resenha

CRÍTICA | Flores Partidas, de Karin Slaughter


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Um livro excelente, com história extremamente triste e violenta, mas que nem por isso deixa de ter ação do começo ao fim

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Flores Partidas foi uma das gratas surpresas literárias deste ano para mim. Mas antes de falar dele, gostaria de fazer uma recomendação de um outro livro (mesma autora, mesma editora), que se chama “A Garota de Olhos Azuis”. Ele conta a história de Julia Carroll, a menina desaparecida que vai ser tema do livro “Flores Partidas”. Em “A Garota de Olhos Azuis”, a autora nos dá uma perspectiva de dentro da situação, mostrando como era Julia antes do sequestro, em 1991. Não dá spoilers, mas ajuda a entender a relação dela com suas irmãs, pais, amigos. Não chega a ser uma leitura obrigatória e um não é sequência do outro, mas ajuda bastante a entender o aspecto psicológico de Julia.

Voltando para “Flores Partidas”, o livro se passa 24 anos após o desaparecimento da irmã mais velha de Lydia e Claire. Essas duas, separadas durante todos esses anos por motivos diversos, se veem envolvidas e reunidas novamente após o marido de Claire ser assassinado. Como eu havia dito antes, a história é muito, muito triste, bastante violenta, com descrições de situações que deixam o leitor tenso, mas que nem por causa disso a gente tem vontade de desistir da leitura ou de pular determinada parte de descrição mais bizarra. Os temas abordados pela autora em ambos os livros (os violentos ou não) tangem assuntos que têm demandado muita movimentação nas redes sociais, como o feminismo, o estupro, snuff porn, o posicionamento político de jovens e produtos transgênicos, por exemplo. É muito interessante ver frases sobre esses assuntos inseridas com muita propriedade e muito contexto no corpo do texto. A autora faz isso de forma magistral e ao mesmo tempo muito natural, deixando a mensagem ali exposta para todos, sem parecer uma imposição, quase como uma mensagem subliminar e que grava no cérebro do leitor a importância de se discutir tópicos tão atuais, mesmo quando eles se passavam em 1991. Foi uma grande sacada que já me fez ficar fã de Karin Slaughter.

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Mais uma forma interessante de apresentar os textos foi colocada aqui – e eu adoro isso! Intercalada em alguns capítulos, temos uma série de cartas que o pai de Julia, Sam, escreveu para sua primogênita caso um dia ela retornasse. São cartas marcantes, delicadas e cheias de sentimentos, em que o pai escreve à guisa de diário/informações importantes para a filha, que a ajudaria a compreender aquele momento que eles passaram sem ela. A presença de Julia permeia todo o livro; é quase como se ela estivesse ali ao lado das irmãs, pois seu desaparecimento coincide com o de outra menina, no tempo presente, fazendo com que um fantasma ou um espírito-guia ajude Lydia e Claire.

A construção de cada um dos personagens é feita para que os nossos sentimentos por eles variem de acordo com o desenrolar da história. A carga emocional é dosada de modo que possamos ter uma dimensão do que cada um está sentindo ou fazendo, sem que isso seja de forma piegas. Lydia, a irmã do meio que teve sérios problemas com drogas no passado e que hoje se mantém sóbria, tem um jeito bastante peculiar de pensar, o que inclui amar comer e fazer isso sem nenhum pudor, mesmo na frente das Mães – grupo de mulheres socialites da escola que sua filha frequenta. Ela é fantástica! Claire pode parecer um tanto ingênua e desamparada no começo, mas desenvolve algumas habilidades após a morte de seu marido, que faz com que tenhamos força junto com ela, fazendo-a passar, ao lado de sua irmã, todos os tipos de infortúnios e obstáculos que vão aparecer durante as 461 páginas do livro, acompanhando suas evoluções.

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Com muita propriedade, Karin desenvolve uma trama adulta com laçadas fortes que nos prendem do início ao fim. A narrativa é concisa, a ação acontece o tempo todo e as pontas são bem amarradas, com pequenas exceções que não comprometem, mas que os leitores mais desejosos de minúcias (tipo eu), fiquem sedentos por mais e mais. Fiquei sentindo falta de mais informações sobre a psicopatia (se é que é esse o nome para o que acontece) de alguns personagens. Mas, como disse, nada que impeça a leitura clara e fluida, que me deixou em êxtase. Já quero ler tudo dela!

Nota máxima para o livro! O único senão fica para a informação da editora: na orelha do livro eles escrevem que Julia era a irmã caçula dos Carroll, o que na verdade era o oposto – Julia era a irmã mais velha, sendo Lydia a do meio e Claire a mais nova das três. Abraços literários! Até à próxima!

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partidasTítulo: Flores Partidas
Autora: Karin Slaughter
Páginas: 464
Editora: Harper Collins Brasil
Este livro no Skoob

SINOPSE – Quando Lydia contou para a irmã que o cunhado havia tentado estuprá-la, Claire não acreditou. Dezoito anos depois, porém, tudo o que Claire achava saber sobre o marido se provou uma mentira. Quando vídeos escondidos no computador de Paul mostram uma face terrível do homem que ela julgava conhecer, Lydia percebe que o drama de sua família tem muitas camadas que precisarão ser descobertas antes que a assustadora verdade por fim venha à tona.

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3 replies »

  1. O primeiro livro que da autora foi o Cega e, até hoje, é um dos mais violentos que já li. Aquele livro me chocou tanto e olha que eu leio bastante livro no estilo porque curto. Mas engraçado, que da série em si, eu não gostei muito. Tentei ler outro livro, acho que a continuação direta de Cega e abandonei no começo de tão chato.
    Mas então, daí que eu li o A Garota de Olhos Azuis porque estava grátis na Kobo e fiquei com muita vontade de ler Flores Partidas. Depois dessa resenha, subiu mais um pontinho na vontade. E bem que eu tava achando estranho mesma essa informação da Julia na sinopse…

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  2. Oi, Andrea! Obrigada pelo seu comentário! 😀
    Eu li somente estes dois livros que eu citei (Garota e Flores) e estou com Tríptico na lista. Vi alguns comentários parecidos com o seu sobre Cega e todos também dizem que Tríptico é imperdível. Não conheço bem o trabalho da autora, mas gostei do que li e com certeza vou ler mais alguns!
    Quanto à Garota de Olhos Azuis, eu o achei fantástico também e, apesar de curtinho, a autora não deixa nada escapar e a leitura é profunda. Em Flores Partidas ela tem que desenvolver a Julia (para quem não a conheceu no livro anterior), suas irmãs, a mãe, os respectivos maridos… Por isso o livro foi mais longo, mas ainda assim, muito bem amarrado, sem deixar aquela sensação de vazio que nos acompanha quando o autor não dá a profundidade necessária a algum item e ficamos esperando por ela!

    Grande Abraço!

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