Por Rogério Christofoletti – Se você estava no planeta Terra nesses dias e frequentou as redes sociais, é impossível que não tenha ouvido falar (bem) de “Stranger Things”, o seriado-sensação do momento. Pois se não teve tempo de devorar esta temporada de estreia, não se descabele! Reunimos um punhado generoso de argumentos que farão você jogar tudo para o alto, faltar o trabalho, matar aulas e “arrumar” tempo e coragem para atravessar esse portal interdimensional… Sim, porque se trata de uma viagem no tempo, um retorno aos empolgantes anos 80. Se conseguir retornar e em que condições, isso é por sua conta…
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1. É uma boa história
A estrutura narrativa de “Stranger Things” é muito eficiente. Prende e vicia. O seriado estreou há poucos dias no Netflix e já foram registrados inúmeros casos de grupos inteiros que se isolaram da humanidade para acompanhar o sumiço do garotinho Will Byers, o surgimento inesperado da superpoderosa Onze e a descoberta de algo muito esquisito nos arredores da pequena cidade de Hawkings. Pegamos carona numa das bicicross de três nerdinhos pré-adolescentes e nos deparamos com uma conspiração de arrepiar os pêlos da nuca. Embora você reconheça um monte de referências aos 80’s, perceba o encadeamento dos episódios, os pontos de tensão na trama, as apresentações cuidadosas dos personagens. Tudo isso justifica parte do zum-zum-zum que cerca “Stranger Things”.
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2. Tem mistério, terror e fantasia
Junte três porções de “Fringe”, duas de “Dungeons & Dragons” e uma de “Arquivo X”. Misture com fartas doses dos personagens esquisitões de Stephen King e com um lirismo pré-púbere de “Goonies” e “E.T.”. Para dar liga, faça uma criança desaparecer do nada, um monstro sem rosto transitar entre dois mundos e cientistas-vilões abusarem de experimentos com humanos. Não se esqueça ainda de colocar um policial atormentado liderar uma investigação que desafia a sanidade e qualquer senso de lógica. Pronto. Poderia dar errado?
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3. Nostalgia e revivals
“Stranger Things” é uma bem costurada colcha de retalhos e referências. Além dos já citados acima, podemos mencionar um caminhão de citações à cultura pop ocidental (majoritariamente dos Estados Unidos) de trinta anos atrás. Para os nascidos nos anos 70, o seriado aciona constantemente chaves de saudosismo de um tempo em que a infância era desafiar os limites do bairro a bordo de bicicletas ou virar a noite jogando RPG. Para os mais jovens, que agora se beneficiam de uma onda restauradora daqueles loucos anos, é uma oportunidade de compreender como é possível chegar à fase adulta sem computadores, smartphones e Pokémon Go…
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4. Personagens problemáticos
Não se trata de antiheróis. Estou falando de gente como a gente, que – de perto – nunca é normal. “Stranger Things” reforça nossos laços com personagens problemáticos porque nos identificamos com eles. É a mãe batalhadora que fuma como uma chaminé e é meio maluquete, mas que não desiste de encontrar o filho desaparecido. É o policial que vive numa espelunca e abusa de remédios para conviver com uma perda infinita. São os tímidos, os fracos, os desprestigiados; os desastrados, os não-muito-populares, e os que se sentem estrangeiros nesse mundo. Olhe com atenção e se reconheça naquela fauna…
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5. Heróis fracos e cativantes
Na maioria dos seriados, quem resolve as paradas atira bem, é forte, tem superpoderes ou alguma habilidade especial. “Stranger Things” despreza essa receita e deixa tudo por conta de meia dúzia de amáveis fracotes, inseguros carismáticos e losers irresistíveis. Pode torcer por eles sem culpa. Eles são o lado bom da história mesmo.
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6. Que elenco!
Parte considerável da construção dos personagens está além das páginas do roteiro, nas mãos de bons atores e atrizes. Os Duffer Brothers, responsáveis pelo seriado, acertaram na escalação que mescla jovens talentos a artistas que eram boas promessas nos anos 80. Assim, assistimos ao desfile dos experientes Winona Rider e Matthew Modine ao lado de adoráveis intérpretes. Não desgrude os olhos de Millie Bobby Brown. A menina está um espanto como a sensitiva e telecinética Onze, quase uma X-Man mirim!
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7. Clichês americanos
“Stranger Things” é uma ode ao estilo de vida dos estadunidenses, com suas vidas orientadas pelo trabalho e pelo sucesso, com alguns relacionamentos fast-food, tudo ao ritmo de canções pop. A ação se dá na pacata Hawkings (Indiana), que tem nas cercanias um centro de pesquisas secretas. As casas seguem a arquitetura padrão de classe média: há gramados bem aparados e calçadas limpas. Os bairros são seguros, e é possível fazer as refeições em família. O baile da escola é a grande atração dos adolescentes e, sempre ou quase sempre, o rapaz tem acesso à namorada pela janela do quarto… Sim, você já viu isso uma dezena de vezes. É o que costumamos chamar de clichês. Quem nunca?
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8. Barulhinho bom
Para muita gente, os 80 foram a “década perdida”. Não para a música, meu chapa! O pop como o conhecemos hoje foi muito moldado pelas referências daqueles anos: Michael Jackson, Madonna, Prince, Queen… “Stranger Things” não traz nenhum deles, e com isso mostra a riqueza musical do período. Na fita cassete do seriado, apure os ouvidos com The Clash, Peter Gabriel/David Bowie, Jefferson Airplane, Joy Division, The Bangles, Toto, Echo and the Bunnymen… Feche os olhos e ouça!
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9. Na medida
Não tem tempo né? Calma. A primeira temporada de “Stranger Things” tem apenas oito episódios, e eles duram entre 40 e 50 minutos. Trocando em miúdos: você pode zerar a série numa noite.
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10. Satisfação garantida
“Stranger Things” oferece o que promete. Tem muita coisa estranha acontecendo ali: monstro esguio e faminto, como em “Alien – o oitavo passageiro”; cenários pegajosos e assustadores; atmosfera de “Silent Hill”; paranormalidade e ciência de ponta; nerdices com jogos de tabuleiro; crianças com acesso irrestrito a armas de fogo; gente de outro mundo que se comunica através de luzes piscantes… E aí, vai resistir? Se quiser se sentir O estranho numa roda de pessoas, fique onde está.
(Imagens: Divulgação Netflix, Instagram milliebobby_brown, Tumbrl)
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Jornalista, dramaturgo e professor universitário. Já publicou 12 livros na área acadêmica e escreveu oito peças de teatro. É um dos autores do e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx).
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Acabamos agora a primeira temporada. Espero que tenha a segunda. Nem sou tão fã de séries envolvendo ficção científica, mas essa realmente vale a pena. Concordo com vc Rogério. É na medida, me faz querer ouvir música dos anos 80 e a satisfação é garantida.
Na medida. Para pessoas ocupadas como nós! Hah!
Eu assisti bem devagarinho para não acabar logo.