12 autores para ler se você já leu todos os livros de Agatha Christie
Se você leu todos os livros de Agatha Christie, antes de qualquer coisa, parabéns. Não é exatamente uma tarefa simples. É como dizer que assistiu a todos os episódios de uma novela de vinte anos ou que conseguiu acompanhar todas as mudanças do Facebook sem enlouquecer.
Mas aí surge um problema inesperado. Depois de passar tanto tempo na companhia de Poirot, Miss Marple e uma impressionante quantidade de cadáveres espalhados por vilarejos ingleses, o leitor fecha o último livro e fica olhando para a estante como quem perdeu o endereço de casa.
A boa notícia é que Agatha Christie não fundou uma escola de mistério sozinha. Há toda uma vizinhança literária ao redor dela. Alguns autores herdaram seu gosto por pistas escondidas à vista de todos. Outros preferiram modernizar a fórmula. E há aqueles que pegaram o romance policial clássico, colocaram roupas novas nele e o mandaram de volta para a cena do crime.
Se você está procurando a sensação de desconfiar de todo mundo, mudar de suspeito a cada cinquenta páginas e descobrir que o culpado era justamente a pessoa em quem nunca pensou, esta lista pode evitar que você fique vagando pela livraria perguntando baixinho: “E agora, o que eu leio?”
Todos os livros de Agatha Christie em ordem de publicação
1. LOUISE PENNY
Existe um tipo de escritor que mata personagens. Louise Penny prefere matar a tranquilidade. A autora canadense ficou famosa por criar Three Pines, uma vila tão charmosa que dá vontade de fazer as malas e se mudar para lá. O problema é que, de tempos em tempos, aparece um cadáver. E aí entra em cena o inspetor Armand Gamache, um detetive que resolve crimes menos pela força da dedução espetaculosa e mais pela compreensão das pessoas. Desde Natureza Morta, primeiro livro da série, Louise Penny transformou Three Pines em um dos endereços mais queridos da literatura policial contemporânea. Seus romances misturam mistério, humanidade e a desconfortável constatação de que, por trás das cercas brancas e das xícaras de chá, todo mundo guarda algum segredo. Para quem gosta de Agatha Christie, a sensação é familiar: um crime, uma comunidade cheia de suspeitos e a certeza de que as aparências costumam ser péssimas testemunhas.
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2. RICHARD OSMAN
Durante muito tempo, a literatura policial nos ensinou que os grandes detetives eram excêntricos, brilhantes e, de preferência, donos de um bigode memorável. Richard Osman resolveu desafiar essa tradição. Seus investigadores são aposentados. Em O Clube do Crime das Quintas-Feiras, o autor britânico apresenta um grupo de moradores de uma casa de repouso que passa o tempo resolvendo casos antigos. Até que um assassinato bem real acontece perto deles. O que parecia passatempo vira investigação. E os idosos, para surpresa de muita gente, mostram que experiência pode ser uma arma tão eficiente quanto qualquer lupa. Os romances de Osman combinam humor, mistério e personagens que poderiam facilmente ser seus vizinhos. Há assassinatos, claro. Mas também há amizade, solidão, memórias e a divertida sensação de que ninguém deveria subestimar alguém apenas porque já ganhou desconto na passagem de ônibus. Para leitores de Agatha Christie, Richard Osman oferece algo raro: histórias que respeitam a tradição do “quem matou?”, mas sem esquecer que o crime, às vezes, pode dividir espaço com uma boa piada.
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3. LUCY FOLEY
Agatha Christie costumava reunir um grupo de pessoas em uma mansão isolada e deixar que a natureza humana fizesse o resto. Lucy Foley aprendeu a lição e a atualizou para o século XXI. Em livros como A Lista de Convidados e O Apartamento de Paris, a autora britânica reúne personagens que, à primeira vista, parecem perfeitamente normais. O problema é que ninguém é exatamente quem diz ser. E, quando um crime acontece, a lista de suspeitos costuma ser tão grande quanto a de convidados. Seus romances são construídos a partir de múltiplos pontos de vista. Cada personagem revela um pedaço da história, esconde outro e, frequentemente, mente sem qualquer constrangimento. O leitor avança como quem monta um quebra-cabeça sabendo que algumas peças foram escondidas de propósito. Para quem sente falta dos mistérios clássicos de Agatha Christie, Lucy Foley oferece uma combinação familiar: ambientes fechados, grupos de suspeitos, segredos antigos e a agradável sensação de que confiar em qualquer pessoa talvez seja uma péssima ideia.
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4. FREIDA MCFADDEN
Houve um tempo em que a literatura policial nos ensinava a desconfiar do mordomo. Freida McFadden ampliou a lista de suspeitos. Com ela, é prudente desconfiar da babá, do marido, da vizinha, do corretor de imóveis e, por precaução, de qualquer pessoa que pareça simpática demais. A autora americana se tornou um fenômeno editorial com livros como A Empregada, transformando situações aparentemente comuns em armadilhas psicológicas. Seus personagens carregam segredos, contam meias verdades e tomam decisões que fazem o leitor pensar: “isso não vai acabar bem”. E, normalmente, não acaba. Os romances de Freida McFadden são construídos para serem devorados em poucos dias. Os capítulos curtos, as revelações constantes e a sensação de que existe alguma coisa errada desde a primeira página criam um efeito difícil de abandonar. Quando o leitor acha que entendeu a história, descobre que a autora estava vários passos à frente. Para quem gosta de Agatha Christie, a principal diferença é que Freida troca o salão da mansão pela mente dos personagens. O mistério continua ali, só ficou um pouco mais inquietante.
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5. VICTOR BONINI
Durante décadas, a literatura policial brasileira viveu à sombra dos ingleses, americanos e escandinavos. Victor Bonini resolveu lembrar que assassinatos, segredos e pessoas complicadas também existem por aqui. Autor de romances como Colega de Quarto e Crime no Copan, Bonini constrói histórias em que o mistério não depende apenas do crime, mas das relações entre os personagens. Seus livros costumam partir de uma situação aparentemente comum que, aos poucos, revela camadas cada vez mais inquietantes. Há algo de familiar em seus romances. Os cenários são brasileiros, os diálogos soam próximos e os personagens parecem gente que poderíamos encontrar na fila do supermercado. Talvez seja justamente isso que torna seus mistérios tão eficazes: o perigo não está em uma mansão isolada na Inglaterra, mas logo ali, ao lado. Para leitores de Agatha Christie, Victor Bonini oferece uma experiência curiosa: a estrutura clássica do romance de mistério transportada para uma realidade muito mais próxima da nossa, provando que o suspense também fala português.
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6. RUTH WARE
Agatha Christie gostava de reunir suspeitos em ilhas, trens e mansões. Ruth Ware mantém a tradição, mas acrescenta um ingrediente moderno: a sensação permanente de que alguma coisa está profundamente errada. A autora britânica se destacou com romances como A Morte da Sra. Westaway, A Mulher na Cabine 10 e A Volta da Chave. Seus livros costumam colocar pessoas comuns em situações extraordinárias, cercadas por segredos, mentiras e aquela incômoda impressão de que ninguém está contando toda a verdade. Ware domina uma arte difícil: criar ambientes dos quais o leitor não consegue escapar. Um cruzeiro de luxo, um chalé isolado, uma casa inteligente ou uma reunião de velhos amigos rapidamente se transformam em cenários onde a confiança é um recurso escasso. O resultado é um suspense que faz o leitor virar páginas com a mesma ansiedade de quem verifica duas vezes se trancou a porta. Para quem gosta de Agatha Christie, Ruth Ware oferece algo familiar e ao mesmo tempo contemporâneo: crimes em espaços fechados, grupos de suspeitos e o prazer de tentar descobrir a verdade antes que a autora resolva revelá-la.
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7. ALICE FEENEY
Existe um acordo silencioso entre escritores e leitores de suspense. O escritor finge que está contando uma história. O leitor finge que acredita. Alice Feeney rompe esse acordo logo nas primeiras páginas. A autora britânica ficou conhecida por romances como Pedra, Papel, Tesoura e Dele & Dela, histórias em que a verdade parece ter o prazo de validade de um iogurte esquecido na geladeira. Quando o leitor acha que finalmente entendeu o que está acontecendo, descobre que estava observando apenas uma parte do quadro. Seus livros são povoados por narradores pouco confiáveis, relacionamentos complicados e personagens que escondem segredos com uma dedicação quase profissional. Feeney tem um talento especial para transformar situações cotidianas em armadilhas psicológicas das quais ninguém sai exatamente ileso. Para leitores de Agatha Christie, a diferença é que o mistério nem sempre está em descobrir quem cometeu o crime. Às vezes, o desafio é descobrir quem está dizendo a verdade. E, nos livros de Alice Feeney, essa costuma ser a pista mais difícil de encontrar.
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8. ALYSSA COLE
Alyssa Cole é uma autora norte-americana que transita com naturalidade entre diferentes gêneros, mas encontrou no suspense um espaço para explorar temas contemporâneos com grande habilidade. Seu romance mais conhecido, Quando Ninguém Está Olhando, chamou atenção ao combinar mistério, tensão psicológica e questões sociais em uma narrativa envolvente. Em suas histórias, o suspense não nasce apenas de crimes ou desaparecimentos. Muitas vezes, ele surge da sensação de que algo está fora do lugar, mesmo quando ninguém mais parece perceber. Seus personagens precisam lidar com segredos, desconfianças e situações que desafiam aquilo que consideravam realidade. Para leitores de Agatha Christie, Alyssa Cole oferece uma abordagem mais moderna do mistério. Em vez de focar apenas na pergunta “quem cometeu o crime?”, seus livros também exploram por que certas verdades permanecem escondidas e o que acontece quando alguém decide procurá-las.
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9. KARIN SLAUGHTER
Há autores que escrevem mistérios como quem monta um quebra-cabeça. Karin Slaughter prefere mostrar o que acontece quando as peças não se encaixam. Seus romances mergulham nas consequências da violência, nos traumas que ela deixa para trás e nas marcas que nem sempre desaparecem com o tempo. A escritora norte-americana conquistou milhões de leitores com séries como Grant County e Will Trent, além de sucessos independentes como Flores Partidas. Suas histórias combinam investigações policiais complexas, personagens profundamente humanos e uma narrativa que não evita os aspectos mais difíceis da natureza humana. Apesar da intensidade de seus livros, o que mais se destaca em sua obra não é o crime em si, mas a forma como seus personagens enfrentam perdas, segredos e escolhas difíceis. Em seus romances, ninguém sai de uma investigação exatamente igual a como entrou. Para leitores de Agatha Christie, Karin Slaughter representa um caminho diferente dentro da literatura policial. O mistério continua importante, mas a jornada passa também pelas emoções, pelos conflitos e pelas cicatrizes deixadas por cada caso.
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10. LARISSA BRASIL
A literatura policial tem o curioso hábito de nos fazer olhar para o desconhecido. Larissa Brasil consegue algo um pouco mais difícil: fazer o leitor olhar para aquilo que estava bem diante dele o tempo todo. A autora brasileira vem conquistando espaço entre os leitores de suspense ao construir histórias que combinam mistério, tensão psicológica e personagens marcados por conflitos muito humanos. Em seus livros, os segredos não costumam estar escondidos em mansões isoladas ou em cenários exóticos. Eles vivem nas relações, nas memórias e nas escolhas que as pessoas fazem quando acreditam que ninguém está observando. Seus romances revelam uma atenção especial à construção dos personagens. O crime e o mistério estão presentes, mas servem também como caminho para explorar emoções, traumas e dilemas que tornam cada investigação mais próxima da realidade. Para leitores de Agatha Christie, Larissa Brasil oferece uma experiência contemporânea, mostrando que o suspense continua fascinante quando parte da mesma pergunta que move os grandes romances policiais: o que realmente sabemos sobre as pessoas ao nosso redor?
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11. HARLAN COBEN
Harlan Coben parece partir de uma ideia simples: a vida está indo bem, obrigado. Então ele faz questão de estragá-la. O autor americano construiu sua carreira transformando pessoas comuns em protagonistas de situações extraordinárias. Um filho desaparecido que talvez esteja vivo. Uma fotografia antiga que muda tudo. Um segredo enterrado há décadas que resolve aparecer no pior momento possível. Em seus romances, o passado raramente permanece onde deveria. Livros como Não Conte a Ninguém, Desaparecido para Sempre e A Grande Ilusão ajudaram a transformá-lo em um dos escritores de suspense mais populares do mundo. Seus capítulos curtos, o ritmo acelerado e a habilidade de encerrar cada cena com uma nova pergunta fazem com que seus livros sejam lidos com a mesma velocidade com que seus personagens tentam fugir dos problemas. Para leitores de Agatha Christie, Harlan Coben representa uma mudança de cenário. As mansões inglesas dão lugar aos subúrbios americanos, mas a essência continua a mesma: alguém está escondendo alguma coisa, e descobrir o quê é metade da diversão.
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12. SHARI LAPENA
Durante muito tempo, a literatura policial procurou o perigo em becos escuros, mansões isoladas e criminosos sofisticados. Shari Lapena prefere procurar mais perto de casa. A autora canadense se tornou um fenômeno internacional com livros como O Casal que Mora ao Lado, mostrando que a vida aparentemente tranquila de vizinhos, amigos e familiares pode esconder muito mais do que parece. Seus romances costumam começar com situações comuns e familiares. O problema é que a normalidade, em suas histórias, raramente dura mais do que alguns capítulos. Lapena tem um talento especial para explorar as pequenas rachaduras dos relacionamentos. Mentiras aparentemente inofensivas, segredos antigos e decisões impulsivas acabam produzindo consequências cada vez maiores. Aos poucos, o leitor percebe que ninguém está contando a história completa. Para leitores de Agatha Christie, Shari Lapena oferece uma versão contemporânea do velho prazer de desconfiar de todos. A diferença é que, em vez de uma mansão inglesa cheia de suspeitos, o mistério pode estar acontecendo na casa ao lado.
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Ana Paula Laux é jornalista e trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: [email protected]






