ENTREVISTA | Cesar Alcázar fala sobre o Safra Vermelha, novo selo de literatura policial

 

O escritor, editor e tradutor Cesar Alcázar é um dos grandes incentivadores da literatura policial no país. Junto a Cristiane Marçal e Jorge Ghiorzi, é responsável pelo primeiro festival literário do gênero, o Porto Alegre Noir, que já está na segunda edição.

Em abril, mês que acontece o festival na capital gaúcha, foi anunciado que um novo selo de literatura policial, o Safra Vermelha, seria lançado em parceria com a Avec Editora. Nesta entrevista, conversamos com ele sobre o novo selo, as expectativas para o mercado editorial em uma época de crise e os próximos lançamentos.

Leia abaixo.

 

Entrevista

 

1. Como surgiu a ideia de criar um selo de literatura policial?

Essa é uma ideia que surgiu quando eu ainda estava na Argonautas Editora. Chegamos a fazer uma experiência, a antologia Crimes Fantásticos. Assim como o Duda Falcão, meu sócio na Argonautas, adoro coleções literárias, principalmente aquelas séries de bolso publicadas nos anos 60 e 70. Com o aumento do meu interesse em literatura policial ao longo dos anos, também cresceu minha vontade de fazer uma coleção do gênero. As grandes editoras do país, L&PM, Record, Cia das Letras… tiveram suas coleções. Porém, nos últimos tempos, elas andaram meio esquecidas. Então pareceu a hora certa para criar algo nesse sentido. O Artur Vecchi, da AVEC Editora, gostou da ideia e começamos essa parceria.

 

2. Qual é a sua participação nessa iniciativa?

Sou o curador do selo, digamos assim, já que a palavra “editor” aqui muitas vezes se confunde com a posição do dono da editora (que no mercado internacional seria o publisher). Seleciono os autores, defino temas das antologias e as organizo.

 

 

3. Quais serão os próximos títulos? Vocês já podem revelar alguma coisa?

Já temos mais quatro títulos em andamento. Esperamos, se tudo der certo, lançar dois deles ainda em 2019: “Fronteiras”, uma antologia com três novelas que reúne um autor da Argentina (Nicolás Ferraro), um do Uruguai (Rodolfo Santullo) e um do Brasil (eu serei o representante daqui); e “Ratos de Cemitério – Os Casos Estranhos do Detetive Steve Harrison”, que compila quatro histórias policiais de Robert E. Howard, mais lembrado como o criador de Conan, o Bárbaro. Howard escreveu para os mais diversos gêneros publicados pelas revistas pulp, e não poderia ter deixado de escrever contos policiais. Mas, sendo Howard, ele deu uma cara mais fantástica e aventuresca ao estilo, e Steve Harrison é um detetive que se sente tão à vontade com um machado quanto com um revólver.

 

4. Como você vê o mercado editorial hoje no Brasil, neste momento de crise? E mais especificamente o mercado da literatura policial?

O mercado editorial hoje é uma incógnita. Sabemos que ele vai ter que se modificar, se adaptar, mas não sabemos ainda como. É um momento de experiências. O próprio selo Safra Vermelha já foi pensado levando em conta o cenário atual. Pretendemos fazer tiragens pequenas e investir mais em impressão sob demanda, ebooks e vendas diretas ao público.

Já a Literatura Policial vive um bom momento no Brasil. Percebo um movimento semelhante ao que aconteceu com a Literatura Fantástica dez anos atrás. Muitos autores estão surgindo, editoras estão apostando no gênero. O mercado dos independentes cresceu bastante também, alguns dos principais nomes no mercado hoje são independentes. E tenho visto uma participação maior de autores policiais nos eventos.

 

5. Que impacto um selo como o Safra Vermelha quer ter na produção literária nacional?

Desejamos que o Safra atraia mais atenção para a nossa produção local e da América Latina também, que ele ajude a vencer estereótipos e preconceitos ainda persistentes em relação ao gênero. Também é uma ideia ressaltar o lado mais político da Literatura Policial. A escolha do nome Safra Vermelha, uma homenagem ao escritor e ativista de esquerda Dashiell Hammett, evidencia nossa escolha. A Literatura Policial é uma bela ferramenta para dissecar as mazelas de nossa sociedade. E quando se pode fazer isso aliado à diversão, não há nada melhor.

 

(Foto: Zuza Seffrin)

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