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Vertigo Crime: quadrinhos com detetives


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Criada em 1993 como uma alternativa aos quadrinhos mensais, a linha Vertigo da DC Comics se tornou um importante selo no cenário de quadrinhos, publicando, desde sua fundação, obras com maior liberdade artística voltadas para o público adulto, e que se transformaram em sucesso de público e crítica. Como exemplo, temos a segunda fase de O Monstro do Pântano, Sandman, Preacher, Hellblazer entre outros lançamentos recentes, como Y – O Último Homem, Punk Rock Jesus e Fábulas. O selo foi criado em uma época que os desenhistas eram destaque, com muitas obras sobrepondo a imagem à narrativa. Além de proporcionar maior liberdade para seu criadores, a Vertigo trouxe as tramas como princípio e proporcionou destaque para roteiristas fora dos EUA: grandes nomes contemporâneos, como Alan Moore, Grant Morrison, Neil Gaiman e Garth Ennis, agradaram a leitores e a crítica de quadrinhos.

v1Nestes 22 anos da editora, uma qualitativa lista de séries foi publicada, configurando uma visão profunda e realista de narrativas e promovendo quadrinhos adultos para leitores maduros. Em universos violentos e densos, a veia policial sempre caminhou em conjunto com muitas destas histórias. O sucesso natural do selo gerou expansões mercadológicas pontuando edições especiais lançadas em um único número, versões de personagens antigos com uma nova roupagem, entre outras vertentes. No Brasil, grande parte dos lançamentos da linha é publicada pela Panini Comics, detentora dos direitos da DC Comics no país. A Editora tem lançado duas frontes da Vertigo, visando lançamentos atuais e finalizando grandes séries que outras editoras anteriores deixaram para trás, como Fábulas e Preacher. Como os lançamentos são diversos, nem tudo pode ser lançado pela editora, e outros pequenos projetos são comprados por outras empresas. Dentre um dos lançamentos, uma série dedicada exclusivamente à narrativa policial surgiu em 2008.

Sob o nome de Vertigo Crime, as edições reuniam renomados desenhistas e roteiristas para produzir narrativas policiais em histórias fechadas de aproximadamente 150 páginas. O formato se diferenciava dos quadrinhos tradicionais, homenageando a produção da literatura noir americana e as histórias lançadas em revistas pulp de qualidade, econômicas e com violência exacerbada. Um formato que anteriormente foi utilizado para baratear os custos e hoje é impresso como representação de como se lia a literatura policial na época.

As edições são em formato de bolso, feitas inteiramente em branco e preto. Embora lançadas em 2008, a primeira edição saiu no país somente em 2011, ainda pela Panini, em um especial envolvendo John Constantine. A edição marca a estreia do selo e tem o escritor Ian Rankin dando voz a esta aventura. O popular escritor coloca sua narrativa a favor deste grande personagem em Hellblazer – Passagens Sombrias. No mesmo ano, Brian Azarello, que já trabalhara com a vertente policial em seu elogiado 100 Balas, lança com traços de Victor Santos a história Rica Indecente, uma das seis narrativas publicadas no país em 2012 pela New Pop. Seis das treze edições do selo foram lançadas na ocasião. Além da trama de Azarello, A Cidade da Neblina, de Anderser Gabrych (Batman: Jogos de Guerra) e Brad Rader; Calafrio, de Jason Starr (Wolverine MAX) e Mick Bertilorenzi; Morte no Bronx, de Peter Milligan (Hellblazer) e James Romberger; Area 10, de Christos N. Gage (Stormwatch) e Chris Samnee; e O Executor, de Jon Evans e Andrea Mutti.

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A composição em preto e branco também projeta a ambientação do cinema noir americano, demonstrando um desafio para seus autores em compor uma história sem a ausência de cores. Nestas tramas, não faltam as típicas personagens do gênero, como detetives, mulheres fatais e homens de caráter dúbio. São edições moldadas com o melhor da tradição policial em uma explícita homenagem. O grande atrativo é a brevidade de uma história fechada que possibilite a leitura integral sem as amarras de uma cronologia, como outras narrativas da Vertigo, que se estendem em arcos e muitas edições.

Mesmo incompletas no país, as sete edições lançadas contemplam diferentes estilos de narrativa policial, com boas histórias de renomados artistas do universo de quadrinhos. Uma boa composição unindo talentos da HQ, referências literárias clássicas e o cinema noir. Tudo com uma linguagem apropriada para atrair os leitores do gênero.

(Imagens: divulgação, Panini Comics)

Thiago Augusto Corrêa é formado em Letras pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, na cidade de Araraquara. Leitor por paixão e profissão, co-criador de findados coletivos literários virtuais em parceria com diversos amigos escritores. Desde 2012 é editor e crítico do site Vortex Cultural.

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1 resposta »

  1. Será que vocês poderiam fazer um top de detetives em quadrinhos para ser ler, tirando o Batman, falo de detetives mesmo, não super-heróis. Conheço só a J Kendal, algumas hqs que envolvem crime e não propriamente detetives, como 100 balas, Sin City, Criminal. Mas não consigo achar hqs de detetive, pq romances tem vários e não sei pq não saem tanto em hqs.

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