Por Alexandre Amaral – O arquipélago de Fernando de Noronha é visto como um dos paraísos brasileiros. Tomado como lugar de beleza incomparável, é unanimidade dentre os destinos onde todo brasileiro deveria conhecer. Além de seus roteiros previsíveis, as ilhas oferecem um variado menu de passeios e trilhas que podem encantar quem nunca visitou o lugar. E para traçar um novo roteiro para os visitantes desavisados, Tobias é enviado para o arquipélago. Professor de história, irmão de Isa e pai de Dora, está nas mãos de Tobias redesenhar o mapa de roteiros que ofereçam um novo panorama do conjunto de ilhas para os visitantes.
O enredo começa na tentativa de uma viagem de volta. Tobias se preparava para deixar a ilha quando, por problemas técnicos na aeronave, todos ficam presos no paraíso. Sem os remédios para labirintite somada à discussão com o militar reformado Dias Nunes dentro do avião, o historiador precisa lidar com as dificuldades da ilha, nem sempre muito claras para os que estão ali a passeio.
Em sua busca por informações, recorre a um dos mais conhecidos moradores, o Filósofo, antigo professor na ilha, que agora divaga e ensina enquanto caminha pelas ruas e reúne pessoas ao seu redor. Personagem antigo do lugar, ao seu redor parecem estar as respostas de lendas e histórias que nunca foram esclarecidas por completo.
Durante o período em que está na ilha, Tobias se depara com o assassinato do Dr. Jaime pelo coronel Dias Nunes e é solicitado por Nelsão, delegado responsável pela delegacia local, para fotografar a cena do crime, já que, dentre todos os serviços precários do lugar, o fotógrafo da delegacia é um deles.
Durante seu período em Noronha, Tobias se envolve de maneira peculiar com diversos moradores do local. Possui um relacionamento afetivo com Lena, dona da pousada em que está instalado, é alvo da amizade de Diego Rodrigo, um galã de novelas, após consertar seu buggy. E também com Filósofo, de quem tenta sempre arrancar informações singulares sobre o lugar.
O romance se passa numa velocidade constante, onde o autor desenrola os fatos como o bater das ondas em uma praia, variando entre momentos de calmaria com momentos onde a velocidade aumenta, mas sem tornar a história rápida demais para ser acompanhada.
O mistério da morte do médico e do militar quase perdem espaço para as interessantes descrições da ilha e de seus habitantes, além de suas paisagens e lendas. Alguns elementos que poderiam suscitar um suspense maior parecem não ser aproveitados como possibilidades, como um misterioso grupo religioso fundamentalista e algumas diretrizes suspeitas tomadas por algumas personagens. Um capítulo a parte sobre o delegado explica demasiadamente seus antecedentes a ponto de justificar para o leitor que, obviamente, ele conseguiria resolver qualquer dificuldade investigativa, não importando o nível de complexidade e que ainda teria habilidades não condizentes com um simples delegado de um arquipélago brasileiro.
O romance se encerra trazendo à tona fatos passados que podem justificar atitudes desconhecidas de personagens que aparecem de maneira rápida e sem importância durante o desenrolar da história. Ao mesmo tempo em que conclui alguns conflitos enquanto apenas justifica outros, sem dar a eles o fechamento produtivo que poderiam ter. Dessa forma, o romance não ativa a curiosidade de um leitor mais ávido dos romances de enigma, mas pode ser um bom começo para os inexperientes e também um recomeço para os que buscam renovar e encontrar uma leitura mais pacífica e descritiva recheada de elementos nacionais.
* Exemplar cedido pela Editora Planeta
* Imagem: Alexandre Amaral
Autor: Carlos Marcelo
Editora: Planeta
Páginas: 288
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SINOPSE – “O mar de fora e o mar de dentro” é a expressão usada em Fernando de Noronha para diferenciar as águas que separam o arquipélago do continente e as que se abrem para o Atlântico. Além disso, resume o embate que dá força a Presos no Paraíso, romance de estreia de Carlos Marcelo. O passado e o presente se enfrentam no conjunto de ilhas, que também é um microcosmo do Brasil: a beleza natural e o frenesi dos turistas convivem com as mazelas sociais e políticas do país. Tobias, historiador que vive entre a expectativa do futuro e as angústias do passado, narra em primeira pessoa sua incursão no arquipélago para elaborar roteiros turísticos. Ele integra a galeria de personagens na qual se destaca o delegado Nelsão, responsável pela investigação de duas mortes misteriosas, com seus cacoetes investigativos e sua compulsão gastronômica.
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Formado em Letras pela UERJ/FFP, é professor e pesquisador da literatura policial brasileira. Aprendeu a gostar de ler com Veríssimo, mas tem o hábito de dosar a leitura de Sherlock Holmes, com pena de que a obra acabe. Gosta de filosofia, história e futebol. De Niterói, RJ.
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