<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Guido Brunetti -</title>
	<atom:link href="https://literaturapolicial.com/tag/guido-brunetti/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://literaturapolicial.com/tag/guido-brunetti/</link>
	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
	<lastBuildDate>Sat, 26 May 2018 23:56:07 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0</generator>

<image>
	<url>https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-33333782_2030838226987324_246982996299612160_n-2-32x32.jpg</url>
	<title>Arquivos Guido Brunetti -</title>
	<link>https://literaturapolicial.com/tag/guido-brunetti/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>RESENHA &#124; Enquanto eles dormiam, de Donna Leon</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/04/03/critica-enquanto-eles-dormiam-de-donna-leon/</link>
					<comments>https://literaturapolicial.com/2017/04/03/critica-enquanto-eles-dormiam-de-donna-leon/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Apr 2017 13:08:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[clube do crime]]></category>
		<category><![CDATA[coluna]]></category>
		<category><![CDATA[colunista]]></category>
		<category><![CDATA[companhia das letras]]></category>
		<category><![CDATA[Donna Leon]]></category>
		<category><![CDATA[enquanto eles dormiam]]></category>
		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[Guido Brunetti]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[josué de oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[literatura policial]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://literaturapolicial.com/?p=17818</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Josué de Oliveira &#8211; Aos 17 anos, quando comecei a me interessar de verdade por literatura policial, descobri a</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/04/03/critica-enquanto-eles-dormiam-de-donna-leon/">RESENHA | Enquanto eles dormiam, de Donna Leon</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; Aos 17 anos, quando comecei a me interessar de verdade por literatura policial, descobri a coleção da Companhia das Letras dedicada ao gênero, com suas simpáticas lombadas coloridas. Na época, uma das coisas que mais me interessou foi a possibilidade de conhecer autores fora do eixo Inglaterra-EUA: brasileiros, franceses, escoceses, suecos, italianos, entre outros países representados na coleção. Apesar de Donna Leon ser americana, sempre enquadrei suas obras nessa última nacionalidade, uma vez que a autora vive na Itália desde 1981, é lá que ela ambienta a longa série protagonizada por Guido Brunetti, comissário da polícia de Veneza.</p>
<p>Da autora, já tinha lido o ótimo Morte no Teatro La Fenice e o fraco Vestido para Morrer. Minha terceira visita à obra de Leon foi este Enquanto Eles Dormiam (Companhia das Letras, 288 páginas). Na trama, Brunetti é procurado por Maria Testa, ex-freira de uma ordem conhecida por oferecer assistência a idosos doentes. Maria, que trabalhou na casa de repouso onde a mãe de Brunetti vive, suspeita que a morte de um grupo de idosos não se deu pelas causas naturais que os relatórios oficiais sugerem, e pede a ele que averigue quem teria se beneficiado por esses óbitos. Maria não dispõe de nada além da intuição, de modo que é impossível para Brunetti abrir um inquérito oficial. Mas isso não impede o comissário, que, aos poucos, vai se convencendo de que há algo de sinistro por trás das mortes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><span style="font-size: 1.35em; color: #808080;">Sexto livro da americana, Enquanto eles dormiam tem muitas qualidades. A escrita de Donna Leon é uma delas. Desde a ironia com que pontua os diálogos até as ótimas descrições da cidade, que trazem para perto a distante Veneza, a autora mostra segurança e habilidade no uso das palavras. A prosa soa sempre elegante e é agradável de se ler, um talento que autores de mistério, talvez na ânsia de fisgar pela trama, tendem a não cultivar. Aqui temos uma feliz exceção.</span></p>
<p>&nbsp;<br />
Outro ponto positivo tem a ver com algo muito próprio das extensas séries com um mesmo personagem, tão características da literatura policial: a mistura entre velho e novo, conhecido e inédito que faz parte da lógica destes livros. Seguindo a cartilha, a autora presenteia seus leitores com os elementos já familiares de sua obra – a rotina de Guido Brunetti na delegacia, sua vida familiar, a dinâmica com os coadjuvantes recorrentes, os comentários sobre a sociedade veneziana –, ao mesmo tempo que introduz novos contextos em que estes ingredientes se encaixam. Assim, além de um novo mistério a ser desvendado, há novos temas em questão e novos dilemas nos quais personagens já conhecidos se envolvem.</p>
<p>Parece o básico de toda série, mas pense em quão trabalhoso é construir esse básico: o equilíbrio entre agradar os leitores fiéis sem alienar os novos; escrever para os que são fãs de um modo que consiga atrair os que não são. Enquanto Eles Dormiam é o perfeito exemplar desse tipo de narrativa seriada que remete a Conan Doyle e Agatha Christie, onde todos os livros são uma porta de entrada para um universo de códigos e características próprias. O tipo de leitura leve, despretensiosa e acolhedora da qual todos precisamos vez por outra.</p>
<p>A construção temática da história também merece destaque. Leon está escrevendo sobre religião; esse é o tópico central do livro. Desde a identidade da pessoa que põe a trama em movimento – uma ex-freira – aos problemas enfrentados pela filha de Brunetti na escola – um padre professor de catequismo com o qual ela não se dá –, o assunto está diluído em diferentes dosagens ao longo de toda a narrativa. É o choque entre a visão religiosa do mundo, e dos muitos males cometidos em nome da religião, e o materialismo por vezes agressivo de Brunetti que conduz os acontecimentos da trama.</p>
<p>Mas vale uma ressalva importante, pelo menos para mim. Em muitos momentos, a discussão sobre religião que a autora coloca na boca dos personagens carece de profundidade, recorrendo e se apoiando fortemente nos estereótipos. Não há religiosos razoáveis no romance, nem mesmo um; todos são no mínimo pouco confiáveis, suspeitos, quando não estúpidos ou maus. Em Enquanto Eles Dormiam, crer – ser católico, mais especificamente – é um estado muito próximo da corrupção. Mas a generalização nas discussões de Brunetti e demais personagens não é de estranhar considerando o entendimento equivocado destes sobre o cristianismo. Um exemplo é a cena em que Brunetti, com ares de entendido, pergunta ao colega Vianelo se o cristianismo não é, afinal de contas, sobre a bondade humana. Qualquer um que saiba o mínimo de teologia cristã dará uma gargalhada diante de tal ideia.</p>
<p>A trama em si demora a engrenar, o que faz sentido, já que Brunetti não faz ideia se de fato algo fora do normal está acontecendo, e precisa primeiro entender onde está pisando. Isto certamente incomodará quem tem preferência por histórias mais ágeis. Leon leva o tempo que julga necessário preparando o cenário e apresentando os personagens do drama, e entrega um final sólido, mas que talvez perca alguns leitores pouco afeitos a seu estilo mais vagaroso pelo caminho.</p>
<p>Os que restarem, como eu, devem ficar satisfeitos, embora não impressionados. Enquanto Eles Dormiam não é brilhante, mas competente, e cumpre seu papel como um legítimo livro policial de série: nos guiar por um universo familiar de personagens e suas aventuras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><img  title="" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9465" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star4.png"  alt="star4 RESENHA | Enquanto eles dormiam, de Donna Leon"  width="98" height="22"></p>
<p><strong><img  title="" fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-17820 size-medium" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/04/12956_gg.jpg?w=186"  alt="12956_gg RESENHA | Enquanto eles dormiam, de Donna Leon"  width="186" height="300">Título</strong>: Enquanto eles dormiam<br />
<strong>Autora</strong>:&nbsp;Donna Leon<br />
<strong>Tradução</strong>: Carlos Alberto Bárbaro<br />
<strong>Editora</strong>:&nbsp;Companhia das Letras<br />
<strong>Ano</strong>: 2010<br />
<strong>Páginas</strong>: 288<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/enquanto-eles-dormiam-141697ed157589.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Este livro no Skoob</a></p>
<p><strong>SINOPSE</strong> – É início de primavera em Veneza. Com as temperaturas amenas, as hordas de turistas e as verduras e frutas no mercado de Rialto, parece chegar também uma onda de calma ao já não muito agitado submundo do crime da Sereníssima. Tomado pelo tédio, o <em>commissario</em> Guido Brunetti já perdia as esperanças de qualquer ação, até que recebe uma estranha visita. Mais uma vez retratando as peripécias desse atípico detetive &#8211; amante da boa mesa e da literatura e casado com uma intelectual filha de um conde veneziano &#8211; em meio a canais, praças e vielas que ele conhece como ninguém, Donna Leon nos conduz agora aos subterrâneos de uma misteriosa organização religiosa, protegida por figurões da cidade. Nesta trama cheia de intimidação e <em>dolce vitta</em>, Brunetti precisará de muita cautela e astúcia para aplacar a influência dos poderosos, inclusive de seu chefe, e proteger uma boa alma.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g RESENHA | Enquanto eles dormiam, de Donna Leon" alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/04/03/critica-enquanto-eles-dormiam-de-donna-leon/">RESENHA | Enquanto eles dormiam, de Donna Leon</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://literaturapolicial.com/2017/04/03/critica-enquanto-eles-dormiam-de-donna-leon/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Nossos detetives, parte 3: O policial</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2015/08/24/nossos-detetives-parte-3-o-policial/</link>
					<comments>https://literaturapolicial.com/2015/08/24/nossos-detetives-parte-3-o-policial/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2015 15:44:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[sherlock holmes]]></category>
		<category><![CDATA[Adam Dansgliesh]]></category>
		<category><![CDATA[arthur conan doyle]]></category>
		<category><![CDATA[delegado Dornelas]]></category>
		<category><![CDATA[Ed McBain]]></category>
		<category><![CDATA[fred vargas]]></category>
		<category><![CDATA[Gordo Ollie Weeks]]></category>
		<category><![CDATA[Guido Brunetti]]></category>
		<category><![CDATA[hercule poirot]]></category>
		<category><![CDATA[Inspetor Lestrade]]></category>
		<category><![CDATA[Joaquim Nogueira]]></category>
		<category><![CDATA[Karim Fossum]]></category>
		<category><![CDATA[Kurt Wallander]]></category>
		<category><![CDATA[Maj Sjöwall e Per Wahlöö]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Beck]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Connelly]]></category>
		<category><![CDATA[P.D. James]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Sherlock Holmes]]></category>
		<category><![CDATA[Steve Carella]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://literaturapolicial.com/?p=8492</guid>

					<description><![CDATA[<p>Até agora em nosso trajeto, nos debruçamos sobre o poder de dedução fora do comum do detetive amador e sobre</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/08/24/nossos-detetives-parte-3-o-policial/">Nossos detetives, parte 3: O policial</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-8497 size-large" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/08/police.jpg?w=750"  alt="police Nossos detetives, parte 3: O policial"  width="750" height="500" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Até agora em nosso trajeto, nos debruçamos sobre o poder de dedução fora do comum do detetive amador e sobre os empoeirados escritórios do detetive particular. O primeiro investiga por hobby, o segundo, pelo pão de cada dia. E durante décadas esses dois, que tanto se contrastam, foram as figuras mais representativas da literatura policial.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Mas, se estamos falando de literatura policial, onde é que está o policial?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">É um fato curioso, mas o policial (e a Polícia), cujo trabalho é lidar com crimes, foi relegado a um segundo plano em boa parte da Era de Ouro e nas histórias de detetive hardboiled. No primeiro caso, o papel do homem da lei, de modo geral, era destacar a inteligência dos detetives amadores. Pense no Inspetor Lestrade. O policial, presente em diversos contos de Arthur Conan Doyle, estava constantemente pedindo ajuda ao amigo Sherlock Holmes, o que, mesmo Holmes jamais o considerando pouco inteligente, demonstrava sua incapacidade. E o mesmo acontecia com diversos inspetores da Scotland Yard que Hercule Poirot deixava no chinelo usando suas pequenas células cinzentas. No segundo caso, a Polícia por vezes era uma ameaça ao detetive particular, que a via com desconfiança. Para entender, basta observar a cautela com que Philip Marlowe lidava com os tiras. Há muito de malandragem e corrupção na Polícia nessas histórias.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Hoje percebemos um cenário bem diferente. Uma busca mesmo que superficial em sites dedicados ao gênero retorna séries e mais séries em que o policial tem o protagonismo e os estereótipos mencionados acima não se manifestam (ao menos não de modo generalizado e redutivista). Vamos analisar algumas características do detetive policial.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Para começar, temos as motivações. Nesse quesito, o policial se aproxima do detetive particular, uma vez que a resolução de crimes é, para ambos, um trabalho. É a natureza desse trabalho que os separa. O policial é um empregado do Estado. Ele representa a Lei de modo oficial. Na vida real, é à polícia que se recorre quando um crime acontece, ao aparato de vigilância do Estado. O detetive policial da ficção, como parte dessa instituição, não tem (teoricamente) a mesma liberdade dos detetives particular e amador, uma vez que um conjunto de regras oficiais e inerentes a sua posição marcam aquilo que ele pode e não pode fazer. Seu trabalho segue um protocolo, cuja quebra é sempre muito clara. Ao mesmo tempo que impõe limites, esse fato também lhe confere certos privilégios, como acesso a recursos do Estado para realização de seu trabalho e uma rede de informações (bancos de dados, antecedentes criminais, arquivos de impressões digitais etc.) que os outros dois detetives não têm. Além disso, estar empregado a uma instituição pública sugere que não é apenas a indivíduos que este detetive responde: é, de certa forma, a toda a sociedade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Podemos esperar que as particularidades da função figurem e tenham importância nas histórias protagonizadas por policiais: a perícia trabalhando na cena do crime, a autópsia examinando o cadáver, a burocracia que envolve pedir um mandado judicial, os constantes riscos da violência urbana, a corrupção que bate à porta. Também vemos, com certa frequência, as consequências das pressões do trabalho dificultando a vida privada do detetive policial. Consumo exagerado de álcool e cigarros, casamentos desfeitos, dificuldade no relacionamento com os filhos são apenas algumas delas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Nem sempre vemos um único detetive policial como protagonista. Há autores que optam por um protagonismo compartilhado, em que uma equipe de investigadores, trabalhando em conjunto, desvenda crimes. Essa configuração busca uma aproximação maior com a realidade, uma vez que, numa divisão policial de verdade, o trabalho é distribuído e ninguém avança sozinho.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">O método do detetive policial pode variar. Normalmente, ele consegue resultados pelo esforço: coleta de pistas, tocaia a suspeitos, interrogatórios etc. Nada impede, no entanto, que um detetive policial tenha inteligência e o poder dedutivo fora do comum, característica mais própria do detetive amador, embora casos assim sejam mais raros.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="font-size:1.45em;">Exemplos</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">A lista é longa. <strong>Jules Maigret</strong>, criação do belga Georges Simenon, talvez seja o primeiro nome a vir à mente. Não, ele não foi o primeiro personagem policial a protagonizar histórias de mistério, mas foi o primeiro cujo fato de ser policial fazia alguma diferença. Comissário da Polícia Judiciária, homem inteligente, pacato, íntegro e sempre com um cachimbo a mão, Maigret nasceu na ficção em 1929. Se há um traço marcante que podemos destacar no personagem é sua curiosidade pelo que leva uma pessoa ao crime. Em mais de 70 livros, suas investigações o levaram a todos os cantos de Paris e mais outros tantos da França, além dos EUA. (Se você quiser saber mais sobre Maigret, há uma série no site toda dedicada a ele. <a href="https://literaturapolicial.com/2015/08/03/meu-nome-e-maigret-jules-maigret-parte-1/" target="_blank">Confira aqui a primeira parte</a>.)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-6115 aligncenter" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/04/maigret2.jpeg"  alt="maigret2 Nossos detetives, parte 3: O policial"  width="550" height="348" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Nos EUA, não podemos deixar de citar Ed McBain, criador da popular série do 87º Distrito Policial. Com mais de cinquenta romances, publicados entre 1956 e 2005 (ano da morte do autor), ela se destaca por retratar não apenas o trabalho policial com minúcias, mas por mergulhar nos dramas pessoais de seus &#8212; diversos &#8212; protagonistas, pessoas comuns com um trabalho a cumprir. Esse é um dos casos em que o todo importa mais que as partes: McBain faz desfilar um grande número de personagens nas páginas da série, embora mantenha um núcleo mais ou menos fechado de investigadores que desenvolve mais detidamente. Há policiais dedicados e íntegros, como o ítalo-americano Steve Carella, e outros desprezíveis e corruptos, como o Gordo Ollie Weeks. Um elenco multifacetado, como uma força policial de verdade certamente seria.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Harry Bosch, apresentado ao público no ano de 1992 em The Black Echo, é a criação mais popular do também americano Michael Connelly. O apelo do personagem é tanto que atualmente há uma série com seu nome, veiculada pela Amazon. Bosch já apareceu em 22 livros de Connelly, um dos grandes nomes da literatura policial contemporânea.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-8458 size-full" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/10/wahloo1.jpg"  alt="wahloo1 Nossos detetives, parte 3: O policial"  width="683" height="430" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Pioneiros da literatura policial sueca, uma das mais populares do mundo, o casal <strong>Maj Sjöwall e Per Wahlöö</strong> escreveu 10 romances protagonizados pelo inspetor Martin Beck. Apresentado em <a href="https://literaturapolicial.com/2015/05/18/resenha-roseanna-de-maj-sjowall-e-per-wahloo/" target="_blank">Roseanna</a>, Beck é um homem introspectivo, devotado ao trabalho e um tanto infeliz na vida pessoal, muito pela própria personalidade. Entre os suecos há ainda o também inspetor Kurt Wallander, lançado pelo escritor e dramaturgo Henning Mankell e dono da própria série de TV pela BBC. Pulando para os noruegueses, impossível não citar Harry Hole, protagonista de uma série de sucesso escrita pelo norueguês Jo Nesbø; Hanne Wilhelmsen, detetive da polícia de Oslo criada por Anne Holt; e o alto e sério Konrad Sejer, da poeta e romancista Karim Fossum.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Na Europa, há ainda muitos outros representantes da classe. Pela Inglaterra, temos Adam Dalgliesh, personagem fixo P.D. James desde 1962, e o inspetor Alan Banks, presença quase certa nos livros de Peter Robinson; Na França, destaque para o distraído, cômico e inexplicavelmente brilhante Jean-Baptiste Adamsberg, genial criação da francesa Fred Vargas, e, mais recentemente, para o Comandante Camille Verhoeven, protagonista de uma elogiada trilogia de Pierre Lemaitre; na Itália, o comissário Guido Brunetti, criação de Donna Leon; na Escócia, o popularíssimo John Rebus, de Ian Ranin.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-256 aligncenter" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/06/roza_livrosp2.jpg"  alt="roza_livrosp2 Nossos detetives, parte 3: O policial"  width="500" height="375" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">No Brasil, o representante mais famoso é certamente o delegado Espinosa, que figura em dez dos onze livros do carioca <strong>Luiz Alfredo Garcia-Roza</strong> e <a href="https://literaturapolicial.com/2015/06/17/serie-espinosa-tem-duas-novidades-no-elenco/" target="_blank">em breve chegará à TV</a>. Também não podemos esquecer do investigador Venício (não Vinícius, cuidado porque ele se irrita quando confundem!), protagonista dos romances Informações Sobre a Vítima e Vida Pregressa, do ex-delegado paulista Joaquim Nogueira. Presente também em dois livros – Réquiem Para um Assassino e Morte na Flip –, o delegado Dornelas, criação de Paulo Levy.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Como é possível perceber, há muitos exemplos dessa categoria de detetive, e certamente a lista apresentada deixou de fora nomes importantes. Não deixe de lembrá-los nos comentários!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Chegamos ao fim de nossa série sobre detetives. Obrigado a todos por acompanharem. Aproveito para dar um spoiler da minha próxima série por aqui: será sobre os subgêneros da literatura policial. Até a próxima!</span></p>
<p style="text-align:justify;">(Imagens: divulgação, <a href="http://a.scpr.org/i/d9f6e4adfecd0e00df39fe58fe32063a/100162-full.jpg" target="_blank">scpr.org</a>)</p>
<p style="text-align:justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1576" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/09/josue2.png"  alt="josue2 Nossos detetives, parte 3: O policial"  width="600" height="133" /></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g Nossos detetives, parte 3: O policial" alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/08/24/nossos-detetives-parte-3-o-policial/">Nossos detetives, parte 3: O policial</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://literaturapolicial.com/2015/08/24/nossos-detetives-parte-3-o-policial/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
