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	<title>Arquivos continental op -</title>
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	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
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		<title>Nossos detetives, parte 2: O detetive particular</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2015/07/24/nossos-detetives-parte-2-o-detetive-particular/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2015 14:08:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[coluna]]></category>
		<category><![CDATA[continental op]]></category>
		<category><![CDATA[hardboiled]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como vimos no primeiro texto da série, os detetives amadores – excêntricos, aristocráticos, brilhantes – tiveram a predominância entre os grandes personagens da literatura policial desde a origem desta, no século XIX, até o fim da Era de Ouro, em meados dos anos 1930. Mas, ainda nos anos 1920, um novo tipo de personagem entrou...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone wp-image-7787 size-full" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/hardboiled.jpg" alt="hardboiled" width="700" height="339" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Como vimos <span style="color:#0000ff;"><a style="color:#0000ff;" href="https://literaturapolicial.com/2015/06/22/nossos-detetives-parte-1-o-brilhante-amador/" target="_blank">no primeiro texto da série</a></span>, os detetives amadores – excêntricos, aristocráticos, brilhantes – tiveram a predominância entre os grandes personagens da literatura policial desde a origem desta, no século XIX, até o fim da Era de Ouro, em meados dos anos 1930.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Mas, ainda nos anos 1920, um novo tipo de personagem entrou em cena, trazendo renovo ao gênero: o detetive particular.<br />
</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;"><strong>Enquanto os detetives amadores têm uma herança europeia, o detetive particular é um fenômeno notadamente norte-americano.</strong> O próprio gênero recebeu um tratamento diferenciado nos EUA, o que pode ser creditado a autores como Dashiell Hammett e Raymond Chandler. Seus textos se afastavam de elementos muito comuns nos romances policiais populares da época. As histórias – publicadas inicialmente em revistas pulp – eram mais cruas e violentas; ambientavam-se em grandes centros urbanos, retratando as classes mais baixas e os tipos criminosos que os habitavam; tinham uma linguagem popular, coloquial. <strong>Em lugar de intrincados assassinatos com venenos exóticos ou mistérios de quarto fechado, comuns nos romances policiais clássicos, o que se tinha eram situações complexas</strong>, por vezes envolvendo uma grande cadeia de eventos, interesses e crimes diferentes. Esse seguimento da ficção policial ficou conhecido como hardboiled (1), e nele o detetive particular toma o centro do palco.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="font-size:1.45em;">“Encrenca é o meu negócio” (2)</span></strong><br />
<img decoding="async" class="alignnone wp-image-7795 size-full" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/sleep.jpg" alt="sleep" width="550" height="363" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">As diferenças entre o detetive particular e o amador começam nas motivações. Enquanto muitos dos detetives amadores eram privilegiados em sua condição financeira, dedicando-se às investigações apenas como hobby, o detetive particular é um representante da classe trabalhadora igual a tantos outros. Seu interesse primário não é o desafio intelectual que determinado crime representa, mas pagar o aluguel – e jamais ficar sem um maço de cigarros.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;"><strong>A figura clássica do detetive particular é a de um outsider.</strong> Seu trabalho é incomum e se situa fora dos padrões empregatícios tradicionais. Geralmente mantém poucas relações sociais. É solitário e independente. Durão. Sua vida gira em torno do trabalho. É cínico e desconfia das figuras de autoridade. Responde a um conjunto muito particular de regras. Apesar de vender sua força de trabalho ao cliente que pagar, é a si mesmo que verdadeiramente responde. Esse compromisso com o próprio código de conduta pode levá-lo a cometer atos considerados dúbios ou moralmente questionáveis, como mentir, apelar para violência ou fazer justiça com as próprias mãos, um comportamento que reflete o mundo caótico e ambíguo em que vive.<br />
<strong><br />
</strong></span><span style="font-size:1.25em;"><strong><img decoding="async" class=" wp-image-7789  alignright" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/archer.jpg" alt="archer" width="155" height="241" /></strong></span><span style="font-size:1.25em;"><strong>Alguns estudiosos argumentam que existe um forte paralelo entre o detetive particular hardboiled e o herói dos antigos faroestes.</strong> Ambos têm em comum a moral e o senso de justiça próprios que os guia e o fato de estarem, cada um a sua maneira, à margem da sociedade. Ambos lutam contra um mundo corrupto que tenta intimidá-los e rechaçá-los a força e, como bons heróis clássicos, não se deixam vencer.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">O detetive particular também é comumente o narrador das próprias histórias. É a partir de seus olhos que entendemos não apenas o caso investigado, mas o próprio universo em que ele se desenrola. Testemunhamos seus pensamentos irônicos, ouvimos seus constantes diálogos internos. Nós o entendemos a partir dele mesmo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Seu método de trabalho não se parece com o do brilhante amador, a quem por vezes bastava analisar as pistas coletadas por outros para surgir, então, com a solução do crime. <strong>O detetive particular não é um gênio da dedução, mas um trabalhador.</strong> Seu método consiste em ir e vir pela cidade coletando informações, interrogando suspeitos, desenterrando pistas a força, se necessário. É o esforço que lhe traz a recompensa. Sua inteligência se manifesta na forma de astúcia e pensamento rápido para extrair segredos de alguém ou lidar com situações arriscadas.<br />
</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-7806" style="border:1px solid #000000;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/continental.jpg?w=100" alt="continental" width="149" height="224" /></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;"><strong>Continental Op, criado por Dashiell Hammett</strong>, é um dos primeiros exemplos que vem à mente quando se fala de detetives particulares. Seu nome jamais é citado; tudo que sabemos sobre ele é que é um dos trabalhadores (operatives) da agência de detetives Continental. Aparece em dezenas de contos de Hammett publicados na Black Mask (3) e alguns romances, como Seara Vermelha.  Outra criação famosa do autor é Sam Spade, de O Falcão Maltês, um dos grandes clássicos do gênero.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">O irônico Philip Marlowe, criação de Raymond Chandler, é o mais popular dos detetives particulares hardboiled. Protagonista de sete  romances (nove, contando dois lançados após a morte de Chandler por outros autores) (4) e diversos contos, Marlowe é um </span><span style="font-size:1.25em;">homem durão e, ao mesmo tempo, um sentimental incorrigível. Foi interpretado por Humphrey Bogart na adaptação ao cinema de The Big Sleep, primeiro romance de Chandler.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">O</span><span style="font-size:1.25em;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-7800  alignright" style="border:1px solid #000000;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/kathleen.jpg?w=259" alt="kathleen" width="201" height="232" /></strong></span><span style="font-size:1.25em;">utros representantes dessa categoria são Lew Archer, criado por Ross McDonald; o violento Mike Hammer, de Mickey Spillane; Easy Rawlings, de Walter Mosley; Matthew Scudder, de Lawrence Block; Elvis Cole, de Robert Crais; o casal Patrick Kenzie e Angela Gennaro, de Dennis Lehane.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Algumas das representantes femininas são <strong>V. I. Warshawski, de Sarah Paretsky</strong> (interpretada no cinema por Kathleen Turner); Kinsey Milhone, protagonista de uma bem sucedida série escrita por Sue Grafton; Hannah Wolfe, de Sarah Dunant; Claire Conrad, de Melodie Johnson Howe.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">É isso por enquanto. No próximo e último texto da série, falaremos do detetive policial. Fiquem ligados.<br />
<span style="color:#ffffff;">x</span><br />
</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">NOTAS</span></p>
<p style="text-align:justify;">1 &#8211; <span class="null">O termo vem do processo de cozimento de ovos: eles se tornam mais duros com a fervura. O mesmo pode ser dito dos detetives nessas histórias: eram endurecidos pelas adversidades que enfrentavam.</span></p>
<p style="text-align:justify;">2 &#8211; <span class="null">Nome de um volume de contos de Raymond Chandler (original: Trouble is my business).</span></p>
<p style="text-align:justify;">3 &#8211; <span class="null">Revista pulp onde Hammett, Chandler e outros autores publicaram muitas de suas histórias.</span></p>
<p style="text-align:justify;">4 &#8211; <span class="null">Amor e morte em Poodle Springs, que ficou inacabado com a morte de Chandler em 1959, foi terminado por Robert B. Parker e lançado em 1988, quando do centenário do nascimento do autor. Mais recentemente, o premiado John Banville foi escolhido pelos herdeiros de Chandler para reviver sua mais famosa criação. Utilizando seu já tradicional pseudônimo Benjamin Black, ele lançou A loura de olhos negros.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><em>(Imagens: <a href="http://www.thrillingdetective.com/archer.html" target="_blank">Thrilling Detective</a>, divulgação)</em></p>
<p style="text-align:justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1576" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/09/josue2.png" alt="josue2" width="600" height="133" /></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/07/24/nossos-detetives-parte-2-o-detetive-particular/">Nossos detetives, parte 2: O detetive particular</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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