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	<title>Arquivos Fernando de Abreu Barreto -</title>
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	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
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	<title>Arquivos Fernando de Abreu Barreto -</title>
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		<title>O romance policial é um paciente com câncer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Baldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2015 14:31:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[Cornell Woolrich]]></category>
		<category><![CDATA[Dennis Lehane]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando de Abreu Barreto]]></category>
		<category><![CDATA[mateus baldi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ano passado, pouco antes de uma mesa-redonda com o filho do Simenon, Tony Bellotto e Raphael Montes, li um artigo que declarava a morte da literatura policial. Aquelas páginas vermelhas que, desde o século XIX, tinham matado tanta gente estavam definitivamente sepultadas. E sem direito a velório. Na tal mesa-redonda, levantei a questão e quase...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone wp-image-4004 size-full" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/02/screenhunter_286-feb-08-23-31.jpg" alt="ScreenHunter_286 Feb. 08 23.31" width="636" height="398" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Ano passado, pouco antes de uma mesa-redonda com o filho do Simenon, Tony Bellotto e Raphael Montes, li um artigo que declarava a morte da literatura policial. Aquelas páginas vermelhas que, desde o século XIX, tinham matado tanta gente estavam definitivamente sepultadas. E sem direito a velório.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Na tal mesa-redonda, levantei a questão e quase fui apedrejado. O romance policial era Jesus Cristo e, na minha frente, havia ressuscitado. Estava ali em todo o seu esplendor. Hoje, quase um ano depois, me peguei refletindo sobre os acontecimentos e cheguei à seguinte conclusão: o romance policial é um paciente com câncer em estágio avançadíssimo, quase terminal. Sua salvação seria um milagre. Mas há médicos tentando manter o paciente longe das garras da morte. Há médicos que pensam em tirar aquela alimentação ruim, à base de qualquer-nutriente-tá-bom. Há gente que deseja trazer à vida plena o gênero literário mais cultuado de todos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">A alimentação ruim, obviamente, são os leitores. Nos últimos anos qualquer coisa vai bem para eles. Qualquer número #1 do NYT vai bem. Dane-se o protagonista ser um agente esportivo, dane-se o vilão do livro que o Scorsese vai filmar ser um camarada que deixa as pessoas enforcadas em cima de bonecos de neve que vão derretendo. Dane-se tudo isso. Fuck the logic. O importante é o page-turning frenético. Dane-se que no final a filha da puta volta para o cara que tanto a fez sofrer – e bolar um plano intrincadíssimo. A gente quer o NYT. A gente quer tudo que foi tocado por esse raio tenebroso que transformou a literatura policial numa coisa artificial, tão viva quanto alguém que está há anos em coma, respirando com aparelhos e almoçando papinha via sonda.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Faz muito tempo que eu não leio um romance policial DECENTE. Um romance policial atual, nada de Highsmith, Chandler, Hammett ou Christie. Estou falando de romance policial BOM. Daqueles que você, numa inconsequência estúpida, quer vivenciar o que os protagonistas – coitados! – vivenciam. Houve um tempo em que eu queria ter sido todos que tentaram parar o assassino do motel Bates. Houve um tempo que eu queria dar porrada, tomar uísque, levar porrada, comer meia dúzia de putas e chorar porque botei uma loirinha linda atrás das grades. No passado eu era Paulo Mendes e ziguezagueava com meu charuto pelos becos de Copacabana enquanto tentava livrar putas e travestis da cadeia. Hoje em dia eu só quero manter distância desses agentes secretos, desses assassinos nórdicos que matam de formas estapafúrdias e “desafiadoras”. Quero manter distância do policial bêbado que tem trinta romances e não é desenvolvido em nenhum deles, só resolve crimes como se fosse um episódio de CSI.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Eu quero a minha literatura policial de volta.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">E vou até o fim para tê-la.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Um conselho: procurem Rubem Fonseca, Patrícia Melo, Raphael Montes, Fernando de Abreu Barreto, Flavio Carneiro. Todos esses são autores policiais. Nenhum deles se rendeu ao clichê. Seus personagens poderiam existir em qualquer cidade. São tão palpáveis que você se pergunta se são conhecidos dos autores. Ficou incomodado (a) porque só citei brasileiros? Vamos lá: Dennis Lehane, Cornell Woolrich, Patricia Highsmith.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Agora silêncio. Estamos no corredor de hospital. Aqui. Esse quarto. Vejamos o que há na cama. Um corpo respirando com aparelhos. Vê? Os médicos retiraram a sedação.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Ouve-se um rugido ao longe e no gelo do lençol, a figura abre os olhos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Ainda que mal, ela está viva.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><em>(Imagem: <a href="https://www.flickr.com/photos/fms-sabine/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">freemysoul</a>)</em></p>
<p style="text-align:justify;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1093" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/08/mateus11.png" alt="mateus1" width="600" height="133" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Mateus Baldi' src='https://secure.gravatar.com/avatar/5ab2f02d356b4390b0aace4586fed5c51ac3aba7447988e5f9cc90c130766040?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/5ab2f02d356b4390b0aace4586fed5c51ac3aba7447988e5f9cc90c130766040?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/mateus-baldi/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Mateus Baldi</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Nasceu em 1994. É escritor e roteirista. Fundou a plataforma literária Resenha de Bolso, foi editor de cultura da revista Poleiro e colaborador de literatura no site da Piauí.</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://www.resenhadebolso.com.br/" target="_self" >www.resenhadebolso.com.br/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/02/09/o-romance-policial-e-um-paciente-com-cancer/">O romance policial é um paciente com câncer</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>A Forma da Sombra, de Fernando de Abreu Barreto</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2014/11/17/resenha-a-forma-da-sombra-fernando-de-abreu-barreto/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2014 16:57:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[A Forma da Sombra]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando de Abreu Barreto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Josué de Oliveira &#8211; Sempre que preciso tomar o metrô, sinto certo desconforto. Um conjunto de elementos contribui para isso: as plataformas que terminam abruptamente, os trilhos escuros se estendendo até onde alcança a vista, o som algo animalesco produzido pelas locomotivas, os túneis que surgem como bocarras feitas de concreto. As estações têm...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; Sempre que preciso tomar o metrô, sinto certo desconforto. Um conjunto de elementos contribui para isso: as plataformas que terminam abruptamente, os trilhos escuros se estendendo até onde alcança a vista, o som algo animalesco produzido pelas locomotivas, os túneis que surgem como bocarras feitas de concreto. As estações têm uma espécie de respiração própria. Os vagões alinham-se à plataforma, cospem passageiros, recebem outros tantos, e lá dentro mãos buscam um lugar para se agarrar enquanto todos são levados para dentro da escuridão, viajando através das veias da cidade.</p>
<p>O protagonista de &#8220;A Forma da Sombra&#8221; (Caligo, 116 páginas), romance (novela?) de estreia do carioca Fernando de Abreu Barreto, é condutor do metrô. Para ele não há desconforto, e sim um forte senso de pertencimento. Passa seus dias cruzando os túneis, longe da luz. Nos momentos de folga, também se dirige para lá, e passeia em meio às ratazanas e à sujeira, familiarizando-se com a geografia, os respiradouros, os bueiros que conectam aquele mundo ao de cima. Sente aversão ao sol e todas as janelas de seu apartamento são pintadas de preto. Sente-se à vontade apenas na penumbra. Sempre foi assim.</p>
<p>&#8220;A Forma da Sombra&#8221; é, em sua essência, uma história de autodescoberta. Narrado em primeira pessoa pelo condutor (cujo nome jamais é revelado), a breve narrativa, dividida em capítulos curtos, o acompanha em suas tentativas de entender quem ou o que é, sua natureza estranha e psicopata. Nessa jornada, cruza com personagens igualmente inominados e situações que o colocam à prova, revelando um violento instinto de sobrevivência.</p>
<p>A característica que mais chama a atenção na obra é a escrita de Fernando. Concisa, pouco preocupada em chamar atenção para si. Os capítulos, por vezes ocupando menos de uma página, são a prova de que não é necessário escrever muito para dizer muito. O autor demonstra segurança em sua escolha, o que dá ao livro unidade e um ritmo peculiar. A narração é precisa, sem excessos, conferindo voz e identidade ao protagonista, cujos pensamentos e ações cada vez mais perturbadores vamos acompanhando.</p>
<p>A construção da subjetividade do condutor, essencial para que o leitor compre a ideia do livro, também merece destaque. Podendo ser encaixado no subgênero dos suspenses psicológicos (caso alguém queira aplicar categorias), onde importa menos o crime e a investigação e mais a exploração da psicologia do criminoso. &#8220;A Forma da Sombra&#8221; revela sua força nos capítulos em que o protagonista reflete sobre sua condição, entendendo-se cada vez mais como um tipo diferente de ser – mais distante do humano, mais próximo do animal. São momentos em que o leitor é convidado a entender o que se passa na mente do monstro (que é como as demais pessoas o veriam), suas premissas, o impulso por trás de seus ataques. O que para a sociedade em geral seria visto como psicopatia é para o condutor busca por significado.</p>
<p>Ao manter o ponto de vista do condutor sempre no centro, Fernando faz do leitor um expectador inerte de sua tomada de consciência e de seus atos assassinos, vistos por ele como completamente justificáveis. O aprofundamento na mente do protagonista faz com que realmente nos importemos com sua busca e seu destino. A trama avança e ganha contornos de jogo de gato e rato quando um policial (referido como &#8220;o detetive&#8221;, somente) entra em cena para investigar um dos crimes cometidos pelo condutor. O embate entre os dois confere uma nova dinâmica ao livro, os acontecimentos ainda mais imprevisíveis e testando a lealdade do leitor: torcerá ele pelo sucesso do investigador ou pela vitória do criminoso?</p>
<p>A narrativa retorna diversas vezes aos túneis do metrô, que funcionam sobretudo como metáfora para a natureza ainda incompreendida e oculta do protagonista. Ali, longe das vistas de todos, ele pode ser verdadeiro consigo próprio – e, não à toa, lá comete seus crimes. Esses locais onde reina a escuridão são importantíssimos para a lógica do livro e Fernando é hábil em criar sequências ali situadas, transmitindo bem as sensações de estranheza e isolamento causadas pelo local.</p>
<p>Mostrando-se fiel à construção de seu protagonista, o autor recusa as decisões fáceis e segue o caminho que a narrativa aponta organicamente como o mais apropriado, mesmo sendo o menos confortável para o leitor. Fernando leva a história ao ápice dando-lhe direções concretas, mas tem a boa sacada de não dar todas as respostas. O resutado é um final aberto de raro equilíbrio entre o que é mostrado e o que fica oculto, que reflete os conceitos apresentados ao longo da narrativa e respeita a inteligência do leitor. Demonstração final da segurança do autor estreante, que ainda tem muito a mostrar.</p>
<p>Quanto a mim, vou evitar ao máximo passar perto do metrô.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 1.25em;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-9465 size-full" style="margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star4.png" alt="star4" width="98" height="22"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-2727 size-thumbnail" style="margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/10/sombra.jpg?w=99" alt="sombra" width="99" height="150"></p>
<p><strong>Título</strong>: A Forma da Sombra<br />
<strong>Autor</strong>: Fernando de Abreu Barreto<br />
<strong>Editora</strong>: Caligo<br />
<strong>Páginas</strong>: 116<br />
<strong>Ano</strong>: 2014<br />
<a href="http://www.skoob.com.br/a-forma-da-sombra-402629ed456358.html" target="_blank" rel="noopener">Este livro no Skoob</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SINOPSE</strong>: Romance de estreia de Fernando de Abreu Barreto, &#8220;A forma da sombra&#8221; carrega todas as características que são marcantes no autor: o texto direto e cru, o controle da tensão e a criação de personagens sólidos e profundos. Thriller ágil, que envolve o leitor nas primeiras páginas, o livro rompe a barreira do gênero.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2014/11/17/resenha-a-forma-da-sombra-fernando-de-abreu-barreto/">A Forma da Sombra, de Fernando de Abreu Barreto</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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