Um Passo Atrás, de Henning Mankell: resenha do livro com Kurt Wallander
Um Passo Atrás, de Henning Mankell, é um dos romances policiais da série protagonizada pelo inspetor Kurt Wallander. Publicado originalmente na Suécia em 1997, o livro acompanha uma investigação particularmente difícil: três jovens são assassinados durante a noite de solstício de verão e, pouco depois, um dos colegas mais próximos de Wallander também aparece morto.
O título combina uma investigação policial tensa com questões sociais e com o momento pessoal delicado vivido por Wallander, que precisa lidar com a própria saúde enquanto tenta descobrir a identidade de um assassino que parece estar sempre um passo à frente da polícia.
Nesta resenha de Um Passo Atrás, você vai conhecer a história do livro, os principais temas da obra e a opinião sobre a leitura.
Atenção: a resenha comenta acontecimentos importantes do livro e pode conter spoilers.
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Sobre o que é Um Passo Atrás?
A história começa durante o solstício de verão na Suécia.
Três amigos se encontram em uma reserva natural, vestidos com roupas do século XVIII, para comemorar a noite mais longa do ano. Sem saber que estão sendo observados, os três acabam assassinados com um único tiro cada.
Enquanto Kurt Wallander tenta descobrir quem está por trás dos crimes, acontece uma segunda tragédia: um de seus colegas mais confiáveis também é encontrado morto.
A partir daí, o inspetor percebe que os acontecimentos estão relacionados.
Ao mesmo tempo, Wallander enfrenta um momento complicado na vida pessoal. Ele está se recuperando da morte do pai e precisa lidar com a deterioração da própria saúde, enquanto a investigação exige cada vez mais de sua resistência física e emocional.
O título Um Passo Atrás funciona justamente como uma síntese da investigação: Wallander tenta acompanhar o criminoso, mas parece constantemente chegar tarde demais.
Um Passo Atrás é um livro de Kurt Wallander?
Sim.
Um Passo Atrás faz parte da série protagonizada pelo inspetor sueco Kurt Wallander, personagem que se tornou o mais conhecido da obra policial de Henning Mankell.
O romance é o sétimo livro da série principal de Wallander, publicado originalmente em 1997.
Isso significa que leitores que acompanham a trajetória do personagem já encontram aqui um investigador estabelecido, mas enfrentando novos problemas pessoais e profissionais.
Resenha de Um Passo Atrás
Um livro instigante, de tirar o fôlego
Por Raquel de Mattos
UM LIVRO INSTIGANTE, DE TIRAR O FÔLEGO – Se era pra deixar-nos sem respiração, acompanhar a dificuldade de Kurt Wallander de lidar com a sua nova condição médica – o diabetes – e sofrermos junto numa caçada de 500 páginas atrás de um assassino em série, Mankell conseguiu direitinho!
Pra começar, eu não estava muito empolgada com a capa do livro e só um pouquinho com o título. Mas Mankell sempre merece ser lido e – no meu caso – se tiver o inspetor Wallander então, ponto extra! Valeu a história e o nervoso que a gente passa, página por página, nas tentativas sem sucesso de ele entender o que é dito, em parte pelo cansaço causado pela doença e parte pelo cansaço de todos em procurar um lunático diuturnamente.
Mas o autor – falecido há cerca de um ano – nos pega pela mão e deixa pedrinhas brilhantes como dicas – não migalhas de pão que os passarinhos comem – e nos mostra todas as cartas que ele quer que vejamos e que Wallander e a polícia de Ystad não conseguem enxergar, mesmo que esteja diante de seu nariz! É claro que esse é o efeito que ele quer causar e a gente permite que seja desse jeito. E é por isso que o livro se chama Um Passo Atrás.
A crítica à sociedade sueca do final dos anos 1990 (o livro se passa em 1996 e foi escrito em 1997) nos faz pensar que, às vezes, Mankell fala do Brasil, como no trecho:
“Nos últimos anos, a Suécia assistia ao aparecimento de novos grupos de vigilantes, como a Guarda Civil. Wallander temia essa tendência. Quando o sistema judicial para de funcionar, a mentalidade de linchamento das massas toma conta. Fazer justiça com as próprias mãos acaba virando um ato normal”.
Wallander também se impõe em relação a uma declaração de um colega sobre homossexualidade, que deixa claro como o autor também pensa sobre este mesmo assunto, mesmo ainda chamando de preferências.
É um absurdo, nos dias de hoje, considerar a homossexualidade um ‘desvio’. Talvez nos anos 1950, mas não agora. O fato de as pessoas ainda esconderem suas preferências sexuais é outra questão”.
Alguns tópicos ficaram sem explicação, mas nada que comprometa a história… são coisas a se pensar, somente – só não vou comentar aqui, vou deixar para a leitura de cada um. Achei o final meio lento e sem graça (além de um tanto sem pé nem cabeça), dada a narrativa rápida durante as primeiras quatrocentas e tantas páginas. Parece que o autor já estava tão cansado quanto seu personagem. Mas ainda assim, merece meu respeito. Os autores suecos que li até hoje são críticos contumazes e nos dão um perfil mais humano e realista daquela sociedade que, em geral, tendemos a exaltar como modelo. Esquecemos que ela tem problemas como todas as outras, mesmo que o ponto de vista seja outro.
No geral o livro é muito bom, com momentos muito tensos (se eu estivesse no lugar dele, já teria caído fora há muito tempo!) e nenhuma cena leve, de comédia ou amor. Ao contrário, o clima é de dureza o tempo todo e isso me deixou em alguns momentos com a respiração presa. Mas agora que se acabou… Ufa! Posso respirar de novo!
Descanse em paz, Henning Mankell. O mundo da literatura sentirá sua falta, sempre!
O que se destaca em Um Passo Atrás?
Um dos grandes méritos do livro está na maneira como a investigação policial e os problemas da sociedade sueca aparecem juntos.
A história não trata apenas da descoberta do assassino. Mankell aproveita a investigação para discutir violência, justiça pelas próprias mãos, preconceito e a sensação de insegurança que pode surgir quando as instituições deixam de funcionar como deveriam.
Ao mesmo tempo, Wallander está longe de ser um investigador infalível.
Sua saúde e seus problemas pessoais interferem diretamente no trabalho, tornando a investigação ainda mais difícil.
Essa combinação entre crime, crítica social e conflito pessoal é uma das características que ajudaram a fazer da série Wallander uma referência da literatura policial nórdica.
O que significa o título Um Passo Atrás?
O título faz referência à própria investigação.
Wallander e a polícia de Ystad recebem pistas, analisam os acontecimentos e tentam antecipar os próximos movimentos do assassino. Mesmo assim, o criminoso parece sempre conseguir agir antes que os investigadores entendam completamente o que está acontecendo.
É como se a polícia estivesse constantemente um passo atrás.
Essa sensação também é importante para o leitor, que recebe informações e pistas suficientes para começar a montar suas próprias hipóteses enquanto acompanha a investigação.
A saúde de Wallander é importante para a história?
Sim.
Um dos elementos que diferenciam Um Passo Atrás é justamente o momento pessoal vivido por Kurt Wallander.
O personagem precisa lidar com problemas de saúde enquanto participa de uma investigação extremamente exigente.
A saúde passa a fazer parte da própria construção do personagem, mostrando que Wallander não é apenas um policial dedicado ao trabalho: ele também é um homem que envelhece e precisa conviver com suas próprias limitações.
A editora brasileira destaca justamente que Wallander está enfrentando o declínio da própria saúde durante a investigação.
Um Passo Atrás faz crítica à sociedade sueca?
Sim.
A crítica social é um dos elementos mais interessantes do romance.
Mankell utiliza a investigação para discutir a relação entre cidadãos e instituições, além da tendência de algumas pessoas a defenderem a ideia de fazer justiça com as próprias mãos.
Na visão apresentada no livro, quando o sistema judicial falha, pode surgir uma mentalidade perigosa de vingança e linchamento.
Essa dimensão social ajuda a diferenciar Um Passo Atrás de um simples thriller policial.
Um Passo Atrás é um Nordic Noir?
Sim, o livro se encaixa muito bem na tradição da literatura policial nórdica, especialmente pela combinação entre investigação criminal, crítica social e conflitos pessoais do investigador.
A própria edição brasileira classifica a obra como ficção policial e de mistério da literatura sueca.
Henning Mankell é também um dos escritores mais importantes para entender o desenvolvimento do policial sueco contemporâneo.
Quem é Kurt Wallander?
Kurt Wallander é o inspetor criado por Henning Mankell e protagonista da série de romances policiais ambientada principalmente na Suécia.
O personagem é conhecido por sua dedicação ao trabalho, mas também por ser profundamente humano e imperfeito.
Ele enfrenta problemas familiares, questões de saúde, solidão e dúvidas sobre a própria profissão.
É justamente essa combinação que faz de Wallander um dos investigadores mais interessantes da literatura policial nórdica.
Vale a pena ler Um Passo Atrás?
Para quem gosta de romances policiais nórdicos, investigações com serial killers e personagens policiais complexos, Um Passo Atrás é uma boa escolha.
A resenha destaca especialmente o ritmo intenso de boa parte da história, a tensão da investigação e a maneira como Mankell espalha pistas pelo caminho.
A ressalva da autora está no final, considerado mais lento e menos satisfatório do que o desenvolvimento das centenas de páginas anteriores.
Mesmo com essa crítica, a avaliação geral é positiva.
DICA DE LEITURA
Um Passo Atrás, de Henning Mankell
Título: Um Passo Atrás
Autor: Henning Mankell
Tradução: Cristina Baum
Páginas: 512
Editora: Companhia das Letras
Edição brasileira: 2016
Sinopse
Três amigos se encontram em uma reserva natural para celebrar o solstício de verão. Vestidos com trajes do século XVIII, eles não percebem que estão sendo observados.
Os três acabam assassinados com um único tiro.
Quando um dos colegas mais confiáveis de Kurt Wallander também aparece morto, o inspetor percebe que os crimes estão relacionados e inicia uma investigação para descobrir quem está por trás deles.
Ao mesmo tempo, precisa lidar com o luto pelo pai e com problemas de saúde enquanto tenta encontrar o assassino antes que ele ataque novamente.
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PERGUNTAS FREQUENTES
Sobre o que é Um Passo Atrás?
O livro acompanha Kurt Wallander durante a investigação do assassinato de três jovens durante o solstício de verão. Quando um de seus colegas também aparece morto, o inspetor percebe que os crimes estão relacionados.
Quem é o protagonista de Um Passo Atrás?
O protagonista é Kurt Wallander, inspetor de polícia criado pelo escritor sueco Henning Mankell.
Um Passo Atrás faz parte de uma série?
Sim. O livro faz parte da série protagonizada por Kurt Wallander e foi publicado originalmente em 1997.
Qual é o gênero de Um Passo Atrás?
É um romance policial e de mistério, com elementos de thriller e crítica social.
Quem escreveu Um Passo Atrás?
Henning Mankell, escritor sueco conhecido principalmente pela série de romances protagonizada por Kurt Wallander.
Quando Um Passo Atrás foi publicado?
O romance foi publicado originalmente em 1997. A edição brasileira da Companhia das Letras usada neste artigo foi lançada em 4 de fevereiro de 2016.
Quantas páginas tem Um Passo Atrás?
A edição brasileira da Companhia das Letras tem 512 páginas.
Um Passo Atrás é indicado para quem gosta de Nordic Noir?
Sim. É uma boa escolha para quem gosta de literatura policial sueca, investigações policiais, crítica social e personagens complexos.
Qual é a crítica da resenha sobre Um Passo Atrás?
A avaliação geral da resenha é positiva. A principal ressalva está no final, considerado mais lento e menos satisfatório depois de uma investigação que mantém bastante tensão ao longo da maior parte do livro.
CONCLUSÃO
Um Passo Atrás, de Henning Mankell, combina uma investigação policial tensa com um retrato bastante humano de Kurt Wallander.
O assassinato de três jovens durante o solstício de verão coloca a polícia diante de um criminoso difícil de antecipar. Quando um colega de Wallander também se torna vítima, a investigação ganha uma dimensão ainda mais pessoal.
Além do mistério, Mankell utiliza o caso para discutir violência, justiça, preconceito e os problemas existentes por trás da imagem idealizada da sociedade sueca.
A resenha de Raquel de Mattos destaca justamente esse equilíbrio entre investigação e crítica social. Sua avaliação é positiva, embora o final tenha sido considerado mais lento e menos convincente do que o restante do livro.
Para quem gosta de Kurt Wallander, literatura policial nórdica e thrillers policiais, Um Passo Atrás continua sendo uma leitura interessante — especialmente para quem quer conhecer um dos autores fundamentais do Nordic Noir.
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Carioca aquariana da gema, museóloga em Barretos (SP). Fã de Agatha Christie, descobriu diversos autores fantásticos ao longo da estrada da literatura policial. Ama café, livros e chocolate e é fácil de ser agradada!

