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	<title>Arquivos clube do crime -</title>
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	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
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	<title>Arquivos clube do crime -</title>
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		<title>RESENHA &#124; O desaparecido, Dror Mishani</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Apr 2017 16:16:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Avraham Avraham]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Compre o livro Compre o e-book &#160; Por Josué de Oliveira &#8211; Eu nunca tinha lido um romance policial israelense.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://amzn.to/2Sqm2eT" target="_blank" rel="noopener"><em>Compre o livro</em></a><br />
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<p>&nbsp;</p>
<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; Eu nunca tinha lido um romance policial israelense. Essa constatação me sobreveio no instante em que pus os olhos na capa de <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://amzn.to/2PhrmPR" target="_blank" rel="noopener">O Desaparecido</a></strong></span> (Companhia das Letras, 296 páginas), e me despertou interesse imediato pelo livro, escrito por Dror Mishani, acadêmico especializado em literatura de mistério que fez o salto da pesquisa para a prática com este romance de estreia, lançado em 2011. Mais dois vieram desde então, com direitos vendidos para 15 línguas.</p>
<p>Temos uma trama muito simples: numa quarta-feira à noite, Chana Sharavi vai à delegacia de Holon, no sul de Tel-Aviv, comunicar o desaparecimento de seu filho Ofer, de 16 anos. É atendida pelo experiente policial Avraham Avraham, que a aconselha a voltar para casa e esperar que ele retorne, final mais comum desse tipo de ocorrência. Mas não desta vez. Tem início então uma investigação para traçar o paradeiro do rapaz, que parece ter sumido no ar. Paralelamente, Zeev Avni, morador do mesmo prédio da família Sharavi e ex-professor de inglês de Ofer, desenvolve uma estranha relação com o caso e com a própria figura do adolescente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>&#8220;O Desaparecido é um livro em que pouquíssimas coisas acontecem. A narrativa funciona sobretudo pelo apuro no desenvolvimento dos personagens.&#8221;</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>O que no início promete ser um típico romance procedural, onde o policial lida com apenas mais um caso de sua carreira e os muitos aspectos técnicos de uma investigação oficial são apresentados, vai se revelando algo diferente ao tomar o caminho da exploração psicológica de Avraham Avraham e Zeev Avni.</p>
<p>Enquanto lia, não pude deixar de pensar na obra do brasileiro Luiz Alfredo Garcia-Roza, sobretudo <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://amzn.to/2U9FHSd" target="_blank" rel="noopener">Espinosa Sem Saída</a></strong></span>, de 2006. As semelhanças são tanto de estrutura, com o ponto de vista variando entre o protagonista e o suspeito, quanto de tom, intimista e meditativo.</p>
<p>Mishani tem uma escrita concisa, é pouco dado a descrições e está sempre externando os diálogos internos de seus personagens, revelando desejos frustrados e motivações escondidas. Há sempre uma reflexão ocorrendo nos bastidores das mais corriqueiras ações – ir para o trabalho, tomar café, dar banho num bebê. A janela que o autor abre para a mente de seus personagens, um policial pacato e um professor de classe média, os expõe como seres mais intrigantes do que parecem à primeira vista.</p>
<p>Avraham é um homem sem características marcantes, solitário, vive para o trabalho. Filho único, tem uma relação distante com os pais. Fuma muito. Mantém o inusitado hobby de encontrar soluções alternativas às apresentadas pelos detetives nos desfechos dos romances policiais que lê. Seus dias na polícia israelense são povoados por casos de resolução simples, geralmente sem violência, o que lhe faz acreditar, a princípio, que Ofer retornaria para casa durante a noite ou na manhã do dia seguinte ao registro da ocorrência. Acaba com um conflito interno pela culpa de não ter detectado logo que aquele desaparecimento seria diferente dos demais, sentimento que, ao longo da narrativa, o impulsiona, mas também o sabota. Trata-se – e este é um elemento importante para criação de empatia – de um profissional competente passando por um momento conturbado, lidando com as consequências de um erro, questionando a própria capacidade. Algo que todos experimentamos, a alguma altura da vida.</p>
<p>Por sua vez, Zeev Avni é desde o começo uma figura enigmática, buscando se aproximar dos envolvidos na investigação – de Avraham, em particular – e, ao mesmo tempo, aparentando saber mais do que revela a eles. Marido e pai, ele lida com seus papéis familiares com certo automatismo, os pensamentos sempre se afastando das ações presentes e vagando em direção a Ofer. Nos capítulos pelo ponto de vista do professor, Mishani estabelece um jogo de mostrar e esconder que deixa o leitor em suspenso, perguntando-se o que, afinal de contas, Zeev sabe, o que ele fez. Um outro ponto importante para o desenvolvimento do personagem é sua relação com o ato da escrita, algo que, quando surge na narrativa, o torna ainda mais complexo – e suspeito, dado o conteúdo do que escreve (e isso é tudo o que deve ser dito sobre isso, para não acabar em spoilers).</p>
<p>O Desaparecido tem boa escrita e personagens interessantes, e se apoia nesses elementos. É possível que muitos leitores tenham problemas com a trama, no entanto, e o paralelo com Garcia-Roza ajuda a entender isso. Assim como o brasileiro, Mishani passa muito tempo na cabeça dos protagonistas, e a criatividade exibida na investigação de suas motivações e dilemas não se reproduz na investigação do desaparecimento de Ofer. A própria figura do rapaz poderia ter sido melhor explorada, o que daria mais peso às indigestas descobertas do caso. Além disso, uma curiosa surpresa no final, embora funcione como conceito, dificulta um pouco mais o entendimento dos acontecimentos – o que, estranhamente, parece ser a exata intenção do autor.</p>
<p>O fechamento proposto pelo autor é incomum, e certamente dividirá opiniões, assim como todo o desenvolvimento reflexivo e pouco movimentado da história. Mesmo que cause estranheza a alguns leitores, vale atentar para o trabalho de Mishani com os personagens e a construção temática que culmina no desfecho. São estes os pontos fortes desta estreia literária. De minha parte, fico no aguardo por novos casos de Avraham Avraham.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>* Livro cedido pela Companhia das Letras</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g RESENHA | O desaparecido, Dror Mishani" alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/04/26/resenha-o-desaparecido-dror-mishani/">RESENHA | O desaparecido, Dror Mishani</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Veja o trailer do terceiro episódio de Maigret</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/04/06/veja-o-trailer-do-terceiro-episodio-de-maigret/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Apr 2017 13:49:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[séries de tv]]></category>
		<category><![CDATA[adaptação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O canal inglês ITV divulgou o trailer do terceiro episódio de Maigret, série que está adaptando a obra do clássico</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img  title="" fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone wp-image-17893 size-full" style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:0;margin-bottom:30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/04/maigret-sets-a-trap.jpg"  alt="maigret-sets-a-trap Veja o trailer do terceiro episódio de Maigret"  width="1280" height="720" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">O canal inglês ITV divulgou o trailer do terceiro episódio de <em>Maigret</em>, série que está adaptando a obra do clássico detetive criado por Georges Simenon. Desta vez, o livro adaptado foi <a style="color:#000000;" href="https://literaturapolicial.com/2015/04/22/resenha-a-noite-da-encruzilhada-de-georges-simenon/">A noite da encruzilhada</a>, onde Maigret tenta desvendar os motivos da morte de um vendedor de diamantes. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">O detetive é interpretado por Rowan Atkinson. O episódio vai ao ar no dia 16 de abril, domingo, às 20h. Ainda não há previsão de estreia da série no Brasil.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="color:#000000;">Assista ao trailer em inglês</span></h1>
<p style="text-align:left;">[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=SZw0IswaSJc&amp;spfreload=10]</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 Veja o trailer do terceiro episódio de Maigret"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/04/06/veja-o-trailer-do-terceiro-episodio-de-maigret/">Veja o trailer do terceiro episódio de Maigret</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>RESENHA &#124; Enquanto eles dormiam, de Donna Leon</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/04/03/critica-enquanto-eles-dormiam-de-donna-leon/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Apr 2017 13:08:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[clube do crime]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Josué de Oliveira &#8211; Aos 17 anos, quando comecei a me interessar de verdade por literatura policial, descobri a</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/04/03/critica-enquanto-eles-dormiam-de-donna-leon/">RESENHA | Enquanto eles dormiam, de Donna Leon</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; Aos 17 anos, quando comecei a me interessar de verdade por literatura policial, descobri a coleção da Companhia das Letras dedicada ao gênero, com suas simpáticas lombadas coloridas. Na época, uma das coisas que mais me interessou foi a possibilidade de conhecer autores fora do eixo Inglaterra-EUA: brasileiros, franceses, escoceses, suecos, italianos, entre outros países representados na coleção. Apesar de Donna Leon ser americana, sempre enquadrei suas obras nessa última nacionalidade, uma vez que a autora vive na Itália desde 1981, é lá que ela ambienta a longa série protagonizada por Guido Brunetti, comissário da polícia de Veneza.</p>
<p>Da autora, já tinha lido o ótimo Morte no Teatro La Fenice e o fraco Vestido para Morrer. Minha terceira visita à obra de Leon foi este Enquanto Eles Dormiam (Companhia das Letras, 288 páginas). Na trama, Brunetti é procurado por Maria Testa, ex-freira de uma ordem conhecida por oferecer assistência a idosos doentes. Maria, que trabalhou na casa de repouso onde a mãe de Brunetti vive, suspeita que a morte de um grupo de idosos não se deu pelas causas naturais que os relatórios oficiais sugerem, e pede a ele que averigue quem teria se beneficiado por esses óbitos. Maria não dispõe de nada além da intuição, de modo que é impossível para Brunetti abrir um inquérito oficial. Mas isso não impede o comissário, que, aos poucos, vai se convencendo de que há algo de sinistro por trás das mortes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><span style="font-size: 1.35em; color: #808080;">Sexto livro da americana, Enquanto eles dormiam tem muitas qualidades. A escrita de Donna Leon é uma delas. Desde a ironia com que pontua os diálogos até as ótimas descrições da cidade, que trazem para perto a distante Veneza, a autora mostra segurança e habilidade no uso das palavras. A prosa soa sempre elegante e é agradável de se ler, um talento que autores de mistério, talvez na ânsia de fisgar pela trama, tendem a não cultivar. Aqui temos uma feliz exceção.</span></p>
<p>&nbsp;<br />
Outro ponto positivo tem a ver com algo muito próprio das extensas séries com um mesmo personagem, tão características da literatura policial: a mistura entre velho e novo, conhecido e inédito que faz parte da lógica destes livros. Seguindo a cartilha, a autora presenteia seus leitores com os elementos já familiares de sua obra – a rotina de Guido Brunetti na delegacia, sua vida familiar, a dinâmica com os coadjuvantes recorrentes, os comentários sobre a sociedade veneziana –, ao mesmo tempo que introduz novos contextos em que estes ingredientes se encaixam. Assim, além de um novo mistério a ser desvendado, há novos temas em questão e novos dilemas nos quais personagens já conhecidos se envolvem.</p>
<p>Parece o básico de toda série, mas pense em quão trabalhoso é construir esse básico: o equilíbrio entre agradar os leitores fiéis sem alienar os novos; escrever para os que são fãs de um modo que consiga atrair os que não são. Enquanto Eles Dormiam é o perfeito exemplar desse tipo de narrativa seriada que remete a Conan Doyle e Agatha Christie, onde todos os livros são uma porta de entrada para um universo de códigos e características próprias. O tipo de leitura leve, despretensiosa e acolhedora da qual todos precisamos vez por outra.</p>
<p>A construção temática da história também merece destaque. Leon está escrevendo sobre religião; esse é o tópico central do livro. Desde a identidade da pessoa que põe a trama em movimento – uma ex-freira – aos problemas enfrentados pela filha de Brunetti na escola – um padre professor de catequismo com o qual ela não se dá –, o assunto está diluído em diferentes dosagens ao longo de toda a narrativa. É o choque entre a visão religiosa do mundo, e dos muitos males cometidos em nome da religião, e o materialismo por vezes agressivo de Brunetti que conduz os acontecimentos da trama.</p>
<p>Mas vale uma ressalva importante, pelo menos para mim. Em muitos momentos, a discussão sobre religião que a autora coloca na boca dos personagens carece de profundidade, recorrendo e se apoiando fortemente nos estereótipos. Não há religiosos razoáveis no romance, nem mesmo um; todos são no mínimo pouco confiáveis, suspeitos, quando não estúpidos ou maus. Em Enquanto Eles Dormiam, crer – ser católico, mais especificamente – é um estado muito próximo da corrupção. Mas a generalização nas discussões de Brunetti e demais personagens não é de estranhar considerando o entendimento equivocado destes sobre o cristianismo. Um exemplo é a cena em que Brunetti, com ares de entendido, pergunta ao colega Vianelo se o cristianismo não é, afinal de contas, sobre a bondade humana. Qualquer um que saiba o mínimo de teologia cristã dará uma gargalhada diante de tal ideia.</p>
<p>A trama em si demora a engrenar, o que faz sentido, já que Brunetti não faz ideia se de fato algo fora do normal está acontecendo, e precisa primeiro entender onde está pisando. Isto certamente incomodará quem tem preferência por histórias mais ágeis. Leon leva o tempo que julga necessário preparando o cenário e apresentando os personagens do drama, e entrega um final sólido, mas que talvez perca alguns leitores pouco afeitos a seu estilo mais vagaroso pelo caminho.</p>
<p>Os que restarem, como eu, devem ficar satisfeitos, embora não impressionados. Enquanto Eles Dormiam não é brilhante, mas competente, e cumpre seu papel como um legítimo livro policial de série: nos guiar por um universo familiar de personagens e suas aventuras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9465" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star4.png"  alt="star4 RESENHA | Enquanto eles dormiam, de Donna Leon"  width="98" height="22"></p>
<p><strong><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-17820 size-medium" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/04/12956_gg.jpg?w=186"  alt="12956_gg RESENHA | Enquanto eles dormiam, de Donna Leon"  width="186" height="300">Título</strong>: Enquanto eles dormiam<br />
<strong>Autora</strong>:&nbsp;Donna Leon<br />
<strong>Tradução</strong>: Carlos Alberto Bárbaro<br />
<strong>Editora</strong>:&nbsp;Companhia das Letras<br />
<strong>Ano</strong>: 2010<br />
<strong>Páginas</strong>: 288<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/enquanto-eles-dormiam-141697ed157589.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Este livro no Skoob</a></p>
<p><strong>SINOPSE</strong> – É início de primavera em Veneza. Com as temperaturas amenas, as hordas de turistas e as verduras e frutas no mercado de Rialto, parece chegar também uma onda de calma ao já não muito agitado submundo do crime da Sereníssima. Tomado pelo tédio, o <em>commissario</em> Guido Brunetti já perdia as esperanças de qualquer ação, até que recebe uma estranha visita. Mais uma vez retratando as peripécias desse atípico detetive &#8211; amante da boa mesa e da literatura e casado com uma intelectual filha de um conde veneziano &#8211; em meio a canais, praças e vielas que ele conhece como ninguém, Donna Leon nos conduz agora aos subterrâneos de uma misteriosa organização religiosa, protegida por figurões da cidade. Nesta trama cheia de intimidação e <em>dolce vitta</em>, Brunetti precisará de muita cautela e astúcia para aplacar a influência dos poderosos, inclusive de seu chefe, e proteger uma boa alma.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g RESENHA | Enquanto eles dormiam, de Donna Leon" alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/04/03/critica-enquanto-eles-dormiam-de-donna-leon/">RESENHA | Enquanto eles dormiam, de Donna Leon</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Maigret entre os Flamengos, de Georges Simenon</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2016/09/15/maigret-entre-os-flamengos-de-georges-simenon/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Padrini]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Sep 2016 13:16:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[clube do crime]]></category>
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		<category><![CDATA[maigret entre os flamengos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rodrigo Padrini &#8211; Não se espante. Maigret é assim mesmo, entra na sua casa, senta à mesa, aceita uma</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/09/15/maigret-entre-os-flamengos-de-georges-simenon/">Maigret entre os Flamengos, de Georges Simenon</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Rodrigo Padrini</em> &#8211; Não se espante. Maigret é assim mesmo, entra na sua casa, senta à mesa, aceita uma bebida e fica para o jantar. Para quem acompanha a série de romances com o Comissário Maigret escrita pelo belga Georges Simenon, a dimensão pessoal de suas investigações já não assusta. Nem a sua informalidade ou caráter intuitivo. Ele vai chegando e incomodando. São os seus modos.</p>
<p>&#8220;Maigret Entre os Flamengos&#8221; (Companhia das Letras, 2016) é mais uma das novas edições da Companhia, que vem nos brindando desde 2013 com títulos esteticamente belos e encorpados, protagonizados por um dos detetives mais famosos da literatura policial. Já comentei sobre outras publicações no site e sobre o próprio personagem, mas volto a dizer que tenho curtido bastante a iniciativa da editora.</p>
<p>O mistério dessa vez se passa em Givet, uma comuna francesa próximo à fronteira com a Bélgica, aparentemente no início da década de 30 do século XX – o romance foi publicado originalmente em março de 1932. Assim como em outras ocasiões, o comissário resolve deixar a sua casa, a sua esposa e o seu escritório para passar alguns dias em outra localidade, adotando uma de suas formas preferidas de trabalhar: a imersão em uma determinada realidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>“Era mais que amor, era fervor que havia em seu tom. Estava transfigurada. Não ousava se sentar novamente. Prendendo a respiração, esperava, de modo que tudo sugeria se tratar de uma espécie de super-homem que ia aparecer”.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Após ser requisitado pela jovem Anna Peeters, que pede a sua ajuda para que não cometam uma injustiça contra a sua família, Maigret recebe um telegrama do comissário da polícia de Nancy que termina por instigar a sua curiosidade. Sem levar um terno sobressalente, Maigret desembarca em Givet, onde pretende inebriar-se de todos os afetos, informações e contradições possíveis, até que consiga solucionar o mistério para o qual foi convocado.</p>
<p>Li este romance rapidamente. A narrativa é ágil e Simenon consegue, como na maioria das aventuras com o comissário Maigret, atiçar nossa curiosidade e revelar um desfecho surpreendente, que brinca também com o nosso conceito de justiça. O responsável por traduzir e transmitir a bela narrativa de Simenon é André Telles, encarregado da tradução também de outros oito títulos já publicados com o comissário nesta nova remessa de edições da Companhia.<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-14471" style="border: 1px solid #c0c0c0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/09/arquivo_001-1.jpeg"  alt="arquivo_001-1 Maigret entre os Flamengos, de Georges Simenon"  width="1200" height="900"></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A utilização de alguns vínculos familiares em alguns trechos por Simenon – sobrinho de ciclano, prima de fulano – em detrimento da utilização de nomes, gera breves momentos de confusão numa leitura menos atenciosa ou com intervalos regulares. Recomendo ler em uma ou duas sentadas. Porém, nada que afete o desenvolvimento da história e não possa ser solucionado com algumas retomadas em páginas anteriores.</p>
<p>No Brasil, o termo “flamengo” pode gerar piadinhas futebolísticas silenciosas ou remeter ainda àquelas aves rosa de pescoço comprido – os flamingos -, mas não se confunda. Os “flamengos” se referem historicamente a um determinado grupo de habitantes de uma região no norte da Bélgica. Literatura policial também é cultura.</p>
<p>O impacto dos acontecimentos e sua dramaticidade são muito característicos da época em que se passa a história, e aprofundar-se na leitura buscando compreender o contexto em que a trama se desenrola pode tornar sua experiência ainda mais interessante. Simenon é implacável, mais uma vez. Uma história curta, profunda e marcante. Leia sem moderação.</p>
<p><em>(Fotos: Rodrigo Padrini)</em><br />
<img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-11868 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 20px; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/02/parceria_companhia.jpg"  alt="parceria_companhia Maigret entre os Flamengos, de Georges Simenon"  width="268" height="70"></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-9465 size-full" style="margin-top: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star4.png"  alt="star4 Maigret entre os Flamengos, de Georges Simenon"  width="98" height="22"></p>
<p><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-13385 size-medium" style="margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/07/flamengos.png?w=200"  alt="flamengos Maigret entre os Flamengos, de Georges Simenon"  width="200" height="300"><strong>Título</strong>: Maigret Entre os Flamengos (Original: Chez les Flamands)<br />
<strong>Autor</strong>: Georges Simenon<br />
<strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br />
<strong>Tradução</strong>: André Telles<br />
<strong>Páginas</strong>: 136</p>
<p><strong>SINOPSE</strong> &#8211; O comissário Maigret recebe um chamado de uma mulher desesperada para esclarecer um caso de assassinato envolvendo sua família. Levado à chuvosa cidade de Givet, na fronteira com a Bélgica, ele precisará solucionar um fascinante mistério. Contudo, tanto a respeitável loja da família quanto a sonolenta comunidade e até o ruidoso rio que atravessa o vilarejo escondem segredos que ele não tardará a descobrir.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="9447ef7c6ff933f7c5e0a13f7ffac4deab4ad21cf3e793347f68cf2be4431202?s=100&#038;d=mm&#038;r=g Maigret entre os Flamengos, de Georges Simenon" alt='Rodrigo Padrini' src='https://secure.gravatar.com/avatar/9447ef7c6ff933f7c5e0a13f7ffac4deab4ad21cf3e793347f68cf2be4431202?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/9447ef7c6ff933f7c5e0a13f7ffac4deab4ad21cf3e793347f68cf2be4431202?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/rodrigopadrini/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rodrigo Padrini</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Psicólogo, mestre e doutorando em Psicologia. Atua no sistema prisional. É músico e leitor assíduo de romances policiais, com aquele lugar especial no coração para Georges Simenon e Raymond Chandler.</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://maisumaopiniao.com.br/" target="_self" >maisumaopiniao.com.br/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/09/15/maigret-entre-os-flamengos-de-georges-simenon/">Maigret entre os Flamengos, de Georges Simenon</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Stieg Larsson – A verdadeira história do criador da trilogia Millennium</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Aug 2016 15:42:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escandinavos]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[ana paula laux]]></category>
		<category><![CDATA[clube do crime]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Ana Paula Laux &#8211; Quem diria que Stieg Larsson se tornaria um dos maiores nomes da literatura policial no</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Ana Paula Laux</em> &#8211; Quem diria que Stieg Larsson se tornaria um dos maiores nomes da literatura policial no mundo? Ele diria, já que sempre acreditou no potencial da trilogia Millennium. Stieg morreu em 2004 com apenas 50 anos, depois de sofrer&nbsp;um ataque cardíaco fulminante e antes de ver seu primeiro romance&nbsp;policial ser lançado.&nbsp;A biografia “Stieg Larsson – A verdadeira história do criador da trilogia Millennium” é uma bela homenagem a este escritor que deixou sua marca na literatura.</p>
<p>O livro foi escrito por Jan-Erik Pettersson, jornalista e antigo editor de Stieg, e publicado no Brasil em 2012 pela Companhia das Letras. É&nbsp;um guia maravilhoso, incrível e completo para quem quer conhecer as origens do autor, suas motivações políticas, sua paixão pela justiça e a maneira corajosa como enfrentava a vida.</p>
<p>Pettersson divide o livro cronologicamente. Começa&nbsp;descrevendo a infância de Stieg e sua relação com a família, o passado político dos pais e do avô Severin,&nbsp;e&nbsp;como desde pequeno ele já tinha um posicionamento forte sobre as coisas do mundo. O miolo é dedicado ao engajamento com as causas políticas, as viagens para lugares como Etiópia e a ilha de Granada (onde Lisbeth desembarca no segundo livro) e o ativismo combatente&nbsp;à&nbsp;Guerra do Vietnã.</p>
<p>Pettersson faz uma contextualização política extensa e um pouco cansativa em alguns trechos, desmitificando a imagem do país justo e moderno atribuído à Suécia, relembrando transições políticas, citando as origens de movimentos fascistas e a influência do partido Social Democrata no país. É o gancho para compreendermos o embrião das histórias de Stieg e de seu trabalho como pesquisador e &nbsp;jornalista político.</p>
<h4>&nbsp;<br />
Bom humor e coragem</h4>
<p>Há muitas revelações menores porém deliciosas no decorrer da leitura. Stieg lia histórias de detetive desde criança, era fascinado por ficção científica, teve um fanzine dedicado a&nbsp;Isaac Asimov, interessava-se por novas tecnologias, desenho e redação, era fã de Raymond Chandler e Dashiell Hammett. Seu apelido na revista Expo era Stieg-piada, porque ele adorava fazer os outros rirem. Curiosamente, ele não chegou a se formar em jornalismo. Começou mesmo trabalhando em uma agência de notícias como&nbsp;ilustrador de artigos, aptidão herdada do pai, Erlande.</p>
<p>O lado pesquisador veio anos depois, quando tornou-se&nbsp;uma referência nos assuntos sobre extremismo de direita, um dos maiores especialistas em análises sobre movimentos fascistas e neonazistas na Europa, sendo frequentemente chamado para dar palestras sobre estes temas para políticos e até para a Scotland Yard. A revista Expo (um espelho da Millennium da trilogia) nasceu desse ativismo e da necessidade que Stieg tinha em buscar justiça, em provar que neonazistas não eram jovens delinquentes com problemas, como acreditava a polícia sueca, e sim um movimento político organizado e sério, com crenças e convicções.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=B00A7GJ1HU&amp;asins=B00A7GJ1HU&amp;linkId=1d09d6e1e8a6d20b27b154c0385d7c3c&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A revista foi inaugurada em 1995 visando reunir um arquivo de informações sobre a direita radical na Suécia, para que estes grupos extremistas não fugissem da justiça. Foram muitos os ataques sofridos por Stieg por conta de seu posicionamento político – no final dos anos de 1990, ele chegou a ser a pessoa mais ameaçada da Suécia -, incluindo aí ameaças de morte a apoiadores da revista e citações em sites nazistas da Europa inteira. Foi por isso que ele nunca se casou com a companheira de vida, Eva, para que justamente não existissem papéis oficiais com informações que pudessem comprometer a segurança dela. Mesmo assim, ele não desistiu de denunciar os grupos fascistas e seus atos de violência, tão pouco se deixou intimidar por eles.</p>
<p>Essa biografia ajuda a entender a extensão do domínio que Stieg tinha dos assuntos tratados nos livros. Como ele, por exemplo, gostava de escrever com o Mac branco no colo e os pés numa escrivaninha, imaginando um jornalista idealista e convencional como Blomkvist e uma heroína que age, se vinga e se liberta, tal qual Lisbeth, e que enfrenta as piores situações para vencer no final. Ele sabia do que falava porque tinha conhecimento de causa. Por exemplo, quando em “A rainha do castelo de ar” a empresa de segurança Milton Security instala um potente sistema de alarme na casa da jornalista Erika Berger. Anos antes, Stieg havia escrito um artigo para a Associação de Jornalistas Suecos justamente sobre este tema, explicando&nbsp;como jornalistas deveriam agir quando passassem por situações de perigo.</p>
<p>Claro que transformar os episódios da própria vida em uma ficção enérgica exige mais do que a sóbria habilidade de descrever, mas seus livros acabaram sendo, de certa forma, uma extensão idealista da vida que ele levava. Com a exceção de que, na ficção, ele tinha total controle sobre tudo que não controlava na vida real.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Noir Nórdico</h4>
<p>Pettersson conclui o livro resgatando a história do romance policial sueco e como o gênero deixou de ser uma simples distração de otimistas para virar um espelho da sociedade, transformando a Suécia numa espécie de “pólo do crime” da ficção anos atrás, com a febre do Noir Nórdico. Ele ainda cita referências do gênero no país, como o casal Per Wahlöö e Maj Sjöwall e Henning Mankell, criador do detetive Wallander. Há mais detalhes sobre a concepção da trilogia nesse finalzinho, como a inspiração para criar Lisbeth, que ele via como uma versão cyberpunk de Pippi Meialonga, a famosa personagem infantil de Astrid Lindgren.</p>
<p>Segundo Pettersson, a convicção que Stieg tinha de que seus livros seriam um sucesso não era um mero “feeling” de escritor. Antes de publicá-los, Stieg testemunhou o interesse crescente dos editores pela obra avaliada, e chegou até a negociar detalhes para uma possível adaptação para o cinema. Parece que uma brincadeira recorrente era de que talvez ele chegasse a ser mais importante do que o próprio Mankell, e dizem que ele se divertia muito com isso, já que escrever ficção havia virado uma paixão autêntica.</p>
<p>É realmente difícil entender o destino que nos priva de uma experiência como essa, a de ter Stieg Larsson amplificando o coro&nbsp;na luta contra o racismo, na defesa do movimento feminista, dos direitos humanos e por uma sociedade mais justa. Afinal, o que ele teria a dizer sobre os 4000 refugiados mortos até então nos mares da Europa? O que acharia&nbsp;da popularidade de Trump e&nbsp;das revelações de&nbsp;Snowden sobre a NSA? Será que se surpreenderia com&nbsp;as tendências conservadoras dos tempos modernos? Eu penso que não, mas isso é algo que&nbsp;nunca saberemos. Só uma coisa é certa: o mundo seria um pouquinho melhor com Stieg vivendo nele ainda. Ah, se seria&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Confira a resenha em vídeo</p>
<p>[embedyt] https://www.youtube.com/watch?v=qRBLNSiX37I[/embedyt]</p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="western" align="justify"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9465" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star4.png"  alt="star4 Stieg Larsson – A verdadeira história do criador da trilogia Millennium"  width="98" height="22"></p>
<p><strong><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-13740 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/08/stieg_bio.jpg"  alt="stieg_bio Stieg Larsson – A verdadeira história do criador da trilogia Millennium"  width="150" height="224">Título</strong>: Stieg Larsson &#8211; A verdadeira história do criador da trilogia Millennium<br />
<strong>Autor</strong>:&nbsp;Jan-Erik Pettersson<br />
<strong>Tradutora</strong>:&nbsp;Maria Luíza Newlands<br />
<strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br />
<strong>Páginas</strong>: 288<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/livro/272340#_=_" target="_blank" rel="noopener">Este livro no Skoob</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SINOPSE</strong> – A biografia definitiva de Stieg Larsson revela como sua intensa atuação política foi fundamental para transformá-lo no escritor que conquistou o mundo com os personagens Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 Stieg Larsson – A verdadeira história do criador da trilogia Millennium"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/08/08/stieg-larsson-a-verdadeira-historia-do-criador-da-trilogia-millennium/">Stieg Larsson – A verdadeira história do criador da trilogia Millennium</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Sesc TV dedica especial à literatura policial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2016 13:13:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O canal Sesc TV dedicou um especial à literatura policial nesta segunda, 1º, em&#160;mais um programa da série Libris. O&#160;episódio</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/08/02/sesc-tv-dedica-especial-a-literatura-policial/">Sesc TV dedica especial à literatura policial</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O canal Sesc TV dedicou um especial à literatura policial nesta segunda, 1º, em&nbsp;mais um programa da série Libris. O&nbsp;episódio inédito “O culpado não é mais o mordomo&#8221;&nbsp;mostrou&nbsp;mini-biografias de precursores do gênero como Edgar Allan Poe e Arthur Conan Doyle, depoimentos de frequentadores da biblioteca temática Paulo Setúbal, indicações de livros policiais e ainda uma entrevista com o escritor carioca Luiz Alfredo Garcia-Roza, criador do detetive Espinosa.</p>
<p>Com direção do&nbsp;escritor, cineasta e jornalista José Roberto Torero, &nbsp;o especial enfatizou a preferência cada vez maior dos leitores por romances policiais e como esse tipo de livro envolve do começo ao fim quem o&nbsp;lê. Luiz Alfredo Garcia-Roza falou sobre a estrutura da narrativa, a ficção policial no cinema, a série com Espinosa e os autores que mais o influenciaram no gênero.&nbsp;Confira trechos da entrevista com o Luiz Alfredo Garcia-Roza sobre os assuntos abordados no programa.</p>
<h3>&nbsp;<br />
A&nbsp;estrutura narrativa</h3>
<p>&#8220;O romance policial é o que menos varia. (Jorge Luis) Borges dizia que o romance policial foi o mais duradouro exatamente por sua estrutura clássica, com começo, meio e fim, com um problema e uma tentativa de solução. Acho que o modelo mais antigo de romance policial é Édipo Rei, de Sófocles, peça de teatro grega escrita por&nbsp;volta de 427 a.C. No final do século 19, o Edgar Allan Poe dá uma nova roupagem à estrutura da tragédia grega. E aí ele pode ser considerado o pai da literatura policial.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>O leitor de policiais</h3>
<p align="justify">&#8220;O leitor de literatura, em geral, se deixa tomar pelo fluxo da narrativa. O do romance policial não. Ele está buscando uma coisa e fica indignado quando o detetive não segue algo tão óbvio. Dentro do romance, o leitor é colocado como investigador também. O leitor do romance policial é mais ativo.&#8221;</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p><center><iframe loading="lazy" style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8535930191&amp;asins=8535930191&amp;linkId=ffc9cc1fd787ef05c592c860100c1a84&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" width="300" height="150" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></center></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<h3>Influências</h3>
<p>&#8220;Cornell Woolrich é um dos iniciadores do gênero, pouco conhecido mas excepcional. Hoje, você tem autores com estilo próprio, mas que estão ainda dentro de uma estrutura que foram determinadas pelos precursores do gênero (como Arthur Conan Doyle e Agatha Christie)&#8230;&nbsp;Eu indicaria uma autora pouco conhecida, que é a Patricia Highsmith. Seu&nbsp;livro mais conhecido é O Talentoso Ripley. Foi uma escritora brilhante, não fez concessões em termos de cânones. O personagem que criou é um psicopata, um sujeito absolutamente sem culpa, amoral, mas que os leitores se apaixonam.&nbsp;Ele consegue se transformar num ente querido apesar de ser capaz de matar a velhinha na rua só porque ela está demorando para atravessar a rua.&#8221;</p>
<p align="justify"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-13716 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/08/sesc_roza6.jpg"  alt="sesc_roza6 Sesc TV dedica especial à literatura policial"  width="545" height="316"></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Delegado Espinosa</h3>
<p>&#8220;Se o personagem principal for cativante, ele passa a ser uma força paralela à força do autor. O Espinosa, por exemplo, muita gente me pergunta na rua quando vai sair &#8216;o próximo Espinosa&#8217;, e não o próximo livro. Um personagem que atravesse vários livros é como se estabelecesse um campo de luta, ele já cria uma predisposição positiva ou negativa, já que ele também corre o risco de cansar o leitor ou autor. Se meu personagem atravessa dez&nbsp;livros, tenho que dar nesses livros uma indicação mínima de quem ele é, como se veste, seus hábitos, o que faz.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Ficção policial e cinema</h3>
<p>&#8220;O romance policial, formalmente, é ao mesmo tempo simples porém rico em suas possibilidades. Como estrutura é simples, mas seus desdobramentos podem ser ricos. A história tem uma espessura temporal reduzida, se passa em alguns meses no máximo, geralmente se passa num bairro. Ele é formalmente bem estruturado e não precisa ter dez&nbsp;ou vinte&nbsp;personagens secundários; dois ou três já são&nbsp;suficientes, então ele é facilitador.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>A polícia nos livros</h3>
<p align="justify">&#8220;Uma coisa que foi impeditiva durante muito tempo, e não foi à&nbsp;toa que comecei a escrever com 60 anos, foi na época da ditadura em que a polícia estava a serviço de um estado repressor violento. Como fazer uma história de polícia assim? Com a ficção, você tem que fazer uma torção disso tudo e colocar um nível da ficção que seja crível.&#8221;</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<h3>O romance policial é subliteratura?</h3>
<p>&#8220;Se você for perguntar na ABL (Academia Brasileira de Letras), eles vão dizer que é não é&nbsp;subliteratura. Num debate literário, as pessoas também vão dizer que não é subliteratura. Mas o simples fato de você me perguntar isso ainda me faz imaginar que deve ser. Uma história policial tem uma extensão temporal e uma espessura relativamente reduzidas. Ele é menor no sentido de que você tem menos personagens, portanto menos complexidade de trama, e uma certa linearidade (embora nem todo romance policial seja linear) que facilita para o leitor. Então, ele é mais simples. Daí a ser menor e subliteratura é um passo, entende?&#8221;</p>
<p align="justify"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-13719 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/08/sesc_roza7.jpg"  alt="sesc_roza7 Sesc TV dedica especial à literatura policial"  width="513" height="321"></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>A rotina de escrita</h3>
<p>&#8220;Eu escrevo aqui nessa sala, nessa mesa e no computador. Não escrevo à mão, escrevo direto no computador. Tenho um aqui e um em casa. Às vezes, quando vou pra casa e quero continuar no mesmo ponto eu levo num pendrive o que eu fiz e continuo lá. É como se fosse um lugar único de escrever. Ninguém entra aqui e pra mim é importante. Preciso de silêncio, sou facilmente distraível. Quando me concentro, estou concentrado, mas com facilidade eu quebro essa concentração e viajo. Posso estar trabalhando uma parte importante do livro, e de repente giro a cadeira para a janela e vejo um avião, e fico olhando para ver se eles vão descer direitinho&#8230; Eu orientava teses como professor de pós-graduação, tinha uma escrita universitária acadêmica razoavelmente intensa. Tenho dez&nbsp;livros teóricos escritos, então era de se esperar que uma vez aposentado da universidade, que eu fosse&#8230; não digo surfar mas pelo menos fazer uma coisa mais distante, mas sempre tive vontade de fazer ficção. Não dava pra fazer ficção e trabalho teórico ao mesmo tempo, são modos de pensar e escrever diferentes. Então quando parei com meu trabalho na universidade, eu comecei a escrever.&#8221;</p>
<p align="justify"><em>[Imagens: reprodução Sesc TV]</em></p>
<p align="justify"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-3871 size-full" style="margin-top: 50px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/02/ana2.png"  alt="ana2 Sesc TV dedica especial à literatura policial"  width="630" height="133"></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 Sesc TV dedica especial à literatura policial"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/08/02/sesc-tv-dedica-especial-a-literatura-policial/">Sesc TV dedica especial à literatura policial</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<item>
		<title>O Caso Saint-Fiacre, de Georges Simenon</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Padrini]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Feb 2016 13:13:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[clube do crime]]></category>
		<category><![CDATA[companhia das letras]]></category>
		<category><![CDATA[georges simenon]]></category>
		<category><![CDATA[L’Affaire Saint-Fiacre]]></category>
		<category><![CDATA[o caso saint fiacre]]></category>
		<category><![CDATA[rodrigo padrini]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rodrigo Padrini &#8211; Como alguns provavelmente sabem, Georges Simenon (1903-1989) é um dos meus autores favoritos e devo a</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/02/17/o-caso-saint-fiacre-de-georges-simenon/">O Caso Saint-Fiacre, de Georges Simenon</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Rodrigo Padrini</em> &#8211; Como alguns provavelmente sabem, Georges Simenon (1903-1989) é um dos meus autores favoritos e devo a minha entrada no mundo da literatura policial a ele. Na minha última contagem, havia lido 32 dos 75 romances protagonizados pelo comissário Maigret, o mais famoso personagem criado pelo escritor belga, e vários contos também.</p>
<p>Nos últimos meses, li alguns autores mais atuais, como Tess Gerritsen e Stieg Larsson, e dei um intervalo nas aventuras de Maigret, tomando um chá de viagem no tempo quando retornei a um título publicado originalmente em 1932. O Caso Saint-Fiacre (Companhia das Letras, 2015) ganhou uma nova edição recentemente e nos traz, o que considero, uma narrativa de altos e baixos, demorando um pouco para engrenar, porém ainda digna de seu criador.</p>
<p>A história gira em torno da morte da condessa de Saint-Fiacre, uma velha senhora que vivia entre o devotamento religioso, o pecado e a perda de sua fortuna. Entre os suspeitos estão o seu filho, o padre, o jovem amante e os administradores do castelo da família. Maigret entra na história antes de tudo acontecer, após receber um bilhete anônimo anunciando que um crime será cometido durante a primeira missa na igreja de Saint-Fiacre.</p>
<p>Sem resumir a história nem entregar os acontecimentos, trarei alguns pontos positivos e negativos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Pontos negativos</h4>
<p>Confesso que, durante boa parte do romance, senti dificuldade de acompanhar a trama, me confundindo com nomes e diálogos. Ainda não havia sentido algo parecido na leitura de Simenon, o que me incomodou. Principalmente nos primeiros capítulos, algumas cenas acabam contando muito com a nossa própria capacidade de identificar “quem está falando o quê” e qual a sequência dos acontecimentos, elemento que prejudica a fluidez da leitura.</p>
<p>Como disse anteriormente, ler um título de 1932 nos exige interesse e um pouco de paciência, afinal, vários termos utilizados podem soar estranhos, mas acabarão incrementando o seu vocabulário.</p>
<p>O romance não assume o ar introspectivo e psicológico que normalmente encontramos nos mistérios de Maigret. Encontramos muitas narrações dos eventos e diálogos, e pouca reflexão sobre o crime.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Pontos positivos</h4>
<p>A investigação se passa em Saint-Fiacre, onde Maigret nasceu e onde seu pai foi administrador (uma espécie de auxiliar/gestor dos empregados e demais atividades) do castelo por trinta anos. As lembranças do comissário e os elementos de sua infância são um aspecto interessante deste título.</p>
<p>Os capítulos 8, 9 e 10 nos brindam com uma das sequências mais cativantes que encontrei nos romances de Simenon protagonizados pelo comissário Maigret. Principalmente no capítulo 9, no jantar “Sob o signo de Walter Scott”, Simenon mostra sua capacidade de escrever de forma elegante, crua e instigante, e foi o trecho do livro que li sem intervalos para um cafezinho. Uma cena densa, daquelas em que mergulhamos.</p>
<p>A edição da Companhia das Letras é bela e ficará bem na sua estante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-11564 size-large" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/02/img_1313.jpg?w=700"  alt="img_1313 O Caso Saint-Fiacre, de Georges Simenon"  width="700" height="525"><em>“Eu ia dizendo que, como o assassino está aqui, os outros fazem de certo modo o papel de justiceiros&#8230;&nbsp;E é por isso que nossa reunião parece um capítulo de Walter Scott”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por fim, recomendo a leitura de “O Caso Saint-Fiacre”, mas não acho que seja a melhor dica para quem busca se iniciar na obra de Simenon com o comissário Maigret. <a href="https://literaturapolicial.com/2015/08/03/meu-nome-e-maigret-jules-maigret-parte-1/" target="_blank" rel="noopener">Em outro texto que escrevi aqui no site</a>, apresentei outros títulos que talvez se encaixem melhor nessa categoria.</p>
<p>No entanto, este romance traz elementos essenciais para os amantes do comissário Maigret e nos dá uma aula de como construir cenas carregadas de mistério e tensão. Vale a pena acrescentar à sua coleção.</p>
<p><em>* Exemplar cedido pela Companhia das Letras</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-9406 size-full" style="margin-top: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star3.png"  alt="star3 O Caso Saint-Fiacre, de Georges Simenon"  width="75" height="22"></p>
<p><strong><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-11565 size-thumbnail" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/02/fiacre.jpg?w=97"  alt="fiacre O Caso Saint-Fiacre, de Georges Simenon"  width="97" height="150">Título</strong>: O Caso Saint-Fiacre (Original: L’Affaire Saint-Fiacre)<br />
<strong>Autor</strong>: Georges Simenon<br />
<strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br />
<strong>Páginas</strong>: 144<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/o-caso-saint-fiacre-2279ed3019.html" target="_blank" rel="noopener">Este livro no Skoob</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SINOPSE </strong>&#8211;&nbsp;O caso Saint-Fiacre é o décimo terceiro livro protagonizado por Jules Maigret, em que, finalmente, conhecemos seu passado. Ele é filho do administrador de um castelo ao sul de Paris, para onde volta pela primeira vez desde o enterro do pai. O motivo? Um bilhete anônimo: um crime seria cometido no local durante a missa de finados. Antes do fim do sermão, a condessa de Saint-Fiacre morre subitamente. Sua família está falindo. O filho é um aproveitador. O secretário, seu amante e possível herdeiro. Os atuais administradores do castelo, oportunistas em potencial. O padre, um omisso. Mais que investigar os suspeitos, o maior desafio de Maigret é enfrentar as lembranças que Saint-Fiacre lhe desperta.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="9447ef7c6ff933f7c5e0a13f7ffac4deab4ad21cf3e793347f68cf2be4431202?s=100&#038;d=mm&#038;r=g O Caso Saint-Fiacre, de Georges Simenon" alt='Rodrigo Padrini' src='https://secure.gravatar.com/avatar/9447ef7c6ff933f7c5e0a13f7ffac4deab4ad21cf3e793347f68cf2be4431202?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/9447ef7c6ff933f7c5e0a13f7ffac4deab4ad21cf3e793347f68cf2be4431202?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/rodrigopadrini/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rodrigo Padrini</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Psicólogo, mestre e doutorando em Psicologia. Atua no sistema prisional. É músico e leitor assíduo de romances policiais, com aquele lugar especial no coração para Georges Simenon e Raymond Chandler.</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://maisumaopiniao.com.br/" target="_self" >maisumaopiniao.com.br/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/02/17/o-caso-saint-fiacre-de-georges-simenon/">O Caso Saint-Fiacre, de Georges Simenon</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Breve olhar psicológico sobre Dias Perfeitos, de Raphael Montes</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2015/03/19/breve-olhar-psicologico-sobre-dias-perfeitos-de-raphael-montes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Padrini]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2015 16:39:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[clube do crime]]></category>
		<category><![CDATA[colunista]]></category>
		<category><![CDATA[companhia das letras]]></category>
		<category><![CDATA[dias perfeitos]]></category>
		<category><![CDATA[raphael montes]]></category>
		<category><![CDATA[rodrigo padrini]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rodrigo Padrini &#8211; Estive em uma ilha deserta e acabo de retornar. É a minha sensação ao mergulhar durante</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Rodrigo Padrini</em> &#8211; Estive em uma ilha deserta e acabo de retornar. É a minha sensação ao mergulhar durante alguns dias em uma trama envolvente criada pelo talentoso jovem escritor Raphael Montes, incluído com justiça em diversas listas do tipo escritores novos que você deve conhecer. Nascido em 1990, no Rio de Janeiro, o autor surpreende em seu segundo romance e cria com habilidade um retrato psicológico da insanidade perversa.</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://amzn.to/3JMNyU4" target="_blank" rel="noopener">Compre o livro/e-book</a></span></p>
<p>Honestamente, comecei minha leitura sem ter lido resenhas ou sinopses, e não me lembrava do que se tratava a história. Desinformado, tomei um susto quando o enredo tomou um caminho criminoso e, concluí, que a introdução havia sido tão boa que esquecia que estava lendo um romance policial. Tenho certeza que o autor se sentiria internamente satisfeito com a minha surpresa.</p>
<p>Utilizando-se de uma citação de Nietzsche, <em>há sempre alguma loucura no amor</em>. Mas também há sempre alguma razão na loucura -, e o autor dá início a um belo ensaio sobre os limites da paixão, da obsessão e do narcisismo. Com lampejos de violência e perversidade, Montes nos lembra que nossa racionalidade, por si só, é uma baita loucura, apenas não rotulada como tal por ter sido aceita pela maioria.</p>
<p>O livro é narrado e pensado na perspectiva de Téo, nosso protagonista, jovem, estudante de medicina e morador do Rio de Janeiro, na companhia de sua mãe. Em suas primeiras páginas, revela-se apenas um sujeito peculiar, introvertido, pouco sociável, dono de uma rotina agradável às suas necessidades. No entanto, ao avançarmos, conhecemos sua personalidade em detalhes e estaremos diante de um homem reservado em sua própria ética imoral, se é que isso existe.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="font-size: 1.45em;">“Ele era coerente, racional, inabalável;<br />
acabaria descobrindo o que fazer.<br />
A paz imóvel de Clarice incitava<br />
seus nervos numa brincadeira sádica.”</span></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Adotando comportamentos infantis e narcisistas, Téo demonstra uma personalidade fria, calculista e impressionantemente auto referente. Me provocando raiva e indignação em diversos momentos, sua habilidade de articular seus próprios pensamentos e convencer sua própria consciência do contrário beira o inacreditável. Téo mantém seu controle emocional e a razão ao se fazer acreditar que está agindo da forma correta, e que o mais imoral dos comportamentos é justificável.</p>
<p>Ao me imaginar em uma cena bizarra, na qual eu mesmo atenderia Téo em meu consultório de psicologia, lhe perguntava: cara, você já se colocou no lugar dessa menina? Não enxerga que está fazendo tudo isso apenas por você mesmo? Talvez não o chamasse de “cara”. Mas não! Não está fazendo por ele, mas por ela, Clarice, seu par romântico, papel complementar de sua alienação. Menina de beleza exótica, espontânea e cheia de sonhos, Clarice – sem referência à Lispector, a nossa personagem faz questão de frisar -, traz ao protagonista uma grande carga de sofrimento e felicidade. Lhe desmonta a estrutura básica, “Mas, não seria isso o amor?” questiona-se Téo, em seu fantástico mundo de Bob.</p>
<p style="text-align: center;"><img  title=""  alt="71z-0qeUZjL._SL1500_ Breve olhar psicológico sobre Dias Perfeitos, de Raphael Montes" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large" src="https://m.media-amazon.com/images/I/71z-0qeUZjL._SL1500_.jpg" width="1352" height="1500" /></p>
<p>Como em um teatro de marionetes, nosso candidato a psicopata da semana coloca o mundo a seu favor e não mede as consequências de suas atitudes para que isso aconteça. Ao criar uma peça onde atuarão em parceria “Téo e Clarice”, Téo impõe um amor às custas de qualquer sofrimento, próprio e de outrem, criando papeis a serem desempenhados.</p>
<p>Por acreditar-se envolvido em uma grande história de amor, o jovem pratica crueldades indescritíveis – o autor descreve -, tendo a todo o momento, como pano de fundo, a justificativa de um amor realizável. No entanto, o enredo, habilmente apresentado por Raphael Montes, nos mostra nada mais nada menos do que duas capacidades presentes em todos nós: nos apaixonar cegamente e nos alienar.</p>
<p>Em novos relacionamentos, torna-se comum o desejo de domínio do outro e a vontade quase irresistível de tornarem-se um só. A fusão. A alma gêmea. A metade da laranja. O arroz do meu feijão. Todos nós procuramos em alguma medida nosso papel complementar, alguém que nos fará completos e felizes. A ilusão da completude, que nunca existirá. Mas, o que pensar quando não respeitamos limites? Quando nos deixamos mover por emoções avassaladoras? Quando invadimos e nos deixamos invadir? Nosso protagonista não demonstra essas emoções, não traz à superfície o sentimento motivador de suas atitudes, apenas em alguns momentos, já misturadas ao caos. Ao contrário, Téo faz uso de sua couraça racional para buscar o que pode se tornar apenas a repetição de sua vida, a representação de um roteiro pronto.</p>
<p>Com traços psicológicos dignos de uma monografia, Montes constrói personagens perturbados de maneiras diferentes e nos oferece um prato cheio para análises. Em suas 278 páginas, &#8220;Dias Perfeitos&#8221; abala os nervos do leitor desavisado e nos convida a um passeio de ironia e loucura por ilhas desertas, malas vazias, barcos, anões e ambientes sufocantes. Como nos questiona Téo: quem não gostaria de fazer exatamente o que ele fez pela pessoa amada?</p>
<p>&nbsp;</p>
<h1>Sobre o livro</h1>
<p><img  title=""  alt="81f0UbBO-KL._SY466_ Breve olhar psicológico sobre Dias Perfeitos, de Raphael Montes" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large" src="https://m.media-amazon.com/images/I/81f0UbBO-KL._SY466_.jpg" width="311" height="466" /></p>
<p><strong>Título</strong>: Dias perfeitos<br />
<strong>Autor</strong>: Raphael Montes<br />
<strong>Páginas</strong>: 320<br />
<strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br />
<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://amzn.to/3JMNyU4" target="_blank" rel="noopener">Compre o livro/e-book</a></span></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Dias Perfeitos&#8221; apresenta Téo, um jovem estudante de medicina cuja vida solitária é dividida entre os cadáveres da faculdade e os cuidados com a mãe. Sua rotina cinzenta é virada de cabeça para baixo quando ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que, num gesto ousado, rouba-lhe um beijo. Esse único instante desperta em Téo uma obsessão avassaladora. Diante das recusas de Clarice, ele decide tomar uma atitude radical para conquistá-la: ele a sequestra. O que se segue é uma jornada alucinante pelas estradas do Rio de Janeiro, com Clarice sedada ao seu lado. Em uma viagem por cenários oníricos – de um chalé em Teresópolis a uma praia deserta em Ilha Grande –, os dois estabelecem uma rotina insólita de abusos e agressões. Clarice vive entre o desespero e uma assustadora resignação, enquanto Téo justifica seus atos com uma frieza e uma lógica aterradoras.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="9447ef7c6ff933f7c5e0a13f7ffac4deab4ad21cf3e793347f68cf2be4431202?s=100&#038;d=mm&#038;r=g Breve olhar psicológico sobre Dias Perfeitos, de Raphael Montes" alt='Rodrigo Padrini' src='https://secure.gravatar.com/avatar/9447ef7c6ff933f7c5e0a13f7ffac4deab4ad21cf3e793347f68cf2be4431202?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/9447ef7c6ff933f7c5e0a13f7ffac4deab4ad21cf3e793347f68cf2be4431202?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/rodrigopadrini/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rodrigo Padrini</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Psicólogo, mestre e doutorando em Psicologia. Atua no sistema prisional. É músico e leitor assíduo de romances policiais, com aquele lugar especial no coração para Georges Simenon e Raymond Chandler.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Bellini e o labirinto, de Tony Bellotto</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2014/11/04/resenha-bellini-voltou/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Nov 2014 13:09:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[ana paula laux]]></category>
		<category><![CDATA[autor nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Bellini e o Labirinto]]></category>
		<category><![CDATA[clube do crime]]></category>
		<category><![CDATA[lançamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Ana Paula Laux &#8211; Após 25 anos de investigações, Remo Bellini continua ácido, mulherengo, duro, beberrão e musical.</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2014/11/04/resenha-bellini-voltou/">Bellini e o labirinto, de Tony Bellotto</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="western" style="text-align:justify;" align="justify"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-6492" style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/11/bellini3.jpg"  alt="bellini3 Bellini e o labirinto, de Tony Bellotto"  width="651" height="439" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;"><strong>Por Ana Paula Laux</strong> &#8211; Após 25 anos de investigações, Remo Bellini continua ácido, mulherengo, duro, beberrão e musical. Amante incondicional do blues, mergulha com a mesma vontade nos acordes de John Lee Hooker e nos gemidos melódicos de Janis Joplin, mesmo que a memória já não seja das melhores. Em &#8220;Bellini e o labirinto&#8221;, ele reaparece no quarto romance policial da série de Tony Bellotto.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Dessa vez, a história acontece entre Goiânia e São Paulo, esta ainda é o ninho do detetive mesmo que ele mantenha a mesma vida solitária, emocionalmente instável e sem perspectivas de um futuro promissor. Contratado para intermediar o sequestro de um cantor sertanejo, Bellini viaja até Goiânia para tentar salvar Brandão, segunda voz da dupla Marlon &amp; Brandão. Nada pode prepará-lo para o imprevisível: o cantor é morto durante a operação de resgate (e isso não é spoiler não! a informação faz parte da sinopse oficial), num desfecho que se mostra uma armadilha arquitetada especialmente para ele. A música sertaneja vira uma desculpa para elogiar figurões como Chitãozinho e Xororó, mas também é mote para dar umas cutucadas, como quando cita &#8220;os penteados no estilo bagaço de cana&#8221; de outros sertanejos.<br />
</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">O primeiro ambiente é Goiânia, terra do acidente radiológico com o Césio 137, a tragédia de 1987 considerada até hoje o pior acidente dessa natureza. A personagem mais legal é Marianne da Ira, despojada e uma das várias mulheres de Bellini, uma alma problemática que inspira citações roqueiras e apaixonadas (Jimi Hendrix tem apenas um &#8220;m&#8221;, e não dois, como aparece no livro). O nome é uma homenagem a Mariane Faithfull, cantora da década de 1960 famosa também por ter namorado Mick Jagger no auge dos Rolling Stones. No decorrer dos capítulos, as ações transformam-se, direta ou indiretamente, em peças do quebra-cabeças que explicará a morte de Brandão e o envolvimento de Bellini no caso do sequestro.<br />
</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Alguns lugares e figuras essenciais reaparecem no labirinto de Bellini, como a sempre doce Dora Lobo (<em>Dora? &#8211; Não, é a Nair Bello, puta que o pariu! Claro que sou eu. Por que não atende o celular?</em>), a hacker Gisele e o bar Luar de Agosto, coladinho na quitinete dele na esquina da rua Peixoto Gomide com a alameda Santos. Apesar da natureza do crime ivnestigado a história tem um verniz suave, uma leveza sentida nas tiradas de Bellini. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Criado pelo músico Tony Bellotto em 1995, Remo Bellini estreou em &#8220;Bellini e a Esfinge&#8221; e, no cinema, foi vivido por Fábio Assunção. Por enquanto não há planos de adaptação do livro para o cinema, mas o autor já se mostrou aberto a propostas, <a href="https://literaturapolicial.com/2014/08/08/entrevista-tony-bellotto-lanca-bellini-e-o-labirinto/">como revelou em entrevista para o literaturapolicial.com</a>. Boa pedida, boa série!<br />
</span></p>
<p><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9406" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star3.png"  alt="star3 Bellini e o labirinto, de Tony Bellotto"  width="75" height="22" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-831 size-thumbnail" style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/08/bellini3.jpg?w=93"  alt="bellini3 Bellini e o labirinto, de Tony Bellotto"  width="93" height="150" /></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Título</strong>: Bellini e o Labirinto<br />
<strong>Autor</strong>: Tony Bellotto<br />
<strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br />
<strong>Páginas</strong>: 280<br />
<strong>Ano</strong>: 2014<br />
<a href="http://www.skoob.com.br/livro/403273ED457338" target="_blank">Este livro no Skoob</a></p>
<p class="western" style="text-align:justify;" align="justify"><strong>SINOPSE</strong>: O tempo passou, mas Bellini ainda mora sozinho num apartamento na região da avenida Paulista, coração de São Paulo. Algumas manias também permanecem, como almoçar todos os dias no Luar de Agosto, boteco próximo à sua casa. O crime para o qual será atraído, no entanto, não tem nada de comum. Depois de receber um telefonema de Marlon, parte da famosíssima dupla sertaneja Marlon &amp; Brandão, Bellini terá de sair da sua conhecida São Paulo e viajar ao coração de Goiânia, onde se verá embrenhado num universo de música sertaneja, césio-137, intriga e pelo menos uma dama fatal.</p>
<p class="western" style="text-align:justify;" align="justify"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3871" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/02/ana2.png"  alt="ana2 Bellini e o labirinto, de Tony Bellotto"  width="630" height="133" /></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 Bellini e o labirinto, de Tony Bellotto"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2014/11/04/resenha-bellini-voltou/">Bellini e o labirinto, de Tony Bellotto</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Necrotério, de Patricia Cornwell</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Oct 2014 12:46:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[ana paula laux]]></category>
		<category><![CDATA[clube do crime]]></category>
		<category><![CDATA[colunista]]></category>
		<category><![CDATA[companhia das letras]]></category>
		<category><![CDATA[kay scarpetta]]></category>
		<category><![CDATA[necrotério]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Ana Paula Laux &#8211; Em Necrotério (Companhia das Letras, 2010), a médica-legista Kay Scarpetta precisa descobrir o que levou</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2014/10/21/resenha-de-necroterio-de-patricia-cornwell/">Necrotério, de Patricia Cornwell</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Ana Paula Laux</em> &#8211; Em Necrotério (Companhia das Letras, 2010), a médica-legista Kay Scarpetta precisa descobrir o que levou o corpo de um homem morto a sangrar dentro da geladeira de um necrotério horas após ser transportado para lá. Ele estaria vivo quando foi colocado na geladeira? Ou será que houve um erro médico?</p>
<p>Depois de algum tempo servindo na Base Aérea de Dover, Scarpetta volta ao Centro Forense de Cambridge para resolver o mistério do &#8220;corpo sem identificação&#8221;, da pessoa que pode ter morrido por negligência ou intencionalmente. Após meses afastada do Centro, ela encontra um lugar bem diferente daquele que deixou e não sabe em quem confiar. No decorrer da investigação, ela é deliberadamente mal informada sobre detalhes importantes que vão sendo levantados, tanto pela polícia quanto pelo FBI e Forças Armadas. Ou seja, a coisa começa a ficar estranha.</p>
<p>Desconfiada, Scarpetta percebe que a sua própria equipe tem escondido informações e, para piorar, detalhes íntimos de seu passado profissional ameaçam comprometer sua reputação e emprego. É esse universo cheio de nós e intrigas que Patricia Cornwell cria para sua protagonista maior.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=856553068X&amp;asins=856553068X&amp;linkId=bf0b3afee8f4fc004a2b960177f16556&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os primeiros capítulos poderiam ser mais enxutos, pois em alguns momentos o exagero descritivo acaba interferindo no ritmo da leitura.&nbsp;O enredo evolui no decorrer dos capítulos e, aos poucos, o mistério vai sendo explicado. O final não chega a ser uma surpresa daquelas, mas é bem bolado.</p>
<p>O texto de Patricia Cornwell é sempre bem descritivo. Exposições médicas, científicas e tecnológicas recheiam o livro, como as descrições sobre nanotecnologia, a arquitetura interna do helicóptero de Lucy e as já frequentes enumerações médicas da legista. Estão presentes na trama figuras habituais, como o investigador Pete Marino, a sobrinha hacker Lucy Farinelli e o psicólogo/marido Benton Wesley.</p>
<p>Para quem gosta de um coquetel literário de suspense+ciência forense+thriller.</p>
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<p style="text-align: justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9406 alignnone" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star3.png"  alt="star3 Necrotério, de Patricia Cornwell"  width="75" height="22"></p>
<p><strong><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-773 size-thumbnail" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/08/necroterio.jpg?w=104"  alt="necroterio Necrotério, de Patricia Cornwell"  width="104" height="150">Título</strong>: Necrotério<br />
<strong>Autora</strong>: Patricia Cornwell<br />
<strong>Páginas</strong>: 376<br />
<strong>Editora</strong>: Paralela<br />
<strong>Ano</strong>: 2010 (no Brasil, 2014)<br />
<a href="http://www.skoob.com.br/livro/397356ED449952" target="_blank" rel="noopener">Este livro no Skoob</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SINOPSE</strong>: Conhecemos o início de sua carreira, quando Kay Scarpetta aceitou uma bolsa da Força Aérea para pagar pelos estudos na universidade. Agora, mais de vinte anos mais tarde, suas conexões militares secretas a trazem de volta para a base aérea Dover, onde esteve em um programa de treinamento. Como chefe do novo Centro Forense de Cambridge, em Massachusetts, Scarpetta enfrenta um caso que pode destruir sua reputação e tudo aquilo que lutou para conquistar pessoal e profissionalmente.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 Necrotério, de Patricia Cornwell"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2014/10/21/resenha-de-necroterio-de-patricia-cornwell/">Necrotério, de Patricia Cornwell</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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