultado é uma experiência envolvente e intrigante, pois já no primeiro episódio fica claro para o espectador que não se pode confiar em ninguém ali e que as perguntas iniciais são apenas o fio que leva a um novelo de trágicos mistérios. Uma temporada curta (oito capítulos) e episódios que não ultrapassam os 45 minutos ajudam a viciar o público.
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A Grande Ilusão

Os diálogos são bem afinados, pistas falsas são espalhadas com maestria, e a previsibilidade do enredo é controlada. Há uma preocupação nítida na construção das personagens, exceto pelo cirurgião Delaney, que é unidimensional e ligeiramente entediante. A equipe de roteiristas de Coben segue as regras do mestre e deixa pontas soltas de forma estratégica, à mão para serem arrematadas nos dois episódios finais. A arquitetura da trama é bem resolvida, há revelações surpreendentes e a série manipula suficientemente as expectativas do público. Fãs de Agatha Christie vão reconhecer as muitas artimanhas a que grandes escritores policiais recorrem.

A diversão é garantida, mas se a sua intenção é “maratonar”, melhor trancar as portas e fechar bem as cortinas…

[Imagem: Divulgação Netflix]

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