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O Matador, de Patricia Melo

Por Murilo Reis – Há uma escola não oficial na Literatura Brasileira contemporânea cujos alunos são seguidores do método narrativo conciso de Rubem Fonseca. Nomes como Marçal Aquino, Jô Soares, Tony Belloto e Marcelo Rubens Paiva são exemplos.

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Porém, a escritora e roteirista Patrícia Melo talvez seja sua mais fiel seguidora, como se pode ver no romance “O Matador”, lançado em 1995. No ano de 2003 ele foi roteirizado pelo próprio Rubem para o cinema e dirigido por João Henrique, filho do escritor, com o título “O Homem do Ano”.

Em estilo hardboiled, Patrícia conta a história de Máiquel, vendedor de carros usados e morador do subúrbio paulistano que passou a vida sendo bombardeado por propagandas de lojas de departamento. Notícias sobre uma economia desorganizada chegam aos seus ouvidos sem que saiba como aquilo poderia lhe afetar.

Ele vê sua vida mudar quando perde uma aposta envolvendo futebol. Para pagar a dívida, tem a obrigação de tingir os cabelos de amarelo. A partir daí, olha-se no espelho e vê um novo homem. Ao sentir-se insultado por Suel, um colega de boteco, propõe um duelo que resolve levar a sério ao decidir apertar o gatilho.

Depois do primeiro assassinato, torna-se procurado, mas não pela lei. São os poderosos que vão ao seu encontro, milionários que veem a oportunidade de ter seu assassino de aluguel particular, um tipo de vigilante permanente que elimine qualquer problema.

Máiquel passa a caçar indivíduos que praticam pequenos delitos para sobreviver a um sistema que os menospreza. Embalado por doses cavalares de uísque e cocaína, torna-se um homem venerado, protetor da comunidade. Em meio a tudo isso, há duas mulheres em sua vida, formando um conturbado triângulo amoroso. Érica e Cledir, pessoas completamente diferentes que não salvarão seu amado do destino que o aguarda. Ou será que, na verdade, elas é que não conseguirão se safar dele?

Não há tiras comandando uma investigação policial a ser desvendada. A narrativa apenas acompanha a mente de um criminoso em formação. A ultraviolência urbana representada possui o mesmo peso psicológico de “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, ou da série televisiva “Breaking Bad”, de Vince Gilligan.

O mais atento e fiel leitor de Rubem Fonseca notará que a escritora se utiliza de um personagem do conto “O cobrador”, de 1979. Trata-se do dentista que leva um tiro na perna do enlouquecido justiceiro que protagoniza aquela história. Nas mãos de Patrícia Melo, tem-se certeza de que a verdadeira ameaça à sociedade não era o assassino impiedoso de Fonseca, mas sim o profissional encarregado de arrancar os dentes podres dos miseráveis.

 

MURILO REIS é viciado em jornalismo. Escreve sobre literatura e histórias em quadrinhos, temas sobre os quais gosta de conversar em mesas de bar. Site: O Paralelo.

 

Sobre o livro

Título: O Matador
Autora: Patricia Melo
Páginas: 204
Editora: Companhia das Letras
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Tudo começa numa simples aposta de futebol. Máiquel, um jovem vendedor de carros usados na periferia de São Paulo, erra o palpite e precisa pagar a prenda: tingir o cabelo. Mas um desvio sutil no procedimento acaba por alterar todo o rumo de sua história. Em vez do castanho alourado prometido, o rapaz sai do salão completamente louro, “como esses cantores de rock da Inglaterra”. É este o improvável estopim para a escalada de eventos quase casuais — uma dor de dente, a admiração por uma loja de departamentos, um mal-entendido num bar — que leva Máiquel a se tornar “O matador da Zona Sul”.

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  • Tinha lido Acqua Toffana da Patrícia, e achei muito bom. O Matador não me desceu muito bem, aliás terminei por encostar o livro, não conseguiu me prender.

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