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	<title>Arquivos Thiago Augusto Corrêa -</title>
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	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
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	<title>Arquivos Thiago Augusto Corrêa -</title>
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		<title>A volta de Gotham City Contra o Crime</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Literatura Policial]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Dec 2015 13:57:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[quadrinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Thiago Augusto Corrêa &#8211; Diante de um universo populoso de super-heróis da DC Comics, parece improvável a possibilidade de um cotidiano comum quando tais superseres atuam ativamente como vigilantes em diversas cidades e participam, em escala global, de crises interplanetárias. Durante os 75 anos da editora, bem como da Marvel Comics, sua concorrente direta,...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Thiago Augusto Corrêa</em> &#8211; Diante de um universo populoso de super-heróis da DC Comics, parece improvável a possibilidade de um cotidiano comum quando tais superseres atuam ativamente como vigilantes em diversas cidades e participam, em escala global, de crises interplanetárias. Durante os 75 anos da editora, bem como da Marvel Comics, sua concorrente direta, algumas narrativas como Marvels, Reino do Amanhã e Watchmen &#8211; analisada em nossa primeira coluna &#8211; estabeleceram um relato mais realista que refletia sobre a convivência entre heróis e humanos mundanos na delicada relação entre poder e autoridade diante destes deuses.</p>
<p>Com base nesta vertente, os roteiristas Greg Rucca e Ed Brubaker lançaram em 2003 uma nova visão sobre Gotham City dando destaque a um grupo que sempre pareceu apenas um apoio contra o crime na cidade corrupta e violenta do Homem-Morcego, narrativa que contraria a adoração heroica comum aos títulos do estúdio e enfoca um grupo de policiais da cidade. Gotham: DPGC, outrora lançado no país como <em>Gotham City Contra o Crime</em>, retorna ao mercado em edição de luxo, apresentando um grupo de homens anônimos que, como Batman, dedicam sua vida pelo bem da cidade. O primeiro volume relançado pela Panini Comics apresenta os dez primeiros números da série composta por quarenta edições, quando a revista foi encerrada.</p>
<p>Concentrando-se na Unidade de Crimes Hediondos da cidade, Rucca e Brubaker trabalham simultaneamente nos roteiros, divididos entre si conforme cada turno da polícia, uma maneira escolhida para que cada roteirista trabalhasse com um grupo específico de personagens. Utilizando alguns conhecidos do público e outras criações inéditas, a trama revela uma faceta investigativa equilibrada entre as investigações, tanto de casos cotidianos como de crimes cometidos pelos vilões da galeria do Morcego, sinalizando o lado psicológico de cada um de seus integrantes.</p><div id="liter-2388048904" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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<p>Na época de seu lançamento, o conhecido Comissário Gordon estava aposentado após um atentado contra sua vida. Sem o detetive que tem a relação mais sólida com o Cavaleiro das Trevas, a personagem de Batman é tratada com um limítrofe entre a lei e a criminalidade. Um homem utilizado somente em casos de extrema urgência. Oficialmente, a polícia nega a existência do herói, motivo pelo qual a equipe é proibida de ativar o famoso Bat Sinal, atividade exercida por uma personagem fora do esquadrão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-10596 size-large" style="border: 1px solid #c0c0c0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/12/gotham-gpgc.jpg?w=700" alt="Gotham GPGC" width="700" height="495"></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A trama evidencia o dia a dia dos policiais e o público compartilha com as personagens a mítica do Morcego. Suas aparições são rápidas, destacadas em pequenos quadros e pautadas em medo e dúvida vigentes. Dentro da polícia, a presença de um herói é vista como justificativa para a clara ineficiência do sistema, um atrito que provoca conflito interno na corporação. Desenvolvendo o drama interno de cada personagem, policiais com famílias vivendo o medo diário de morrer em serviço, observamos como a presença de um vigilante acima da lei modifica uma cidade, ampliando o conceito de que a presença de um herói gera também o nascimento de novos vilões tentando derrotá-lo e, no meio destas batalhas, a população e seus personagens anônimos sofrem pela destruição e morte causadas.</p>
<p>Grandes vilões como Senhor Frio e Coringa aparecem em cena como transgressões sem diferir em nada de bandidos normais, causando mortes e traumas aos investigadores de Gotham &#8211; os mesmos que além do medo natural reconhecem que diante de homens insanos, e de uma cidade onde o crime é vertente constante, o serviço se torna ainda mais árduo. Em paralelo, a relação entre os policiais, os conflitos internos e a inerente corrupção se tornam ainda mais elementos para demonstrar a virtude das personagens, efeito que transforma seres ordinários em heróis cotidianos.</p>
<p>Os autores, que têm no currículo outras obras de vertente policial, evitam a visão tradicional do herói para trazer uma narrativa bem composta que não necessita de nenhuma leitura prévia do universo da editora para mínima compreensão.</p>
<p>O prefácio desta nova edição é assinado por Lawrence Block, um escritor policial que sempre explora com qualidade o espaço urbano em suas histórias. No texto, o autor compara a Gotham fictícia como representação ideal de Nova York, com sua evolução urbana e brutalidade nas ruas. <a href="http://www.vortexcultural.com.br/" target="_blank">Uma sincronia entre a realidade e a ficção</a>, o imaginário dos heróis e outros papéis que lutam a favor da manutenção da sociedade e de suas leis.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-7716" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/thiago.png" alt="thiago" width="577" height="133"></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100" alt="" itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/admin_literatura/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Literatura Policial</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Ana Paula Laux é jornalista e trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://literaturapolicial.com/" target="_self" >literaturapolicial.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/12/18/gotham-city-contra-o-crime/">A volta de Gotham City Contra o Crime</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>J. Kendall – As Aventuras de uma Criminóloga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Literatura Policial]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Nov 2015 12:13:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Audrey Hepburn]]></category>
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		<category><![CDATA[Gian Luigi Bonelli]]></category>
		<category><![CDATA[Giancarlo Berardi]]></category>
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		<category><![CDATA[Sergio Bonelli Editore]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Thiago Augusto Corrêa &#8211; Além do eixo narrativo fundamentado pelas grandes editoras como Marvel e DC Comics, daremos um salto para o Velho Mundo, expandindo nossa análise sem perder a narrativa policial como guia. Nos localizaremos na Itália e no editor Gian Luigi Bonelli, um dos responsáveis por uma das representações quadrinescas mais icônicas...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Thiago Augusto Corrêa</em> &#8211; Além do eixo narrativo fundamentado pelas grandes editoras como Marvel e DC Comics, daremos um salto para o Velho Mundo, expandindo nossa análise sem perder a narrativa policial como guia. Nos localizaremos na Itália e no editor Gian Luigi Bonelli, um dos responsáveis por uma das representações quadrinescas mais icônicas do western americano: o famoso Tex.</p>
<p>Foi através da Sergio Bonelli Editore que renomadas publicações como Tex, Zagor, Ken Parker e Martin Mystére se consagraram. Foi este espaço fundamental que marcou em 1998 a estreia de &#8220;Julia &#8211; Le Avventure Di Una Criminologa&#8221;, série publicada no país desde 2004 pela Mythos, inicialmente sob o título de Julia e, após a edição número 4, intitulada J. Kendall – Aventuras de Uma Criminóloga, nome semelhante ao original. A publicação de Julia foi lançada no país em companhia de outras edições italianas, como Ken Parker e Zagor, além do sempre presente Tex. Hoje é uma das poucas que ainda está em circulação, mesmo tendo sofrido, no decorrer de sua publicação, possibilidades de cancelamento e aumento de preços. Atualmente, se mantém bimestralmente nas bancas, com duas histórias publicadas a cada edição.</p>
<p>Obra criada pelo quadrinista Giancarlo Berardi, o qual assina todos os roteiros, apresenta em cada edição um caso de Julia Kendall, uma professora formada em criminologia que presta consultoria à polícia de Garden City, uma cidade fictícia situada perto de Nova York. Em um misto de romance com quadrinhos, cada história é narrada pela própria personagem, como se o leitor acompanhasse parte de seus diários transcritos diretamente para a página. Berardi se apoia em uma tradição policial americana para desenvolver a consultora policial, fato que justifica sua inserção em uma cidade nos Estados Unidos.</p><div id="liter-2388048904" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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</div>
<p>Como criminalista, a personagem tem maior liberdade para desenvolver sua própria linha investigativa, uma análise paralela que demonstra tanto certa ineficiência da polícia tradicional como a transforma em uma detetive clássica que se debruça sobre fatos à procura de conexões ainda invisíveis. Cada análise feita por Julia é apoiada por teorias fundamentadas que amplificam a densidade da história e justifica a trajetória de corruptores que romperam a linha da lei.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-10242 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/11/julia_kendall11.jpg" alt="Julia_Kendall11" width="467" height="651"></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Compostos em preto e branco, seguindo a tradição do <em>fumetti</em>, os traços de cada edição são trabalhados com detalhes para fornecer uma espécie de relato visual real e coerente com uma possível realidade. Como os detalhes são trabalhados apenas em duas cores, o jogo de luz e sombra é constante, e utiliza-se do empréstimo do estilo cinematográfico, com cortes de cena e ângulos diferenciados, para intensificar a ação. A própria composição física da personagem tem inspiração nos traços da atriz Audrey Hepburn e, além desta semelhança evidente, há notáveis cenas e outros personagens presentes em casos que são homenagens ou releituras de produções do cinema.</p>
<p>Durante as mais de duzentas aventuras publicadas, J. Kendall evolui na continuidade natural entre relações, famílias e amigos. Cada história poderia ser compreendida como um romance gráfico que, assim como as séries de romances de diversos autores policiais, desenvolvem uma sólida trajetória de seu personagem principal. Como a maioria das histórias, apresenta um caso fechado, assim não há nenhuma preocupação de o público começar a leitura a partir de um número aleatório, ainda que, evidentemente, a cronologia da personagem será bem contrastante com os números iniciais se comparada às últimas aventuras.</p>
<p>Diante das ofertas mensais em quadrinhos lançadas por diversas editoras no país, e considerando todos os estilos e vertentes, sem dúvida <a href="http://www.vortexcultural.com.br/" target="_blank">J. Kendall – As Aventuras de uma Criminóloga</a> se destaca entre as publicações em atividade. Em se tratando de uma narrativa policial em quadrinhos, é recomendado para leitura, afinal você não conseguirá ler somente um número. Afirmo por experiência própria.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Thiago Augusto Corrêa</strong> é formado em Letras pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, na cidade de Araraquara. Leitor por paixão e profissão, co-criador de findados coletivos literários virtuais em parceria com diversos amigos escritores. Desde 2012 é editor e crítico do site <a style="color: #0000ff;" href="http://www.vortexcultural.com.br/" target="_blank">Vortex Cultural</a>.</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100" alt="" itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/admin_literatura/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Literatura Policial</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Ana Paula Laux é jornalista e trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://literaturapolicial.com/" target="_self" >literaturapolicial.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/11/19/j-kendall-as-aventuras-de-uma-criminologa/">J. Kendall – As Aventuras de uma Criminóloga</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Cidade Selvagem: o declínio da civilização</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Literatura Policial]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2015 12:54:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Ben Templesmith]]></category>
		<category><![CDATA[cidade selvagem]]></category>
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		<category><![CDATA[Thiago Augusto Corrêa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Thiago Augusto Corrêa &#8211; Responsável por grandes quadrinhos adultos além do eixo heroico central da Marvel e DC Comics, como Transmetropolitan, Planetary e Authority, Warren Ellis mergulha fundo na narrativa policial em Cidade Selvagem. Uma história cujo final nunca foi oficializado, mas que se encontra em hiato há mais de seis anos. Relançado...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/cidade-selvagem-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-9512 size-full" style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/cidade-selvagem-2.jpg" alt="Cidade Selvagem 2" width="615" height="432" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;"><strong>Por Thiago Augusto Corrêa</strong> &#8211; Responsável por grandes quadrinhos adultos além do eixo heroico central da Marvel e DC Comics, como Transmetropolitan, Planetary e Authority, Warren Ellis mergulha fundo na narrativa policial em Cidade Selvagem. Uma história cujo final nunca foi oficializado, mas que se encontra em hiato há mais de seis anos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Relançado recentemente pela editora Mythos em uma edição especial em capa dura, o encadernado reúne nove volumes da série cujo título original se refere ao personagem central, o detetive Richard Fell. Diferentemente de muitas narrativas em quadrinhos que se prologam em arcos e – quando finalizadas – compõem um material significativo em quantidade, cada edição de Cidade Selvagem apresenta uma história fechada com uma continuidade mínima entre cada edição.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">A história se desenvolve na fictícia cidade de Snow, um reduto de violência situado do lado oposto de um rio que o separa de uma cidade populosa e desenvolvida. Sem dúvida, uma representação fictícia de muitas cidades empobrecidas ao lado de grandes centros urbanos, fazendo-nos lembrar, por exemplo, da ponte George Washington, a qual separa Nova York do estado de Nova Jersey. Snow potencializa a falência da sociedade em um local cujo crime predomina em todas as suas vertentes e o contingente policial é mínimo.</span></p><div id="liter-2388048904" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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</div>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Diante desse cenário, a presença do detetive Fell, vindo do outro lado da ponta, é recebida como uma novidade. A personagem representa uma nova defesa contra a corrupção local, como alguém ainda puro diante dos vícios locais. Mesmo nas breves páginas de cada história, Ellis não poupa o público de investigações agressivas, explicitando que a cidade carrega tudo o que há de pior. O choque não apenas agride o leitor como glorifica a personagem do detetive como um herói, um reduto final de defesa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/fell-pagina-com-9-quadros.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-9513 size-full" style="border:1px solid #c0c0c0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/fell-pagina-com-9-quadros.jpg" alt="Fell - pagina com 9 quadros" width="400" height="616" /></a><span style="color:#ffffff;">x</span><br />
<span style="font-size:1.25em;">Porém, conforme se torna parte da população da cidade, sua personalidade perde a visão ideal de justiça e assume contornos de um vigilante, um homem que ainda segue a lei como objetivo mas que reconhece que, em um local com violência extrema, somente a brutalidade é a resposta ideal. Um império de força centralizado em um único homem, como uma luz em um mundo sombrio.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">A atmosfera de um local devastado se destaca também pela arte de Ben Templesmith, com traços sem contornos delineados, fazendo de cada página uma tela impressionista em que cores escuras se destacam e parecem manisfestar emoções de uma sociedade falida. Como cada edição apresenta uma história fechada, as páginas foram compostas por paineis de nove quadros, um estilo não usual devido a compressão dos quadros que ficam relativamente menores do que os tradicionais. Ellis e Templesmith trabalham em conjunto para que tanto narrativa gráfica quanto textual formem uma progressão natural da história, demonstrando habilidade em desenvolvê-la em um espaço restrito.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Indicada ao prêmio Eisner de &#8220;Melhor Série Estreante&#8221; e &#8220;Melhor Série&#8221; em 2006, mesmo ano que Ellis foi indicado ao prêmio de Melhor Escritor, Cidade Selvagem é um belo exemplo narrativo de uma <a href="http://www.vortexcultural.com.br/" target="_blank">história em quadrinhos</a> que bebe no noir para trazer um universo gráfico decadente em uma potente narrativa breve.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Thiago Augusto Corrêa</strong> é formado em Letras pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, na cidade de Araraquara. Leitor por paixão e profissão, co-criador de findados coletivos literários virtuais em parceria com diversos amigos escritores. Desde 2012 é editor e crítico do site <a href="http://www.vortexcultural.com.br/" target="_blank">Vortex Cultural</a>.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100" alt="" itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/admin_literatura/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Literatura Policial</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Ana Paula Laux é jornalista e trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://literaturapolicial.com/" target="_self" >literaturapolicial.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/10/21/cidade-selvagem-o-declinio-da-civilizacao/">Cidade Selvagem: o declínio da civilização</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Vertigo Crime: quadrinhos com detetives</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Literatura Policial]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2015 17:45:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[coluna]]></category>
		<category><![CDATA[DC Comics]]></category>
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		<category><![CDATA[parceria]]></category>
		<category><![CDATA[Thiago Augusto Corrêa]]></category>
		<category><![CDATA[vertigo crime]]></category>
		<category><![CDATA[Vortex Cultural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>VERTIGO CRIME &#8211; Criada em 1993 como uma alternativa aos quadrinhos mensais, a linha Vertigo da DC Comics se tornou um importante selo no cenário de quadrinhos, publicando, desde sua fundação, obras com maior liberdade artística voltadas para o público adulto, e que se transformaram em sucesso de público e crítica. Como exemplo, temos a...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-8242 size-full" style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:0;margin-bottom:30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/08/vertigo-45.jpg" alt="VERTIGO-45" width="700" height="459" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;"><span style="color:#000000;"><strong>VERTIGO CRIME</strong> &#8211; Criada em 1993 como uma alternativa aos quadrinhos mensais, a linha Vertigo da DC Comics se tornou um importante selo no cenário de quadrinhos, publicando, desde sua fundação, obras com maior liberdade artística voltadas para o público adulto, e que se transformaram em sucesso de público e crítica. Como exemplo, temos a segunda fase de O Monstro do Pântano, Sandman, Preacher, Hellblazer entre outros lançamentos recentes, como Y – O Último Homem, Punk Rock Jesus e Fábulas. O selo foi criado em uma época que os desenhistas eram destaque, com muitas obras sobrepondo a imagem à narrativa. Além de proporcionar maior liberdade para seu criadores, a Vertigo trouxe as tramas como princípio e proporcionou destaque para roteiristas fora dos EUA: grandes nomes contemporâneos, como Alan Moore, Grant Morrison, Neil Gaiman e Garth Ennis, agradaram a leitores e a</span> <span style="color:#0000ff;"><a style="color:#0000ff;" href="http://www.vortexcultural.com.br/" target="_blank" rel="noopener">crítica de quadrinhos</a></span>.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-8244 size-large" style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:30px;margin-bottom:30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/08/v1.jpg?w=639" alt="v1" width="639" height="977" /><span style="color:#000000;">Nestes 22 anos da editora, uma qualitativa lista de séries foi publicada, configurando uma visão profunda e realista de narrativas e promovendo quadrinhos adultos para leitores maduros. Em universos violentos e densos, a veia policial sempre caminhou em conjunto com muitas destas histórias. O sucesso natural do selo gerou expansões mercadológicas pontuando edições especiais lançadas em um único número, versões de personagens antigos com uma nova roupagem, entre outras vertentes. No Brasil, grande parte dos lançamentos da linha é publicada pela Panini Comics, detentora dos direitos da DC Comics no país. A Editora tem lançado duas frontes da Vertigo, visando lançamentos atuais e finalizando grandes séries que outras editoras anteriores deixaram para trás, como Fábulas e Preacher. Como os lançamentos são diversos, nem tudo pode ser lançado pela editora, e outros pequenos projetos são comprados por outras empresas. Dentre um dos lançamentos, uma série dedicada exclusivamente à narrativa policial surgiu em 2008.</span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">Sob o nome de Vertigo Crime, as edições reuniam renomados desenhistas e roteiristas para produzir narrativas policiais em histórias fechadas de aproximadamente 150 páginas. O formato se diferenciava dos quadrinhos tradicionais, homenageando a produção da literatura noir americana e as histórias lançadas em revistas pulp de qualidade, econômicas e com violência exacerbada. Um formato que anteriormente foi utilizado para baratear os custos e hoje é impresso como representação de como se lia a literatura policial na época.</span></p><div id="liter-2388048904" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">As edições são em formato de bolso, feitas inteiramente em branco e preto. Embora lançadas em 2008, a primeira edição saiu no país somente em 2011, ainda pela Panini, em um especial envolvendo John Constantine. A edição marca a estreia do selo e tem o escritor Ian Rankin dando voz a esta aventura. O popular escritor coloca sua narrativa a favor deste grande personagem em Hellblazer – Passagens Sombrias. No mesmo ano, Brian Azarello, que já trabalhara com a vertente policial em seu elogiado 100 Balas, lança com traços de Victor Santos a história Rica Indecente, uma das seis narrativas publicadas no país em 2012 pela New Pop. Seis das treze edições do selo foram lançadas na ocasião. Além da trama de Azarello, A Cidade da Neblina, de Anderser Gabrych (Batman: Jogos de Guerra) e Brad Rader; Calafrio, de Jason Starr (Wolverine MAX) e Mick Bertilorenzi; Morte no Bronx, de Peter Milligan (Hellblazer) e James Romberger; Area 10, de Christos N. Gage (Stormwatch) e Chris Samnee; e O Executor, de Jon Evans e Andrea Mutti.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-8245 size-full" style="margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/08/vertigo2.png" alt="vertigo2" width="325" height="260" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">A composição em preto e branco também projeta a ambientação do cinema noir americano, demonstrando um desafio para seus autores em compor uma história sem a ausência de cores. Nestas tramas, não faltam as típicas personagens do gênero, como detetives, mulheres fatais e homens de caráter dúbio. São edições moldadas com o melhor da tradição policial em uma explícita homenagem. O grande atrativo é a brevidade de uma história fechada que possibilite a leitura integral sem as amarras de uma cronologia, como outras narrativas da Vertigo, que se estendem em arcos e muitas edições.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;"><span style="color:#000000;">Mesmo incompletas no país, as sete edições lançadas contemplam diferentes estilos de narrativa policial, com boas histórias de renomados artistas do universo de quadrinhos. Uma boa composição unindo talentos da HQ, referências literárias clássicas e o cinema noir. Tudo com uma linguagem apropriada para atrair os leitores do gênero.</span><br />
</span></p>
<p style="text-align:justify;"><em>(Imagens: divulgação, <a href="http://hotsitepanini.com.br/vertigo/series/preacher/" target="_blank" rel="noopener">Panini Comics</a>)</em></p>
<p><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Thiago Augusto Corrêa</strong> é formado em Letras pela Universidade Estadual Paulista &#8220;Júlio de Mesquita Filho&#8221;, na cidade de Araraquara. Leitor por paixão e profissão, co-criador de findados coletivos literários virtuais em parceria com diversos amigos escritores. Desde 2012 é editor e crítico do site <span style="color:#0000ff;"><a style="color:#0000ff;" href="http://www.vortexcultural.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Vortex Cultural</a></span>.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100" alt="" itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/admin_literatura/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Literatura Policial</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Ana Paula Laux é jornalista e trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://literaturapolicial.com/" target="_self" >literaturapolicial.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/08/17/vertigo-crime-quadrinhos-com-detetives/">Vertigo Crime: quadrinhos com detetives</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Watchmen: fim da inocência para os detetives dos quadrinhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Literatura Policial]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2015 12:15:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Alan Moore]]></category>
		<category><![CDATA[Thiago Augusto Corrêa]]></category>
		<category><![CDATA[Watchmen]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A morte recai sobre Watchmen, como representação de um mundo desolado, logo em seus primeiros quadros. A obra-prima de Alan Moore, com desenhos de Dave Gibbons, foi elevada, desde seu lançamento em 1986 a 1987, a um dos ícones máximos da narrativa em quadrinhos e, ainda hoje, permanece como objeto de culto e estudo devido...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-7718 size-full" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/watchmen.jpg" alt="watchmen" width="750" height="422" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;"><strong>A morte recai sobre Watchmen, como representação de um mundo desolado, logo em seus primeiros quadros.</strong> A obra-prima de Alan Moore, com desenhos de Dave Gibbons, foi elevada, desde seu lançamento em 1986 a 1987, a um dos ícones máximos da narrativa em quadrinhos e, ainda hoje, permanece como objeto de culto e estudo devido a sua densidade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Composta por doze capítulos bem orquestrados, com detalhes que se entrecruzam, a HQ aproxima referências culturais, dialoga com outras formas artísticas e promove uma obra plural através de uma trama especulativa sobre como seria nosso universo com o surgimento de vigilantes e super-heróis. Uma história profunda que uma simples <span style="color:#0000ff;"><a style="color:#0000ff;" href="http://www.vortexcultural.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">resenha de quadrinhos</a></span> não seria capaz de analisá-la por completo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Grande parte do sucesso de Watchmen se deve ao ambiente realista espelhado em fatos da história mundial: dos entraves das grandes disputas bélicas ao conflito da Guerra Fria, em 1985, cenário em que se passa a ação central. <strong>Moore modifica nossa realidade propondo uma sociedade em convivência com vigilantes.</strong> Na década de 40, surge a primeira equipe de humanos com motivações heroicas. A partir disso, a cultura se modifica, e personagens como Batman e Superman perdem espaço para as aventuras de piratas e outros nichos aventureiros. Os heróis deixam de ser uma especulação imaginária para perpetuarem-se nas ruas. Seus personagens não são tratados como uma linha superior: são humanos limítrofes, poucos com motivos honestos, demonstrando que mais do que caráter e coragem era necessário para assumir estes alteregos. Como um manto a ser utilizado para negar sua própria vida de vícios em graus diferenciados, que transitam do alcoolismo à visão niilista do mundo.</span></p><div id="liter-2388048904" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-7721 " style="border:1px solid #000000;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/watchmen-cover.jpg" alt="watchmen-cover" width="271" height="420" /><strong>A própria narrativa de Watchmen desenvolve uma cronologia heroica e particular que envolve três espaços temporais distintos</strong>: 1940, com o surgimento dos primeiros heróis; 1960 com a propagação de um segundo grupo, inspirado no primeiro; e o desolador 1985, quando a segunda equipe de combatentes está em ostracismo desde que a Lei Keene entrou em vigor. Numa época em que o mundo cedia à paranoia e à violência das tensões entre grandes nações, a atividade de qualquer vigilante mascarado foi proibida. Atuantes em 1940, os Minutemen (referência dupla a um grupo de heróis e às tropas americanas) representam este primeiro grupo unido por motivações conjuntas de fazer o bem, perpetuando de maneira positiva o ideário americano. Vinte anos depois, os Watchmen (a referência temporal é uma constante na obra) são liderados pelas personagens desta história. Como diferença primordial entre um grupo e outro, há a presença de um primeiro super-ser, Johnathan Osterman, um homem que acidentalmente foi trancado em uma câmara de testes durante um experimento de física nuclear, e que sobreviveu adquirindo superpoderes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Até então, a visão heroica da história se pautava apenas no conceito cultural de heróis: humanos que vestem um capuz como estilo de vida. <strong>O surgimento de uma entidade com habilidades sobre-humanas causa desequilíbrio na sociedade.</strong> Tratado como uma arma bélica, Osterman se transforma em Dr. Manhattan (referência ao projeto real que visava construir uma bomba nuclear em solo americano), vendido ao mundo como um representante da política americana, intervindo na Guerra do Vietnã e tornando vitoriosa a nação americana. Do outro lado do globo, a União Soviética tenta se equiparar à presença de um deus construindo diversas bombas atômicas para uma eventual disputa armada. Dessa forma, estão instaladas, com maior intensidade, a paranoia da Guerra Fria e a iminência de uma terceira guerra mundial em 1985, o cenário onde situa a história central.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Neste contexto, Edward Blake, o Comediante, um herói-soldado americano, é defenestrado da janela de seu apartamento. A narrativa enfoca, a cada capítulo, um personagem específico, dando vazão aos tipos de personalidades diferentes que fizeram parte dos Watchmen. Há referências em toda a obra, tanto a momentos históricos reais quanto a citações de outras obras (o título de cada capítulo é um trecho de uma situação revelada no final de cada um deles), apropriando-se de outras formas artísticas para produzir maior amplitude neste universo. <strong>Trechos de livros fictícios, artigos e perfis psicológicos são apresentados ao final de cada edição, amplificando o realismo promovido por Moore.</strong> Além das referências, as edições possuem um padrão de quadros. As capas são o início de cada capítulo, focalizando um objeto em close como um <em>take</em> cinematográfico, iniciando a ação. Em muitos capítulos, a mesma imagem retorna ao final, tornando-se uma linguagem circular que internamente mantém a coerência com a narrativa subterrânea da obra sobre a cegueira da humanidade e seu processo cíclico de guerra e paz.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-7729" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/moore.jpg" alt="moore" width="184" height="234" />Mesmo que o contexto tenha se modificado com o tempo, é natural que outras interpretações tão profundas como a inicial surjam com a análise de cada sociedade e seu tempo. De maneira geral, o futuro é sempre visto de maneira desoladora, um caos dividido entre o obscuro a ser explorado e a própria destruição humana. Diante destes fatos, a interpretação de Watchmen é universal. <strong>Utilizando personagens tipificados, Moore questiona o potencial humano e saídas possíveis para que a paz e a harmonia entre os povos persistam.</strong> Com um estilo agressivo e pessimista, é evidente que o desenlace proposto mostre-se como um impacto derradeiro. Porém, dentro do absurdo, a lógica interna se mantém causando um novo choque no leitor, que se depara com uma filosofia imoral, mas coerente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;"><strong>A potência de Watchmen é tão devastadora que, ainda hoje, é a única HQ a figurar na lista de 100 Melhores Romances da revista Times.</strong> Uma prova de como Alan Moore transformou o <span style="color:#0000ff;"><a style="color:#0000ff;" href="http://www.vortexcultural.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">gênero de quadrinhos</a></span> em um objeto além de seu nicho, elevando sua história a um novo patamar narrativo. Aos fãs, a obra é conhecida como a Bíblia dos Quadrinhos, um exagero coerente para uma fábula de significado denso e precursora de muitos estilos vistos ainda hoje nos lançamentos mensais de grandes editoras. Watchmen mantém-se como uma história demolidora de qualquer barreira que ainda persista sobre a nona arte ser considerada uma arte menor, supostamente infantil ou sem densidade. Não à toa, o mago Moore é reverenciado como um dos gênios dos quadrinhos.</span></p>
<p style="text-align:justify;">(Imagem: <span style="color:#0000ff;"><a style="color:#0000ff;" href="http://graphics8.nytimes.com/images/2006/03/08/arts/moore.184.2.jpg">NY Times</a></span>, <a href="http://www.comicvine.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Comic Vine</a>, <a href="http://www.geeksnack.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Geeksnack</a>)</p>
<p style="text-align:justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-7716" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/thiago.png" alt="thiago" width="577" height="133" /></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100" alt="" itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/admin_literatura/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Literatura Policial</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Ana Paula Laux é jornalista e trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="https://literaturapolicial.com/" target="_self" >literaturapolicial.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/07/15/watchmen-fim-da-inocencia-para-os-detetives-dos-quadrinhos/">Watchmen: fim da inocência para os detetives dos quadrinhos</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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