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	<title>Arquivos entrevista -</title>
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	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
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		<title>ENTREVISTA &#124; Cláudia Lemes e a nova editora que chega em 2021</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Dec 2020 18:07:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[notícias]]></category>
		<category><![CDATA[cláudia lemes]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Ana Paula Laux &#8211; O ano novo começa com o surgimento de uma nova editora, dedicada especialmente à</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2020/12/17/entrevista-claudia-lemes-e-a-nova-editora-que-chega-em-2021/">ENTREVISTA | Cláudia Lemes e a nova editora que chega em 2021</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><em>Por Ana Paula Laux</em> &#8211; O ano novo começa com o surgimento de uma nova editora, dedicada especialmente à literatura moderna nacional. Idealizada pela escritora Cláudia Lemes, a <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.rocketeditorial.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Rocket Editorial</a></span> vai priorizar publicações de suspense, horror, ficção científica, policial, fantasia, eróticos, romances históricos, de época e chick-lit.</p>
<p>Apesar de ainda estar engatinhando, a Rocket já chamou a atenção dos leitores nas redes sociais e firmou parcerias com blogs literários para 2021, prometendo investir em histórias que irão cativar o leitor.</p>
<p>Confira abaixo a entrevista do Literatura Policial com Cláudia Lemes, escritora e publisher da Rocket Editorial, sobre as expectativas da nova editora e o que esperar também do mercado editorial em 2021.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>1. Como nasceu a ideia de criar uma editora? Qual as dificuldades que você enfrentou (e está enfrentando) para conseguir colocar essa ideia em prática?</strong></p>
<p>Trabalho com editoração há um bom tempo, então abrir a Rocket era uma ideia que dançava na minha cabeça há anos. Em 2020 eu praticamente fui forçada a avaliar minha carreira no mercado editorial e tomar as melhores decisões, e me afastar da carreira de autora pareceu um passo lógico. A Rocket nasceu da minha vontade de trabalhar nos bastidores e publicar os livros corajosos, criativos e disruptivos que o mercado <em>mainstream</em> ignora. Sinto que a maior dificuldade ainda é construir uma base de seguidores orgânicos realmente interessados no trabalho da editora, mas neste nosso primeiro mês de vida já estamos sentindo o apoio da comunidade leitora.</p>
<p><strong>2. A Rocket Editorial vai priorizar algum gênero literário para publicação? Se sim, qual (quais)?</strong></p>
<p>A Rocket, por hora, tem intenção de trabalhar com literatura de horror, ficção científica, policial, suspense, fantasia, eróticos, romances históricos, de época e chick-lit. No futuro, pretendemos publicar também não-ficção.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Nossa principal linha editorial será de literatura moderna nacional. Nosso critério é que as histórias sejam criativas, ousadas, bem-escritas e que abracem os gêneros aos quais pertencem.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>3. No site da Rocket, vocês dizem que pretendem resgatar livros esquecidos e dar espaço a autores nacionais. Qual vai ser o critério para a escolha dos livros esquecidos (foras de catálogo, inéditos no Brasil)? E para autores nacionais?</strong></p>
<p>Já encontramos alguns livros inéditos no Brasil que têm grande significado dentro de certos nichos. Não temos um critério definido para o resgate desses livros, mas nosso olhar está voltado para tudo que quebrou regras e encantou o público. Nossa principal linha editorial, no entanto, será de literatura moderna nacional. Nosso critério é que as histórias sejam criativas, ousadas, bem-escritas e que abracem os gêneros aos quais pertencem. Queremos publicar livros para quem ama ler, e embora a leitura confortável e o design sejam importantes para nós, vamos sempre colocar a história acima de tudo.</p>
<p><strong>4. Além de publicações, que outros serviços a Rocket Editorial irá oferecer? Vocês já estão recebendo originais?</strong></p>
<p>A Rocket trabalhará com 3 formas de publicação: a tradicional, na qual a editora investe na obra, cuida de todo o processo editorial e seus custos; a publicação paga, onde, depois de passar por uma seleção, o autor interessado e a editora alinham suas expectativas e o autor, esclarecido e ciente, arca com os custos de publicação; e uma forma inédita e híbrida, que a editora ainda está desenhando, onde ela e o autor trabalham na publicação como sócios. Independente da forma de publicação, todos os livros lançados pela Rocket estarão alinhados com os nossos padrões de qualidade e passarão por um dedicado processo de edição. <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.rocketeditorial.com.br/servi%C3%A7os" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Já estamos recebendo originais na aba Serviços do nosso site,</a></span> para autores que têm o perfil para publicação paga, e nossa chamada para originais para publicação tradicional será lançada no começo do ano que vem.</p>
<p><strong>5. Qual é a importância das redes sociais para a divulgação da editora?</strong></p>
<p>As redes sociais, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.instagram.com/rocketeditorial/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">em especial o Instagram</a></span> e nossa newsletter, são nossa principal base de comunicação com o público leitor. Procuramos gerar conteúdo divertido e informativo e manter um diálogo transparente e amigável com os nossos seguidores. Estamos crescendo exponencialmente e organicamente, o que nos deixa muito felizes e garante melhor alcance.</p>
<p><img  title="" fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-40668" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2020/12/claudia_rocket.jpg"  alt="claudia_rocket ENTREVISTA | Cláudia Lemes e a nova editora que chega em 2021"  width="450" height="523" srcset="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2020/12/claudia_rocket.jpg 450w, https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2020/12/claudia_rocket-258x300.jpg 258w" sizes="(max-width: 450px) 100vw, 450px" /></p>
<p style="text-align: center;">&#8220;A Rocket nasceu da minha vontade de trabalhar nos bastidores e publicar os livros corajosos, criativos e disruptivos que o mercado <em>mainstream</em> ignora.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>6. Como você enxerga o mercado editorial em 2021, ainda enfrentando a epidemia do novo coronavírus e com a possibilidade de os livros estarem novamente sujeitos à tributação pelo Estado?</strong></p>
<p>Precisamos ter fé no mercado editorial. Apesar de estarmos num país onde a leitura nunca foi incentivada pelo governo da forma como poderia ter sido, o amor pelos livros tem crescido como flores no asfalto. Hoje, os verdadeiros formadores de leitores no Brasil são os blogueiros literários, trabalho que deveria caber às escolas, prefeituras, livrarias e editoras. Mesmo com tantas dificuldades, o povo brasileiro lê cada vez mais, por prazer. Não há como retroceder, principalmente com a tecnologia como aliada. Encontraremos um jeito. A Rocket acredita que o livro é o futuro.</p>
<p><strong>7. Você também é uma autora de sucesso, com um grupo de fãs que prestigiam muito seu trabalho. Tem planos para continuar escrevendo ou vai se dedicar exclusivamente à editora no próximo ano?</strong></p>
<p>Estou dando um hiato na minha carreira, por puro <em>burnout</em>. Acho importante ser sincera com o meu público em relação aos motivos, muitas vezes romantizados, que me levaram a tomar essa decisão. A Rocket deverá ser minha ocupação principal nos próximos anos. Por sorte, a editora AVEC abraçou a tarefa de publicar meu próximo romance, Quando os Mortos Falam, e outros projetos engavetados, enquanto eu me dedico à nova fase no mercado editorial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>(Imagem: Cláudia Lemes/Rocket Editorial)</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 ENTREVISTA | Cláudia Lemes e a nova editora que chega em 2021"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2020/12/17/entrevista-claudia-lemes-e-a-nova-editora-que-chega-em-2021/">ENTREVISTA | Cláudia Lemes e a nova editora que chega em 2021</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>ENTREVISTA &#124; Cesar Alcázar fala sobre o Safra Vermelha, novo selo de literatura policial</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2019/05/15/entrevista-cesar-alcazar-fala-sobre-o-safra-vermelha-novo-selo-de-literatura-policial/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2019 21:09:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; O escritor, editor e tradutor Cesar Alcázar é um dos grandes incentivadores da literatura policial no país. Junto a</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>O escritor, editor e tradutor Cesar Alcázar é um dos grandes incentivadores da literatura policial no país. Junto a Cristiane Marçal e Jorge Ghiorzi, é responsável pelo primeiro festival literário do gênero, o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://portoalegrenoir.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Porto Alegre Noir</a></span>, que já está na segunda edição.</p>
<p>Em abril, mês que acontece o festival na capital gaúcha, foi anunciado que um novo selo de literatura policial, o Safra Vermelha, seria lançado em parceria com a Avec Editora. Nesta entrevista, conversamos com ele sobre o novo selo, as expectativas para o mercado editorial em uma época de crise e os próximos lançamentos.</p>
<p>Leia abaixo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Entrevista</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>1. Como surgiu a ideia de criar um selo de literatura policial?</strong></p>
<p>Essa é uma ideia que surgiu quando eu ainda estava na Argonautas Editora. Chegamos a fazer uma experiência, a antologia <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://literaturapolicial.com/2017/07/17/resenha-crimes-fantasticos-varios-autores/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Crimes Fantásticos</a></span>. Assim como o Duda Falcão, meu sócio na Argonautas, adoro coleções literárias, principalmente aquelas séries de bolso publicadas nos anos 60 e 70. Com o aumento do meu interesse em literatura policial ao longo dos anos, também cresceu minha vontade de fazer uma coleção do gênero. As grandes editoras do país, L&amp;PM, Record, Cia das Letras&#8230; tiveram suas coleções. Porém, nos últimos tempos, elas andaram meio esquecidas. Então pareceu a hora certa para criar algo nesse sentido. O Artur Vecchi, da AVEC Editora, gostou da ideia e começamos essa parceria.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>2. Qual é a sua participação nessa iniciativa?</strong></p>
<p>Sou o curador do selo, digamos assim, já que a palavra “editor” aqui muitas vezes se confunde com a posição do dono da editora (que no mercado internacional seria o publisher). Seleciono os autores, defino temas das antologias e as organizo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ss&amp;ref=as_ss_li_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8554470389&amp;asins=8554470389&amp;linkId=fb0da8079e4c810d21c81abbbf1e5a48&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=true" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>3. Quais serão os próximos títulos? Vocês já podem revelar alguma coisa?</strong></p>
<p>Já temos mais quatro títulos em andamento. Esperamos, se tudo der certo, lançar dois deles ainda em 2019: “Fronteiras”, uma antologia com três novelas que reúne um autor da Argentina (Nicolás Ferraro), um do Uruguai (Rodolfo Santullo) e um do Brasil (eu serei o representante daqui); e “Ratos de Cemitério – Os Casos Estranhos do Detetive Steve Harrison”, que compila quatro histórias policiais de Robert E. Howard, mais lembrado como o criador de Conan, o Bárbaro. Howard escreveu para os mais diversos gêneros publicados pelas revistas pulp, e não poderia ter deixado de escrever contos policiais. Mas, sendo Howard, ele deu uma cara mais fantástica e aventuresca ao estilo, e Steve Harrison é um detetive que se sente tão à vontade com um machado quanto com um revólver.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>4. Como você vê o mercado editorial hoje no Brasil, neste momento de crise? E mais especificamente o mercado da literatura policial?</strong></p>
<p>O mercado editorial hoje é uma incógnita. Sabemos que ele vai ter que se modificar, se adaptar, mas não sabemos ainda como. É um momento de experiências. O próprio selo Safra Vermelha já foi pensado levando em conta o cenário atual. Pretendemos fazer tiragens pequenas e investir mais em impressão sob demanda, ebooks e vendas diretas ao público.</p>
<p>Já a Literatura Policial vive um bom momento no Brasil. Percebo um movimento semelhante ao que aconteceu com a Literatura Fantástica dez anos atrás. Muitos autores estão surgindo, editoras estão apostando no gênero. O mercado dos independentes cresceu bastante também, alguns dos principais nomes no mercado hoje são independentes. E tenho visto uma participação maior de autores policiais nos eventos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>5. Que impacto um selo como o Safra Vermelha quer ter na produção literária nacional?</strong></p>
<p>Desejamos que o Safra atraia mais atenção para a nossa produção local e da América Latina também, que ele ajude a vencer estereótipos e preconceitos ainda persistentes em relação ao gênero. Também é uma ideia ressaltar o lado mais político da Literatura Policial. A escolha do nome Safra Vermelha, uma homenagem ao escritor e ativista de esquerda Dashiell Hammett, evidencia nossa escolha. A Literatura Policial é uma bela ferramenta para dissecar as mazelas de nossa sociedade. E quando se pode fazer isso aliado à diversão, não há nada melhor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>(Foto: Zuza Seffrin)</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 ENTREVISTA | Cesar Alcázar fala sobre o Safra Vermelha, novo selo de literatura policial"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2019/05/15/entrevista-cesar-alcazar-fala-sobre-o-safra-vermelha-novo-selo-de-literatura-policial/">ENTREVISTA | Cesar Alcázar fala sobre o Safra Vermelha, novo selo de literatura policial</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>ENTREVISTA: Gustavo Ávila está sorrindo à toa</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/11/29/entrevista-gustavo-avila-esta-sorrindo-a-toa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Nov 2017 11:57:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos escritores mais comentados do ano foi Gustavo Ávila. Publicitário, ele nasceu em 1983 no interior paulista mas atualmente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos escritores mais comentados do ano foi Gustavo Ávila. Publicitário, ele nasceu em 1983 no interior paulista mas atualmente mora em Florianópolis. Seu livro O sorriso da hiena, um thriller psicológico viciante publicado pela Verus Editora, só arranca elogios dos leitores que decidem embarcar na jornada de descobrir o mistério por trás de uma história tão bem imaginada. Conversamos com Gustavo sobre expectativas, projetos para 2018 e como ele encarou todo o sucesso deste ano.</p>
<p><em>(Foto:&nbsp;Jeferson Caldart)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>1. Seu livro de estreia, O sorriso da hiena, foi bem recebido pelos leitores. Você esperava todo esse retorno já de cara? Quais eram as suas expectativas?</strong><br />
Eu estava bastante ansioso para saber como seria a recepção dos leitores. Mas, sinceramente, eu não tinha a menor ideia de como ela seria. Eu estava confiante porque foi uma história em que eu me dediquei bastante, coloquei toda a minha alma neste primeiro livro e achava (acho) que ele realmente tem algo a dizer que possa interessar às pessoas. Mesmo assim, foi bem melhor do que eu esperava. E isso é maravilhoso. Ter um retorno tão positivo no primeiro trabalho é um grande incentivo para não deixar que as dificuldades do caminho te desanimem.</p>
<p><strong>2. Quais escritores (as) te influenciaram? Algum nome em especial relacionado a “O sorriso da hiena”?</strong><br />
Eu tenho um carinho especial pelo livro O médico e o monstro, do Robert Louis Stevenson. Ele conseguiu escrever uma história que faz o leitor pensar enquanto lê, que retrata bem o que somos, nosso lado bom e mau e nossa tentativa de balancear esses dois lados. Eu espero conseguir fazer isso em todas as minhas histórias, fazer os leitores pensarem sobre algum assunto. Fazer com que a história continue martelando na cabeça da pessoa mesmo depois do último ponto final. Pelo menos é o que eu tento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Eu tenho um carinho especial pelo livro&nbsp;<em>O médico e o monstro</em>, do Robert Louis Stevenson. Ele conseguiu escrever uma história que faz o leitor pensar enquanto lê.&#8221;</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>3. Você é publicitário mas acabou se dedicando à literatura. Ser escritor sempre foi um objetivo na vida ou foi algo que acabou acontecendo para você?</strong><br />
A minha resposta não vai ser “eu sempre quis ser escritor desde criancinha”. Acabou acontecendo. Eu entrei no mundo da escrita por acaso, quando um professor da faculdade foi me contratar para a agência dele e disse que me contrataria, mas que seria para redator. Eu queria um emprego e aceitei. E foi a melhor coisa. Ele viu em mim algo que nem eu ainda tinha visto. Depois, trabalhando na área, tentando colocar algumas ideias publicitárias na rua que eu percebi que essas ideias seriam melhor exploradas fora da publicidade, com mais profundidade. E assim, de forma bem resumida, comecei. Vale ressaltar como é importante um bom professor. Como devemos tanto a eles, por nos mostrarem caminhos, possibilidades. Pena que eles são tão desvalorizados. Mas que bom que mesmo assim eles nunca desistem de tentar fazer o melhor pelos seus alunos.</p>
<p><strong>4. Muita gente diz que é um desafio criar histórias de crime nos tempos que vivemos. Você concorda? Como atrair a atenção do leitor hoje para esse tipo de gênero?</strong><br />
Olha, sinceramente, eu não acho que o tempo em que vivemos dificulte criar histórias de crimes ou que faça as pessoas se interessarem menos por elas. Talvez seja bem o contrário. As pessoas parecem cada vez mais fascinadas pelo cruel, pela maldade. Não é à toa que existem tantos programas de TV nessa temática. Talvez o difícil seja competir com a realidade, que tantas vezes se mostra mais cruel, fria e absurda que a ficção.</p>
<p><strong>5. Você disse que voltou a morar em Florianópolis após ter morado em São Paulo para se dedicar mais a escrever. Como é ser um autor fora do eixo Rio-São Paulo? Quais são os prós e contras dessa escolha?</strong><br />
Eu gosto de estar fora desse eixo porque prefiro um ritmo de vida mais tranquilo. Brinco que se mudar novamente, quero ir para cidades cada vez menores ou mais tranquilas. Os prós e contras vão muito do que você precisa para ser feliz. Não dá para ter tudo, né? Eu gosto de ter mais contato com a natureza, de não passar tanto tempo no trânsito (apesar que o trânsito em Floripa está cada dia pior), ainda trabalho em agência de publicidade e aqui, pelo menos, a gente não fica com tanta frequência virando madrugada na agência como é em São Paulo (sem ganhar nenhum centavo a mais por isso, vale ressaltar). Os contras, o fato de ter menos eventos do mercado literário. Como escrever é um trabalho que você pode fazer de qualquer lugar, os prós e contras são mais pessoais.</p>
<p><strong>6. Pode falar um pouco sobre “Quando a luz apaga”, seu próximo livro? Do que vai tratar a trama? Será um livro de suspense? Já tem previsão de lançamento?</strong><br />
Será um livro de suspense, no mesmo estilo d’O sorriso da hiena. Inclusive, terá o mesmo detetive, o Artur, mas contará uma história anterior. Eles não terão nenhuma ligação um com o outro. Não dá para falar muito, ainda estou escrevendo, mas uma das ideias é debater sobre as mentiras da sociedade, de como nos mostramos para as outras pessoas, fingindo ser o que não somos, fingindo sentir o que não sentimos, como somos julgados por não sentir (ou demonstrar sentir) o que as outras pessoas acham que você deve sentir, e algumas coisas mais.</p>
<p><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-22724" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/11/gustavo_avila.jpg?w=639"  alt="gustavo_avila ENTREVISTA: Gustavo Ávila está sorrindo à toa"  width="400" height="600"></p>
<p><strong>7. Se pudesse escolher uma cidade no Brasil para sediar um festival de literatura policial, qual escolheria e por que?</strong><br />
Se fosse pelo tema, acho que qualquer cidade poderia ser palco deste festival, infelizmente o crime está em todas e cada vez maior. Mas, por provocação, eu faria em Brasília. Quem sabe incentive a justiça a ser feita por lá.</p>
<p><strong>8. Séries policiais como Mindhunter estão em alta. Você gosta desse tipo de programa? Quais séries e filmes você mais gostou de ver esse ano?</strong><br />
Eu gosto demais dessas séries. Mas, pensando agora, acho que esse ano não assisti muitas desse gênero, tirando Mindhunter. Mas as séries policiais que gosto muito são The Wire, The Killing, Hannibal, True detective, Criminal Minds, The Affair (até a segunda temporada). De filmes, Seven e A vida de David Gale são dois que gosto muito.</p>
<p><center><iframe loading="lazy" style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8576865947&amp;asins=8576865947&amp;linkId=5b1fbe3774047e29a1268ed59340ac73&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" width="300" height="150" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></center>&nbsp;</p>
<p><strong>9. Que novos autores você indica no cenário nacional?</strong><br />
Acabei de ler um que gostei bastante, chamado Andarilhos, do R. Tavares. E o penúltimo livro que li (ele não é um novo autor, mas é nacional) é Homens Elegantes, do Samir Machado de Machado. Um dos melhores livros que li este ano, sem dúvida.</p>
<p><strong>10. Quais são seus planos para 2018 além do próximo livro? Pode adiantar alguma coisa pra gente?</strong><br />
Aproveitar melhor meu tempo para escrever mais.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 ENTREVISTA: Gustavo Ávila está sorrindo à toa"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/11/29/entrevista-gustavo-avila-esta-sorrindo-a-toa/">ENTREVISTA: Gustavo Ávila está sorrindo à toa</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>ENTREVISTA &#124; Ilana Casoy: a maior especialista em assassinatos em série</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/09/11/entrevista-ilana-casoy-a-maior-especialista-em-assassinatos-em-serie/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rogerio Christofoletti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Sep 2017 14:36:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[serial killer]]></category>
		<category><![CDATA[arquivos serial killers]]></category>
		<category><![CDATA[coluna]]></category>
		<category><![CDATA[colunista]]></category>
		<category><![CDATA[darkside books]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[ilana casoy]]></category>
		<category><![CDATA[rogério christofoletti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ela anda tão mergulhada em projetos que nem sabe o que está acontecendo lá fora. Quando falamos ao telefone naquela</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/09/11/entrevista-ilana-casoy-a-maior-especialista-em-assassinatos-em-serie/">ENTREVISTA | Ilana Casoy: a maior especialista em assassinatos em série</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ela anda tão mergulhada em projetos que nem sabe o que está acontecendo lá fora. Quando falamos ao telefone naquela quinta-feira, Ilana Casoy mal sabia se estava chovendo em São Paulo. Eram pouco mais de 18 horas e ela havia passado o dia em pesquisas, contatos para palestras e respondendo a e-mails de leitores.</p>
<p>Com um novo livro no forno e dois roteiros de cinema engatilhados, a maior especialista brasileira em assassinos seriais não para. “Agora, já estou entrando na ficção também”, disse sem disfarçar a empolgação. Com vinte anos de carreira e cinco livros no currículo, Ilana Casoy colhe hoje os melhores frutos do seu trabalho. É procurada pela mídia, foi assimilada pelo público e é respeitada pelas autoridades policiais, judiciais e forenses, o que também é muito importante. Afinal, sem acesso a arquivos, aos especialistas e às cenas de crime, não é possível ir além das primeiras linhas. A fita amarela de isolamento já não a impede de contar as mais escabrosas histórias nem de desenterrar os casos mais sórdidos. Bom para Ilana; melhor para seus leitores&#8230;</p>
<p>Confira a entrevista feita exclusivamente para o blog pelo colunista Rogério Christofoletti.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;<br />
<strong>Por que as pessoas são tão fascinadas por serial killers?</strong></p>
<p>Porque a gente não entende esses personagens. O mistério fascina. Tudo o que é mito fascina. O mito não é bom nem mau, é mito, e acho que as pessoas querem entender, querem desvendar . E mistérios da vida real não dá nem pra culpar a imaginação do autor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Você já está nessa estrada há vinte anos. Como mantém o interesse para continuar a pesquisar esses casos?</strong></p>
<p>Cada caso é um caso, diferente do outro. Então, é sempre novo para mim, começo sempre do zero. Não entendo muito bem como um caso entra no meu radar. Não é planejado. Não sou eu que busco. Na maioria das vezes, o caso encosta em mim e por motivos que eu mesma não compreendo. Quando passa a desbravar, vem um mundo de novidades, como se a minha vida fosse um mundo de ficção.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center><iframe loading="lazy" style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8594540388&amp;asins=8594540388&amp;linkId=ba8f0194023f76a0d59782550d98e2e3&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" width="300" height="150" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></center>&nbsp;</p>
<p><strong>Isso chega a alterar a sua rotina? Isso mexe com a sua sensação de segurança pessoal, por exemplo?</strong></p>
<p>Deve ser, mas eu não posso parar pra pensa nisso. Eu não posso me permitir ficar pensando na minha segurança pessoal porque isso me paralisaria. Eu só ficaria pensando nisso. Talvez a forma como eu vejo a vida, tão positiva, a minha falta de medo, tudo isso me permita fazer o que eu faço. Porque se eu parar para pensar no que realmente acontece, no mundo cão que está lá fora, aí não dá pra fazer o que eu faço. Tem que escolher outra coisa! Eu tinha uma briga com meu filho mais velho: ele queria ter moto e eu achava perigoso. Até que ele viu um documentário em que estou num manicômio judiciário, numa fila de refeitório. Ele olhou pra mim e falou: “Você acha andar de moto perigoso?” Aí, a gente combinou: não falo da moto e ele do manicômio… Cada um pensa que pode ter controle sobre o seu perigo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O Brasil não tem uma tradição de armazenar informações, de conservar arquivos. Que perfis foram os mais difíceis para fazer sobre os criminosos em Made in Brazil?</strong></p>
<p>Aqui, tudo é difícil. Hoje é até um pouco mais fácil porque já publiquei, já conheço esse universo melhor, tenho mais acesso. O segredo não é você saber tudo, mas saber para quem pergunta. Ao longo desses anos, fui colecionando amizades importantes, conhecimentos, cursos e palestras. Essas referências vão te permitindo achar os acessos com mais facilidade. A primeira pesquisa que fui fazer sobre um caso brasileiro, eu nem sabia que existia um museu no Tribunal de Justiça de São Paulo! Fui até lá e eu tinha que fazer uma petição, e eu não sabia como funcionava isso. Liguei para o marido de uma amiga da ginástica, que era desembargador, para saber como fazia isso. Ele riu e disse: “A petição sou eu. Diz para o desembargador de plantão que fui eu que te indiquei”. Então, muitas vezes, é assim. É difícil, mas olha: hoje, o acesso está muito melhor do que já foi.</p>
<p><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-19432 " style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/08/ilana2.jpg"  alt="ilana2 ENTREVISTA | Ilana Casoy: a maior especialista em assassinatos em série"  width="518" height="433"></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><strong>Mas o problema pode ser que os documentos não estejam organizados ou digitalizados…</strong></p>
<p>É verdade. Nem tudo está digitalizado por aqui. Quando escrevi o primeiro livro – Serial Killer: Louco ou Cruel? -, usei muito esses acessos porque lá fora, os processos estão digitalizados. Então, você consegue fazer uma pesquisa com muito mais facilidade do que no Brasil. Mas pesquisar é isso: é chafurdar no porão! Essa parte eu gosto também. É difícil montar o quebra-cabeças, saber por onde começar, mas isso já faz parte do jogo. Estou com alguns projetos na área documental que não sei como fazer, vou ter que descobrir. Uma das diversões aqui, se é que se pode dizer isso, é onde encontrar esses dados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Por falar em projetos, você está trabalhando num livro sobre o caso Gil Rugai, aquele rapaz que foi condenado sob a acusação de ter matado o pai e a madrasta em São Paulo em 2004. Já terminou de escrever?</strong></p>
<p>Quero muito escrever esse caso porque ele, para mim, fecha um ciclo: o dos casos de família. Escrevi sobre o caso Richtoffen pesquisando pela polícia e pela perícia, na fase de inquérito ainda. O caso Nardoni, eu acompanhei pelo Ministério Público, pela acusação. E o caso do Gil Rugai, eu acompanhei pelo lado da defesa por conta de uma coincidência: eu tenho um filho que é advogado criminalista e ele trabalha pro-bono [de forma voluntária e sem remuneração] para o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), e ele foi escalado para defender o Gil. Isso eu conto no livro: teve uma conversa em família. Meu filho disse: “Você ajudou tanto a polícia em outros casos, será que você consegue ajudar uma defesa?” Eu respondi que precisava acreditar na história. Um advogado não precisa acreditar pois ele defende o direito que qualquer pessoa tem para se defender. Eu não funciono assim, eu preciso acreditar na história. Foi um desafio. Se eu acreditasse na inocência do Gil, eu participaria do caso, além da condição de mãe do advogado de defesa. Quando eu encontrei aquilo que me convenceu, eu entrei no caso. E eu vou te falar: o que me convenceu é brutal! Não foi uma tese que me convenceu da inocência. Foi o fato de que o Gil Rugai não está no local na hora do crime. Ele está em outro lugar!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center><iframe loading="lazy" style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8594540132&amp;asins=8594540132&amp;linkId=41ff42bbedee65da587880f06a7181ff&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" width="300" height="150" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></center>&nbsp;</p>
<p><strong>Mas ele pegou 33 anos de pena por essa acusação!</strong></p>
<p>Pegou. Eu sei, eu lamento, nem dormi na época, fiquei de cama… Mas é o caso de recorrer a instâncias superiores de justiça porque tem uma prova cabal de que ele está em outro lugar na hora do crime. O problema do nosso inquérito aqui é que ele não estabeleceu a hora do crime, mas uma faixa de horário. E nem era difícil estabelecer a hora porque todos os vizinhos ligaram para o vigilante da rua na hora dos tiros. Neste caso, a hora do crime é exato e não entendo porque isso não está no inquérito. Às vezes, não é exata a hora. Uma vez me chamaram para um caso em Araranguá, em Santa Catarina, e tive uma grande dificuldade. A moça sumiu no sábado às três da tarde e foi encontrada na segunda, às 11 da manhã. Que horas então ela foi assassinada? Isso é grande questão porque envolve se ela ficou ou não em cativeiro, envolve cálculo de temperatura, de decomposição do corpo, enfim, é muito complexo estabelecer a hora exata do crime. No caso Gil Rugai é facílimo: os vizinhos ligaram para o vigia. Bastava requisitar esse dado do telefone.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>&#8220;Acho que o conhecimento e a educação são as saídas para tudo, inclusive para baixar a criminalidade. E eu considero que os registros históricos são importantes para uma sociedade. Somos uma sociedade sem memória, as pessoas esquecem.&#8221;</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><strong>Esse livro do Gil Rugai está como?</strong></p>
<p>Está no estágio em que eu preciso pegar um monte de outros trabalhos para financiar a escrita dele. Paro pra fazer palestras, para fazer outras coisas. Um livro desses demora para você escrever. Tem que ser preciso, pois estou lidando com processo, com a realidade. Não é inspiração, é braçal o trabalho: ler, estudar, entender e trazer aquilo para uma linguagem que todos possam entender… Demanda tempo e numa crise dessas, demora muito mais! Estou escrevendo. Tenho umas cem páginas escritas, mas falta bastante pra contar. É um livro que eu quero lançar porque assim que conto a história, que coloco ela pra fora, posso dormir em paz. Antes disso, ela fica martelando a minha cabeça. Sou a maior interessada em lançar o livro. Mas tem um outro problema: não terminou o caso. A justiça por aqui é tão lenta que às vezes penso: será que é melhor esperar o final do caso ou escrever um livro sem final?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Como é que a sociedade se beneficia com a publicação dos perfis desses personagens?</strong></p>
<p>Acho que o conhecimento e a educação são as saídas para tudo, inclusive para baixar a criminalidade. E eu considero que os registros históricos são importantes para uma sociedade. Somos uma sociedade sem memória, as pessoas esquecem. As pessoas podem estudar e aprender com esses livros sobre como funcionam grandes casos, pela visão da polícia, da acusação, da perícia, da defesa… É também uma forma de popularizar o acesso a essas informações, já que pouca gente entenderia da forma que está nos processos. A linguagem usada é para as tribos de juristas, de psiquiatras e psicólogos, enfim. Eu escrevo como se fizesse ficção para facilitar a leitura e o entendimento. É um alcance mais popular do assunto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Você mencionou ficção. Está trabalhando nisso também?</strong></p>
<p>O Tony Bellotto me convidou no ano passado para escrever um conto para aquela antologia “São Paulo Noir”. Até brinquei com ele, achando que era engano porque eu nunca tinha escrito nada de ficção. Topei o desafio e escrevi um conto chamado “Boniclaide e ela” e foi legal o resultado. Ficou uma visibilidade para quem lê ficção, e fui convidada por um roteirista de grande prestígio para dois projetos de longa-metragem! Não quero falar o nome dele ainda porque ainda estamos trabalhando…</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Para rodar os filmes já em 2017?</strong></p>
<p>Acho que não. E tem todas as questões do cinema, para viabilizar e tal, e tem também um longo aprendizado para mim para falar numa linguagem que é muito diferente da dos livros. É um momento muito bacana esse que estou vivendo, e estou curtindo pra burro! Estou achando tudo incrível. O melhor da ficção é que, se você não gostou do final, você muda. Coisa que não posso fazer nunca!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>São dois argumentos da área policial, naturalmente…</strong></p>
<p>No momento, já deixaram de ser argumentos e são roteiros. Um é argumento desse roteirista, e eu só estou escrevendo junto, e o outro é nosso. Vamos ver no que vai dar isso. Estou bem feliz!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Ilana, você consome romances policiais ou séries de TV desse gênero?</strong></p>
<p>Adoro ler e acho sempre superior que o filmado. Leio muito. Vejo várias séries, mas enjoo depois da primeira temporada porque existe bastante repetição na área policial. Muitas se baseiam em casos que já conheço e sei do final, e aí fica sem graça pra mim. Agora, outras séries que não são policiais eu gosto, como Scandal e The affair… outra pegada! Porque na minha hora de lazer é difícil querer ver um crime, né?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>E na literatura?</strong></p>
<p>Este ano fiz uma incursão nos brasileiros. Acabei de ler o “Neve Negra”, do Santiago Nazarian, e eu já tinha lido o “Biofobia” dele. Adoro o Raphael Montes, ele é meu amigo, li todos os livros dele e curto! O “Inferno” da Patricia Melo me abriu um mundo de entendimento do tráfico e do morro que vejo hoje muito atual na novela da Glória [Perez], por exemplo. Eu falei do “São Paulo Noir”, mas tem também o “Rio Noir”, com a visão de cada autor brasileiro, tem Rubem Fonseca, tem Verissimo, então, eu curto… A DarkSide lançou um livro que eu e a Gloria escrevemos a capa e que ficamos encantadas, que é o “Bom dia Veronica” (de Andrea Killmore) que tem uma trama que me impactou. A DarkSide lançou agora também o “Meu amigo Dahmer” (de Derf Backderf), que é em quadrinhos e isso abre um novo mundo de possibilidades…</p>
<p><em>[Imagens: twitter&nbsp;<span class="username u-dir" dir="ltr"><a class="ProfileCard-screennameLink u-linkComplex js-nav" href="https://twitter.com/icasoy">@<b class="u-linkComplex-target">icasoy</b></a>, Rogério Christofoletti]</span></em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g ENTREVISTA | Ilana Casoy: a maior especialista em assassinatos em série" alt='Rogerio Christofoletti' src='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/monitorando/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rogerio Christofoletti</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista, dramaturgo e professor universitário. Já publicou 12 livros na área acadêmica e escreveu oito peças de teatro. É um dos autores do e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx).</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="http://christofoletti.com/" target="_self" >christofoletti.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/09/11/entrevista-ilana-casoy-a-maior-especialista-em-assassinatos-em-serie/">ENTREVISTA | Ilana Casoy: a maior especialista em assassinatos em série</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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			</item>
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		<title>ENTREVISTA &#124; Raphael Montes</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/08/22/entrevista-raphael-montes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Aug 2017 12:56:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[ana paula laux]]></category>
		<category><![CDATA[companhia das letras]]></category>
		<category><![CDATA[dias perfeitos]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[jantar secreto]]></category>
		<category><![CDATA[O Vilarejo]]></category>
		<category><![CDATA[raphael montes]]></category>
		<category><![CDATA[suicidas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Ana Paula Laux &#8211; Raphael Montes publicou o primeiro livro em 2012, e desde então não parou mais. Com</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/08/22/entrevista-raphael-montes/">ENTREVISTA | Raphael Montes</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Ana Paula Laux</em> &#8211; Raphael Montes publicou o primeiro livro em 2012, e desde então não parou mais. Com o romance policial&nbsp;<em>Suicidas</em>, ficou entre os finalistas do 1º Prêmio Benvirá de Literatura da Editora Saraiva. Então em 2014 veio <em>Dias Perfeitos</em>, livro responsável por impulsionar sua carreira e que já foi publicado em 14 países, seguido de <em>O Vilarejo</em> e <em>Jantar Secreto</em>.</p>
<p>Conversamos com Raphael sobre literatura, cinema &#8211; seus livros devem chegar às telonas em breve &#8211; e outros projetos do momento. Confira a entrevista abaixo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>1. “Suicidas”, seu primeiro romance publicado em 2012, foi relançado pela Companhia das Letras com um capítulo extra. O que você pode dizer sobre este capítulo?</strong></p>
<p>“Suicidas” estava esgotado nas livrarias desde março, vendido a preços absurdos em sebos pelo país. Por isso, estou bastante feliz com a reedição do livro pela Companhia das Letras. Afinal, “Suicidas” foi responsável por lançar minha carreira – na época, ele foi finalista de alguns prêmios literários e cresceu no boca-a-boca (graças ao final bombástico, os leitores costumam sair indicando aos amigos).&nbsp;Quanto ao capítulo complementar, é importante dizer que se trata de um capítulo não essencial – ou seja, a história continua a mesma, não mudei nada. Eu escrevi este “capítulo extra” no texto original, mas ele foi cortado da primeira edição por sugestão do editor da época. Agora, nesta nova edição, a Companhia das Letras resolveu trazê-lo de volta por pensar que é um capítulo que traz novas camadas sobre os personagens, mostrando como Alessandro e Maria João se conheceram.</p>
<p>&nbsp;<br />
<strong>2. Em junho, foi divulgado na coluna da jornalista Patricia Kogut, do jornal O Globo, que a adaptação para o cinema de “Dias Perfeitos” será dirigido por Amora Mautner. Quando poderemos ver o filme nas telas e quem você gostaria de ver nos papeis principais?</strong></p>
<p>Fiquei feliz com a notícia de que Amora Mautner vai dirigir a adaptação de Dias Perfeitos para o cinema. Sem dúvida, é uma diretora muito competente, vibrante e que já demonstrou seu talento na televisão. Ela fará sua estreia no cinema com muita sede de realizar um grande filme. E isso é ótimo. Já passei para ela alguns nomes que julgo interessantes para os papéis de Téo e de Clarice, mas em respeito às escolhas da produção e da direção prefiro não mencionar ninguém.</p>
<blockquote><p>&#8220;Gosto de pensar que estamos evoluindo, com mais autores sendo publicados e com cada vez mais leitores preferindo o escritor nacional ao best-seller norte-americano.&#8221;</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>3. O que você sente ao saber que a sua história vai ganhar vida no cinema?</strong></p>
<p>Os direitos de adaptação de Suicidas, Dias Perfeitos, O Vilarejo e Jantar Secreto estão vendidos para o cinema. Pessoalmente, evito me intrometer nas adaptações, pois acho importante haver um olhar externo sobre a minha história. Quem quiser conhecer meu trabalho deve ler os livros. Os filmes serão fruto de um esforço conjunto, não posso responder sozinho pelo resultado. Mas, claro, estou animado para ver minhas histórias transportadas para a tela grande. Espero que meus leitores também estejam curiosos pelo que virá!</p>
<p style="text-align: center;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-158 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/06/jorna5.jpg"  alt="jorna5 ENTREVISTA | Raphael Montes"  width="300" height="365"><br />
&nbsp;</p>
<p><strong>4. De 2012 para cá &#8211; desde a publicação de Suicidas -, como você avalia a recepção dos leitores aos livros de suspense publicados por autores nacionais? Percebeu um interesse maior pelo gênero?</strong></p>
<p>Antes de ser escritor de suspense, sou um leitor do gênero. Por isso, sempre me indignei com a falta de autores inseridos no mercado e que se dedicam a escrever livros de mistério e policial. Com a incrível repercussão de Dias Perfeitos, ouvi de vários editores que eles estavam buscando autores nacionais de suspense para publicar. Fiquei bem feliz com isso. Nesse ramo, não existe concorrência e, sim, companheirismo. Acho ótimo que novos nomes estejam surgindo. Só assim os leitores brasileiros vão descobrindo que somos capazes de fazer boa literatura policial no país. Sem dúvida, o caminho ainda é longo. Mas gosto de pensar que estamos evoluindo, com mais autores sendo publicados e com cada vez mais leitores preferindo o escritor nacional ao best-seller norte-americano.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center><iframe loading="lazy" style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8535928359&amp;asins=8535928359&amp;linkId=eac9c8b007f0ce3599ac9cf1cb05f45f&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" width="300" height="150" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></center>&nbsp;</p>
<p><strong>5. Como tem sido a experiência de apresentar um programa de TV, o Trilha de Letras, na TV Brasil?</strong></p>
<p>Sou apaixonado por desafios. Quando a produção do programa me procurou interessada em fazer um programa de literatura mais jovem, menos sisudo, a proposta logo me interessou. Jamais me passou pela cabeça ser apresentador de um programa semanal, mas mergulhei fundo. Tem sido uma delícia conversar semanalmente com escritores de variados estilos, ideias e segmentos e, claro, aprender com eles. Acho que essa alegria se transporta para a tela: os espectadores têm adorado o programa, sempre recebemos muitas mensagens elogiosas ao formato “informal” do Trilha de Letras. Além disso, criamos um diálogo interessante com a internet, através do quadro “Dando a Letras” onde exibimos projetos diferentes e inteligentes sobre literatura, como canais de Youtube, por exemplo. Por fim, tenho orgulho em dizer que atualmente somos o único programa de literatura na TV aberta. Num país que necessita formar leitores, isso não é pouco.</p>
<p style="text-align: center;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-13202" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 40px; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/07/flip3.jpg"  alt="flip3 ENTREVISTA | Raphael Montes"  width="583" height="364">Na Flip 2016, com o escritor&nbsp;Emiliano Urbim</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>6. Quais autores/autoras você tem lido atualmente? Deixe algumas sugestões de leitura.</strong></p>
<p>Tenho lido muitas autoras com personagens femininas fortes justamente porque meu próximo romance é protagonizado por uma mulher bastante complexa. Assim, indico Shirley Jackson, Paula Hawkins, Gillian Flynn, Ursula K. Le Guin. Entre os nacionais, Andrea Nunes, Miriam Mambrini e Andrea Killmore. Livraços escritos por mulheres.</p>
<p><em>[Imagens: Victor Prataviera, Ana Paula Laux]</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 ENTREVISTA | Raphael Montes"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/08/22/entrevista-raphael-montes/">ENTREVISTA | Raphael Montes</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>ENTREVISTA &#124; Uma conversa com a tradutora do Edgar Allan Poe</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/07/25/entrevista-uma-conversa-com-a-tradutora-do-edgar-allan-poe/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Amaral]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jul 2017 13:03:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[terror]]></category>
		<category><![CDATA[A Queda da Casa de Usher]]></category>
		<category><![CDATA[alexandre amaral]]></category>
		<category><![CDATA[auguste dupin]]></category>
		<category><![CDATA[coluna]]></category>
		<category><![CDATA[colunista]]></category>
		<category><![CDATA[Edgar Allan Poe]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[marcia heloisa]]></category>
		<category><![CDATA[medo clássico]]></category>
		<category><![CDATA[o escaravelho de ouro]]></category>
		<category><![CDATA[tradutora edgar allan poe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Edgar Allan Poe voltou para as livrarias este ano&#160;numa nova edição da Darkside Books, parte da bela série Medo Clássico</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/07/25/entrevista-uma-conversa-com-a-tradutora-do-edgar-allan-poe/">ENTREVISTA | Uma conversa com a tradutora do Edgar Allan Poe</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Edgar Allan Poe voltou para as livrarias este ano&nbsp;<a href="https://literaturapolicial.com/2017/04/12/resenha-edgar-allan-poe-medo-classico/" target="_blank" rel="noopener">numa nova edição da Darkside Books</a>, parte da bela série Medo Clássico publicada pela editora. Poe abordou como ninguém o suspense e o mistério em suas histórias, e até hoje conquista leitores com sua obra universal.</p>
<p>Nosso colunista Alexandre Amaral conversou com Marcia Heloisa, a tradutora da edição da Darkside Books. Confira abaixo.<br />
&nbsp;</p>
<p><strong>1. Em uma breve pesquisa, percebemos que a sua pesquisa tem o horror como pauta recorrente. A tradução da obra de Edgar Allan Poe foi ocasional ou há ali uma convergência de interesses? Qual a sua relação com Poe?</strong></p>
<p>Como leitora e pesquisadora do horror, minha relação com Poe é antiga e visceral. Acho que os entusiastas do gênero cultivam um apreço pelos mestres que contribuíram para tornar o horror uma seara tão rica e Poe, sem dúvida, é um deles. No caso da tradução, deu-se o feliz casamento do desejo da editora em encontrar alguém que apreciasse e conhecesse bem o autor com minha ávida disposição para conduzir Poe a sua nova casa, a DarkSide.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>2. Neste lançamento, a DarkSide Books preparou uma edição luxuosa e definitiva. Como essa parte do projeto influencia o seu trabalho?</strong></p>
<p>Sou fã da DarkSide desde o lançamento de estreia da editora e é uma honra poder colaborar com eles. O horror, embora popular e perene, tende a ser circunscrito à uma zona muitas vezes depreciativa, como se fosse um gênero “menor” ou pouco sério. Acho que a DarkSide faz um belíssimo trabalho de “reposicionamento” do horror no mercado, combatendo sua marginalização com edições impecáveis feitas por e para fãs. É o horror, como disse, encontrando um novo lar, sendo tratado com o respeito e o esmero que merece.</p>
<p style="text-align: center;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-19255 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/07/allan-poe-darkside-banner-768x384.jpg"  alt="allan-poe-darkside-banner-768x384 ENTREVISTA | Uma conversa com a tradutora do Edgar Allan Poe"  width="639" height="320"></p>
<blockquote><p>&#8220;Meu conto favorito é A Queda da Casa de Usher, com sua atmosfera lúgubre e assombrada&#8221;</p></blockquote>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p><strong>3. A nova edição dividiu-se em grupos temáticos, como: espectro da morte, narradores homicidas, Detetive Dupin, etc. Qual desses lhe agradou mais traduzir?</strong></p>
<p>Todos foram igualmente gratificantes e desafiadores, a sua medida. Alguns contos incluíam poemas, o que sempre requer um pouco mais do tradutor; uns, pediam a reconstrução de uma atmosfera claustrofóbica na qual as palavras deveriam pesar como tijolos; em outros, as frases deviam vir cuidadosas e discretas como passos misteriosos em um corredor escuro. O que mais me deu trabalho, sem dúvida, foi “O Escaravelho de Ouro” – embora as narrativas detetivescas do Dupin também tenham exigido a construção de uma prosa fluida em português, que não cansasse o leitor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>4. Em sua opinião de leitora, qual parte da obra do Poe te agrada mais?</strong></p>
<p>Gosto muito dos narradores homicidas &#8211; sempre obsessivos e passionais. Mas o espectro da morte ainda é o que mais me fascina: meu conto favorito é “A Queda da Casa de Usher”, com sua atmosfera lúgubre e assombrada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center><iframe loading="lazy" style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8594540248&amp;asins=8594540248&amp;linkId=4958773bc4474a853a3802e2f3b6d186&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" width="300" height="150" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no">&nbsp;</p>
<p></iframe></center>&nbsp;</p>
<p><strong>5. Como leitora e pesquisadora da temática, quais obras de terror/horror (livros, filmes, peças, etc) você recomendaria aos interessados em ter para ter uma experiência genuína com esses gêneros?</strong></p>
<p>Na literatura sugiro um passeio pelo gótico, desde suas origens literárias até o revival vitoriano do século dezenove, período que nos deu obras que se tornaram clássicos arquetípicos do gênero como Frankenstein, Drácula, O Médico e o Monstro. Entre os autores norte-americanos, recomendo uma visita a Poe e Lovecraft. Para os amantes dos contos, sugiro Sheridan Le Fanu, Arthur Machen e Algernon Blackwood. Entre as mulheres, gosto de Shirley Jackson e Daphne du Maurier. No cinema, além dos filmes do meu diretor favorito, Alfred Hitchcock, recomendo o ciclo norte-americano de clássicos da Universal (anos 1930/1940), o horror italiano de Mario Bava e Dario Argento e obras de diretores inventivos como George Romero, Wes Craven e, mais recentemente, James Wan. Entre meus favoritos, destaco: Psicose (1960), Os inocentes (1961), Assombração na casa da colina (1963), O bebê de Rosemary (1968), A noite dos mortos-vivos (1968), O exorcista (1973), Inverno de sangue em Veneza (1973), O massacre da serra elétrica (1974), Carrie (1976) e Um lobisomem americano em Londres (1981).</p>
<p><em>[Imagens: Darkside Books, Marcia Heloísa]</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="780f1830f148a323a7631680cc6995396e15ce5a9e9b3a757d515ee420c32007?s=100&#038;d=mm&#038;r=g ENTREVISTA | Uma conversa com a tradutora do Edgar Allan Poe" alt='Alexandre Amaral' src='https://secure.gravatar.com/avatar/780f1830f148a323a7631680cc6995396e15ce5a9e9b3a757d515ee420c32007?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/780f1830f148a323a7631680cc6995396e15ce5a9e9b3a757d515ee420c32007?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/alexandre-amaral/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Alexandre Amaral</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Letras pela UERJ/FFP, é professor e pesquisador da literatura policial brasileira. Aprendeu a gostar de ler com Veríssimo, mas tem o hábito de dosar a leitura de Sherlock Holmes, com pena de que a obra acabe. Gosta de filosofia, história e futebol. De Niterói, RJ.</p>
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		<title>Tradutor de Tintim fala sobre os desafios da profissão</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2016/11/01/tradutor-de-tintim-fala-sobre-os-desafios-da-profissao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rogerio Christofoletti]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2016 14:03:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[érico assis]]></category>
		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[globo livros]]></category>
		<category><![CDATA[hergé]]></category>
		<category><![CDATA[tintim]]></category>
		<category><![CDATA[tintim no congo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rogério Christofoletti &#8211; Todas as pessoas têm seus autores favoritos. Alguns leitores têm também suas editoras prediletas. Mas quem</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Rogério Christofoletti</em> &#8211; Todas as pessoas têm seus autores favoritos. Alguns leitores têm também suas editoras prediletas. Mas quem costuma ter seus tradutores do coração? Pode falar! Quase ninguém, né? O que é um tremenda injustiça com esses bravos personagens que enfrentam selvas de palavras e expressões idiomáticas, sintaxes complicadas, gírias de época, trocadilhos e ambiguidades, sem contar as experimentações linguísticas.</p>
<p>Tradutores costumam deixar de ser invisíveis quando vertem obras consideradas até então impossíveis, ou quando uma grande quantidade do seu trabalho chega ao mercado ao mesmo tempo, gerando aquela sensação de que está traduzindo a Biblioteca de Alexandria… É mais ou menos assim com Érico Assis, prolífico tradutor de histórias em quadrinhos, romances pop e livros teóricos, com mais de 200 trabalhos assinados para editoras como Companhia das Letras, Panini, Globo, Intrínseca, Leya, Marsupial e outras.</p>
<p>Na área desde 2008, já respondeu pelas palavras de Chuck Palahniuk, Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison, Chris Claremont, Warren Ellis, Richard Dawkins, Henry Jenkins e grande elenco. Jornalista de formação, Érico Assis mora em Florianópolis, onde dá sequência a um doutorado em tradução e termina um livro sobre&#8230; tradução de quadrinhos! Cercado de mistério, adianta que é uma obra voltada para os fãs do gênero e com lançamento previsto para 2017.&nbsp;Com fala mansa, olhar paciente e um sorriso no canto da boca, Érico Assis mantém a fama dos bons tradutores: é discreto, quase invisível. A estratégia funciona. Quietinho, quietinho, trabalha como uma máquina e talvez esteja mesmo traduzindo a tal Biblioteca de Alexandria&#8230;<br />
&nbsp;</p>
<p><strong>1. É comum vermos conversas de tradutores, compartilhando grandes soluções para trechos difíceis e também algumas derrapadas. Qual a tradução da qual você mais se orgulha? E a mais difícil?</strong></p>
<p>Olha, não fico à vontade para avaliar a qualidade das minhas próprias traduções. O orgulho que tenho por elas geralmente está em torno do histórico do projeto. Tenho um carinho especial, por exemplo, por um livro chamado CONTOS DE LUGARES DISTANTES, do Shaun Tan (Cosac Naify), simplesmente porque fiquei contente de participar de um livro que nem aquele. Tenho orgulho das traduções de SUPERDEUSES, de Grant Morrison (Seoman), e de MARVEL COMICS: A HISTÓRIA SECRETA, de Sean Howe (LeYa), porque são dois projetos dos quais eu corri atrás. Também corri atrás de THE PRIVATE EYE, de Brian K. Vaughan e Marcos Martin (http://panelsyndicate.com/) direto com os autores, de SCOTT PILGRIM, do Bryan Lee O&#8217;Malley (Quadrinhos na Cia.), de FLEX MENTALLO, de Grant Morrison e Frank Quitely (Panini).&nbsp;As traduções mais difíceis&#8230; Eu acho que o cerne da tradução é a tomada de decisão, então as mais difíceis são aquelas em que as decisões são mais arbitrárias: quando você tem, pela natureza do projeto, se é que pode dizer assim, liberdade demais para dar conta de transmitir forma e sentido do texto de partida. Tem vários momentos assim em muitas traduções que eu fiz. Mas um projeto que foi todo assim &#8211; e, por isso, talvez o meu mais difícil &#8211; foi OS 13 TIQUE-TAQUES, de James Thurber (Poetisa). Ainda estou curioso para saber o que os leitores acharam.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>2. Acaba de sair Tintim no Congo, uma tradução sua do personagem original de Hergé. A leitura permite ver uma série de aspectos que podem soar chocantes hoje, como tiradas racistas, por exemplo. Imagino que os desafios que você teve não foram apenas para verter algumas falas que parecem datadas hoje. Como foi traduzir este trabalho em particular?</strong></p>
<p>Bom, começou pelo fato de ser uma tradução do francês, um idioma do qual não estou tão acostumado a traduzir (não tanto quanto traduzo do inglês). Porém, mesmo sendo um francês dos anos 1930, com uma e outra gíria particular ao francês belga da época, foi fácil de ler e verter.&nbsp;Em relação a encontrar o linguajar do Tintim em português, tive por referência as ótimas traduções do Eduardo Brandão para toda a série (na versão colorida &#8211; e com texto diferente) tintinesca. Em relação a entender algumas referências, tive o apoio do TINTIN: THE COMPLETE COMPANION, de Michael Farr, um guia tintinófilo.&nbsp;Em se tratando especificamente das caricaturas dos africanos e das visões preconceituosas, sim, fiquei preocupado e escrevi uma carta comprida à editora Globo para ter certeza que estávamos todos cientes dos 60 ou 70 anos de polêmica em torno de TINTIM NO CONGO. E também para ressaltar que as caricaturas não estavam só no desenho, mas nas falas dos congoleses: o francês deles é infantil e carregado de erros. Isso afeta diretamente o meu trabalho, pois, se eu quiser reproduzir o que entendo por intenção do Hergé, também vou ter que caracterizar os congoleses com um português infantil e carregado de erros &#8211; com um cuidado redobrado para não intensificar nem diminuir esta infantilização e esta carga de erros. Tentei manter uma precisão quase matemática nestas falas africanas, para que ninguém venha me dizer que &#8220;no original não era tão caricato&#8221;. Se eu dei conta do recado, era exatamente&nbsp;tão caricato quanto ficou no português. &#8220;Também sugeri que a edição poderia ter uma nota de contextualização no final, em que a editora declara-se ciente que o material pode render críticas, que não fecha com a moral atual, que foi produzido em outra época e nem o próprio Hergé gostava. Ficou uma nota curtinha no final do TINTIM NO CONGO.&#8221; Mas, sinceramente, acho ainda mais preconceituosa e gritante a caricatura dos chineses em TINTIM NA AMÉRICA. De qualquer maneira, não é minha opinião que está representada ali. E acredito que é possível ler entendendo que eram outros tempos &#8211; e sabendo que o próprio autor mudou de ideia.</p>
<p style="text-align: center;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-15171 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/11/tintim1.jpg"  alt="tintim1 Tradutor de Tintim fala sobre os desafios da profissão"  width="639" height="550"></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>3. Neste sentido, que liberdade têm os tradutores para “amenizar” certos textos originais?</strong></p>
<p>Na forma como vejo meu trabalho, não vejo amenizar ou intensificar o tom de um texto como função minha. O que tento entregar à editora é o mais próximo que consegui chegar, no português, do tom que o autor utilizou na língua de partida. Se este texto vai ser amenizado, intensificado ou sofrer outro tipo de transformação em relação ao idioma de partida, essa decisão ficará a cargo da editora.&nbsp;Não sei se exemplifica bem o que quero dizer, mas em TINTIM NO CONGO os congoleses falam &#8220;m&#8217;sieur&#8221; ao invés de &#8220;monsieur&#8221;. Na tradução, eu queria usar &#8220;missiê&#8221;, mas achei que seria ousadia demais bagunçar a relação francês/português/francês-congolês. Utilizei &#8220;sinhô&#8221; e deixei uma nota para a editora dizendo que poderiam usar &#8220;missiê&#8221; caso achassem legal&nbsp;(seria um localizar/substituir na hora da revisão). Acharam. Então, por sugestão minha e decisão da editora, os congoleses falam &#8220;missiê&#8221;.&nbsp;Na real, toda tradução que entrego é uma sugestão. Por mais que eu seja creditado como &#8220;tradutor&#8221;, o processo de tradução ainda envolve editores, revisores, preparadores &#8211; todos vão tomar decisões sobre o texto que vai chegar ao leitor. Por mais que vez por outra eu mesmo possa atenuar ou intensificar algo no texto, acredito que esta é uma decisão política que deveria caber à editora.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Acho que meus maiores desafios foram na tradução de romances. Por se tratar de pura prosa e pela natureza da coisa, os autores de literatura explorarem os recursos de pura prosa. O idioma tende a ser mais trabalhado do que nos quadrinhos ou em livros teóricos.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>4. Nas centenas de traduções que você já fez, o que dá mais trabalho: histórias em quadrinhos, romances ou livros teóricos? Que desafios cada produto traz?</strong></p>
<p>O que dá trabalho não é a mídia ou o gênero em que se trabalha, mas a maneira como os autores e autoras usam o idioma no texto de partida. Ou seja, o problema maior está nos buracos na estradinha inglês-português, ou na francês-português, ou na estrada do par de línguas que for, e não no carro que você está dirigindo.&nbsp;Quadrinhos têm particularidades como as relações de (duplo, triplo, quádruplo) sentido que o texto pode estabelecer com os desenhos. Também nas quebras das falas, muitas vezes na necessidade de ser sintético, de reproduzir a fala oral. Livros teóricos também têm particularidades, como o encaixe lógico em toda uma rede terminológica que já existe em outros livros (livros que não foi você que traduziu), e a qual você tem que conhecer um pouco. Mas acho que meus maiores desafios foram na tradução de romances. Por se tratar de pura prosa e pela natureza da coisa, os autores de literatura explorarem os recursos de pura prosa. O idioma tende a ser mais trabalhado do que nos quadrinhos ou em livros teóricos. Aí tem trechos da estrada que ainda não foram construídos, trechos que você precisa abrir no meio do mato, ou trechos que não existem &#8211; são abismos. E aí você tem que sacar como lança uma ponte, uma cordinha que seja, para chegar do outro lado.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><strong>5. Você tem se especializado em traduzir textos de cultura pop. Esse universo tem gírias, valores e conceitos que são muito dinâmicos. Isso não torna as suas traduções mais perecíveis? Aliás, traduções têm prazo de validade?</strong></p>
<p>Eu diria que a cultura pop, por natureza, é feita para ser descartável. É óbvio que algumas coisas perduram, mas isso é mais por acidente do que propósito. Ainda ouvimos Elvis, ainda lemos Tintim e Batman. Nesse sentido, quando eu traduzo alguma coisa atual relacionada a cultura pop, traduzo pensando que vai ser consumido neste momento, com as gírias, valores e conceitos deste momento. Se essas traduções perdurarem, será por acidente. Quando eu traduzo materiais de outra época &#8211; os Tintins são um caso; no momento, estou traduzindo um livro escrito nos anos 1950 -, posso tentar reproduzir o linguajar do português desta época. Mas há divergências editoriais (e acadêmicas) em relação a isso: há quem defenda que o texto, independente de sua idade, deve usar o linguajar de hoje se for traduzido hoje. Isso também pode variar conforme as intenções do projeto editorial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center><iframe loading="lazy" style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8525061581&amp;asins=8525061581&amp;linkId=13546005b5609ef404921b0f34777596&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" width="300" height="150" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></center>&nbsp;</p>
<p><strong>6. Imagine que lhe chega um trabalho de um escritor húngaro, publicado na língua nativa, mas que encomendam de você uma tradução da versão em inglês. Que dificuldades existem quando se faz uma tradução de segunda mão?</strong></p>
<p>Bom, já traduzi do inglês um romance young adult&nbsp;chamado CÍRCULO (Intrínseca), escrito originalmente em sueco. Foi a mesma coisa com uma HQ, SEGREDO DE FAMÍLIA (Quadrinhos na Cia.), originalmente em holandês. Do ponto de vista operacional (e acadêmico), não muda muita coisa: você tem um texto numa língua de partida e vai chegar a outro texto na língua de chegada.&nbsp;Os possíveis &#8220;prejuízos&#8221; que você pode ter com uma tradução como essa estão no fato de que o primeiro tradutor fez adaptações, compensações, apagamentos, acréscimos e outras operações em relação ao primeiro idioma &#8211; e você nem sempre sabe quais são. No caso de CÍRCULO, por exemplo, percebi que o tradutor sueco-inglês adaptou as fases do sistema educacional sueco para o sistema inglês. É normal dos tradutores britânicos e americanos fazerem esse tipo de adaptação domesticadora &#8211; nas traduções brasileiras, nem tanto. Neste caso, fiquei em dúvida se deveria voltar atrás (ao sistema sueco), manter a versão britanizada ou fazer uma nova adaptação, agora para o sistema educacional brasileiro.&nbsp;A solução ideal, claro, é traduzir-se sempre do primeiro idioma em que o livro foi escrito. Quando não é possível, a edição tem que especificar que foi traduzida a partir de um idioma outro &#8211; e dar crédito ao primeiro tradutor, claro.</p>
<p><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-15168 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/11/14886364_1742174552709612_1604087154_n.jpg"  alt="14886364_1742174552709612_1604087154_n Tradutor de Tintim fala sobre os desafios da profissão"  width="639" height="477"></p>
<p><strong>7. Entre seus próximos trabalhos, está a versão em quadrinhos da Trilogia Millenium, idolatrada pelos leitores de nosso site. O que podemos esperar dela?</strong></p>
<p>A versão em quadrinhos que eu traduzi é a francesa, feita por Sylvain Runberg e José Homs. (Existe uma adaptação em HQ norte-americana e acho que uma em mangá.) Eles adaptaram os três livros de Stieg Larsson, num total de 6 álbuns. Por enquanto só traduzi dois. Eu só conhecia o material dos filmes (o sueco e o americano), mas fui atrás dos livros quando estava fazendo a tradução. Apesar do encadeamento da trama ser praticamente o mesmo, os autores da HQ condensam a história e até puxam algumas coisas dos livros 2 e 3 para a adaptação do primeiro. Foi importante conhecer a trilogia completa e como algumas coisas já haviam sido traduzidas nas edições da Companhia das Letras. Gosto muito da caracterização que os autores deram ao Mikael Blomkvist e à Lisbeth Salander. Como se trata de uma HQ, a maior parte da caracterização está nas expressões, no gestual, e o desenhista é excelente nestes aspectos (e em todos os outros também &#8211; a HQ é visualmente linda). Blomkvist, a meu ver, tem o seu caráter mais impetuoso, até mesmo arrogante, melhor interpretado nessa versão em HQ do que pelo Daniel Craig ou o Michael Nyqvist.</p>
<p><em>(Imagens: Acervo pessoal, Rogério Christofoletti)</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g Tradutor de Tintim fala sobre os desafios da profissão" alt='Rogerio Christofoletti' src='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/monitorando/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rogerio Christofoletti</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista, dramaturgo e professor universitário. Já publicou 12 livros na área acadêmica e escreveu oito peças de teatro. É um dos autores do e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx).</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="http://christofoletti.com/" target="_self" >christofoletti.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/11/01/tradutor-de-tintim-fala-sobre-os-desafios-da-profissao/">Tradutor de Tintim fala sobre os desafios da profissão</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>ENTREVISTA &#124; Isabel Moustakas no cenário da literatura policial</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2016/07/11/entrevista-isabel-moustakas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rogerio Christofoletti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jul 2016 13:21:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[ana paula laux]]></category>
		<category><![CDATA[companhia das letras]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[esta terra selvagem]]></category>
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		<category><![CDATA[rogério christofoletti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rogério Christofoletti &#8211; A mais recente novidade na literatura policial brasileira é talvez a mais coerente de todas. Já</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/07/11/entrevista-isabel-moustakas/">ENTREVISTA | Isabel Moustakas no cenário da literatura policial</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Rogério Christofoletti</em> &#8211; A mais recente novidade na literatura policial brasileira é talvez a mais coerente de todas. Já é um mistério em si mesma. Isabel Moustakas estreou em 2016 com Esta Terra Selvagem (Companhia das Letras), lançamento que foi aditivado por uma pergunta: afinal, quem é essa tal Isabel Moustakas? Sim, ninguém a conhece e nem se sabe ao certo se esse é um nome verdadeiro. Especulações cercam a autora, que pode, inclusive, ser um homem… Para além da pergunta “Quem é?”, surgem outras: “Por que recorreu a um pseudônimo?”&#8230; “Está se escondendo por quê?”… “Que jogada é essa?”</p>
<p>Enquanto os questionamentos se multiplicam, Moustakas não para. Escreve desenfreadamente e prepara o próximo livro, <em>Cães Vorazes</em>, ainda sem data de chegar às prateleiras. Sobre isso e muito mais, ela fala na entrevista a seguir, feita por e-mail. Afinal, ela não atenderia nossos telefonemas&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>1. Em “Esta Terra Selvagem”, você compõe um cenário cru e cruel de uma cidade que parece insistir na violência. Existem algumas pistas ali para continuar vivendo, mas o que é necessário para sobreviver na selva da literatura contemporânea?</strong></p>
<p>Acho que é preciso se ocupar menos da vida literária, por mais que ela seja importante para a sobrevivência dos escritores, com suas bienais, feiras do livro e coisas do tipo, e se dedicar mais à literatura, isto é, à leitura e à escrita. Aliás, esta é a principal razão porque assinei &#8220;Esta terra selvagem&#8221; sob pseudônimo. A minha intenção era de que apenas o livro fosse levado em conta. Creio ter conseguido isso, ao menos em parte. É claro que o burburinho em torno do pseudônimo era inevitável e até ajudou na divulgação, mas acredito que será menor a partir do próximo lançamento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. Com tantos filmes e seriados de TV policiais tão bem produzidos, o que resta de público e de espaço para a literatura de crime e suspense?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sempre haverá espaço para a literatura de crime e suspense. Há expedientes e formas de narrar propriamente literárias e que, portanto, só encontramos nos livros. Com isso, não quero dizer que um meio de expressão é &#8220;melhor&#8221; do que o outro. Eles são diferentes, e o grande barato está em não confundi-los. Um bom filme policial é um bom filme policial, uma boa série é uma boa série e um bom livro é um bom livro; há dias em que sinto vontade de ver um filme ou uma série, e há dias em que prefiro me jogar no sofá e ler. O importante é que temos todas essas coisas bacanas à disposição, com tudo o que cada uma delas tem de específico.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. O que fez uma advogada de meia idade, bem estabelecida e com família estável, iniciar uma carreira literária? O que te faz escrever?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma das coisas que acho mais legais nos romances policiais é que eles dizem muito sobre os lugares em que se passam. Por exemplo, é possível conhecer algo de Edimburgo lendo os romances de Ian Rankin. Achei que seria interessante situar mais histórias desse gênero na cidade de São Paulo. Eu também queria abordar os aspectos mais sombrios da nossa realidade, que é muito difícil e perturbadora. Afirmei noutro lugar e repito aqui: nosso cotidiano é essencialmente distópico. O Brasil é violentíssimo. Escrever é a forma que encontrei de processar isso, de refletir a respeito, mesmo num livro tão acelerado quanto <em>Esta Terra Selvagem</em>. Por mais que exagere aspectos da realidade, tento dizer algo do fascismo à brasileira sob o qual vivemos.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><center><iframe loading="lazy" style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8535926895&amp;asins=8535926895&amp;linkId=206fc1113a5ebb28e35c9dd0afa1a680&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" width="300" height="150" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></center>&nbsp;</p>
<p><strong>4. Você está preparando um livro para o ano que vem. O que pode falar dele?</strong></p>
<p><em>Cães Vorazes</em> é basicamente uma história de vingança. O protagonista se chama Rodrigo. Ele era vereador e renunciou ao mandato em meio a um escândalo de corrupção. Um dos efeitos colaterais desse escândalo é o assassinato brutal da irmã de Rodrigo. Ele culpa alguém por isso, mas essa pessoa está foragida. Ao sair no encalço do suposto culpado, Rodrigo aos poucos percebe que as coisas não são tão simples, seja o ato de perseguir e matar, seja o que resultou na morte da irmã.&nbsp;É um livro diferente de <em>Esta Terra Selvagem</em>. É mais longo e menos acelerado. Tentei me deter mais nas motivações dos personagens e criar uma atmosfera &#8220;grudenta&#8221; que desse conta do meio corrupto em que eles vivem. Quis ressaltar mais os efeitos da corrupção e da violência do que a violência em si, já bastante explorada no primeiro livro. Espero ter conseguido. Aconteça o que acontecer, quero que cada história minha seja diferente. Quero explorar temas, ambientações e ritmos distintos. Odiaria me repetir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>&#8220;Sempre haverá espaço para a literatura&nbsp;de crime e suspense<em>.&#8221;</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. Isabel Moustakas teme ser rotulada como “autora de livros policiais”? Gêneros aprisionam os autores?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não acho que gêneros aprisionem ninguém, pelo contrário. Há tantos autores e estilos distintos, de P. D. James a Edward Bunker, de Georges Simenon a James Ellroy, e acho que isso mostra o quanto é possível experimentar coisas diferentes ao se contar uma história de determinado gênero. Prefiro autores que, dentro de certos limites, conseguem oferecer uma experiência original e vibrante aos que tentam reinventar a roda a qualquer custo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-12787" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/05/moustakas_capa1.jpg"  alt="moustakas_capa1 ENTREVISTA | Isabel Moustakas no cenário da literatura policial"  width="550" height="550"></strong></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6. O que se pode esperar da literatura de crimes no Brasil?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Espero que, ao contrário dos crimes propriamente ditos, ela cresça cada vez mais. É uma forma direta e nada pueril de expor os nossos inúmeros problemas e refletir sobre eles.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7. Muitos especulam sobre a sua identidade. Há quem até deixe de tratar de &#8220;Esta Terra Selvagem&#8221; para argumentar em torno de um suposto pseudônimo. Afinal, Isabel Moustakas existe mesmo? Como nos convence disso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A especulação sobre a minha verdadeira identidade é divertida, mas nada deve ser mais importante do que os livros. Não tenho a intenção de revelar quem sou, não por enquanto. À medida que escrever e publicar mais, acho que o lance do pseudônimo deixará de ser tão discutido. É o que espero. Não sou um golpe de marketing. Sou uma autora e, enquanto tal, quero que o meu trabalho seja levado em consideração acima de tudo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>[Imagens: Divulgação, Rogério Christofoletti]</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g ENTREVISTA | Isabel Moustakas no cenário da literatura policial" alt='Rogerio Christofoletti' src='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/monitorando/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rogerio Christofoletti</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista, dramaturgo e professor universitário. Já publicou 12 livros na área acadêmica e escreveu oito peças de teatro. É um dos autores do e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx).</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="http://christofoletti.com/" target="_self" >christofoletti.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/07/11/entrevista-isabel-moustakas/">ENTREVISTA | Isabel Moustakas no cenário da literatura policial</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Entrevista: Mercedes Rosende</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2015/07/30/entrevista-mercedes-rosende/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Literatura Policial]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2015 15:32:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Anísio Homem]]></category>
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		<category><![CDATA[Mercedes Rosende]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quantos escritores policiais uruguaios você conhece? E escritoras? Se está procurando as respostas, conheça Mercedes Rosende, que já foi apontada</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/07/30/entrevista-mercedes-rosende/">Entrevista: Mercedes Rosende</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quantos escritores policiais uruguaios você conhece? E escritoras? Se está procurando as respostas, conheça Mercedes Rosende, que já foi apontada como a pioneira do gênero naquele país. Autora de quatro livros, entre eles Demasiados Blues e La Muerte Tendrá Tus Ojos, tem se destacado na cena literária do Mercosul. Por e-mail, Mercedes respondeu as perguntas de Anisio Homem, autor de O Homem que Mutilava Leminski e de O Diabo não Aperta o Gatilho. Os autores vão acompanhar o festival literário BAN! &#8211; a Buenos Aires Negra &#8211; que começa em 31 de julho, na capital argentina.</p>
<p>O festival traz gratas lembranças a Mercedes. Em 2013, ela venceu o prêmio de contos da BAN!, o que chamou a atenção do mercado editorial argentino e facilitou o lançamento de seu mais recente título, Mujer Equivocada, por lá. Leia abaixo a entrevista de Mercedes Rosende.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;<br />
<strong>1. Você mal chegou a Montevidéu vinda da Semana Negra de Gijon, na Espanha, e já está fazendo as malas para o festival literário “Buenos Aires Negra” (BAN), agora no começo de agosto. Parece que a literatura policial está a mil por hora. Essa é a sua impressão?</strong></p>
<p>Em agosto participarei da Buenos Aires Negra (BAN) e do Fórum Internacional de Fomento do Livro no Chaco, ambas atividades na Argentina. Depois participarei da Semana Negra de Montevidéu, organizada pelo Centro Cultural da Espanha, e da Semana Negra de San José, as duas no Uruguai. Não sei se a novela negra está a mil por hora. O que estão a mil por hora são os festivais, encontros e jornadas em torno da novela policial ou negra. Pensemos. Em minha casa sempre teve novelas policiais, supostamente era um gênero passadista, menor, inclusive recordo que ficavam um pouco escondidas, nas estantes menos visíveis da biblioteca, porém, ali estavam os europeus e os norte-americanos: Conan Doyle ou Chesterton, Chandler, Jim Thompson ou Graham Greene, entre outros. Ou seja, já estavam instalados no gosto dos latino-americanos. Me recordo especialmente da coleção Sétimo Círculo, que editavam Borges e Bioy Casares. Algum tempo depois a região começou a produzir seu próprio noir e, me animo a dizer, graças a um brasileiro que lhe deu estilo e dignidade literária: Rubens Fonseca. E hoje vivemos esta espécie de boom da novela policial e dos festivais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-7945 " style="border: 1px solid #000000; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/345184.jpg"  alt="345184 Entrevista: Mercedes Rosende"  width="290" height="426"><em>&#8220;O livro tem uma personagem que adoro, Úrsula: mulher inteligente, frustrada, cheia de humor, de raiva, fobias e talentos; valente e impiedosa, terna e assassina serial.&#8221;</em><br />
<em> (sobre o livro Mujer Equivocada)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>2. Alguns dizem que você é a primeira mulher uruguaia a escrever romances policiais. Este pioneirismo te afeta?</strong></p>
<p>Eu não posso afirmar que seja a primeira uruguaia que escreveu policiais. Seria impossível certificar-se disso. Quem pode saber tudo que escreveram as uruguaias em 200 anos de vida independente do país e em outros tantos anos sob a dominação espanhola, portuguesa e brasileira? O que sei, e é bastante provável, que fui a primeira uruguaia a publicar novelas policiais, ao menos a primeira em publicá-las como tais, como novelas do gênero. Não sei de outras anteriores, nunca encontrei antecedentes. Mas não me considero uma pioneira, tampouco tive consciência de estar escrevendo “a primeira narrativa policial escrita por uma mulher uruguaia”. Simplesmente me sentei a escrever e começaram a aparecer os delitos, o crime, a corrupção, sem que eu me propusesse de antemão a isso. Só quando terminei de escrever, aí sim é que um amigo mencionou a possibilidade de que tenha sido a primeira a fazer algo do tipo.</p>
<p><strong>3. A protagonista de seu último livro “Mujer Equivocada”, saiu de um relato que alguém lhe contou e que acabou lhe inspirando uma trama ficcional. O que você pode nos dizer sobre isso?</strong></p>
<p>O livro tem uma personagem que adoro, Úrsula: mulher inteligente, frustrada, cheia de humor, de raiva, fobias e talentos; valente e impiedosa, terna e assassina serial. Porém Úrsula, sobretudo, é uma mulher gorda ou apenas com um sobrepeso, dependendo do estado de sua dieta de emagrecimento, é uma mulher que sofre e sofreu a discriminação e a burla por parte do mundo e de sua própria família. E a personagem surgiu sim de uma história que me contaram. Um dia conheci um homem que me falou de sua ex-esposa, a descreveu fisicamente, emocionalmente, me relatou algumas cenas que eu comecei a imaginar e, quando ele quis mudar de assunto, lhe pedi que por favor continuasse falando de sua ex-mulher. Naquele momento eu já tinha um personagem.</p>
<p><strong>4. Há um outro romance policial seu cujo título me pareceu de uma força de atração extraordinária e ao mesmo tempo terrivelmente ameaçadora. Esse romance se chama “A morte terá teus olhos”. O que te parece?</strong></p>
<p>Esse título “A morte terá teus olhos” eu retirei de um poema do escritor italiano Cesare Pavese. Na verdade, a trama desse romance – e a chave para resolvê-lo – está nesta frase, na qual me inspirei. No caso do título, o mérito é todo de Pavese. Esse título “A morte terá teus olhos” eu retirei de um poema do escritor italiano Cesare Pavese. Na verdade, a trama desse romance – e a chave para resolvê-lo – está nesta frase, na qual me inspirei. No caso do título, o mérito é todo de Pavese.<br />
&nbsp;</p>
<p><strong>5. Você está escrevendo um livro novo neste momento?</strong></p>
<p>Acabei de terminar a continuação de Mulher Equivocada, um romance que tem um título um pouco estranho: O Miserere dos Crocodilos, também inspirado num verso de um poema, desta vez de Júlio Herrera Reissig, um modernista uruguaio. E como sempre que termino um texto – seja um romance ou um conto – necessito de um tempo e paz, um tempo longe da escrita, de minha escrita. É o momento de submergir em todas as leituras que tenho atrasadas. No entanto, a mente trabalha silenciosa.x</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(Imagens: divulgação, <a href="http://semananegragijon.blogspot.com.br/2014/07/memoria-literaria-la-eternidad-elegida.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Laura Munoz em Semana Negra de Gijón</a>)</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><em><strong>ANÍSIO HOMEM</strong> é autor dos romances policiais “<a href="https://literaturapolicial.com/2014/10/14/um-leminski-mortal/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O Assassino que Mutilava Leminski</a>” (Editora Letras Contemporâneas) e “<a href="https://literaturapolicial.com/2015/07/25/anisio-homem-o-diabo-nao-aperta-o-gatilho/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O Diabo não Aperta Gatilho</a>” (Editora Noite Escura).</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 Entrevista: Mercedes Rosende"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/admin_literatura/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Literatura Policial</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Ana Paula Laux é jornalista e trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://literaturapolicial.com/" target="_self" >literaturapolicial.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/07/30/entrevista-mercedes-rosende/">Entrevista: Mercedes Rosende</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Entrevista: Roger Franchini</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2015 13:31:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[ana paula laux]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[matar alguém]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Ana Paula Laux &#8211; Romance policial ou romance de polícia? &#8220;Matar Alguém&#8221; (Editora Planeta, 2014), livro do paulista Roger</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/06/04/entrevista-roger-franchini/">Entrevista: Roger Franchini</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Ana Paula Laux</em> &#8211; Romance policial ou romance de polícia? &#8220;Matar Alguém&#8221; (Editora Planeta, 2014), livro do paulista Roger Franchini, é um franco relato das ruas de São Paulo sob a ótica de um grupo de investigadores do Departamento de Homicídios. O crime organizado, a corrupção impregnada no meio e as baixas naturalizadas pelo caminho são alguns pontos marcantes do livro, bem como a linguagem cáustica e seca usada pelos personagens.</p>
<p>Natural de Sertãozinho (SP), Franchini tem uma trajetória crescente na literatura. Formado em Direito, em 2008 ele pediu exoneração como investigador na Polícia Civil de São Paulo e passou a se dedicar à escrita. Além de &#8216;Matar Alguém&#8217;, também escreveu &#8216;Ponto Quarenta – a Polícia Civil de São Paulo para leigos&#8217; (Editora Veneta), e pela Editora Planeta lançou ainda &#8216;Toupeira – a história do assalto ao Banco Central&#8217;, &#8216;Amor Esquartejado&#8217; e &#8216;Richthofen – o assassinato dos pais de Suzane&#8217;, este último em fase de pré-produção para o cinema, com roteiro do próprio Franchini e direção de Fernando Grostein Andrade.</p>
<p>O literaturapolicial.com falou com o escritor sobre os caminhos da literatura policial nacional, a relação com os policiais que leem suas histórias e os autores que mais influenciaram sua escrita.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>1. Como você enxerga a literatura policial hoje no Brasil? Temos um cenário sendo criado ou isso ainda está longe de acontecer? Você diria que a literatura policial feita por autores nacionais é notada?</strong><br />
Em termos de mercado literário, ela ainda não está consolidada, se tomarmos como parâmetro aquilo que existe em outros países. Percebo um imenso nicho, um público que busca novidades, mas não conseguimos seduzir esse grande mercado que nos aguarda. Há episódios esporádicos de vendas em relação a algumas obras, cuja quantidade de exemplares negociados não pode ser chamada de “fenômeno”, se compararmos com autores nacionais de outros gêneros, como a autoajuda, a fantasia, biografia, etc. A ficção policial que tende a ser a mais popular no estrangeiro e de mais fácil inserção junto ao grande público, não tem o mesmo apelo no Brasil, quantitativamente falando. Atualmente o público da literatura policial está restrito à classe média urbana, e talvez por isso a maioria de nossos autores policiais seja dela egressa. Esse diálogo entre autores e seu público causa um impacto naquilo que você chama de “ser notada”. O escritor, por mais universal que deseje ser em seu discurso, só consegue falar sobre uma coisa: ele mesmo. É seu ponto de vista que está na boca de cada personagem, o ambiente social em que foi criado, sua formação moral e política. Mesmo quando tenta contrariar sua própria perspectiva em um exercício dialético – o que é bastante adequado para a evolução de um estilo − ele se torna o objeto que analisa, mas também é a o analisador, em uma esquizofrênica busca edipiana (para usar uma alegoria de investigação policial da literatura clássica). Nesse ponto, faço um mea culpa, já que é esse meu limite também, porque só posso falar daquilo que conheço, da realidade que está ao meu alcance cognitivo. E o leitor só se apega à obra se houver uma identificação de emoções. Mas se o discurso do escritor não atinge a alma daquele leitor específico, ele não é notado. Agora, imagine isso em um universo de milhões de leitores. Temos nos esforçado para estabelecer um gênero policial autêntico, mas ainda estamos presos a fórmulas de modelos estrangeiros para compormos o ambiente da investigação e, pior ainda, a vícios modernistas de observação da miséria pelos olhos da elite, o que cria obras socialmente superficiais, mas psicologicamente profundas, onde a subjetividade do autor limita o alcance da narrativa junto a um público que não compartilha dos mesmos fantasmas ou experiência de vida. No mais, não podemos chamar “escritor” como uma profissão. Não há sindicatos, associações ou entidades que possam defender os direitos trabalhistas de quem se lança a esse ofício. Obrigatoriamente, é necessária uma fonte de remuneração alternativa, o que enfraquece o mercado literário nacional porque a produção de livros em português acabava virando um hobbie que só pode ser executada pelo escritor caso isso não atrapalhe a sua profissão principal, aquela que lhe paga as contas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-7031" style="border: 1px solid #000000;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/06/franchini2.jpg?w=300"  alt="franchini2 Entrevista: Roger Franchini"  width="400" height="267"></p>
<blockquote><p>&#8220;<em>Os policiais se submetem à “Lei da Mordaça”&#8230; meus livros se tornam um canal de denúncia velada de tudo o que veem e são obrigados a fazer.</em>&#8220;</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>2. Em entrevista, você disse que o autor de literatura policial no Brasil não consegue manter um diálogo com o leitor, e que “fecha os olhos para o que está ao seu redor”. Você se considera um representante da literatura policial de realidade?</strong><br />
Essa entrevista me custou alguns amigos escritores, claro, por minha incompetência em me fazer entender de forma clara. Como disse, o limite da narrativa, para o escritor, é o alcance de seu universo de análise. Todos temos esse limite. O problema é quando esse limite não permite atingir um imenso mercado consumidor: o público da periferia é carente de histórias que sejam cúmplices de sua realidade de violência, abusos da polícia e descaso do Estado. Mas não acho que seja “culpa” de nossos escritores policiais, porque eles falam sobre o que lhe são pertinentes. E há público para tudo. Note que sequer conseguimos definir o termo “literatura policial”. Afinal, o que basta para existir um romance policial? Um bandido? Um crime? Uma investigação? Há romance policial sem polícia? Essas questões me perturbavam, porque eu era policial, mas não reconhecia em nossa literatura desse gênero o mínimo da realidade das polícias, da vítima e dos criminosos com quem trabalhava todos os dias. Mas aí conheci um ensaio fantástico de Ricardo Piglia, chamado “Formas Breves”, onde diz que o grande personagem do romance policial não é o policial, mas o detetive, pois este não pertence ao inferno burocrático dos sistemas penais, o que o deixaria livre para julgar e perseguir respostas para a relação entre Lei e Realidade. Por isso é comum vermos romances policiais onde, ao contrário do mundo real e concreto, quem investiga com sagaz habilidade são jornalistas, advogados, médicos, estudantes, pessoas que não estão autorizadas pelo Estado (e não possuem a técnica) para tanto e que só conhecem a polícia do lado de fora do balcão de atendimento. Por sua vez, o policial é quase sempre retratado como um serviçal despreparado, preguiçoso e mal remunerado, confundindo funções ostensivas e investigativas com naturalidade. Não é surpresa, portanto, que a narrativa é inexplicavelmente habitada por profissionais liberais brancos, cujos protagonistas sofrem dos males que atingem a pequena burguesia e seus rompantes morais, com ímpetos heróicos e apolíticos, como se estivessem imunes à corrupção cotidiana a que estão submetidos nossos agentes de segurança pública. Por causa dessa confusão, não me considero um “escritor policial”, muito menos fiel à realidade, porque assim eu estaria prestando um serviço jornalístico mal feito. No meu caso, quando me ponho a escrever, percebo que inconscientemente busco tentar entender o fenômeno Delito, porque ele é único momento em que um cidadão, intencionalmente, nega a civilização e o que temos de humano. E na órbita deste fato circula o desespero de quem dele participou, refletindo o absurdo kafkaniano dos sistemas de coerção social. Meu personagem é o policial brasileiro, convocado na miséria das classes pobres, o cara submetido a um sistema opressor, obrigado a limpar as ruas do lixo humano das classes pobres (ao qual ele mesmo pertence) para o tiozinho passear com tranquilidade; o cara que, para pagar suas contas, faz escolta pessoal do playboy na balada e serve de babá para cacainômano milionário; o sujeito que deve fazer vista grossa à corrupção do governo a fim de que não sofra represália; odiado pela mesma população pobre de onde saiu, e ignorado pela classe média enquanto profissional. Falo do investigador porque é esse, essencialmente, o homem da investigação. O delegado é uma figura estranha dentro do processo de investigação. A atenção dispendida pela literatura ao delegado de polícia é fruto do desconhecimento dos escritores sobre as relações de poder que influenciam o resultado de uma investigação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>3. Franchini, afinal, como é “matar alguém”?</strong><br />
É muito fácil. Qualquer um pode e tem potencial para fazê-lo. Basta ter o azar de, num momento de extremo nervosismo, encontrar uma arma de fogo ao alcance da mão. Você nem precisa fazer a mira com precisão. Basta apontar, fechar os olhos e deixar seu coração decidir o que fazer com o gatilho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>4. “Matar Alguém” (Editora Planeta, 2014) retrata a rotina de investigadores da Polícia Civil em meio a casos de corrupção e violência. Mesmo se tratando de ficção, já recebeu ameaças por abordar o assunto? Se sim, pode falar sobre isso?</strong><br />
Não. Pelo contrário. Os policiais se submetem à “Lei da Mordaça”, instrumento legal que os impedem de denunciar os desmandos e abusos cometidos pela instituição e pelo governo. Dessa forma, meus livros se tornam um canal de denúncia velada de tudo o que veem e são obrigados a fazer. Os bons policiais são apaixonados pelo trabalho que fazem, mas odeiam a instituição; um sentimento de amor e ingratidão pelo serviço, como são meus personagens.</p>
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<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=B00P1IVFMS&amp;asins=B00P1IVFMS&amp;linkId=fb1112fb82588e7f9b47b72d2a369dc7&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
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<p><strong>5. O que te levou a ser escritor?</strong><br />
A vontade de contar histórias sobre pessoas abandonadas à sorte das instituições policiais. Tento fugir de um denuncismo barato mas, no Brasil, entendo ser impossível escrever romance policial, com policiais, sem citar a utilização do órgão − e de seus homens − como instrumento de manutenção do poder das elites, e a hipocrisia da classe média que sustenta ideologicamente esse sistema inócuo, ineficaz.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>6. Quais autores mais te influenciaram na vida? E quais te decepcionaram?</strong><br />
Só se decepciona quem tem a expectativa idealizada da perfeição – algo incrustrado em nossa cultura cristã/platônica. Mesmo os melhores escritores, como todo ser humano, também são suscetíveis a instabilidades, instantes medianos, até medíocres. Sou muito apegado à algumas novelas russas do século XVIII, mas nem tudo ali é digno de citação. Não dá para escapar de Dom Casmurro e Brás Cubas, além de uma dúzia de magníficos contos de Machado de Assis. Nelson Rodrigues eu conheci de uma forma imunda e crua, ainda moleque, através do movimento da pornochanchada. Só depois, quando adulto e tendo contato com suas peças teatrais, entendi a genialidade que havia em meio à putaria daquelas personagens que tanto me fascinavam na infância. Naquele momento, a pornografia era algo secreto e de difícil acesso, e os filmes baseados em suas obras eram o que havia de mais próximo (e proibido) do inalcançável sexo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>7. Você foi um dos primeiros policiais a usar a internet para discutir questões de segurança pública e da polícia. Pode falar mais sobre a experiência como blogueiro com o Cultcoolfreak? O hábito de escrever no blog te incentivou a escrever romances?</strong><br />
Meu primeiro livro, o “Ponto Quarenta – a polícia para leigos” (relançado em abril deste ano pela Editora Veneta) é parcialmente a compilação das histórias do meu antigo blog. Em 2004 eu trabalhava em uma cidade do interior, e nossa delegacia havia ganhado de um comerciante local um computador e ponto de internet discada. Surgia naquele instante o lance dos “blogs”, que ninguém sabia direito o que era. E eu tive uma namorada na faculdade que era entusiasta dos blogs, que me convenceu a abrir um. Entre crônicas sobre meu cotidiano como investigador de polícia, eu permeava com histórias pessoais, e aos poucos outros policiais começaram a se tornar leitores assíduos. Dali a pouco surgiu a tal da “blogopol”, policiais que falavam sobre segurança pública em seus blogs, denunciando os desmandos que sofriam no cotidiano. Ganhamos um movimento com estilo e cara própria; mas não durou muito tempo. Logo os órgãos policiais calaram com punições administrativas os policiais mais sinceros, remanescendo poucos na atividade. Em 2008, quando sai da polícia meu blog ainda estava no ar, mas queria me desintoxicar daquilo tudo. Eu precisava renascer como cidadão desarmado, e as histórias do Cultcoolfreak me traziam lembranças nem sempre agradáveis. Foi então que tive a ideia de compilar as melhores crônicas e adaptá-las para a forma de um romance policial clássico, com narrativa linear, protagonistas, começo, meio e fim. Ele, sem dúvida, foi meu melhor instrumento para me entender alguém com leitores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>8. Na última década, séries policiais como CSI e Sherlock BBC viraram uma febre na televisão. Você tem alguma favorita? O que achou da série nacional “Dupla Identidade”, que retratou a caçada de um serial killer pela polícia?</strong><br />
Gostei do “Dupla Identidade”. A qualidade dos roteiros policiais do audiovisual brasileiro só vem crescendo. Embora eu tenha críticas quanto ao conteúdo, dramaticamente ele foi apropriado ao que o público da Rede Globo esperava ver. Mas não me levem a sério. Sou o homem que acha “House of Cards” um troço muito chato.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>9. Quais são seus próximos projetos? Já pode revelar algum pra gente?</strong><br />
Atualmente estou trabalhando na adaptação do meu livro “Richthofen – o assassinato dos pais de Suzane” para o cinema, e por isso fico em dívida com a literatura. Mas espero logo voltar aos livros. Escrever romances é um prazer do qual não posso me furtar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>10. Se você pudesse levar 3 livros para uma ilha deserta, quais seriam?</strong><br />
Três livros que me ajudassem sobreviver e a construir jangadas para sair de lá.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(Imagens: Júlia Aguiar, divulgação)</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 Entrevista: Roger Franchini"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/06/04/entrevista-roger-franchini/">Entrevista: Roger Franchini</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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