colunista

Hammett e Chandler vão à TV


banshee

Banshee é a melhor série da TV. Inspirada na literatura pulp de Hammett e Chandler, é um prato cheio para quem curte Tarantino, Clube da Luta e Clint Eastwood.

Ok, eu sei que esse é um site sobre literatura policial, mas preciso quebrar o protocolo só essa vez e fazer uma coluna sobre televisão. Espera. Não fecha esse artigo, lê até o fim, ele é feito pra você que se amarra numa boa trama policial hard-boiled, novidade e Tarantino.

Banshee. Conhece?

Não? Eu sei que não. Quase ninguém conhece esse seriado do Cinemax americano, no ar desde 2011, mas a partir de hoje isso vai mudar.

Criada pelo mesmo cara que nos deu True Blood, Banshee simplesmente faz um scanner em toda a ficção pulp produzida entre os anos 1920 e 1940 e copia as melhores coisas em roteiros altamente inteligentes. Estão lá, saca só: a femme fatale, o detetive durão, o filho da puta, a seita religiosa do mal, o monstro, o sangue, a porrada, o sexo, enfim, tudo que uma boa história pulp precisa. Some-se a isso atores desconhecidos e talentosos, uma edição vertiginosa e direção impecável.

Se você leu até aqui é porque gostou.

Segue em frente que tem mais.

A história: um homem sem nome (beijos, Clint) sai da cadeia e vai até um salão de beleza em Nova York comandado por um hacker travesti (sim). Depois de perguntar onde “ela” está, nosso amigão ex-condenado se mete num tiroteio com a máfia ucraniana em plena Big Apple e rouba uma moto, partindo para… Banshee, na Pennsylvania. Dominada por uma paisagem rural, povoada por Amish (aqueles que acham que ainda estão em 1850) e índios, além da típica galera do interior norte-americano, a cidadezinha não oferece nada a ninguém. Cansado da viagem, nosso amigo para num bar para tomar aquele drinque esperto que todo Sam Spade aprecia. Eis que para ao lado dele o novo xerife da cidade, Lucas Hood. No meio do papo entre os dois, bandidos invadem o bar e rola outro tiroteio. Até aí estamos em quinze minutos de projeção – Banshee é tão boa que é cinema sim. O xerife morre. O ex-presidiário vai enterrar seu corpo e vê um celular tocando no bolso do morto. O que ele faz? Corre? Nope. Atende. E se faz passar por.. Lucas Hood, o novo xerife de Banshee.

Esse é o preâmbulo. Conforme a série se desenvolve, descobrimos o passado desse cara, quem é a mulher que ele quer encontrar em Banshee e toda a fauna de personagens bizarros que lá habitam: Kai Proctor, nascido amish e agora empresário inescrupuloso, vulgo filho-da-puta; Siobhan Kelly e Brock Lotus, policiais da delegacia, que por sinal funciona numa velha loja de automóveis.

Chegou até aqui? YAY. Vamos agora ao molho especial dessa salada toda: lembram que eu falei da máfia ucraniana? Pois é. Os caras vão atrás do agora Lucas Hood. Nas temporadas seguintes, em meio à pancadaria de todo episódio – muito bem justificada, diga-se de passagem –, temos: neonazistas (desgraça pouca é bobagem), índios com ódio dos pele-branca, ringues clandestinos (abraço, Tyler Durden), e muito, muito mais.

Paro por aqui.

Se isso não foi suficiente para te convencer a assistir à melhor série da atualidade, você está erradíssimo(a).

Banshee é arte pura. Obviamente, não recomendada para os estômagos mais fracos, mas eu aposto que você também senta no cinema empolgadíssimo(a) pra ver o novo do Tarantino, portanto… deixe o preconceito de lado e vá apreciar a série que Dashiell Hammett, Raymond Chandler e James M. Cain teriam escrito, se vivos.

mateus1

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