Alguns episódios da vida real disputam espaço com a ficção. Nesses casos, não é demais apelar para a literatura quando se decide contá-los. Foi o que fez o jornalista Eumano Silva em “A morte do diplomata” (Tema Editorial, 2017), livro-reportagem que reconstitui o caso do embaixador do Brasil na Holanda, encontrado morto em seu carro em 1970.
As circunstâncias da morte de Paulo Dionísio de Vasconcelos, as investigações no exterior e o contexto mais brutal da ditadura militar brasileira oferecem elementos para uma história intrigante, sufocada nos silêncios que a época produziu.
Com trinta anos de carreira e passagens por alguns dos principais veículos de imprensa nacionais, Eumano Silva remexe no passado para (re)investigar o caso. Ele viaja à Europa, entrevista pessoas, mergulha em arquivos infestados de ácaros e poeira. O resultado é uma reportagem de fôlego numa prosa limpa e seca, estruturada em curtíssimos capítulos, apresentando a vítima, o inspetor e os detalhes desse mistério arquivado pela ditadura.
Como enfatiza o autor, os romances policiais apenas inspiraram o processo de escrita. Espartano, Eumano Silva manteve seu compromisso de jornalista com os fatos, com os documentos que encontrou e com a verdade que ajudou a esculpir a partir deles.
Uma curiosidade: antes de 2012, a morte do diplomata era desconhecida até mesmo para o autor. O jornalista só teve acesso à história por acaso, ao prestar consultoria à Comissão Nacional da Verdade, responsável por desenterrar parte do passado brasileiro que militares e civis coniventes insistiam em manter esquecidos. Na época, Eumano Silva não conseguiu ir muito longe na apuração do caso. “A morte do diplomata” é o resultado de seu indisfarçável instinto de repórter.
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Jornalista, dramaturgo e professor universitário. Já publicou 12 livros na área acadêmica e escreveu oito peças de teatro. É um dos autores do e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx).
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