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	<title>Arquivos quem matou roland barthes -</title>
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	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
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	<title>Arquivos quem matou roland barthes -</title>
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		<title>Quem matou Roland Barthes?, de Laurent Binet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Dec 2016 12:59:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Josué de Oliveira &#8211; A pessoa a que se refere o título do livro de Laurent Binet me traz lembranças doloridas: aquelas aulas chatas de Fundamentos Linguísticos da Comunicação no primeiro período da faculdade, onde aprendíamos o básico de linguística, semiótica e semiologia. Nessa disciplina, além de Roland Barthes, também fui apresentado ao trabalho...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; A pessoa a que se refere o título do livro de Laurent Binet me traz lembranças doloridas: aquelas aulas chatas de Fundamentos Linguísticos da Comunicação no primeiro período da faculdade, onde aprendíamos o básico de linguística, semiótica e semiologia.</p>
<p>Nessa disciplina, além de Roland Barthes, também fui apresentado ao trabalho acadêmico de <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://literaturapolicial.com/2016/02/20/umberto-eco-o-escritor-que-nao-corria-dos-policiais/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Umberto Eco</a></span> (até então, só conhecia sua faceta de ficcionista), Julia Kristeva e Roman Jakobson, e ao longo da faculdade topei também com Foucault, Althusser, Deleuze, Todorov e um pouco mais de Barthes, autores importantes das áreas de Comunicação, Antropologia e Sociologia. Não garanto ter entendido a maior parte do que do que eles disseram, mas juro que tentei. Alguns ali escreviam difícil que só.</p>
<p>O último lugar em que eu esperava reencontrar esse pessoal todo era num romance policial. <em>Quem matou Roland Barthes?</em> (Companhia das Letras, 408 páginas), lançado em 2015, ano em que se comemorou o centenário do nascimento do importante crítico literário francês, veio me lembrar que essa gente não apenas existiu, mas conviveu e circulou pelos mesmos meios entre os anos 1970-1980.</p>
<p>Ao mesmo tempo thriller, homenagem e sátira, o romance de Binet mistura fatos e ficção num romance irreverente, a obra mais original que passou pelas minhas mãos em 2016.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">[su_quote]Na trama, o autor fantasia com base em um acontecimento real – a morte de Roland Barthes, em 1980, resultado de um atropelamento.[/su_quote]</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O intelectual e professor acabara de sair de um almoço com François Mitterrand, candidato à presidência naquele ano pelo Partido Socialista. O factual se desliga da realidade a partir de uma pergunta: e se não foi um acidente, mas um assassinato?</p>
<p>A partir dessa especulação, Binet constrói um enredo rocambolesco com inúmeros assassinatos, espiões com dedos cortados e um misterioso clube que se reúne na calada da noite. Tudo parece girar em torno de um dos maiores segredos da intelectualidade ocidental: a sétima função da linguagem, aludida pelo linguista russo Roman Jakobson em seu Linguística e Comunicação. Enquanto as seis funções &#8220;oficiais&#8221; descrevem usos comuns e reconhecíveis, a sétima, apenas citada pelo autor, seria quase mágica, dando a quem a utiliza poderes inimagináveis de convencimento e persuasão – uma arma poderosa, portanto, pela qual muitos estariam dispostos a matar. O delegado Jacques Bayard é destacado para investigar o caso, e recruta o jovem professor Simon Herzog, que está por dentro das particularidades da vida acadêmica francesa, para guiá-lo.</p>
<p><em>Quem matou Roland Barthes?</em> não é para todo mundo. São tantas histórias interconectadas, tantos assuntos tratados ao mesmo tempo, que o leitor pode se sentir confuso ou mesmo perdido. Por exemplo, o autor fala de conceitos de Barthes e diversos outros escritores com desenvoltura e suas eventuais explicações são dadas com a rapidez de um professor certo de estar lidando com uma turma de nível, no mínimo, intermediário. As pistas do crime se misturam a exposições sobre Semiologia, Filosofia da Linguagem, Comunicação. Além disso, Binet dá especial atenção à conjuntura sociopolítica da França de 1980, às portas de uma eleição presidencial, mesclando à trama capítulos que narram exclusivamente longas reuniões de gabinete entre políticos e seus assistentes, a respeito de temas muito específicos da época . A galeria de personagens, quase todos reais, é espantosa e pitoresca, por vezes caricatural. Por fim, a escrita do autor é bastante peculiar, cheia de frases longas e construções incomuns, bem diferente do que se costuma encontrar nas prateleiras das seções policiais.</p>
<p>Se essa descrição não te empolgou, bem, é provável que Quem matou Roland Barthes? não seja para você. O público para o qual Binet escreve certamente tem alguma familiaridade e interesse pelas obras e a vida de Barthes, famoso por estender a produtos culturais populares suas análises sofisticadas de cunho literário e sociológico (sobretudo na obra Mitologias). É quase impossível separar o entusiasmo pela trama de um interesse, mesmo que pequeno, pelo que ele escreveu e pensou. Esse conhecimento prévio ajuda a entender a miscelânea de referências bibliográficas e conceituais que o livro ostenta, seus diálogos por vezes obscuros e as muitas piadas internas que pontuam a narrativa. (Assim como na faculdade, não garanto ter entendido tudo)</p>
<p>O que é mais acessível no livro é a dinâmica entre Bayard e Simon Herzog, os dois cômicos heróis da história. O primeiro é um policial experiente, reclamão, impaciente com o monte de estudantes e professores, que considera uns vagabundos esquerdistas, com quem precisa lidar na investigação. O outro, um mestrando pacato que se transforma em detetive talentoso. São várias as passagens divertidas da relação dos dois, com destaque para os momentos em que Simon precisa explicar ao cabeça-dura Bayard algum conceito complicado de Barthes, Searle ou Derrida.</p>
<p>Mas o maior destaque é, de fato, Simon, que personifica a homenagem de Binet a Barthes e à Semiologia. Consistindo no estudo dos signos na vida social como um todo — e “signo” aqui deve ser entendido de modo amplo: qualquer coisa que contenha significado, que expressa algo, explicitamente ou não —, ela é convertida em arma para Simon, que se descobre capaz de fazer deduções brilhantes a partir de vestígios (signos) que qualquer um ignoraria. A progressão de Simon, de professor nerd a Sherlock Holmes francês (suas iniciais não são SH à toa) é um dos pontos altos da história.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ss&amp;ref=as_ss_li_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8535928146&amp;asins=8535928146&amp;linkId=dcb8646b238fc56496ab4323fa5f677c&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=true" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>Quando pessoas reais estão em cena, o tom do romance varia entre o absurdo e a homenagem. Michel Foucault, por exemplo, é expansivo e grandiloquente, sempre disposto a falar sobre biopoder ou a sexualidade humana, não importa a circunstância; Philippe Sollers, amigo de Barthes, nunca precisa fazer esforço para discursar sobre o único assunto que domina: ele próprio; Julia Kristeva, esposa de Sollers, é uma mulher fria e objetiva que balanceia a euforia crônica do marido; Umberto Eco é brilhante, alegre e beberrão. E essa é apenas uma parcela pequena dos personagens verídicos que circulam pelas páginas, envoltos nas situações mais fantásticas e sempre trazendo um pouco da carga de suas obras, que são honradas e respeitadas. Se Binet caçoa deles, é quanto a traços particulares, não tanto de suas ideias.</p>
<p>Os percursos da trama – a caçada pela tal sétima função, cobiçada por espiões búlgaros, misteriosos japoneses, a elite intelectual francesa e figurões da política – são sinuosos, inverossímeis, delirantes. Isso pode incomodar quem prefere enredos mais realistas, é bom apontar. As surpresas são poucas, embora o desfecho escolhido por Binet seja no mínimo interessante, costurando fatos históricos à seus excessos ficcionais. Mas <em>Quem matou Roland Barthes?</em> é, em sua essência, um olhar irreverente lançado a uma geração de pensadores cuja sombra se estende até os dias de hoje, goste-se deles ou não, que utiliza os recursos da literatura policial sem se render a eles, produzindo um híbrido anárquico entre o pop e o erudito.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-11868 size-full" style="margin-top: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/02/parceria_companhia.jpg" alt="parceria_companhia" width="268" height="70" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignnone wp-image-9465 size-full" style="margin-top: 15px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star4.png" alt="star4" width="98" height="22" /></p>
<p><strong><img decoding="async" class="alignleft wp-image-15329 " style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/11/barthes.jpg?w=201" alt="barthes" width="180" height="269" />Título</strong>: Quem matou Roland Barthes?<br />
<strong>Autor</strong>: Laurent Binet<br />
<strong>Tradução</strong>: Rosa Freire d&#8217;Aguiar<br />
<strong>Páginas</strong>: 416<br />
<strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br />
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<p style="text-align: justify;"><strong>SINOPSE</strong> – E se o atropelamento que matou o crítico e semiólogo francês Roland Barthes não tivesse sido um acidente, mas sim um crime? E se o autor de <em>Fragmentos de um discurso amoroso</em> tivesse sido vítima de uma conspiração por estar de posse de um manuscrito contendo a sétima função da linguagem, última parte da teoria do linguista Roman Jakobson nunca revelada, capaz de convencer qualquer um de qualquer coisa? Nos meios intelectuais e políticos da Paris de então, em que transitam personagens como Foucault, Derrida, Deleuze, Althusser e Guattari, qualquer um pode ser o culpado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>(Imagens: Josué de Oliveira, <span class="irc_ho" dir="ltr">andrewgallix.com, D</span>ivulgação)</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/12/19/quem-matou-roland-barthes-de-laurent-binet/">Quem matou Roland Barthes?, de Laurent Binet</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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