Verde-Paris: o pigmento mortal da era vitoriana
Durante a era vitoriana, o papel de parede tornou-se muito popular na decoração de interiores, especialmente entre a classe média e alta.
LEIA MAIS
Todos os livros de Freida McFadden em ordem cronológica
Quais os principais venenos usados nos livros de Agatha Christie?
TRUE CRIME | 16 livros sobre crimes reais na história
Era uma forma acessível de acrescentar cor e padrão aos interiores das casas, e sua popularidade cresceu com a melhoria da tecnologia de impressão.
Os padrões de papel de parede vitoriano variavam de simples a elaborados, com muitos trazendo motivos florais, geométricos ou cenas pintadas nas cores vermelho, azul, amarelo, marrom.
O verde também era muito usado, sendo que um dos pigmentos verdes mais comuns nessa época era o verde Paris ou verde-esmeralda, obtido a partir do cobre arsenical.
Esse pigmento era conhecido por ter uma cor vibrante e brilhante, o que o tornava uma escolha popular para o papel de parede. Ele era utilizado em tintas artísticas e decorativas para criar tons de verde.
No entanto, seu uso também tinha alguns efeitos colaterais preocupantes para a saúde, já que o arsênico, como todo bom leitor de Agatha Christie sabe, é um veneno letal.
Na época vitoriana em que o composto era bastante utilizado na fabricação de papel de parede, as pessoas não tinham conhecimento dos riscos de exposição.
Com o tempo, foi-se constatando que muitas pessoas ficavam doentes ou até morriam por causa da exposição ao pigmento verde Paris.
O arsênico presente no composto era liberado na forma de gás, e as pessoas que viviam em casas com papel de parede contendo este pigmento ou que tinham algum contato com o corante eram expostas a altos níveis de arsênico, o que causava intoxicação e diversos sintomas como dores de cabeça, vômitos, diarreia e insônia.

Na época vitoriana, houve vários casos de envenenamento associados ao pigmento verde Paris. Um dos mais conhecidos é o caso de Matilda Scheurer, uma jovem de 19 anos que morreu em 1874 em sua casa em Londres. A causa da morte foi atribuída à exposição a altos níveis de arsênico proveniente do pigmento verde.
Matilda era funcionária de uma oficina de fabricação de flores, e seu trabalho era espalhar o corante verde com as mãos em folhas falsas das coroas artificiais de flores. Descobriu-se mais tarde que cada coroa continha veneno suficiente para matar vinte pessoas.
Uma autópsia confirmou que o contato diário com arsênico fez com que o estômago, o fígado e os pulmões de Matilda fossem envenenados pelo pigmento verde de Paris.
Com o tempo, a comunidade científica começou a alertar sobre os perigos da utilização do verde Paris e outros pigmentos à base de arsênico, e seu uso começou a diminuir. Hoje em dia, existem leis rigorosas que garantem que os pigmentos utilizados na fabricação de materiais de decoração sejam seguros e não apresentem riscos para a saúde das pessoas.
DICA DE LEITURA
Título: Aqua Tofana
Autora: Cathryn Kemp
Páginas: 368
Editora: Darkside Books
Compre o livro
SINOPSE – Na Roma do século XVII, Giulia Tofana comanda um círculo secreto de envenenadoras, distribuindo uma poção fatal para libertar mulheres de maridos abusivos. Entre sombras e bruxaria, os corpos se acumulam, atraindo a fúria da Inquisição e de um novo Papa. Giulia precisará de ousadia para manter sua sororidade letal viva. Uma reimaginação histórica fascinante sobre vingança, poder e sobrevivência.
Share this content:

Ana Paula Laux é jornalista e trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book “Os Maiores Detetives do Mundo” (Chris Lauxx). Contato: [email protected]





1 comentário