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	<title>Arquivos 5 estrelas -</title>
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		<title>Nós, de Salim Miguel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rogerio Christofoletti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2015 17:12:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rogério Christofoletti &#8211; É estimulante quando vemos autores não habituados a escrever ficção policial desafiarem o gênero. Na verdade, eles desafiam os próprios limites, na medida em que se aventuram em terreno tão movediço. É empolgante quando esses autores fazem parte do panteão dos grandes escribas, e mais ainda quando eles já romperam a...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Rogério Christofoletti</em> &#8211; É estimulante quando vemos autores não habituados a escrever ficção policial desafiarem o gênero. Na verdade, eles desafiam os próprios limites, na medida em que se aventuram em terreno tão movediço. É empolgante quando esses autores fazem parte do panteão dos grandes escribas, e mais ainda quando eles já romperam a barreira dos 90 anos. Afinal, quem chega a essa idade não tem nada a provar a ninguém faz décadas, e que dirá desbravar novos mares&#8230;</p>
<p><center><br />
<iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8532807143&amp;asins=8532807143&amp;linkId=b9564974fb00f800d41577e9c1bb2cc1&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" width="300" height="150" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></center>&nbsp;</p>
<p>Por esse punhado de razões fiquei contentíssimo com o lançamento de “<a href="https://amzn.to/2CONDTj" target="_blank" rel="noopener">Nós</a>” (editora UFSC, 2015), de Salim Miguel. Aos 91 anos, reconhecido pela crítica mas não devidamente pelo grande público, ele coloca nas prateleiras a sua primeira incursão nas histórias de crime e mistério. E o que leitor colhe é um resultado intrigante, bem ao sabor do gênero&#8230;</p>
<p>Mas por que raios Salim foi se meter com detetives?, me perguntei com aquele pequeno volume alaranjado nas mãos. <em>Por que lá foi ele matar personagens e quase nos matar de curiosidade?</em> Ora, as respostas não estão nas pouco mais de 80 páginas que o livro reúne, mas na própria trajetória desse inquieto artista. Atrás do bigode espesso e da restante cabeleira revolta, sob os pés que sustentam a grandalhona figura, reside não só o maior escritor em atividade de Santa Catarina, mas também um dos alicerces da sua cultura.</p>
<p>Salim Miguel e sua mulher, a artista plástica Eglê Malheiros, escreveram livros, editaram revistas, criaram para o cinema, montaram exposições, enfim, fertilizaram o ambiente cultural local em meados do século 20, fazendo orbitar em torno daquela efervescência os principais nomes que modernizariam as artes no estado. Em outras palavras: Salim nunca se acomodou. Pelo contrário: arriscou-se, explorou fronteiras, abriu caminhos. Com seu sorriso maroto e os olhos faiscantes, poderia completar: Então, por que agora, aos 91 anos, eu ia me intimidar com um caminho literário?</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-5713 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/04/nos7.jpg" alt="nos7" width="350" height="343"></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Nós” torna tolas as minhas perguntas iniciais.&nbsp;Seguindo a boa tradição, Salim nos oferece uma novela policial: simples e rápida, nebulosa e vertiginosa. Mas não se engane. Não se trata de um pulp qualquer porque o autor não desmerece o arsenal acumulado ao longo da vida, composto pelo esmero textual e pela delicadeza musical das suas descrições. Seus personagens são oblíquos, nada confiáveis, como bem se quer nesse tipo de história. Nem nomes, eles têm. São pronomes, o que nos faz acreditar que poderiam caber em qualquer um, como os ternos de tamanho universal que se encontrava antigamente nos estúdios de fotografia.</p>
<p>Mestre das palavras e de suas armadilhas, Salim Miguel recorre à ambiguidade do termo “nós” para designar os embaraços de que são constituídos os casos policiais (que precisam ser desatados) e a primeira pessoa do plural, que junta inadiavelmente os personagens, o autor e até o leitor. Sagaz, esse Salim!</p>
<p>Na trama &#8211; que adia o crime fazendo crescer a nossa angústia -, a passagem do tempo e suas transições se esvanecem, como se minutos e anos escorressem de uma linha para outra. Perdemos a noção das horas e só nos damos conta de que algo mudou quando chegamos ao ponto final. Não foi muito, afinal, a novela se lê numa sentada. Resta a necessidade de mais algumas páginas, quem sabe para nos dar certos detalhes de pontos obscuros que persistiram.</p>
<p>Honrando a tradição, Salim nos oferece um jogo e uma trapaça. O jogo mental nos conduz pelos capítulos, e vamos seguindo os personagens que desfilam errantes, vestidos de pronomes. Esprememos os miolos na tentativa de responder os porquês, os comos e os quems. Farejamos as pistas – e elas não são muitas, preciso denunciar! &#8211; e colecionamos os indícios que nos ajudariam a completar a narrativa.</p>
<p>A trapaça, bem, a trapaça de Salim Miguel está no aparecimento de um insólito personagem que vem a nosso auxílio. Com ele, poderíamos nos sentir mais seguros para resolver o caso, deve ter pensado o autor. Talvez. Com ele, o comissário Fleury reedita uma dupla de detetives extraordinária. Bem ao estilo de Edgar Allan Poe! Duplas de investigadores são um elemento recorrente no gênero, e a seminal Holmes-Watson é só a mais lembrada. Mas atenção! A dupla de “Nós” não deixa ao leitor qualquer direito à ingenuidade: mesmo nas páginas da literatura policial, juntar todas as peças do quebra-cabeças pode frustrar até os maiores detetives do mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10249" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/11/star5.png" alt="star5" width="106" height="22"></span></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/8532807143/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=8532807143&amp;linkCode=as2&amp;tag=literaturapol-20&amp;linkId=fd51b91dbc65e4184767d821fc5c75a4" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;MarketPlace=BR&amp;ASIN=8532807143&amp;ServiceVersion=20070822&amp;ID=AsinImage&amp;WS=1&amp;Format=_SL250_&amp;tag=literaturapol-20" alt="" width="183" height="250" border="0"></a><img loading="lazy" decoding="async" style="border: none !important; margin: 0!important;" src="//ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=literaturapol-20&amp;l=am2&amp;o=33&amp;a=8532807143" alt="" width="1" height="1" border="0"><strong>Título</strong>: Nós<br />
<strong>Autor</strong>: Salim Miguel<br />
<strong>Páginas</strong>: 83<br />
<strong>Editora</strong>: UFSC<br />
<strong>Ano</strong>: 2015<br />
<a href="http://www.skoob.com.br/nos-440825ed499502.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Este livro no Skoob</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SINOPSE</strong>: Na mata virgem o casebre me acolhe. Noite e dia se fundem, eu me confundo. É o breu, escuridão perene. Exagero? Sei não! Sei sim: exagero. Uma difusa luminosidade se infiltra por janelas e frinchas. Dura pouco. Aperto um botão, a luz elétrica agride o ambiente. A selva selvagem me fascina. A selva selvagem me intimida. Pingos de sol custam a aparecer. Estrela e lua inexistem.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">x</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Rogerio Christofoletti' src='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/monitorando/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rogerio Christofoletti</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista, dramaturgo e professor universitário. Já publicou 12 livros na área acadêmica e escreveu oito peças de teatro. É um dos autores do e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx).</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="http://christofoletti.com/" target="_self" >christofoletti.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/04/06/resenha-nos-de-salim-miguel/">Nós, de Salim Miguel</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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