resenha

Sobre a escrita e a vida de Stephen King

Adaptam-se bem em qualquer lugar, sob qualquer estação, com pouca luminosidade e poda irregular se for o caso. Eu podia estar falando de bromélias ou cactos candelabro, mas me refiro aos livros do Stephen King mesmo! Porque tudo que ele “planta” parece crescer com vigor e saúde, mesmo aqueles tijolões de mil páginas que desafiam leitores mais valentes.

A verdade é que 2015 foi um bom ano para King no Brasil. Recheado de (re) lançamentos, obras do autor pipocaram nas prateleiras das livrarias (Escuridão Total sem Estrelas, Joyland, Revival) e praticamente magnetizaram os fãs do mestre do terror. “Sobre a escrita” foi um desses sucessos imediatos, essa autobiografia deliciosa maquiada de manual sobre a arte de romancear sem perder o tom da palavra.

 

 

Stephen King é um dos autores mais influentes da atualidade. Ele já escreveu 54 romances e vários livros foram adaptados para o cinema com enorme sucesso. Já foi professor de inglês e escrita criativa, e para qualquer pessoa que persiga a carreira de escritor este livro é uma preciosidade. Nele, King resgata memórias da infância, sobre como foi crescer com a mãe e o irmão mais velho Dave em uma família de classe média baixa nos Estados Unidos, revivendo lembranças como numa contação de histórias descontraída. Também não poupa elogios ao grande amor da sua vida, a escritora e esposa Tabitha King, e revela que até hoje todas as histórias que escreve são para impressioná-la.

Uma coisa legal em “Sobre a Escrita” é descobrir como surgiram as ideias para vários livros de sucesso, como “Carrie, a Estranha” e “Misery”. Em “Carrie”, por exemplo, ele não gostava da personagem e quase largou o livro durante o processo de criação. Uma intervenção fez com que mudasse de ideia e terminasse aquele que virou seu primeiro grande sucesso. Já em “Misery”, King relembra como a história surgiu a partir de um sonho durante uma viagem de avião.

Na parte mais didática, há inúmeras dicas sobre gramática, elementos de estilo, advérbios (que ele detesta), voz passiva (que ele também não gosta). Há também a citação de uma ênfase comum entre escritores: é preciso ler e escrever muito para vingar na profissão.

Nos capítulos finais, King escreve sobre os problemas que teve que superar na década de 1980, como o vício em drogas e o alcoolismo, e também faz um relato bem descritivo do atropelamento pelo qual passou em 1999. O acidente quase o matou, e a recuperação foi um processo lento, doloroso e que minou sua auto-confiança por um bom tempo, fazendo com que reaprendesse a se relacionar com a escrita.

Recomendo muitíssimo o livro. Na verdade, todo o catálogo do Stephen Kink. Ele é o tipo de escritor que consegue nos envolver com as histórias que cria. Com seus livros, sempre sentimos um gostinho inevitável de quero mais.

 

FRASES

. “A vida não é um suporte à arte. É exatamente o contrário.”
. “Escrever é um trabalho solitário. Ter alguém que acredita em você faz muita diferença. Eles não precisam fazer discursos motivacionais. Basta acreditar.”
. “Os puristas odeiam ouvir esta afirmação e a negarão até a morte, mas é verdade. A língua nem sempre usa gravata e sapato social.”
. “Quando acerta o alvo, uma metáfora nos agrada tanto quanto encontrar um velho amigo em meio a uma multidão de desconhecidos.”
. “Muitas vezes a desconfiança é justificada. Em outras, ela é usada como desculpa para não pensar.”

 

* Livro cedido pela Editora Suma

 

Título: Sobre a Escrita
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras Brasil
Páginas: 256
Ano: 2015
Este livro no Skoob

SINOPSE – Com uma visão prática e interessante da profissão de escritor, incluindo as ferramentas básicas que todo aspirante a autor deve possuir, Stephen King baseia seus conselhos em memórias vívidas da infância e nas experiências do início da carreira.

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