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NETFLIX | Ted Bundy e a glamourização do crime

Por Ana Paula Laux – Luzes, câmera, ação: Ted Bundy. Em “Conversando com um serial killer”, documentário da Netflix, o infame serial killer parece mais vivo do que nunca. O programa foca nos crimes que Bundy cometeu na década de 1970 e nas posteriores prisões. Tem como base várias fitas gravadas pelo próprio assassino na prisão, em entrevista aos jornalistas Stephen G Michaud e Hugh Aynesworth.

O caso repercute até hoje, talvez porque ainda seja intrigante em alguns aspectos. Como Bundy conseguiu enganar tanta gente por tanto tempo? Por que pouca gente suspeitou? Como as vítimas desapareciam sem deixar rastro? Por que foi difícil encontrar provas forenses para incriminá-lo?

 

As vítimas de Ted Bundy. (Imagem: Truthfinder)

 

Ele confessou ter matado entre 30 e 37 mulheres na vida, mas apenas 20 foram identificadas. Era perspicaz, ousado, meticuloso, tinha olhos vívidos e valia-se de uma aparência dita insuspeita, como foi relatado por ex-policiais e entrevistados. “Ele não parece que mataria uma pessoa”, é uma das falas. Então quem parece?

Um dos detetives o definiu como “Jack, o estripador americano”, notório pela espetacularização de seus crimes. O documentário expõe a ânsia de jornais e canais de televisão na cobertura do caso e como o tribunal foi transformado em um circo pela transmissão do julgamento via TV (lembrando muito o caso OJ Simpson). Difícil imaginar um juiz permitindo algo assim hoje, mas foi o que aconteceu naquela época. Bundy sabia que era filmado e sorria desagradavelmente para a câmera em vários momentos. Nada como a atenção do mundo.

 

O documentário se destaca pela entrevista com uma das vítimas, que sobreviveu a um ataque em 1974. Carol Daronch fala sobre o caso e sobre seu testemunho, dando voz a todas as mulheres que não conseguiram escapar.

 

É através dela que as vítimas ganham alguma evidência, isso porque as mulheres mortas por Bundy são citadas como dados do caso, com relances das fotografias e detalhes superficiais sobre suas vidas. O que acaba prevalecendo, lamentavelmente, é a glamourização do crime.

Com direção de Joe Berlinger, o documentário é muito bem editado, embora as fitas gravadas por Bundy estejam mais para coadjuvantes do que protagonistas da história.

Bundy foi vencido pela própria arrogância, mas ele não era especial como muitos gostam de defini-lo. Ele foi um assassino que machucou, estuprou e matou dezenas de mulheres para alimentar sua raiva misógina, causando dor e sofrimento a inúmeras famílias. Não há glamour algum nesse tipo de biografia.

 

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