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	<title>Arquivos Martin Beck -</title>
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	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
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	<title>Arquivos Martin Beck -</title>
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		<title>Nossos detetives, parte 3: O policial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2015 15:44:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Até agora em nosso trajeto, nos debruçamos sobre o poder de dedução fora do comum do detetive amador e sobre os empoeirados escritórios do detetive particular. O primeiro investiga por hobby, o segundo, pelo pão de cada dia. E durante décadas esses dois, que tanto se contrastam, foram as figuras mais representativas da literatura policial....</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone wp-image-8497 size-large" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/08/police.jpg?w=750" alt="police" width="750" height="500" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Até agora em nosso trajeto, nos debruçamos sobre o poder de dedução fora do comum do detetive amador e sobre os empoeirados escritórios do detetive particular. O primeiro investiga por hobby, o segundo, pelo pão de cada dia. E durante décadas esses dois, que tanto se contrastam, foram as figuras mais representativas da literatura policial.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Mas, se estamos falando de literatura policial, onde é que está o policial?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">É um fato curioso, mas o policial (e a Polícia), cujo trabalho é lidar com crimes, foi relegado a um segundo plano em boa parte da Era de Ouro e nas histórias de detetive hardboiled. No primeiro caso, o papel do homem da lei, de modo geral, era destacar a inteligência dos detetives amadores. Pense no Inspetor Lestrade. O policial, presente em diversos contos de Arthur Conan Doyle, estava constantemente pedindo ajuda ao amigo Sherlock Holmes, o que, mesmo Holmes jamais o considerando pouco inteligente, demonstrava sua incapacidade. E o mesmo acontecia com diversos inspetores da Scotland Yard que Hercule Poirot deixava no chinelo usando suas pequenas células cinzentas. No segundo caso, a Polícia por vezes era uma ameaça ao detetive particular, que a via com desconfiança. Para entender, basta observar a cautela com que Philip Marlowe lidava com os tiras. Há muito de malandragem e corrupção na Polícia nessas histórias.</span></p><div id="liter-2778380312" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Hoje percebemos um cenário bem diferente. Uma busca mesmo que superficial em sites dedicados ao gênero retorna séries e mais séries em que o policial tem o protagonismo e os estereótipos mencionados acima não se manifestam (ao menos não de modo generalizado e redutivista). Vamos analisar algumas características do detetive policial.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Para começar, temos as motivações. Nesse quesito, o policial se aproxima do detetive particular, uma vez que a resolução de crimes é, para ambos, um trabalho. É a natureza desse trabalho que os separa. O policial é um empregado do Estado. Ele representa a Lei de modo oficial. Na vida real, é à polícia que se recorre quando um crime acontece, ao aparato de vigilância do Estado. O detetive policial da ficção, como parte dessa instituição, não tem (teoricamente) a mesma liberdade dos detetives particular e amador, uma vez que um conjunto de regras oficiais e inerentes a sua posição marcam aquilo que ele pode e não pode fazer. Seu trabalho segue um protocolo, cuja quebra é sempre muito clara. Ao mesmo tempo que impõe limites, esse fato também lhe confere certos privilégios, como acesso a recursos do Estado para realização de seu trabalho e uma rede de informações (bancos de dados, antecedentes criminais, arquivos de impressões digitais etc.) que os outros dois detetives não têm. Além disso, estar empregado a uma instituição pública sugere que não é apenas a indivíduos que este detetive responde: é, de certa forma, a toda a sociedade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Podemos esperar que as particularidades da função figurem e tenham importância nas histórias protagonizadas por policiais: a perícia trabalhando na cena do crime, a autópsia examinando o cadáver, a burocracia que envolve pedir um mandado judicial, os constantes riscos da violência urbana, a corrupção que bate à porta. Também vemos, com certa frequência, as consequências das pressões do trabalho dificultando a vida privada do detetive policial. Consumo exagerado de álcool e cigarros, casamentos desfeitos, dificuldade no relacionamento com os filhos são apenas algumas delas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Nem sempre vemos um único detetive policial como protagonista. Há autores que optam por um protagonismo compartilhado, em que uma equipe de investigadores, trabalhando em conjunto, desvenda crimes. Essa configuração busca uma aproximação maior com a realidade, uma vez que, numa divisão policial de verdade, o trabalho é distribuído e ninguém avança sozinho.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">O método do detetive policial pode variar. Normalmente, ele consegue resultados pelo esforço: coleta de pistas, tocaia a suspeitos, interrogatórios etc. Nada impede, no entanto, que um detetive policial tenha inteligência e o poder dedutivo fora do comum, característica mais própria do detetive amador, embora casos assim sejam mais raros.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="font-size:1.45em;">Exemplos</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">A lista é longa. <strong>Jules Maigret</strong>, criação do belga Georges Simenon, talvez seja o primeiro nome a vir à mente. Não, ele não foi o primeiro personagem policial a protagonizar histórias de mistério, mas foi o primeiro cujo fato de ser policial fazia alguma diferença. Comissário da Polícia Judiciária, homem inteligente, pacato, íntegro e sempre com um cachimbo a mão, Maigret nasceu na ficção em 1929. Se há um traço marcante que podemos destacar no personagem é sua curiosidade pelo que leva uma pessoa ao crime. Em mais de 70 livros, suas investigações o levaram a todos os cantos de Paris e mais outros tantos da França, além dos EUA. (Se você quiser saber mais sobre Maigret, há uma série no site toda dedicada a ele. <a href="https://literaturapolicial.com/2015/08/03/meu-nome-e-maigret-jules-maigret-parte-1/" target="_blank">Confira aqui a primeira parte</a>.)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><img decoding="async" class="wp-image-6115 aligncenter" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/04/maigret2.jpeg" alt="maigret2" width="550" height="348" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Nos EUA, não podemos deixar de citar Ed McBain, criador da popular série do 87º Distrito Policial. Com mais de cinquenta romances, publicados entre 1956 e 2005 (ano da morte do autor), ela se destaca por retratar não apenas o trabalho policial com minúcias, mas por mergulhar nos dramas pessoais de seus &#8212; diversos &#8212; protagonistas, pessoas comuns com um trabalho a cumprir. Esse é um dos casos em que o todo importa mais que as partes: McBain faz desfilar um grande número de personagens nas páginas da série, embora mantenha um núcleo mais ou menos fechado de investigadores que desenvolve mais detidamente. Há policiais dedicados e íntegros, como o ítalo-americano Steve Carella, e outros desprezíveis e corruptos, como o Gordo Ollie Weeks. Um elenco multifacetado, como uma força policial de verdade certamente seria.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Harry Bosch, apresentado ao público no ano de 1992 em The Black Echo, é a criação mais popular do também americano Michael Connelly. O apelo do personagem é tanto que atualmente há uma série com seu nome, veiculada pela Amazon. Bosch já apareceu em 22 livros de Connelly, um dos grandes nomes da literatura policial contemporânea.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-8458 size-full" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/10/wahloo1.jpg" alt="wahloo" width="683" height="430" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Pioneiros da literatura policial sueca, uma das mais populares do mundo, o casal <strong>Maj Sjöwall e Per Wahlöö</strong> escreveu 10 romances protagonizados pelo inspetor Martin Beck. Apresentado em <a href="https://literaturapolicial.com/2015/05/18/resenha-roseanna-de-maj-sjowall-e-per-wahloo/" target="_blank">Roseanna</a>, Beck é um homem introspectivo, devotado ao trabalho e um tanto infeliz na vida pessoal, muito pela própria personalidade. Entre os suecos há ainda o também inspetor Kurt Wallander, lançado pelo escritor e dramaturgo Henning Mankell e dono da própria série de TV pela BBC. Pulando para os noruegueses, impossível não citar Harry Hole, protagonista de uma série de sucesso escrita pelo norueguês Jo Nesbø; Hanne Wilhelmsen, detetive da polícia de Oslo criada por Anne Holt; e o alto e sério Konrad Sejer, da poeta e romancista Karim Fossum.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Na Europa, há ainda muitos outros representantes da classe. Pela Inglaterra, temos Adam Dalgliesh, personagem fixo P.D. James desde 1962, e o inspetor Alan Banks, presença quase certa nos livros de Peter Robinson; Na França, destaque para o distraído, cômico e inexplicavelmente brilhante Jean-Baptiste Adamsberg, genial criação da francesa Fred Vargas, e, mais recentemente, para o Comandante Camille Verhoeven, protagonista de uma elogiada trilogia de Pierre Lemaitre; na Itália, o comissário Guido Brunetti, criação de Donna Leon; na Escócia, o popularíssimo John Rebus, de Ian Ranin.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-256 aligncenter" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/06/roza_livrosp2.jpg" alt="roza_livrosp2" width="500" height="375" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">No Brasil, o representante mais famoso é certamente o delegado Espinosa, que figura em dez dos onze livros do carioca <strong>Luiz Alfredo Garcia-Roza</strong> e <a href="https://literaturapolicial.com/2015/06/17/serie-espinosa-tem-duas-novidades-no-elenco/" target="_blank">em breve chegará à TV</a>. Também não podemos esquecer do investigador Venício (não Vinícius, cuidado porque ele se irrita quando confundem!), protagonista dos romances Informações Sobre a Vítima e Vida Pregressa, do ex-delegado paulista Joaquim Nogueira. Presente também em dois livros – Réquiem Para um Assassino e Morte na Flip –, o delegado Dornelas, criação de Paulo Levy.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Como é possível perceber, há muitos exemplos dessa categoria de detetive, e certamente a lista apresentada deixou de fora nomes importantes. Não deixe de lembrá-los nos comentários!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Chegamos ao fim de nossa série sobre detetives. Obrigado a todos por acompanharem. Aproveito para dar um spoiler da minha próxima série por aqui: será sobre os subgêneros da literatura policial. Até a próxima!</span></p>
<p style="text-align:justify;">(Imagens: divulgação, <a href="http://a.scpr.org/i/d9f6e4adfecd0e00df39fe58fe32063a/100162-full.jpg" target="_blank">scpr.org</a>)</p>
<p style="text-align:justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1576" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/09/josue2.png" alt="josue2" width="600" height="133" /></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/08/24/nossos-detetives-parte-3-o-policial/">Nossos detetives, parte 3: O policial</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Roseanna, de Maj Sjöwall e Per Wahlöö</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2015/05/18/resenha-roseanna-de-maj-sjowall-e-per-wahloo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2015 12:24:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Josué de Oliveira &#8211; De todos os subgêneros da literatura policial que conheço, apenas um relaciona-se com uma localização no planeta: trata-se do scandi crime, expressão utilizada para se referir à ficção criminal produzida nos países da Escandinávia, no norte da Europa. O termo aponta para a crescente popularização de autores nórdicos junto ao...</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/05/18/resenha-roseanna-de-maj-sjowall-e-per-wahloo/">Roseanna, de Maj Sjöwall e Per Wahlöö</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; De todos os subgêneros da literatura policial que conheço, apenas um relaciona-se com uma localização no planeta: trata-se do scandi crime, expressão utilizada para se referir à ficção criminal produzida nos países da Escandinávia, no norte da Europa. O termo aponta para a crescente popularização de autores nórdicos junto ao público aficionado por romances policiais em todo o mundo. Nomes como <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://literaturapolicial.com/2016/08/08/stieg-larsson-a-verdadeira-historia-do-criador-da-trilogia-millennium/">Stieg Larsson</a></span>, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://literaturapolicial.com/2017/11/22/boneco-de-neve-e-uma-excelente-ficcao-policial-criada-por-jo-nesbo/">Jo Nesbo</a></span>, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://literaturapolicial.com/2016/10/13/um-passo-atras-de-henning-mankell-2/">Henning Mankell</a></span>, Karin Fossum e Hakan Nesser são alguns exemplos desse fenômeno.</p>
<p>A tradição policial escandinava (e, em especial, a sueca) veio se estabelecendo ao longo de décadas, resultando na explosão mais recente. Em meio aos diversos representantes do scandi crime traduzidos para o português nos últimos anos, dois nomes que chegaram por aqui no final de 2014 merecem atenção. Trata-se do casal Maj Sjöwall e Per Wahlöö. Autores de dez livros, lançados entre os anos 60 e 70, os dois são considerados pioneiros da literatura policial sueca. Seus livros são protagonizados por Martin Beck, inspetor da polícia de Estocolmo, introduzido neste Roseanna.</p>
<p>Na trama, Beck e sua equipe são destacados para colaborar na investigação do assassinato de uma mulher anônima, encontrada durante a dragagem de um lago com sinais de violência sexual. O caso esbarra numa total falta de pistas. Seguem-se meses de trabalho minucioso e exaustivo de Martin Beck, homem de meia idade, melancólico e constantemente doente, mas obcecado pelo mistério da mulher que ninguém parece saber quem foi.</p><div id="liter-2778380312" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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</div>
<p>Se precisasse descrever o romance Roseanna numa só palavra, eu o chamaria de “simples”. Não é espetacular nem particularmente original, mas se mostra muito bem-sucedido no que se propõe. De modo geral, o que mais salta aos olhos é uma escolha incomum dos autores: não escorar a narrativa no mistério em si, mas na jornada dos policiais que devem desvendá-lo, em todas as dificuldades e percalços enfrentados por Beck para fazer a investigação caminhar.</p>
<p>Por vezes, a impressão que se tem ao ler é de que capítulos e capítulos se passam sem que nada aconteça. Em outros romances, isso poderia ser considerado uma falha, mas em Roseanna essa lentidão – que incomoda os personagens tanto quanto os leitores – faz parte do universo do livro. O trabalho de investigação é em grande medida braçal, cansativo, enfadonho, e muito tempo pode se passar antes que algum avanço ocorra. Os autores procuram dar à história esse tom mais realista, ao qual são fieis até o fim.</p>
<p>O principal atrativo, portanto, é observar as estratégias às quais Beck e seu grupo precisam recorrer para sair do escuro e obter pequenos sucessos, reunindo pistas pouco a pouco, num trabalho de formiga. Sjöwall e Wahlöö mostram criatividade ao retratar os personagens seguindo planos de ação minuciosos e absolutamente verossímeis dentro do contexto em que estão. Assim, as descobertas, quando ocorrem, fazem sentido e não soam forçadas. Roseanna pode não ter reviravoltas espetaculares, mas se sai muitíssimo bem na exploração dos mecanismos da investigação.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Em se tratando de personagens, o livro é pouco mais que regular. Naturalmente, Beck é o mais bem-desenvolvido, sendo os demais pouco além de enfeites, ganhando mais vida em momentos pontuais de descontração e troca de piadas. O protagonista é um homem pacato, razoavelmente inteligente, esposo e pai displicente, mas policial dedicado (a falha como homem de família, aliás, se relaciona diretamente com a profissão). Beck não é particularmente caloroso ou interessante e em diversos momentos seu descaso em relação à família é irritante e infantil. A personalidade um tanto plácida do protagonista pode ser um obstáculo para quem gosta de se apegar aos personagens, mas espero apenas vir a gostar um pouco mais dele nos próximos volumes da série.</p>
<p>Escrito numa prosa leve e objetiva, Roseanna é a porta de entrada para o universo dos pioneiros Maj Sjöwall e Per Wahlöö, onde crimes são solucionados com suor e noites viradas. Julgando por esse primeiro contato, ele me parece interessante o suficiente para render outras visitas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9465" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star4.png" alt="star4" width="98" height="22" /></span></p>
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<strong>Autores</strong>: Maj Sjöwall e Per Wahlöö<br />
<strong>Editora</strong>: Record<br />
<strong>Páginas</strong>: 256<br />
<strong>Ano</strong>: 2014<br />
<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://amzn.to/2EgY8xZ" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Compre o livro / e-book</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SINOPSE </strong>&#8211; O corpo de uma mulher de origem desconhecida é encontrado durante a dragagem de um lago na Suécia. Sem qualquer pista de quem poderia ter cometido o crime, o inspetor Martin Beck mobiliza sua equipe em uma busca internacional por um assassino sem nome e sem rosto.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/05/18/resenha-roseanna-de-maj-sjowall-e-per-wahloo/">Roseanna, de Maj Sjöwall e Per Wahlöö</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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