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	<title>Arquivos biblioteca azul -</title>
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	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
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	<title>Arquivos biblioteca azul -</title>
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		<title>Confissões de um crime em “O Livro das Evidências”, de John Banville</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2018/08/06/confissoes-de-um-crime-em-o-livro-das-evidencias-de-john-banville/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Padrini]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Aug 2018 13:38:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[biblioteca azul]]></category>
		<category><![CDATA[editora globo]]></category>
		<category><![CDATA[john banville]]></category>
		<category><![CDATA[O Livro das Evidências]]></category>
		<category><![CDATA[rodrigo padrini]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rodrigo Padrini &#8211; As experiências subjetivas de um crime sempre atraem grande curiosidade. É comum nos interessarmos pelos motivos que levaram alguém a cometer um assassinato, por exemplo. Além disso, é ainda mais convidativo, conhecer as sensações e as emoções que emergem no indivíduo criminoso no momento do crime, em uma tentativa de se...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Rodrigo Padrini</em> &#8211; As experiências subjetivas de um crime sempre atraem grande curiosidade. É comum nos interessarmos pelos motivos que levaram alguém a cometer um assassinato, por exemplo. Além disso, é ainda mais convidativo, conhecer as sensações e as emoções que emergem no indivíduo criminoso no momento do crime, em uma tentativa de se colocar na pele do assassino, no que considero uma busca por explicações de tamanhas monstruosidades ou banalidades.</p>
<p>Entretanto, alguns crimes são, relativamente, inexplicáveis ou, pelo menos, não são passíveis de grandes interpretações, apresentando até algum grau de futilidade e simplicidade. Todavia, isso não significa que a experiência psicológica do criminoso, da vítima e de todos os envolvidos seja insignificante. Esse é o caso do crime narrado por Frederick Montgomery em “O Livro das Evidências”, lançado originalmente em 1989, pelo autor irlandês John Banville.</p>
<p>Banville é um escritor contemporâneo que acumula alguns prêmios, inclusive por este livro, publicado agora no Brasil pela Globo Livros, sob o selo Biblioteca Azul, em abril de 2018.</p>
<p>Frederick, ora chamado por “Freddie”, é um daqueles adultos imaturos que parecem viver em uma realidade fantasiosa, até que um comportamento com consequências concretas – um crime, por exemplo – destrua a sua vida, mas ao mesmo tempo o traga à realidade, fazendo-o assumir responsabilidades antes desconhecidas. É como consigo interpretar a experiência de Frederick em sua confissão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Como diz a sinopse, após tentar recuperar algumas obras de arte vendidas por sua mãe a um colecionador da região, na tentativa de sanar dívidas e voltar a viver a sua vida afortunada, Frederick se depara com um obstáculo e comete um homicídio aparentemente simples, como uma forma de se livrar daquilo que o impedia de prosseguir com o roubo. É em torno desse crime que a narrativa está centrada.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Talvez eu indique vários pontos negativos, porque o livro me decepcionou e não atendeu nem de longe as minhas expectativas. Por isso, vamos às críticas.</p>
<p>“O Livro das Evidências” é narrado em primeira pessoa e, apesar de cumprir o que se propõe – trazer notas de uma confissão escritas pelo autor do crime, como um relato de tudo que se passou –, decepciona pela falta de elementos que surpreendam ou cativem o leitor. Afinal, a partir do momento em que tomamos conhecimento do crime – que não é nada demais –, nada mais acontece.</p>
<p>“O que há de peculiarmente horrível nisso tudo não é o prospecto de ser arrastado perante os tribunais e ser metido na prisão por um crime o qual nem tenho certeza de ter cometido, mas o simples, o terrível fato de ter sido descoberto. É isso o que me faz suar, o que enche a minha boca de cinzas e o meu coração de vergonha”</p>
<p>A narrativa em torno de detalhes da experiência subjetiva do criminoso não chega a um grau de profundidade ou novidade que justifique seu extenso relato. Claro, existem bons trechos. No entanto, o que poderia ser ótimo, é regular. “Crime e castigo” seria um bom exemplo da belíssima utilização de um crime banal e do relato subjetivo do pós-crime. No caso aqui, são obviedades que, em alguns momentos, parecem que vão engrenar, mas não engrenam. Detalhes demais, enredo de menos.</p>
<p>O assassinato em si é trivial e não tem muita conexão com todo o contexto psicológico e social que é criado pelo autor. As cenas são bem narradas, mas alguns aspectos ficam perdidos no tempo, assim como alguns personagens que, apesar de bem caracterizados, não saem disso. Parece que toda uma história será montada, mas não é.</p>
<p>A confusão temporal e espacial é um ponto que marcou a minha leitura, algo causado talvez pela mistura de carta-confissão-presente-passado com diálogos misturados no interior dos parágrafos, sem distinção do emissor. Para quem já leu Raduan Nassar, por exemplo, seria algo do tipo, só que ruim, ao invés de excelente, como ocorre no caso do autor brasileiro, na minha opinião.</p>
<p>Por fim, fiquei esperando em grande parte da leitura o surgimento daquele elemento que iria me surpreender e fazer de toda aquela contextualização algo justificada. Não aconteceu. Apesar de trazer bons personagens, descrições cruas do crime e boas passagens, o “Livro das Evidências” me chegou como um grande esboço de algo que poderia ser, mas não foi.</p>
<p><em>* Livro enviado em parceria com a Editora Globo.</em></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-29870" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2018/08/star2.png" alt="" width="54" height="22"></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/8525060070/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=8525060070&amp;linkCode=as2&amp;tag=literaturapol-20&amp;linkId=873bcee092469a8b995c5e1a2ab1ce58" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img decoding="async" class="alignleft" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;MarketPlace=BR&amp;ASIN=8525060070&amp;ServiceVersion=20070822&amp;ID=AsinImage&amp;WS=1&amp;Format=_SL250_&amp;tag=literaturapol-20" border="0"></a><strong><img decoding="async" style="border: none !important; margin: 0px !important;" src="//ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=literaturapol-20&amp;l=am2&amp;o=33&amp;a=8525060070" alt="" width="1" height="1" border="0">Título</strong>: O Livro das Evidências<br />
<strong>Autor</strong>: John Banville<br />
<strong>Tradução</strong>: Fábio Bonillo<br />
<strong>Editora</strong>: Biblioteca Azul / Editora Globo<br />
<strong>Páginas</strong>: 240<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/o-livro-das-evidencias-39201ed776135.html">Este livro no Skoob</a></p>
<p><strong>SINOPSE</strong>&nbsp;&#8211; Frederick Charles St. John Vanderveld Montgomery, mais conhecido como Freddie Montgomery, é um exemplo de bon-vivant. Após abandonar o emprego de cientista, decide morar com a esposa, Daphne, e o filho em uma ilha do Mediterrâneo, bebendo gim e aproveitando os prazeres da vida às custas do dinheiro da família. Quando a herança deixada pelo pai acaba, Freddie resolve pegar um empréstimo para manter seu alto padrão de vida, mas termina envolvendo-se com pessoas de má índole. Para sanar essa dívida, Freddie decide então abandonar a família e voltar para sua terra natal, a Irlanda, em busca do que restou do espólio de seu pai. Só não contava que sua mãe, Dolly, havia usado o restante dos bens deixados como herança para investir no nem tão promissor comércio de pôneis. Desesperado, Freddie decide então recuperar as obras de arte que sua mãe vendeu para um conhecido colecionador da região e, nessa tentativa frustrada, comete um assassinato. Narrado a partir dos relatos de Freddie Montgomery na prisão, O livro das evidências é um típico romance do irlandês John Banville, vencedor do aclamado Man Booker Prize. Com uma escrita ácida repleta de ironias, Banville brinda os leitores com mais uma obra-prima da literatura contemporânea.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Rodrigo Padrini' src='https://secure.gravatar.com/avatar/9447ef7c6ff933f7c5e0a13f7ffac4deab4ad21cf3e793347f68cf2be4431202?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/9447ef7c6ff933f7c5e0a13f7ffac4deab4ad21cf3e793347f68cf2be4431202?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/rodrigopadrini/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rodrigo Padrini</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Psicólogo, mestre e doutorando em Psicologia. Atua no sistema prisional. É músico e leitor assíduo de romances policiais, com aquele lugar especial no coração para Georges Simenon e Raymond Chandler.</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://maisumaopiniao.com.br/" target="_self" >maisumaopiniao.com.br/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2018/08/06/confissoes-de-um-crime-em-o-livro-das-evidencias-de-john-banville/">Confissões de um crime em “O Livro das Evidências”, de John Banville</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Livro das Mil e Uma Noites – Volume 2</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2018/04/19/resenha-livro-das-mil-e-uma-noites-volume-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Literatura Policial]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Apr 2018 12:29:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[literatura fantástica]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[biblioteca azul]]></category>
		<category><![CDATA[eder alex]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Eder Alex &#8211; Nem só de Aladim e Ali Babá vivem as histórias contadas por Sherazade. O universo contido nas narrativas que compõem o livro das Mil e Uma Noites é bem mais amplo do que aquele que nos acostumamos a ver na cultura pop. Tal como ocorreu com os contos de fadas, que...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Eder Alex</em> &#8211; Nem só de Aladim e Ali Babá vivem as histórias contadas por Sherazade. O universo contido nas narrativas que compõem o livro das Mil e Uma Noites é bem mais amplo do que aquele que nos acostumamos a ver na cultura pop.</p>
<p>Tal como ocorreu com os contos de fadas, que nasceram de uma ampla garimpagem de histórias da tradição oral que foi sendo repassada de geração para geração (posteriormente coletadas, adaptadas e popularizadas por nomes como Charles Perreault, Hans Christian Andersen e Irmãos Grimm), os contos deste clássico da literatura não possuem um autor definido.</p>
<p style="padding-left: 160px;">[su_quote]Esta volumosa reunião de histórias explora o folclore árabe, persa, indiano, entre outros, de modo que até hoje não é possível nem mesmo definir com exatidão exatamente quando eles foram escritos e quais são os textos que de fato fazem parte da obra.[/su_quote]</p>
<p>Todo esse preâmbulo aí dizendo o quanto a coisa toda foi meio complicada é só para disfarçar e poder dizer que quando comecei a ler esse segundo volume fiquei meio preocupado, pois ali no início aquilo tudo não estava fazendo o menor sentido para mim. Passei pela fase da releitura, depois para a da aceitação de que ok, sou meio burro mesmo, até que, por fim, cheguei em alguns trechos de pura iluminação e eles nem faziam parte da história, mas sim das notas do tradutor, o brilhante Mamede Mustafa Jarouche. Explico: o próprio tradutor do livro avisa, em diversos momentos, que aquela história ali ou aquele poema não está fazendo muito sentido, não só pela dificuldade de verter certas expressões do árabe para o português, mas também pela própria origem do material original que é meio precária, fragmentada, incerta etc.</p>
<p><center><iframe loading="lazy" style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8525065056&amp;asins=8525065056&amp;linkId=bd2af10a8384c1deb8b6df27069cf027&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" width="300" height="150" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></center></p>
<p>A boa notícia é que conforme as histórias avançam, a coisa toda vai ficando mais inteligível e divertida. Em geral, as narrativas são sobre amores proibidos e tretas familiares. Há alguns elementos fantásticos, incluindo uma trama envolvendo um universo aquático que creio ter sido a que inspirou o conto A Pequena Sereia, escrita pelo supracitado Hans Christian Andersen dez séculos depois. Boa parte das tramas se movimenta a partir de jovens apaixonados fazendo cagadas e se envolvendo em inúmeras intrigas palacianas.</p>
<p>Há até uma pegada meio Cinquenta Tons de Mil e Uma Noites em alguns momentos, com trechos que poderiam muito bem figurar num Cine Privê literário: “pegou-a pelas pernas e ergueu-as até a sua cintura, enquanto ela lhe enlaçava o pescoço com as mãos e o recebia com beijos intensos e lascivos. Imediatamente ele rasgou pela cintura as roupas que ela trajava e a deflorou”. Tudo isso ocorre uns 30 segundos depois de o casal se conhecer, o que mostra que o pessoal do século IX era bem moderninho. E eles eram meio engraçados também, pois, após ser flagrada cometendo este delito (ela nem poderia chegar perto do rapaz), a jovem tenta minimizar a situação dizendo: “Foram três estocadas e nada mais”.</p>
<p>Outro aspecto engraçado e involuntário é a inserção de poesias a todo momento no meio da narrativa. Os poemas em si não são engraçados, na verdade são até meio herméticos, mas é que eles aparecem em situações muito inusitadas, como quando um mensageiro vem avisar ao príncipe que ele precisa sair dali rápido senão será esquartejada pela guarda real e, em vez de vazar imediatamente, ele recita um poeminha enquanto a galera espera. Isso também ocorre no meio de bate-boca de casal, espancamentos etc.</p>
<p>No entanto, alguns elementos não são engraçados e nem tão modernos assim e evidenciam que estamos diante de uma obra que é um fruto de seu tempo, como por exemplo a forma como as personagens femininas são retratadas. Mesmo que Sherazade represente a mulher inteligente que engana um homem todas as noites, salvando assim muita gente, ainda temos histórias contadas supostamente pelo ponto de vista feminino em que as mulheres são meros adereços, que pouco contribuem para a composição do enredo. Boa parte das personagens é escrava ou tratada como tal e servem apenas como objeto de desejo de homens ambiciosos ou apaixonados. Não que isso seja um problema do livro, pois trata-se não apenas do reflexo de um tipo de pensamento, mas também de reprodução de um comportamento comum à época.</p>
<p>É interessante perceber a recorrência de situações em que uma mulher se fantasia de homem para enfim poder fazer parte da história, pois aparentemente esta é única forma de ela ser vista sem ser como um objeto sexual. Essa troca de roupas (e, por conseguinte, de gênero) ocorre algumas vezes e me fez pensar que talvez Guimarães Rosa tenha dado uma boa lida nessas narrativas antes de escrever “Grande Sertão: Veredas”.</p>
<p>O estilo da prosa também é bastante marcante, pois destoa consideravelmente daquilo que acostumados a ler na literatura mais recente. Os personagens estão sempre num tom acima daquilo que suporíamos ser o normal, tipo novela mexicana, então eles sofrem de uma maneira não muito discreta, como por exemplo: “Ao ouvir tais palavras da esposa, o vizir caiu sem forças, estapeou-se nas faces até sangrar pelo nariz, pôs a mão na barba e a arrancou, retirando tufos com os dedos”. Intenso, né? E nem morreu ninguém, foi só porque o filho pegou uma guria que não deveria.</p>
<p>O livro também é repleto de violência gratuita no melhor estilo Tarantino. Se algum playboy mimado recebe, em seu palácio, uma notícia que não gostaria, ele trata de meter uma espada no pescoço do coitado do mensageiro. Inclusive creio que este seja o livro com o maior número de pessoas decapitadas por metro quadrado de página, pois são centenas. Fora isso é bastante comum o leitor se deparar com trechos como “O vizir caiu de cabeça, e o rapaz começou a lhe desferir coices e pontapés no pescoço até deixá-lo atordoado”. No pescoço (?!), meu Deus.</p>
<p>Enfim, o livro das Mil e Uma Noites é curioso não só pela façanha de ir encadeando diversas histórias fantásticas num ritmo meio frenético, mas também pelas suas esquisitices. É o tipo de leitura que pode fugir muito daquilo que nos é familiar, o que no fim das contas é fascinante.</p>
<p><em><strong>Eder Alex</strong> é formado em Letras. Professor de comunicação e literatura.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-14348 size-full" style="margin-top: 20px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/09/parceria_globo.jpg" alt="" width="242" height="80" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>SOBRE O LIVRO</h3>
<p><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25905 size-medium alignnone" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2018/04/livrodasmileumanoites2.jpg?w=210" alt="" width="210" height="300" /></strong></p>
<p><strong>Título</strong>: Livro das Mil e Uma Noites &#8211; Volume 2<br />
<strong>Autor</strong>: Vários autores<br />
<strong>Tradução</strong>: Mamede Mustafa Jarouche<br />
<strong>Editora</strong>: Biblioteca Azul<br />
<strong>Páginas</strong>: 400<br />
<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://amzn.to/2SCXfGa" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Compre o livro/e-book</a></span></p>
<p><em>SINOPSE</em> – Primeira tradução integral e direta do árabe para o português, o &#8220;Livro das mil e uma noites&#8221; retorna às livrarias com novo projeto gráfico, numa edição revista e atualizada pelo tradutor Mamede Mustafa Jarouche. Vencedor dos prêmios APCA, Paulo Rónai e Jabuti de melhor tradução, o &#8220;Livro das mil e uma noites&#8221; é uma obra universal que atravessou séculos fazendo parte da cultura do Oriente e do Ocidente. Mais do que um rico repertório de narrativas fantásticas, é também uma homenagem à mulher e um reconhecimento de sua inteligência. Sua heroína, a narradora Šahräzäd, é um símbolo da infinita capacidade feminina de contornar situações críticas e de salvar o mundo da ruína.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100" alt="" itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/admin_literatura/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Literatura Policial</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Ana Paula Laux é jornalista e trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://literaturapolicial.com/" target="_self" >literaturapolicial.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2018/04/19/resenha-livro-das-mil-e-uma-noites-volume-2/">Livro das Mil e Uma Noites – Volume 2</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Livro das Mil e uma Noites é uma viagem ao mundo do fantástico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Mar 2018 14:20:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[biblioteca azul]]></category>
		<category><![CDATA[editora globo]]></category>
		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[globo livros]]></category>
		<category><![CDATA[livro das mil e uma noites]]></category>
		<category><![CDATA[Mamede Mustafa Jarouche]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Ana Paula Laux &#8211; Quem nunca ouviu falar em Sherazade, mulher sagaz e inteligente que teve a vida poupada narrando histórias fantásticas ao Rei Shariar? Clássico da literatura, o “Livro das Mil e Uma Noites” traz contos identificados a partir da segunda metade do século XIII, e voltou às livrarias em nova edição pela...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Ana Paula Laux</em> &#8211; Quem nunca ouviu falar em Sherazade, mulher sagaz e inteligente que teve a vida poupada narrando histórias fantásticas ao Rei Shariar? Clássico da literatura, o “Livro das Mil e Uma Noites” traz contos identificados a partir da segunda metade do século XIII, e voltou às livrarias em nova edição pela Biblioteca Azul (Globo Livros).</p>
<p>O livro começa com a decepção do Rei Shariar ao descobrir que sua mulher o traía com um escravo de seu palácio. Por vingança, o rei manda matar a mulher e o amante e decide ampliar a violência de seu ato: se casará com uma mulher durante o dia, passará a noite com ela e a matará na manhã seguinte. E assim se sucedeu por vários e vários anos. Até que, num belo dia, Sherazade se colocou em seu caminho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center><iframe loading="lazy" style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8525065048&amp;asins=8525065048&amp;linkId=c14eb1b21a4c5974caec1914cc6f3367&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" width="300" height="150" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></center>&nbsp;</p>
<p>Filha do vizir, ela praticamente implora para que seu pai a ofereça ao rei em casamento. Contrariado, o conselheiro do rei resiste até não poder mais, certo de que a filha terá o mesmo destino fatal das outras esposas, ou seja, será degolada após a noite de núpcias. Mas, aparentemente, o vizir não contava com a astúcia da própria filha, que bola um plano mirabolante para escapar da alma vingativa do soberano.</p>
<p>Sherazade passa a contar histórias fantásticas noite após noite para o rei, sempre as interrompendo no momento em que vai revelar algo importante e surpreendente (mas é claro que ela não conta o que é). Assim deixa-o profundamente curioso dizendo que só vai terminar a história na noite seguinte, fazendo com que o rei poupe sua vida por mais um dia. E ela segue vivendo por conta da imaginação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4 style="padding-left: 120px;">“na próxima noite, se eu viver e o rei me preservar&#8230; vou lhes contar a continuação, que é mais admirável e espantosa”.</h4>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como é uma coletânea de histórias populares, há temas e personagens variados, como gênios, <em>ifrits</em> (espécie de demônio), mágicas, bruxas, maldições, animais e cidades encantadas, gente se transformando em bicho, bicho se transformando em gente e por aí vai. Chama a atenção a violência naturalizada contra a mulher desde sempre, presente em vários momentos como ferramenta de punição ou controle. Algumas expressões também são curiosas, como quando uma ideia ou vontade deve ser reforçada, aquilo torna-se algo “absolutamente imperioso”.</p>
<p>É um livro para ler com calma, feito para saborear cada conto devagar. Esta edição é apenas o volume 1, que segue até a história número 170. Outra nota importante é que o trabalho do tradutor, Mamede Jarouche, ganhou vários prêmios literários, entre eles o Jabuti de Melhor Tradução nessa primeira versão integral do árabe para a nossa língua. Segundo dizia Jorge Luis Borges, o &#8220;Livro das Mil e uma Noites&#8221; tem o título mais lindo de toda a literatura. E as histórias são mesmo uma viagem admirável no tempo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-14348 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 40px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/09/parceria_globo.jpg" alt="" width="242" height="80"><br />
<span style="font-size: 1.15em;"><br />
<a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/8525065048/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=8525065048&amp;linkCode=as2&amp;tag=literaturapol-20&amp;linkId=9f4c212ef7daab7614c78e9704cb5c95" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;MarketPlace=BR&amp;ASIN=8525065048&amp;ServiceVersion=20070822&amp;ID=AsinImage&amp;WS=1&amp;Format=_SL250_&amp;tag=literaturapol-20" alt="" width="173" height="250" border="0"></a><img loading="lazy" decoding="async" style="border: none !important; margin: 0!important;" src="//ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=literaturapol-20&amp;l=am2&amp;o=33&amp;a=8525065048" alt="" width="1" height="1" border="0"></span><strong>Título</strong>: Livro das Mil e uma Noites &#8211; Volume 1<br />
<strong>Autor</strong>: Vários autores<br />
<strong>Tradução</strong>: Mamede Mustafa Jarouche<br />
<strong>Editora</strong>: Biblioteca Azul<br />
<strong>Páginas</strong>: 464<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/livro-das-mil-e-uma-noites-volume-1-727164ed729244.html" target="_blank" rel="noopener">Este livro no Skoob</a></p>
<p><strong>SINOPSE</strong>&nbsp;–&nbsp;Primeira tradução integral e direta do árabe para o português, o &#8220;Livro das mil e uma noites&#8221; retorna às livrarias com novo projeto gráfico, numa edição revista e atualizada pelo tradutor Mamede Mustafa Jarouche. Vencedor dos prêmios APCA, Paulo Rónai e Jabuti de melhor tradução, o &#8220;Livro das mil e uma noites&#8221; é uma obra universal que atravessou séculos fazendo parte da cultura do Oriente e do Ocidente. Mais do que um rico repertório de narrativas fantásticas, é também uma homenagem à mulher e um reconhecimento de sua inteligência. Sua heroína, a narradora Šahräzäd, é um símbolo da infinita capacidade feminina de contornar situações críticas e de salvar o mundo da ruína.&nbsp;&#8220;[&#8230;] Antes da primeira noite, o leitor sabe que o rei Šähriyär foi traído por sua mulher, e que esta traição pode ceifar a vida de todas as mulheres do reino. Mas Šahräzäd decide arriscar sua própria pele a fim de salvar as outras mulheres. Então, começa a contar histórias ao rei. Em cada amanhecer o relato é interrompido num momento de suspense, à espera da próxima noite. Assim, o leitor se depara com tramas ardilosas e escabrosas, cheias de fantasia e surpresa, numa geografia mutável e exuberante como num sonho ou pesadelo. O inverossímil e o inexplicável participam dessas intrigas, que a imaginação da narradora multiplica e expande até a última noite, quando se casa com o rei e salva as mulheres da degola. É esse “repertório de maravilhas” que o leitor vai encontrar nas fábulas do Livro das mil e uma noites.&#8221; (Milton Hatoum)</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100" alt="" itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2018/03/21/livro-das-mil-e-uma-noites-e-uma-viagem-ao-mundo-do-fantastico/">Livro das Mil e uma Noites é uma viagem ao mundo do fantástico</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>O Violão Azul, de John Banville</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/02/20/o-violao-azul-de-john-banville/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rogerio Christofoletti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Feb 2017 11:34:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[biblioteca azul]]></category>
		<category><![CDATA[globo livros]]></category>
		<category><![CDATA[john banville]]></category>
		<category><![CDATA[o violão azul]]></category>
		<category><![CDATA[rogério christofoletti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Rogério Christofoletti – Há histórias em que, desde o começo, ficamos do lado dos caras maus. Não porque sejamos más pessoas, mas acima de tudo porque esses sujeitos são bons em alguma coisa. Eles nos conquistam, nos ganham com seu jeito especial, um olhar magnético ou simplesmente a possibilidade de realizar através deles...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><em>Por Rogério Christofoletti</em> – Há histórias em que, desde o começo, ficamos do lado dos caras maus. Não porque sejamos más pessoas, mas acima de tudo porque esses sujeitos são bons em alguma coisa. Eles nos conquistam, nos ganham com seu jeito especial, um olhar magnético ou simplesmente a possibilidade de realizar através deles os nossos mais inconfessáveis desejos.</p>
<p>Tom Ripley é sedutor, manipulador, envolvente. Hannibal Lecter mata como ninguém. Existem exemplos aos montes, e em “O violão azul”, somos apresentados a mais um facínora: Oliver Orme, pintor reconhecido, homem culto, refinado e… ladrão. Mas o que nos faz abraçar esse personagem? A lábia e as memórias que vai desfiando em cada linha desse saboroso romance do irlandês John Banville (Ed. Globo, 2016).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ss&amp;ref=as_ss_li_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;language=pt_BR&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8525059080&amp;asins=8525059080&amp;linkId=f308b422f813853445f5223ab369b4df&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=true" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não temos muita escolha, é verdade. Oliver ocupa todo o espaço possível com sua narrativa confessional, mesclando dois universos muito distintos: o da pintura e o da gatunagem. Se para nós nada liga uma coisa à outra, para Oliver, há um prazer estético em ambos, e um conjunto de sensibilidades que sublima cada uma dessas práticas. Assim, em 270 páginas, ele nos mostra o que se passa na cabeça de um criminoso, mas também em seu coração. Afinal, talvez poucas pessoas conheçam tanto o medo quanto os ladrões.</p>
<p>A todo o momento eles receiam ser pegos, e Oliver nos faz crer que reincidir no crime não é só uma questão de necessidade e sobrevivência. Existe uma inebriante excitação ao afanar algo e uma irresistível torcida para que percebam o roubo. De que valeria se arriscar tanto, não é mesmo?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">[su_quote]&#8221;Quando se trata de uma primeira vez, roubar e amar têm muito em comum”, revela.[/su_quote]</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas Oliver não é um ladrão qualquer. Ele pode ter começado modestamente, furtando um pequeno tubo de tinta branco níquel, quando era garotinho. Mas foi além. E roubou a mulher do seu melhor amigo. Sim, é um bocado machista falar dessa maneira, mas é dessa forma como são apresentadas as coisas por Oliver, e Polly &#8211; a garota – assume quase as dimensões de um objeto a ser surrupiado. Como objeto, ela tem o seu valor e desperta em Oliver um misto de desejo e cobiça, sentimentos amalgamados como as tintas que se mistura numa paleta. Não se esqueça que Oliver também tem uma esposa e que os casais mantêm relações de amizade. Então, dá para imaginar que as coisas sairão dos trilhos a partir daqui.</p>
<p>Ao juntar num mesmo personagem elementos que o fazem ser um adúltero-egocêntrico-desleal, John Banville nos atira no colo um sujeito que deveríamos desprezar por nos contrariar moralmente. Mas nem a literatura nem a vida se escrevem dentro dos limites das linhas. Como testemunhas e cúmplices leitores, nos perdemos nas muitas digressões de Oliver e tropeçamos nas precariedades de nossas certezas. A oralidade fácil, a falta de pudor, e frases memoráveis tornam Oliver Orme um personagem multidimensional que vai do lírico ao patético num mesmo parágrafo.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16991 " style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/02/16810289_1795064160753984_2006819432_o.jpg?w=576" alt="16810289_1795064160753984_2006819432_o" width="332" height="590" /></p>
<p>Vencedor de prêmios como o Man Booker, Franz Kafka e Príncipe de Astúrias, Banville tem mais de quarenta anos de ofício, e sua escrita parece ser obra de um ourives preocupado. As frases são trabalhadas como se fossem polidas com um esmeril. Há sofisticação sem esnobismo. Há charme sem artificialidades. E há humor!, que humor imperdoável!</p>
<p>Os leitores mais românticos verão em “O violão azul” uma história de traição, ciúme e descaminhos. Para os mais existencialistas, trata-se de uma autêntica jornada de autoconhecimento de alguém que insiste ser outsider. Mas até mesmo os amantes da literatura de crime e suspense terão razões para conhecer Oliver Orme. Eles estarão dentro da fervilhante mente de um criminoso. Nada violento, é verdade. Mas perigosamente livre para transgredir e seguir adiante, mesmo que aos frangalhos.</p>
<p><em>* Livro cedido pela Globo Livros</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>SOBRE O LIVRO</h3>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/dp/8525059080/ref=as_li_ss_il?&amp;linkCode=li3&amp;tag=literaturapol-20&amp;linkId=713ff3df106cd80f5ec324022acb5c9f&amp;language=pt_BR" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img decoding="async" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;ASIN=8525059080&amp;Format=_SL250_&amp;ID=AsinImage&amp;MarketPlace=BR&amp;ServiceVersion=20070822&amp;WS=1&amp;tag=literaturapol-20&amp;language=pt_BR" border="0" /></a><img loading="lazy" decoding="async" style="border: none !important; margin: 0px !important;" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=literaturapol-20&amp;language=pt_BR&amp;l=li3&amp;o=33&amp;a=8525059080" alt="" width="1" height="1" border="0" /></p>
<p><strong>Título</strong>: O Violão Azul<br />
<strong>Autor</strong>: John Banville<br />
<strong>Páginas</strong>: 272<br />
<strong>Editora</strong>: Globo Livros<br />
<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://amzn.to/33VCOe7" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Compre o livro/e-book</a></span></p>
<p>SINOPSE &#8211; Ao longo da vida, Oliver Otway Orme praticou duas artes: a da pintura e a do roubo. Na primeira, tem até algum renome enquanto a segunda é sempre exercida em segredo, pelo menos enquanto seu alvo forem apenas os pequenos objetos. Ao subtrair do melhor amigo algo muito mais precioso ― sua mulher ―, seus dias de criminoso perfeito estão por um fio.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Rogerio Christofoletti' src='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/monitorando/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rogerio Christofoletti</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista, dramaturgo e professor universitário. Já publicou 12 livros na área acadêmica e escreveu oito peças de teatro. É um dos autores do e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx).</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="http://christofoletti.com/" target="_self" >christofoletti.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/02/20/o-violao-azul-de-john-banville/">O Violão Azul, de John Banville</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rogerio Christofoletti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Nov 2016 12:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[a invenção de morel]]></category>
		<category><![CDATA[Adolfo Bioy Casares]]></category>
		<category><![CDATA[biblioteca azul]]></category>
		<category><![CDATA[ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[globo livros]]></category>
		<category><![CDATA[realismo fantástico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Rogério Christofoletti &#8211; Se criassem uma máquina para reunir todas as críticas, notícias e comentários sobre A invenção de Morel, não seria exagerado imaginar que teríamos o suficiente para plantar uma ilha no oceano. Talvez do mesmo tamanho da porção de terra cercada por água onde se passam as ações do livro de...</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/11/28/a-invencao-de-morel-de-adolfo-bioy-casares/">A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><em>Por Rogério Christofoletti</em> &#8211; Se criassem uma máquina para reunir todas as críticas, notícias e comentários sobre <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://amzn.to/3P8UCso" target="_blank" rel="noopener">A invenção de Morel</a></span>, não seria exagerado imaginar que teríamos o suficiente para plantar uma ilha no oceano. Talvez do mesmo tamanho da porção de terra cercada por água onde se passam as ações do livro de Bioy Casares.</p>
<p>Essa imagem improvisada sugere o desafio para quem se aventura a resenhar uma obra de 1940, celebrada em toda a parte, considerada fundamental para os gêneros de fantasia e ficção científica. Na verdade, o desafio está mais para desatino, e por essa razão, as palavras a seguir merecem se desvanecer ao sabor da bela história de um homem numa ilha misteriosa.</p>
<p>O que o leitor tem em mãos é o diário de um fugitivo da justiça venezuelana que se refugia numa ilha aparentemente urbanizada, com prédios construídos e habitantes esquisitos. Os nativos são aqueles silenciosos homens que aparecem nos altos dos morros, tão alheios quanto a atraente mulher que todas as tardes assiste ao pôr-do-sol no mesmo lugar e tão indiferentes quanto o barbudo cheio de razão que com todos conversa. Com todos exceto o narrador, implacavelmente ignorado pelos habitantes da ilha seja porque se esconda deles e tema ser capturado pela polícia, seja por razões insondáveis.</p>
<p>Exausto, doente, insone e faminto, alimenta-se de raízes alucinógenas nos baixios da ilha e persegue os nativos para compreender o que se passa ali. Privilegiado cúmplice, a essa hora, o leitor só observa os limites entre realidade e imaginação pelo retrovisor. Para o protagonista, os nativos agora são “os intrusos” e a beleza daquela mulher de fim de tarde atormenta a sua alma.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 1.45em;">Por que todos agem daquela maneira alheia?<br />
Que construções são aquelas na ilha?<br />
O que trouxe as pessoas àquela ilha?</span></p>
<p>A espiral de perguntas leva a uma vertigem que nos põe a pensar na absoluta fragilidade da vida, no quão artificiais são as nossas certezas, e em como construímos nossos castelos no espesso nada. Uma rápida passagem ilustra esse estranhamento avesso que Bioy Casares promove. Há um momento em que o protagonista teme mais uma invasão de fantasmas que de policiais. De tão isolado, o local só poderia abrigar mesmo a alternativa fantasmagórica. Difícil acreditar que soldados chegariam até ele…</p>
<p>O leitor precisa estar avisado de uma coisa: percorrerá páginas e páginas completamente desorientado, assim como o narrador a quem acompanha. Faz parte do jogo de Bioy Casares, faz parte da angústia que ele objetiva nos contagiar. Não será difícil que o leitor se sinta perdido no meio da ilha de Lost, até porque o livro do argentino foi uma das grandes referências para a produção televisiva. Em “A invenção de Morel”, o perigo não é se perder; é não conseguir se decidir sobre que realidade optar para viver. Lírico, envolvente e altamente imaginativo, “A invenção de Morel” causa uma fascinante e desconfortável instabilidade ao leitor.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large aligncenter" src="https://imagenes.elpais.com/resizer/v2/HSCR25QI7JNTHOWTPCM3UXH6EY.jpg?auth=5a9676f201406612347e5362b86ad80c6407e9816ff707bd7aba7d748e4ba90d&amp;width=414" width="414" height="278" />O escritor Bioy Casares</p>
<p>A condução da trama e as soluções narrativas para os mistérios ainda impressionam. A originalidade na explicação de como funciona a máquina criada por Morel e o impactante desfecho tornam essa novela de estreia uma experiência literária recheada de perplexidades. A literatura superlativa constrói e destrói certezas a cada página virada, e faz erguer ilhas de real lá onde impera o nada.</p>
<p><em>Livro enviado ao site pela Globo Livros</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1>SOBRE O LIVRO</h1>
<p align="justify"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large" src="https://m.media-amazon.com/images/I/51okepd8fZS._SY445_SX342_PQ95_.jpg" width="290" height="445" /></p>
<p align="justify"><strong>Título</strong>: A invenção de Morel<br />
<strong>Autor</strong>: Adolfo Bioy Casares<br />
<strong>Editora</strong>: Biblioteca Azul<br />
<strong>Páginas</strong>: 112<br />
<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://amzn.to/3h93DW8" target="_blank" rel="noopener">Compre o livro/e-book</a></span></p>
<p style="text-align: justify;">SINOPSE<strong> –</strong> Romance publicado originalmente em 1940, foi considerado por Jorge Luis Borges “uma trama perfeita”. Um cidadão venezuelano torna-se recluso em uma ilha deserta para fugir de uma condenação judicial. Enquanto se alimenta de raízes psicotrópicas, o expatriado vê se apagar cada vez mais o limite entre a imaginação e a realidade.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Rogerio Christofoletti' src='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/monitorando/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rogerio Christofoletti</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista, dramaturgo e professor universitário. Já publicou 12 livros na área acadêmica e escreveu oito peças de teatro. É um dos autores do e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx).</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="http://christofoletti.com/" target="_self" >christofoletti.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/11/28/a-invencao-de-morel-de-adolfo-bioy-casares/">A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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