POR ANA PAULA LAUX – Lançado em 2014, “Verme” (Dublinense) é o segundo livro da escritora gaúcha Carina Luft e também o segundo com o delegado Fernão Weber, seu personagem “nem totalmente bom, nem totalmente mau, apenas humano”, como a autora mesmo o define em alusão ao francês Honoré de Balzac.
O livro não é propriamente um romance policial mas um romance sobre um policial, sobre o seu passado e como ele se tornou alguém que não almejava ser. Numa viagem pelas memórias do delegado Weber, ele revive os crimes de corrupção que praticou enquanto policial, crimes que considerava levemente transgressores mas que se tornaram frequentes e irreversíveis com o tempo. Seduzido pelo desejo de prosperar, a ganância e as benesses da profissão falaram mais alto, e essas escolhas comprometeram sua vida profissional e pessoal.
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Weber sofre de uma doença degenerativa, então passa os últimos dias debilitado e praticamente sozinho. É nesse contexto que confessa seus pecados para o investigador Nestor, personagem que aparece no primeiro romance policial de Carina, “Fetiche”. Como já é tarde para recomeçar, só resta ao ex-delegado imaginar o que teria sido do futuro se o idealismo juvenil tivesse falado mais alto.
A trama é alternada entre situações do passado e do presente do protagonista. As referências situadas no passado acontecem numa época após o golpe militar de 1964, então há várias histórias sobre atos criminosos de militares e como a impunidade, desde então, já se configurava num dos maiores obstáculos morais do país.
“Verme” é um livro de leitura rápida, e me levou a pensar na insistente fragilidade moral das pessoas, naquelas cujo caráter é acessório e nas que não se rendem aos desvios de conduta. Como escrevi no início, Carina Luft é gaúcha e natural de Montenegro, cidade na região metropolitana de Porto Alegre. Ela lançou o primeiro romance policial em 2010, também publicado pela Editora Dublinense.
Autora: Carina Luft
Editora: Dublinense
Páginas: 144
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SINOPSE – Policiais, bicheiros, militares, políticos, prostitutas e até o reitor da universidade. Todos eles fazem parte do jogo de poder e corrupção que o delegado Fernão Weber enfrentou durante anos, dividido entre a justiça e o dinheiro fácil. Ele então resolve vomitar os podres e as angústias que o acompanharam nessa trajetória crua, passando pelo desmanche de carros e chegando a uma trama que envolve chantagem e assassinato entre banqueiros do jogo do bicho e seus comparsas.
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Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com
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