Por Ana Paula Laux – Josh Malerman ficou conhecido pelo livro “Caixa de Pássaros”, um thriller psicológico que teve boa repercussão entre os leitores e que, por causa disso, vai até ganhar uma adaptação já confirmada pela Netflix com protagonismo de Sandra Bullock. Por ter chamado tanto a atenção com esse livro, acabei comprando o segundo thriller do autor sem pestanejar, “Piano Vermelho”, lançado no Brasil pela Editora Intrínseca.
O livro se passa depois da 2ª Guerra Mundial, e a história é sobre a investigação de um som estranho e potente que surge no deserto da Namíbia, capaz de desativar ogivas nucleares e armamentos de tropas antes enviadas para lá. Num esforço para descobrir o que pode ter uma natureza tão ameaçadora, o governo norte-americano acaba recrutando uma banda decadente de Detroit que já havia servido o exército, os Danes, para investigar de onde vem e o que é esse som. Ok, intrigante, curioso, original, pensei logo de cara. Que baita imaginação tem esse Josh Malerman! Só que o livro tem um problema pontual: a história não se desenrola, simplesmente não anda my friend, e aí temos uma situação modo enrolation que começa a ficar evidente lá pela metade do livro.
“Não há som no deserto, exceto o do vento…
Toda a vida no deserto se esconde.”
A trama é intercalada entre os momentos do grupo no deserto africano, momentos liderados pelo pianista Philip Tonka, e meses depois, quando ele já está num hospital militar se recuperando da coisa “monstruosa” que descobriu no deserto e que ele nunca revela, mas sabe-se que o feriu gravemente e transformou a vida dos envolvidos na missão. Não se pode imaginar menos do que algo genial para explicar a sucessão de viagens alucinógenas descritas pelo personagem nos buracos recônditos que encontra pelo caminho, com pinceladas de sobrenatural aqui e acolá. O autor tenta impor um ar abstrato e espiritual para essa descoberta sobrenatural no deserto, como se aquilo expressasse a partícula de medo interior dentro de cada um, como se a expressão do medo e da fúria viesse travestida em diferentes formas e cores – e pudesse literalmente tomar essas formas por notas de um som ancestral, trazendo lembranças de volta à vida, neutralizando armas, deformando organismos. Ok, eu entendi (eu acho). E achei vago. Deveras vago e viajão.
Pra não dizer que tudo foi absolutamente ruim, realmente gostei do estilo do autor, que foi o que me conduziu de fato até o final da leitura. Mesmo tendo achado a história ruim gostei da forma como ela foi contada, achei o texto fluído, gostei dos capítulos curtos, achei que ele usou algumas metáforas interessantes e bem visuais em alguns momentos (adoro quando consigo visualizar a história durante a leitura, do meu jeito é claro, com as caras que eu dou pros personagens e as cores que eu escolho para os cenários). Então, no fim, não foi um desastre total.
“Mas, a maior parte se devia ao fato de que
nenhum deles podia ver as ideias dentro de sua mente.
É impossível radiografar a fúria.”
Tenho “Caixa de Pássaros” e ainda quero ler esse livro antes de ser adaptado para a Netflix. Porém esse “Piano Vermelho” dele, tão enigmático e obscuro, me pareceu um tanto quanto desafinado.
Autor: Josh Malerman
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
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SINOPSE – Ex-ícones da cena musical de Detroit, os Danes estão mergulhados no ostracismo. Sem emplacar nenhum novo hit, eles trabalham trancados em estúdio produzindo outras bandas, enchendo a cara e se dedicando com reverência à criação — ou, no caso, à ausência dela. Uma rotina interrompida pela visita de um funcionário misterioso do governo dos Estados Unidos, com um convite mais misterioso ainda: uma viagem a um deserto na África para investigar a origem de um som desconhecido que carrega em suas ondas um enorme poder de destruição. Liderados pelo pianista Philip Tonka, os Danes se juntam a um pelotão insólito em uma jornada pelas entranhas mortais do deserto. A viagem, assustadora e cheia de enigmas, leva Tonka para o centro de uma intrincada conspiração. Seis meses depois, em um hospital, a enfermeira Ellen cuida de um paciente que se recupera de um acidente quase fatal. Sobreviver depois de tantas lesões parecia impossível, mas o homem resistiu. As circunstâncias do ocorrido ainda não foram esclarecidas e organismo dele está se curando em uma velocidade inexplicável. O paciente é Philip Tonka, e os meses que o separam do deserto e tudo o que lá aconteceu de nada serviram para dissipar seu medo e sua agonia. Onde foram parar seus companheiros? O que é verdade e o que é mentira? Ele precisa escapar para descobrir.
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Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com
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