resenha

RESENHA | O casal que mora ao lado, Shari Lapena


Anne e Marco Conti são convidados para um jantar na casa dos vizinhos Cynthia e Graham, que está de aniversário. Atendendo ao pedido da vizinha, eles não levam sua filha Cora junto, já que Cynthia não suporta bebês. Mesmo com o cancelamento da babá em cima da hora, eles decidem deixar Cora em casa, já que eles estariam ali do lado, levariam a babá eletrônica e a cada meia hora um dos dois iria até o quarto da bebê ver se está tudo bem. Mas quando eles voltam para casa Cora não está no seu berço.

Esta é a premissa de O casal que mora ao lado, o thriller de estreia de Shari Lapena, publicado no Brasil pela editora Record. Como o sequestro da menina já ocorre no primeiro capítulo, o que se segue nas próximas páginas é a investigação do caso, revelações sobre o passado e o presente de Anne e Marco, segredos, mentiras, intrigas… enfim, tudo o que uma história de suspense tem direito.

 

A narrativa de Lapena é bem objetiva, sem descrições e contextualizações excessivas. O lado bom é que a história flui em um ritmo mais rápido que o normal. O lado ruim é que deixa o leitor muito distante de tudo o que está acontecendo.

 

Não é possível se identificar ou torcer pra qualquer um dos personagens. Mesmo com a sensação inicial de que qualquer um ali poderia ser culpado, o leitor não se preocupa, porque a impressão é de que ninguém ali presta mesmo.

Nas primeiras páginas eu me perguntei se a autora conseguiria segurar o mistério do responsável pelo rapto ao longo das quase 300 páginas do livro. Felizmente ali pela página 100 o leitor já tem esta confirmação e o mistério passa a ser outro. Foi nesse ponto que a história ficou mais interessante, a leitura fluiu com mais naturalidade e me interessei um pouco mais pelo desdobramento da trama.

Contudo, quando se aproximou da reta final, a autora caiu em alguns clichês desnecessários e voltei a torcer o nariz para a narrativa. Eu nem chegaria a dizer que o final é bom ou ruim, ele é desnecessário. Se o livro tivesse acabado um capítulo antes seria previsível, morno, mas ainda teria alguma dignidade. Deu pra perceber que a autora construiu uma narrativa paralela para levantar suspeitas sobre um dos personagens e, depois do mistério resolvido, precisou dar algum sentido aos fatos levantados. O leitor podia terminar o livro sem essa.

Outra coisa que deixou a trama meio insípida foi a escolha de um narrador onipresente e onisciente. Se a história tivesse sido contada do ponto de vista do investigador Rasbach, por exemplo, poderia deixar o leitor mais instigado a desvendar os fatos junto do personagem. Sem contar que daria um pouco mais de utilidade à figura do investigador. Rasbach criou uma expectativa de que em algum momento ele teria uma grande sacada e mostraria que todas as suspeitas do leitor estavam erradas. Mas isso não acontece e a história fica sem surpresas.

A premissa de O casal que mora ao lado é interessante, mas as escolhas da autora deixaram a trama simples e previsível. É um livro pra quem gosta de leituras rápidas e objetivas, mas não traz nada de extraordinário ao gênero.

Título: O casal que mora ao lado
Autor: Shari Lapena
Editora: Record
Páginas: 294
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SINOPSE – É o aniversário de Graham, e sua esposa, Cynthia, convida os vizinhos, Anne e Marco Conti, para um jantar. Marco acha que isso será bom para a esposa; afinal, ela quase nunca sai de casa desde o nascimento de Cora e da depressão pós-parto. Porém, Cynthia pediu que não levassem a filha. Ela simplesmente não suporta crianças chorando. Marco garante que a bebê vai ficar bem dormindo em seu berço. Afinal, eles moram na casa ao lado. Podem levar a babá eletrônica e se revezar para dar uma olhada na filha. Tudo vai dar certo. Porém, ao voltarem para a casa, a porta da frente está aberta; Cora desapareceu. Logo o rapto da filha faz Anne e Marco se envolverem em uma teia de mentiras, que traz à tona segredos aterradores.

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