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	<title>Arquivos Lúcia McCartney -</title>
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	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
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	<title>Arquivos Lúcia McCartney -</title>
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		<title>Rubem Fonseca: O homem que arrebatou o Brasil (parte III)</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2014/10/13/rubem-fonseca-o-homem-que-arrebatou-o-brasil-parte-iii/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Baldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2014 14:41:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando José Rubem Fonseca – mineiro, ex-funcionário da Light e comissário de polícia – estreou na literatura em 1963, a</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2014/10/13/rubem-fonseca-o-homem-que-arrebatou-o-brasil-parte-iii/">Rubem Fonseca: O homem que arrebatou o Brasil (parte III)</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/10/rubem31.jpg"><img  title="" fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1899" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/10/rubem31.jpg"  alt="rubem31 Rubem Fonseca: O homem que arrebatou o Brasil (parte III)"  width="720" height="352" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Quando José Rubem Fonseca – mineiro, ex-funcionário da Light e comissário de polícia – estreou na literatura em 1963, a última revolução literária nas terras de Vera Cruz tinha sido as páginas que retratavam as mazelas do sertão (e da pobreza de indivíduos bastante singulares). </span><span style="color:#000000;">Ninguém, repito, absolutamente ninguém estava preparado para as páginas que se estenderiam nas prateleiras.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Rubem Fonseca arrebatou a crítica e o público por praticar uma literatura honesta. E é com a mesma dose de honestidade que essa trilogia de artigos se propõe a apresentar a obra e o autor José Rubem Fonseca, nascido a 11 de maio de 1925 em Juiz de Fora.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/10/as_fases.png"><img  title="" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1895" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/10/as_fases.png"  alt="as_fases Rubem Fonseca: O homem que arrebatou o Brasil (parte III)"  width="272" height="21" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Chegamos ao fim dessa trilogia. Em primeiro lugar, foi um prazer esquadrinhar novamente a obra de RF. É muito bom ver como alguém evoluiu em cinco décadas de literatura ininterrupta.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Essa última seção tem por objetivo analisar cada fase, cada conjunto de obras lançadas em anos diferentes porém escritas com um tom parecido, ou até mesmo a temática.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<h3 style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Fase Um – Realismo Iniciante</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">É composta pelos livros &#8220;Os Prisioneiros&#8221;, &#8220;A Coleira do Cão&#8221; e &#8220;Lúcia McCartney&#8221;. Essa pequena trilogia de contos sessentistas serviu para colocar Rubem Fonseca no patamar da mais elevada – e prestigiada – literatura nacional da época. Com contos afiados, inovadores em termos de estética e construção narrativa, abriu caminho para a segunda fase, onde RF se esbaldou.</span><br />
<span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<h3 style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Fase Dois – Realismo Brutalista</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O termo foi cunhado por Alfredo Bosi em 1975 e se encaixa perfeitamente nos livros &#8220;O Caso Morel&#8221;, &#8220;Feliz Ano Novo&#8221; e &#8220;O Cobrador&#8221;. Passamos a conhecer aqui um Rubem mais ousado, que não tem medo da Censura e de devassar a sociedade brasileira à sombra da ditadura, uma gente que matava, fodia, lambia cus e visitava artistas presos na cadeia. Talvez houvesse tempo de cobrar algumas coisas e subir a serra para um almoço. Talvez.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Nessa fase não há concessões. A porrada dói – e muito.</span><br />
<span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<h3 style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Fase Três – Realismo Elaborado</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Entre 1983, com a publicação de &#8220;A Grande Arte&#8221;, e 1994, quando &#8220;O Selvagem da Ópera&#8221; foi lançado, Rubem Fonseca aliou ao brutalismo uma perícia e um refino ímpares na hora de construir seus romances. Os personagens ficam exponencialmente complexos, as histórias, portanto, idem. Cada livro lançado é sucesso absoluto. Rubem já é O autor nacional. Não há para ninguém. São histórias grandiloquentes que versam sobre a liberdade de corpos amarrados a dogmas tão perversos que chega a ser impossível não se sentir claustrofóbico lendo-as. E é isso que torna essa terceira fase a melhor de todas. Aqui Rubem Fonseca está no auge do auge. E não pretende parar para descansar, pois&#8230;</span><br />
<span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<h3 style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Fase Quatro – Realismo Minimalista</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">&#8230; os anos 1990 chegam e com eles vem os contos e as novelas publicadas entre &#8220;O Buraco na Parede&#8221; e &#8220;A Confraria dos Espadas&#8221;. São histórias curtas em termos de tamanho e construção de personagens. RF parece se preocupar muito mais em chocar o leitor por reviravoltas surpreendentes do que efetivamente chocar por chocar – isso já foi tão feito que não há mais sentido. A literatura torna-se, portanto, mínima e bela, excessivamente bela.</span><br />
<span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<h3 style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Fase Cinco – Realismo de Águia</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Rubem envelheceu. Já na casa dos setenta anos, lança histórias cada vez mais curtas, em livros cada vez mais mínimos. O olhar, entretanto, permanece aguçado. Em pauta, o funk, o aborto, as comunidades carentes, as chocolaterias. De &#8220;O Doente Moliére&#8221; até &#8220;Ela e outras mulheres&#8221;, lançado em 2006, nota-se um consumo cada vez mais baixo de violência. São quase-crônicas banhadas em ácido, pequenas doses de: estou voltando, me aguardem, esperem mais um pouco. Talvez seja o único ponto mais baixo da carreira de RF, o que, em termos de Rubem Fonseca, não é demérito algum. O ponto baixo é sempre um centímetro abaixo do cume.</span><br />
<span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<h3 style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Fase Seis – Realismo Neobrutalista</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">&#8220;O Seminarista&#8221;, primeira publicação de Rubem após a conturbada saída da Companhia das Letras, é o retorno que todos queriam. Violência, sexo, diálogos, literatura, porrada, sangue, enfim&#8230; o velho Rubem de sempre, já com oitenta e poucos anos, faz a alegria dos fãs. Em 2013 sai &#8220;Amálgama&#8221;, seu último livro de contos, uma porrada fenomenal na sociedade de consumo do século 21. Não há quem escape. Rubem voltou a brilhar intensamente e foi indicado ao Jabuti, já como favorito.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O neobrutalismo é vigiado por iPods, redes sociais e mais acidez. Os jovens que se cuidem enquanto o carequinha do Leblon continuar escrevendo. A literatura brasileira ainda tem um mestre. Reverenciem-no, pois.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span><br />
<a href="https://literaturapolicial.com/2014/09/19/rubem-fonseca-o-homem-que-arrebatou-o-brasil-parte-ii-2/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Leia a 1ª parte deste artigo, com destaque para os contos de Rubem Fonseca.<br />
Leia a 2ª parte deste artigo, com destaque para os romances de Rubem Fonseca.</a></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<h5 style="text-align:justify;"><em>(Imagem: <a href="http://veja.abril.com.br/111109/letras-latinas-crimes-cariocas-p-210.shtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Zeca Fonseca/VEJA</a>)</em></h5>
<p style="text-align:justify;"><a href="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/08/mateus11.png"><img  title="" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1093" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/08/mateus11.png"  alt="mateus11 Rubem Fonseca: O homem que arrebatou o Brasil (parte III)"  width="600" height="133" /></a></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="5ab2f02d356b4390b0aace4586fed5c51ac3aba7447988e5f9cc90c130766040?s=100&#038;d=mm&#038;r=g Rubem Fonseca: O homem que arrebatou o Brasil (parte III)" alt='Mateus Baldi' src='https://secure.gravatar.com/avatar/5ab2f02d356b4390b0aace4586fed5c51ac3aba7447988e5f9cc90c130766040?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/5ab2f02d356b4390b0aace4586fed5c51ac3aba7447988e5f9cc90c130766040?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/mateus-baldi/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Mateus Baldi</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Nasceu em 1994. É escritor e roteirista. Fundou a plataforma literária Resenha de Bolso, foi editor de cultura da revista Poleiro e colaborador de literatura no site da Piauí.</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://www.resenhadebolso.com.br/" target="_self" >www.resenhadebolso.com.br/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2014/10/13/rubem-fonseca-o-homem-que-arrebatou-o-brasil-parte-iii/">Rubem Fonseca: O homem que arrebatou o Brasil (parte III)</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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			</item>
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		<title>Rubem Fonseca: O homem que arrebatou o Brasil (parte II)</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2014/09/19/rubem-fonseca-o-homem-que-arrebatou-o-brasil-parte-ii-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Baldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Sep 2014 17:44:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[A Grande Arte]]></category>
		<category><![CDATA[José Rubem Fonseca]]></category>
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		<category><![CDATA[O Caso Morel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Mateus Baldi &#8211; Quando José Rubem Fonseca – mineiro, ex-funcionário da Light e comissário de polícia – estreou</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2014/09/19/rubem-fonseca-o-homem-que-arrebatou-o-brasil-parte-ii-2/">Rubem Fonseca: O homem que arrebatou o Brasil (parte II)</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Por Mateus Baldi</em> &#8211; Quando <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://literaturapolicial.com/2015/05/13/a-grande-arte-de-rubem-fonseca/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">José Rubem Fonseca</a></span> – mineiro, ex-funcionário da Light e comissário de polícia – estreou na literatura em 1963, a última revolução literária nas terras de Vera Cruz tinha sido as páginas que retratavam as mazelas do sertão (e da pobreza de indivíduos bastante singulares). </span><span style="color: #000000;">Ninguém, repito, absolutamente ninguém estava preparado para as páginas que se estenderiam nas prateleiras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Rubem Fonseca arrebatou a crítica e o público por praticar uma literatura honesta. E é com a mesma dose de honestidade que essa trilogia de artigos se propõe a apresentar a obra e o autor José Rubem Fonseca, nascido a 11 de maio de 1925 em Juiz de Fora.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><strong><span style="color: #000000;">PARTE 2 &#8211; OS ROMANCES</span></strong></h2>
<address><span style="color: #000000;"><em>“Você ainda me ama?”, perguntou Bebel.</em></span><br />
<span style="color: #000000;"> <em> “Amo”</em></span><br />
<span style="color: #000000;"> Rubem Fonseca, A Grande Arte</span><br />
<span style="color: #ffffff;">x</span></address>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já consagrado enquanto contista devido ao sucesso de <em>Lúcia McCartney</em>, em 1973 Rubem Fonseca publica <em>O Caso Morel</em>, seu primeiro romance. Dividido em diversas camadas e vozes, o livro foi uma mistura de sexo, violência e questionamentos sobre o papel da arte e da literatura: o artista vanguardista, um <em>crazy life</em> dos anos 1970, Paul Morel tem sua vida dissecada pelo escritor Vilela enquanto apodrece na cadeia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após dez anos e dois livros de contos, o mineiro brindou a crítica com um segundo romance – seu maior livro até hoje –, o colossal, estupendo, absurdamente genial e fundamental <em>A Grande Arte</em>. Narrado em primeira pessoa pelo advogado <strong>Mandrake</strong> – apelido de Paulo Mendes, surgido no livro de 1969 e presente em dois contos de <em>Feliz Ano Novo</em> e <em>O Cobrador</em> –, o romance gira em torno de uma fita de vídeo e uma vingança do protagonista. Municiado com facas e seu inseparável amigo &amp; mentor Wexler, Mandrake parte até os confins do Brasil numa trama que nos apresentou outros dois personagens memoráveis: Bebel, a ninfeta-namorada de Mandrake, e Nariz de Ferro, um anão negro que adora parafrasear grandes nomes da literatura. Um clássico absoluto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Bufo &amp; Spallanzani</em>, seu romance mais famoso, chega às prateleiras em 1985. Acompanhando Gustavo Flávio, ex-detetive da Companhia Panamericana de Seguros, e o tira Guedes, o livro tece um comentário mordaz sobre o Rio de Janeiro da época. Em meio a referências à vida do próprio Fonseca, acompanhamos Gustavo na escrita do livro homônimo ao título enquanto destrincha-se um crime: Delfina Delamare, socialite, foi morta. O final é surpreendente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos</em>, título tirado de uma frase de Freud, sai em 1987. O protagonista insone e sem nome percorre Berlim, Rio e o interior mineiro numa trama que mistura o soviético Isaac Bábel, o universo cinematográfico e um diamante. Constantemente menosprezado dentro do cânone fonsequiano, o romance tem lá seu brilho e convence – principalmente quando analisado sob o prisma das fases de RF, tema da terceira e última parte dessa trilogia de artigos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1990 é crucial</strong>. Rubem Fonseca publica um romance arrebatador em todos os sentidos. <em>Agosto</em>, originalmente intitulado Crimes de Agosto, cobre o período mais nefasto da História recente do Brasil. Misturando ficção e realidade, RF traz às páginas o comissário Mattos, que em 1954 precisa investigar um assassinato nojento no edifício Deauville. Conforme se embrenha no caso, ele vai percebendo ligações com o Palácio do Catete, imerso em sua mais grave crise. A cena do suicídio de Getúlio é espetacular. O universo carioca da segunda metade do século XX era composto por bicheiros, macumbeiros, mocinhas nada inocentes e muitas, muitas pastilhas para acidez estomacal. Golpe de mestre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 1994, o argumento de um filme sobre Carlos Gomes é lançado sob a forma de romance. <em>O Selvagem da Ópera</em> revela uma faceta esplêndida do escritor. Rubem narra com o estilo conciso de sempre e ainda adiciona música às frases.</span></p>
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<p><span style="color: #000000;">Mandrake e Gustavo Flávio retornam em 1997 na novella <em>E Do Meio do Mundo Prostituto Só Amores Guardei Ao Meu Charuto</em>. O extenso título, tirado dos versos de Álvares de Azevedo, refuta o tabagismo de Paulo Mendes. Em meio aos assassinatos de sempre e a relatos do escritor surgido em Bufo &amp; Spallanzani, Mandrake precisa separar verdade e ficção. Ele ainda retornaria no livro <em>A Bíblia e a Bengala</em>, união de duas novelas e última aparição do personagem. Nesse livro, Rubem impiedosamente condena o advogado malandro e cínico a uma bengala após tomar um tiro na perna.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os anos 2000 se revelam mais propícios aos contos, mas há espaço para mais quatro romances: <em>O Doente Moliére</em>, uma novela de época sobre o dramaturgo francês; <em>Diário De Um Fescenino</em>, uma construção de narrativas curtas e nomes complexos; <em>José</em>, lançado em 2010, consiste num pastiche da autobiografia – Fonseca destila fatos pessoais em linhas beeem fictícias. O destaque, porém, é <em>O Seminarista</em>. No que muitos compararam a Tarantino, RF botou como protagonista o Exterminador, assassino de aluguel surgido nos contos de <em>Ela E Outras Mulheres</em>. Um romance que evoca a fase setentista do autor e, portanto, tem um brilho que demorará a se apagar, funcionando como porta de entrada para o universo fonsequiano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A próxima parte desses artigos se debruçará nas fases de Rubem Fonseca e em como elas refletiram a sociedade de suas épocas. <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://literaturapolicial.com/2014/09/01/rubem-fonseca-o-homem-que-arrebatou-o-brasil/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Leia a 1ª parte da trilogia sobre Rubem Fonseca &#8211; os contos</a></span>.</span></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="5ab2f02d356b4390b0aace4586fed5c51ac3aba7447988e5f9cc90c130766040?s=100&#038;d=mm&#038;r=g Rubem Fonseca: O homem que arrebatou o Brasil (parte II)" alt='Mateus Baldi' src='https://secure.gravatar.com/avatar/5ab2f02d356b4390b0aace4586fed5c51ac3aba7447988e5f9cc90c130766040?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/5ab2f02d356b4390b0aace4586fed5c51ac3aba7447988e5f9cc90c130766040?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/mateus-baldi/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Mateus Baldi</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Nasceu em 1994. É escritor e roteirista. Fundou a plataforma literária Resenha de Bolso, foi editor de cultura da revista Poleiro e colaborador de literatura no site da Piauí.</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://www.resenhadebolso.com.br/" target="_self" >www.resenhadebolso.com.br/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2014/09/19/rubem-fonseca-o-homem-que-arrebatou-o-brasil-parte-ii-2/">Rubem Fonseca: O homem que arrebatou o Brasil (parte II)</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Rubem Fonseca: o homem que arrebatou o Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Baldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Sep 2014 04:29:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[A Coleira do Cão]]></category>
		<category><![CDATA[José Rubem Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Lúcia McCartney]]></category>
		<category><![CDATA[mateus baldi]]></category>
		<category><![CDATA[O Caso Morel]]></category>
		<category><![CDATA[Os Prisioneiros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Mateus Baldi &#8211; Quando José Rubem Fonseca – mineiro, ex-funcionário da Light e comissário de polícia – estreou na</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Mateus Baldi</em> &#8211; Quando José Rubem Fonseca – mineiro, ex-funcionário da Light e comissário de polícia – estreou na literatura em 1963, a última revolução literária nas terras de Vera Cruz tinha sido as páginas que retratavam as mazelas do sertão (e da pobreza de indivíduos bastante singulares). Ninguém, repito, absolutamente ninguém estava preparado para as páginas que se estenderiam nas prateleiras.</p>
<p>Rubem Fonseca arrebatou a crítica e o público por praticar uma literatura honesta. E é com a mesma dose de honestidade que essa trilogia de artigos se propõe a apresentar a obra e o autor José Rubem Fonseca, nascido a 11 de maio de 1925 em Juiz de Fora.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Parte 1 &#8211; Contos</h3>
<pre style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">"</span><span style="color: #000000;">Sei ler, escrever e fazer raiz quadrada.</span>
<em><span style="color: #000000;"> Chuto a macumba que quiser.</span></em>"
<span style="color: #000000;"> Feliz Ano-Novo (1975)</span></pre>
<p>Até 1973, com a publicação de O Caso Morel, Rubem se dedicaria exclusivamente às narrativas curtas. Essa primeira parte resgatará os principais volumes de contos publicados pelo autor nos últimos 50 anos.</p>
<p>Os Prisioneiros, de 1963, é o marco zero. Somos apresentados a uma narrativa concisa, direta, cheia de palavrões e linguajar popular. E mesmo com tudo isso, percebemos a qualidade da narrativa fluida, rica em detalhes e bibliografia.</p>
<p>A Coleira do Cão, publicado dois anos depois, consolidou a estrutura narrativa do autor. O soco no estômago se aproximava.</p>
<p>Lúcia McCartney é o primeiro marco verdadeiro, consistente, em que a totalidade dos contos é suprimida por uma sequência poderosa. Pela primeira vez, uma prostituta tem voz ativa e conta abertamente sobre sua vida sexual/amorosa. O conto que dá nome ao livro é espetacular em termos de linguagem. Por meio de colchetes, Rubem esmaga diálogos em poucas linhas, conectando-os por um pensamento lógico febril como só Borges e/ou Cortázar poderiam ter feito. Dali para o realismo fantástico seria um pulo. Mas na prática, a história não foi bem assim. Em o caso de F.A., Mandrake, o advogado cínico e amante dos vinhos-e-charutos, dá as caras pela primeira vez. É dele a frase mais emblemática de Lúcia McCartney: “a cidade não é aquilo que se vê do Pão de Açúcar”. Conciso. Direto. O soco no estômago está dado.</p>
<p>Após um hiato de quase dez anos – onde publicou O Caso Morel –, Rubem Fonseca retorna em 1975 com seu livro mais polêmico: Feliz Ano Novo.</p>
<p>Abrindo a coletânea, o conto do título leva o leitor para os subúrbios, para os punheteiros desdentados, para os ladrões, para os ladrões punheteiros e desdentados do subúrbio, que, em plena noite de réveillon, assaltam uma mansão na então desértica Barra da Tijuca. Destilando violência altamente gráfica com sarcasmo, o conto é só o início da aventura. Nas páginas seguintes, o retorno de Mandrake. No caso de dia dos namorados, conhecemos melhor a figura de Paulo Mendes, que nasceu com “nome de santo”, mas virou Mandrake, “uma pessoa que fala pouco e faz os gestos necessários”. Na sequência, o campeonato, uma história sobre o passado promíscuo do Rio de Janeiro: animais de sangue quente, que sabem que tudo vai acabar, digladiam entre si para ver quem goza mais em menos tempo. Para tanto, comem iguarias sofisticadíssimas, escutam músicas afrodisíacas, veem revista de mulher pelada. O último conto, intestino grosso, contém uma das melhores falas da bibliografia fonsequiana: “gente como nós ou vira santo ou maluco, ou revolucionário ou bandido. Como não havia verdade no êxtase nem no poder, fiquei entre escritor e bandido.”</p>
<p>O ministro da Justiça, Armando Falcão, considerou aquilo tudo muito baixo, muito simplório, e censurou o livro.</p>
<p>Irritado, Rubem Fonseca esperou.</p>
<p>Em 1979, cada vez mais puto e genial e cruel e sanguinário, publica O Cobrador. O personagem-título passou a vida inteira nas mãos da sociedade, sendo sugado pelo sistema. Decidiu se rebelar. Atira em dentista, sente ódio na frente da televisão, espera pela namorada e o sanduíche do botequim da rua Vieira Fazenda.</p>
<p>Dessa vez, para sorte da alta literatura, Rubem não foi censurado.</p>
<p>Resolveu investir nos romances e só publicou contos novamente nos anos 1990 – uma leva menor, mas não menos importante. O novo milênio também recebeu sua cota de shorties. E seria devastado em 2013 pelo mais recente volume: Amálgama. Voltando a ser o de sempre, com 88 anos Rubem retoma o estilo do início da carreira e põe na roda, no olho do furacão, a sociedade do século XXI como ela realmente é: fodida.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="5ab2f02d356b4390b0aace4586fed5c51ac3aba7447988e5f9cc90c130766040?s=100&#038;d=mm&#038;r=g Rubem Fonseca: o homem que arrebatou o Brasil" alt='Mateus Baldi' src='https://secure.gravatar.com/avatar/5ab2f02d356b4390b0aace4586fed5c51ac3aba7447988e5f9cc90c130766040?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/5ab2f02d356b4390b0aace4586fed5c51ac3aba7447988e5f9cc90c130766040?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/mateus-baldi/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Mateus Baldi</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Nasceu em 1994. É escritor e roteirista. Fundou a plataforma literária Resenha de Bolso, foi editor de cultura da revista Poleiro e colaborador de literatura no site da Piauí.</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://www.resenhadebolso.com.br/" target="_self" >www.resenhadebolso.com.br/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2014/09/01/rubem-fonseca-o-homem-que-arrebatou-o-brasil/">Rubem Fonseca: o homem que arrebatou o Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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