Categories: nacionaisresenha

Suicidas, um suspense de Raphael Montes

Por Raquel de Mattos – Quando comecei a ler Dias Perfeitos, eu logo fiquei sabendo que ele havia lançado um livro anteriormente, chamado “Suicidas”. Confesso que não fiquei muito empolgada, nem com a sinopse, nem com a capa, nem com o tema, nem com o título. Afinal um bando de adolescentes que se reúne pra se matar não me convencia muito. ERRADO.

LEIA MAIS
TOP 10 | Dez livros para quem gostou da série Wandinha 🖤
Todos os livros de Agatha Christie em ordem de publicação
STEPHEN KING | 10 clássicos para conhecer a obra

Tá, tudo bem, é só um livro, pode ficar pra lá. NÃO! Estava enganada. Depois de ter sido fisgada e devorada em Dias Perfeitos eu PRECISAVA ler Suicidas. Não estava nem aí com o que eu tinha pensado antes. “Largue seus pré-conceitos”, “o menino é bom, vai lá logo”, “deixa de ser fresca”, foram os pensamentos que eu tive. Fui lá e encarei.

No começo eu fiquei um pouco confusa com tudo o que estava acontecendo, até me integrar com os relatórios da polícia, com os trechos do livro que o Alessandro (Alê) estava escrevendo e com o que ele mesmo conta das conversas com os outros. Mas isso foram em uns dois capítulos, e logo eu me resolvi. Li tão rápido quanto Dias Perfeitos – dois ou três dias, porque não podia ler o dia inteiro, como eu queria. E fui me envolvendo com a história e seus personagens (o cara é bom nisso!). E não só a empatia, mas também a antipatia e todos os outros sentimentos que os personagens sentem um pelo outro e te jogam como bolinhas de pingue-pongue, pra lá e pra cá, como se fôssemos nós os joguetes, nem pensando, nem decidindo, só indo. E eu fui. Naveguei em mares de sangue, sofrimentos maternais, conflitos emocionais e um bocado de claustrofobia.

A trama é bem desenvolvida e não nos permite antever as situações (as que de fato aconteceram, somente ele nos leva para onde ele quer, como já disse). A narrativa não expunha nenhuma novidade estilística ou literária, mas tem aquele objetivo secreto de te surpreender e não fazer com que caiamos no cansaço ou enfado do livro. Serve bem a todo público e, assim como tantos outros do gênero, deve (ou deveria) ficar longe (ainda) de mãos infantis. Fora isso, totalmente recomendado!

O enredo não te enrola, não te deixa desistir, te leva sem que você tenha chance de voltar atrás. Construído em rede para que tudo fosse finalizado (apesar de eu achar que algumas coisas ficaram meio “entregues” demais, mas nada que comprometesse a qualidade da obra), o autor manipula todo mundo – mas não nos convence a nada, ok? – e apreciamos uma boa história. Eu adorei! E pretendo reler em breve! O livro é tão impactante que foi produzida uma peça de teatro, Roleta Russa, que está em cartaz andando pelo país. Pena que ainda não deu para ver!

Se você, como eu, estava de preconceito com o livro, com a história, com a capa ou com qualquer outra “desculpite” do gênero, dispa-se deste véu negro que cobre a sua visão e aprecie o que vale a pena. Raphael Montes é o autor do momento, sim, e vai muito em breve ter o reconhecimento para além do seu público, o que é mais que merecido por tudo o que fez e tem feito.

Abraços literários!

 

SOBRE O LIVRO

Título: Suicidas
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 488
Compre aqui

Nove jovens universitários da elite carioca se envolvem em uma roleta-russa que termina de forma trágica e misteriosa. Um ano depois, uma nova pista mantida em segredo pela polícia traz luz ao caso. Sob a liderança da delegada Diana Guimarães, as mães dos jovens se reúnem para tentar entender o que realmente aconteceu e os motivos que levaram seus filhos à morte. À medida que lêem as anotações de um dos suicidas, segredos sombrios vêm à tona, tensões explodem e algo ainda mais assustador começa a se revelar.

Share this content:

View Comments

  • Não achei que valeu a pena. O final é parcialmente previsível. A parte que não é previsível é a que envolve comportamento totalmente atípico de alguns personagem no final. Achei que retrataram os jovens como "retardados".

Recent Posts

O que Arthur Conan Doyle acharia de Jovem Sherlock?

Poucos personagens da literatura atravessaram tantas gerações quanto Sherlock Holmes. Criado por Arthur Conan Doyle…

11 horas ago

Por que editoras rejeitam livros que viram best-sellers?

Todo mundo já ouviu alguma versão dessa história: um livro é rejeitado por várias editoras…

15 horas ago

A Dona de Casa Perfeita: aparência e ilusão

Sabe quando você olha um perfil nas redes sociais e pensa: “ninguém pode ser tão…

3 dias ago

LANÇAMENTOS | Livros de suspense e mistério em março

Confira as dicas de lançamentos de suspense e mistério para março no Literatura Policial. LEIA…

4 dias ago

Como era Londres na época de Sherlock Holmes

Quando pensamos em Sherlock Holmes, é quase impossível não imaginar uma Londres coberta por neblina,…

2 semanas ago

A vida secreta dos escritores vitorianos

Quando pensamos na era vitoriana, é comum imaginar salões silenciosos, moral rígida, chá da tarde…

3 semanas ago