FLIP 2016 – Apesar de não contar com nenhum nome nas tendas principais este ano – como foi o caso da edição passada com Sophie Hannah e Leonardo Padura -, a Festa Literária Internacional de Paraty de 2016 proporcionou algumas mesas para fãs dos romances policiais, de suspense e quadrinhos. Autores nacionais debateram sobre o gênero em encontros que contaram com a presença de um bom público nos espaços literários distribuídos pelas esquinas de Paraty.
Na quinta-feira, 30, Bráulio Tavares e André Vianco conversaram sobre literatura fantástica na Casa Sesc Paraty. Com mediação do jornalista Rodrigo Casarin, a mesa intitulada “Literatura Fantástica do Brasil” abordou a arte da narrativa, séries de TV, temas explorados pelos autores e a importância do estilo na arte de contar histórias. Bráulio Tavares citou como influência os romances policiais e históricos de Arthur Conan Doyle, “um escritor completo que contava histórias de uma maneira extremamente vívida e isso sempre passou para mim como uma verdadeira arte”, apontou. Para André Vianco, “as histórias devem apresentar um drama potente, bem como as escolhas que o autor fará (ou não) diante dos desafios da narrativa”. Vianco falou ainda sobre o início da carreira, a importância da conexão com o leitor e como ele divulgou inicialmente “Os Sete”, um de seus livros mais conhecidos.
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Ainda na quinta, Ricardo Lísias fez uma palestra-performance na Casa Libre e Nuvem de Livros. O tema foi a polêmica Família Tobias, que aparece no seu mais recente livro “Inquérito Policial: Família Tobias”, publicado pela Editora Lote 42 (confira a entrevista que fizemos com o autor aqui). Numa atividade derivada do livro, Lísias se passou por um historiador que pesquisou as origens dos Tobias, salientando os hábitos e os vícios da sociedade paulistana tradicional. O público interagiu e entrou na brincadeira do escritor, que ainda se valeu de um slideshow para ilustrar a história.
Para os fãs de quadrinhos, a sexta-feira, 1º, começou muito bem na Casa Sesc. O público encheu o pequeno espaço para acompanhar o debate com os quadrinistas Guazzelli, Gabriel Bá e Fábio Moon, que participaram da mesa “Quadrinhos em diálogo”, com mediação de Bruno Dorigatti. Os artistas falaram sobre como é possível retratar a vida de todas as formas através dos quadrinhos, e fizeram uma avaliação de como o mercado evoluiu dos anos 1980 para os dias de hoje, apontando um aumento no número de leitores e no interesse das editoras em publicar este tipo de material.
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A noite fechou com a mesa literária “Heróis urbanos: a crueza da realidade na ficção”, com Raphael Montes e o jornalista Emiliano Urbim. O tema principal foi sobre a antologia “Heróis Urbanos”, lançamento da Editora Rocco com contos de mais autores como Luisa Geisler, Rubem Fonseca e Leticia Wierzchowski. O indivíduo e a desconstrução do arquétipo de herói são assuntos abordados nesta coletânea de contos para jovens, que reuniu várias gerações de autores com diferentes perspectivas sobre o assunto.
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No sábado, os autores Tailor Diniz e Henrique Rodrigues participaram da mesa “Fronteiras e sombras, o jogo entre a ficção e o real”. Criador do detetive Walter Jacquet, Diniz já escreveu alguns romances policiais ambientados em Porto Alegre (Crime na Feira do Livro, Mistério no Centro Histórico). Ele falou sobre as filmagens de A Superfície da Sombra, filme baseado em seu livro homônimo e que está em fase final de edição. O encontro foi na casa OFF Flip das Letras, com mediação de Stéphane Chao e Flávio de Araújo.
O encontro que mais abordou a literatura policial e de suspense aconteceu no sábado, às 17h, na Casa Rocco. A mesa “Revelações do novo suspense” reuniu Flávio Carneiro e Simone Campos em uma conversa farta de referências às origens dos policiais. O escritor, professor e crítico literário Flávio Carneiro falou sobre as modalidades ligadas à literatura policial, como o gótico e o fantástico, os primeiros autores a abordar o gênero no Brasil – quando ainda usavam o artifício do pseudônimo para assinar as histórias, pelo fato do gênero ser considerado uma subliteratura – e como os romances policiais sempre interessaram e cativaram as mais variadas gerações de leitores. Interessado na releitura do gênero, Carneiro refletiu sobre a transição do protagonista policial clássico como Sherlock Holmes, passando pelo “anti-heroi” dos romances noir e os personagens principais modernos: “Hoje temos um não-herói, por exemplo o Espinosa (de Luiz Alfredo Garcia-Roza), um personagem que duvida, geralmente anônimo, que questiona com um pé aqui e outro ali… O detetive não heroi é de um equilíbrio instável”, completou.
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Simone Campos falou sobre seu trabalho de tradução dos livros A Garota do Trem, publicado pela Editora Record, e Menina Má, da Darkside Books, e ainda revelou que está escrevendo um romance policial para breve. Segundo ela, “as personagens principais são femininas e a história vai se passar no Rio”, envolvendo um desaparecimento e uma investigação entre irmãs. A editora executiva da Rocco, Mariana Rolier, mediou o encontro e aproveitou a oportunidade para divulgar o lançamento de uma nova coleção de suspense que será lançada pela Rocco em agosto. O primeiro título será Uma Garota de Muita Sorte, de Jessica Knoll.
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Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com
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Muito bom. Não fui, mas fui.
A FLIP está mudando. Isso é bom. Fui ano passado e só vi aquela literatura elitista e super valorizada pelas academias de letras. É bom perceber que os espaços se abrem.
Ótima matéria.
Obrigada Ceres! A Flip deste ano teve mesas para vários gostos literários. Achamos que foi uma boa experiência e esperamos que os organizadores invistam nos debates com autores de literatura policial e de suspense para o ano que vem, pois sabemos que há muitos leitores fãs do gênero no Brasil. Vamos torcer e acompanhar :)