Por Raquel de Mattos – Se o leitor abre este livro esperando uma trama internacional cheia de reviravoltas, personagens mil e todo o tipo de parafernália tecnológica a favor da polícia, então não o abra! Este é um romance policial para distrair!
O caso aqui é bem simples: se passa em uma precária delegacia de polícia de São Paulo, com poucos funcionários e estes tendo que fazer o papel de vários. Mas isso não tira em nada o mérito do livro, pois o nosso narrador-personagem Elvis, o escrivão-novato, cheio de ideias na cabeça, não fará com que ninguém se sinta desanimado por aqui. Com seu jeito idealista vai conseguindo tudo o que quer (e às vezes algumas broncas do seu chefe pelo caminho) e fazendo a história acontecer. O Dr. Magreza recebe um telefonema dizendo que o Chef Lidu havia sido assassinado. E aí começa a história. Nenhuma grande novidade ou surpresa na trama, mas creio que por isso mesmo é que Elvis e Dr. Magreza tenham me conquistado!
E por falar em chefe, o Dr. Magreza, delegado de polícia quase aposentado (que tem esse apelido por causa da semelhança com o Comissário Maigret, de Georges Simenon) – aí, abrasileirando ele, Dr. Pedro Júlio ganhou o apelido de Dr. Magreza, vai se mostrar uma pessoa cheia de histórias, de passado conflituoso… Mas tem que ler para saber!
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O Chef Lidu levou nove tiros, assim como o rapper 50 Cent. Só que 50 Cent viveu…
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O livro tem uma atmosfera tranquila, engraçada, mesmo com um assassinato no meio. Elvis faz com que tudo pareça meio infantil, ou, para seguir a linha francesa, meio naïf (ingênuo, em francês). Elvis se diz um jornalista frustrado, por isso escreve. Escreve em primeira pessoa e de repente, muda para terceira pessoa. A autora, iniciante no romance policial, tem muita destreza em fazer essas idas e vindas. Na pele de Elvis, ela faz com que tenhamos interesse pela culinária francesa – comida é sempre bem-vinda! Ele se questiona o tempo todo por que o assassino leva o filet mignon e não leva as trufas negras, que combinariam tão bem! Faz com que associemos o sangue do Chef Lidu (que tinha origem italiana, não francesa) com a calda de groselha que ele tem usado em seus pratos atualmente. E habilmente, Elvis faz com que gostemos ou não de um personagem, de acordo com o que ele pensa a respeito desta ou daquela pessoa.
O Elvis é um cara como se costumava chamar “boa-praça”. É educado, divertido, meio bobo, meio desengonçado, meio filhinho-de-mamãe, mas agradável no geral. Fica tenso quando pensa que um dia pode ser o novo delegado, viaja para Paris só para conversar com o Dr. Magreza (depois que ele se aposenta), é um eterno apaixonado, apesar de ter a Rafaela, sua namorada. Enfim, é um encanto!
Eu confesso que em alguns momentos fiquei um tanto confusa com algumas coisas: uma delas foi com a identidade da Vassoura Assassina (perfil fake do Facebook que ameaça Elvis e Dr. Magreza); e no final, custei um pouco a entender quem tinha sido o assassino. Só bem no finzinho mesmo é que consegui compreender quem foi e por que.
Talvez minha única crítica de verdade fique com a revisão do texto. Pequenas coisas que distraem. Uma pontuação aqui e ali, palavras que a autora deixou e na revisão não cortaram, pontos e vírgulas lado a lado e assim vai. Penso que em uma outra edição estes detalhes sejam resolvidos.
Autora: Paula Bajer Fernandes
Editora: Circuito
Páginas: 224
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SINOPSE: O dono da Brasserie Lidu é assassinado e o doutor Magreza se põe a investigar. Narrada pelo escrivão Elvis Prado Lopes, a história ironiza e homenageia o gênero policial.
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Carioca aquariana da gema, museóloga em Barretos (SP). Fã de Agatha Christie, descobriu diversos autores fantásticos ao longo da estrada da literatura policial. Ama café, livros e chocolate e é fácil de ser agradada!
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