Durante a era vitoriana, o papel de parede tornou-se muito popular na decoração de interiores, especialmente entre a classe média e alta.
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Era uma forma acessível de acrescentar cor e padrão aos interiores das casas, e sua popularidade cresceu com a melhoria da tecnologia de impressão.
Os padrões de papel de parede vitoriano variavam de simples a elaborados, com muitos trazendo motivos florais, geométricos ou cenas pintadas nas cores vermelho, azul, amarelo, marrom.
O verde também era muito usado, sendo que um dos pigmentos verdes mais comuns nessa época era o verde Paris ou verde-esmeralda, obtido a partir do cobre arsenical.
Esse pigmento era conhecido por ter uma cor vibrante e brilhante, o que o tornava uma escolha popular para o papel de parede. Ele era utilizado em tintas artísticas e decorativas para criar tons de verde.
No entanto, seu uso também tinha alguns efeitos colaterais preocupantes para a saúde, já que o arsênico, como todo bom leitor de Agatha Christie sabe, é um veneno letal.
Na época vitoriana em que o composto era bastante utilizado na fabricação de papel de parede, as pessoas não tinham conhecimento dos riscos de exposição.
Com o tempo, foi-se constatando que muitas pessoas ficavam doentes ou até morriam por causa da exposição ao pigmento verde Paris.
O arsênico presente no composto era liberado na forma de gás, e as pessoas que viviam em casas com papel de parede contendo este pigmento ou que tinham algum contato com o corante eram expostas a altos níveis de arsênico, o que causava intoxicação e diversos sintomas como dores de cabeça, vômitos, diarreia e insônia.
Na época vitoriana, houve vários casos de envenenamento associados ao pigmento verde Paris. Um dos mais conhecidos é o caso de Matilda Scheurer, uma jovem de 19 anos que morreu em 1874 em sua casa em Londres. A causa da morte foi atribuída à exposição a altos níveis de arsênico proveniente do pigmento verde.
Matilda era funcionária de uma oficina de fabricação de flores, e seu trabalho era espalhar o corante verde com as mãos em folhas falsas das coroas artificiais de flores. Descobriu-se mais tarde que cada coroa continha veneno suficiente para matar vinte pessoas.
Uma autópsia confirmou que o contato diário com arsênico fez com que o estômago, o fígado e os pulmões de Matilda fossem envenenados pelo pigmento verde de Paris.
Com o tempo, a comunidade científica começou a alertar sobre os perigos da utilização do verde Paris e outros pigmentos à base de arsênico, e seu uso começou a diminuir. Hoje em dia, existem leis rigorosas que garantem que os pigmentos utilizados na fabricação de materiais de decoração sejam seguros e não apresentem riscos para a saúde das pessoas.
Título: Dicionário Agatha Christie de Venenos
Autora: Kathryn Harkup
Tradução: Camila Fernandes
Páginas: 312
Editora: Darkside Books
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SINOPSE – Ao longo dos anos, a Dama do Crime montou uma biblioteca médico-legal considerável, sendo The Extra Pharmacopoeia, a obra mais completa e importante de Martindale, o livro mais consultado de sua coleção. Kathryn Harkup, com formação na área química, investiga catorze venenos usados pelos assassinos em catorze mistérios clássicos de Agatha Christie, e analisa como certos produtos químicos interagem com o corpo e por que matam. Além disso, a autora, leitora e grande fã da obra de sua homenageada, detalha os casos que podem ter inspirado Christie e a viabilidade de obter, administrar e detectar esses venenos, tanto na época em que os romances foram escritos quanto hoje.
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Ana Paula Laux é jornalista e trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com
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