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	<title>Arquivos mario conde -</title>
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	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
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	<title>Arquivos mario conde -</title>
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		<title>Paisagem de Outono, de Leonardo Padura</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/01/10/paisagem-de-outono-de-leonardo-padura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rogerio Christofoletti]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jan 2017 15:41:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[boitempo editorial]]></category>
		<category><![CDATA[cuba]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Rogério Christofoletti – Você pode até não concordar, mas o outono é a estação mais triste do ano.</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/01/10/paisagem-de-outono-de-leonardo-padura/">Paisagem de Outono, de Leonardo Padura</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><em>Por Rogério Christofoletti</em> – Você pode até não concordar, mas o outono é a estação mais triste do ano. As folhas caem, as árvores ficam esqueléticas e o vento insiste em arrastar nossos pensamentos para longe. O cenário é melancólico e a vida parece simplesmente ser sugada pela terra. Claro, é passageiro, afinal se trata de um período do ano, transitório e relativo. Leonardo Padura sabe disso e não foi à toa que planejou concluir sua tetralogia em “Paisagem de Outono” nessa época do ano. Era necessário conduzir seu personagem mais famoso a um ponto em que não fosse mais possível voltar, uma espécie de ápice, de ponto de mutação definitivo. O tenente investigador Mario Conde chega onde sempre quis, mas isso não é necessariamente uma boa notícia.</p>
<p>Lançado pela Boitempo, o livro era inédito até então no Brasil, e lá se vão vinte anos desde que surgiu nas livrarias cubanas. Antes dele, vieram “Passado Perfeito”, <a href="https://literaturapolicial.com/2015/07/22/ventos-de-quaresma-de-leonardo-padura/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ventos de Quaresma</a> e “Máscaras”. Juntos, os quatro volumes compõem a série “Estações Havana” e pela primeira vez desembarcam em nossas prateleiras apresentando o ciclo completo do melancólico detetive que desfila pelas desgastadas ruas da capital cubana.</p>
<p style="text-align: justify;"><img  title="" fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16614 size-full" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/01/paisagem31.jpg"  alt="paisagem31 Paisagem de Outono, de Leonardo Padura"  width="639" height="408" /></p>
<p>Se você é daqueles que lê livros sequenciais respeitando a ordem, sabe que Conde estreia na literatura em plena ressaca, com a cabeça latejando de rum e o coração arrebatado de amor. Três livros depois, amadurecido e desesperançoso, nosso herói surge em “Paisagem de Outono” em cima de uma laje, sem camisa, transtornado, gritando para os céus. Sim, está novamente encharcado de rum, e sua ira tem nome e endereço: Félix, o furacão que está nas vizinhanças prestes a destruir seu bairro. Mas não só: na iminência de completar 36 anos, Mario Conde acaba de pedir baixa da polícia num daqueles gestos constantemente sonhados mas sempre adiados. Quer morar na praia e escrever livros, quem sabe uma história sórdida e comovente sobre o amor que os homens têm entre si?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>[su_quote]O leitor tem nas mãos um romance policial, e uma artimanha vai colocar o policial demissionário de novo nas ruas, pronto para solucionar um último caso.[/su_quote]</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um importante burocrata cubano dos anos 70 e que havia deserdado aparece morto de forma muitíssimo suspeita. Responsável por obras de arte que o governo confiscava dos endinheirados, Miguel Forcade boia numa das praias de Havana, aparentemente morto por golpes na cabeça e sem os genitais! Por que mataram aquele homem? Por que voltou ao país? Como enganou as autoridades locais? Terá sido vingança?</p>
<p>Mario Conde irá nos contar, não sem antes provar os deliciosos manjares de Josefina, protagonizar porres homéricos com seus amigos de sempre, pensar sobre a vida, seus amores e mistérios, e nos oferecer mais uma absoluta homenagem à ilha mais corajosa do mundo. Há uma outra homenagem que merece registro: ao longo da trama, Leonardo Padura espalha elementos narrativos que remetem inevitavelmente a “O Falcão Maltês”, de Dashiel Hammett. Aliás, Padura também dedica o livro a ele, entre outras pessoas. Que o leitor fique avisado: vai tropeçar em ambição desmedida, traição, sexo, objetos de arte valiosos e homens de coração de pedra (sim, temos isso também em <a href="https://literaturapolicial.com/2015/11/11/leonardo-padura-e-o-elogio-a-heresia-nossa-de-cada-dia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Hereges</a>).</p>
<p>A central de polícia já não é mais a mesma, seu superior – major Rangel, o Velho – não está no comando, e é tempo de fazer escolhas de vida que foram relegadas até então. Mas os amigos de Conde são os mesmos e esse estranho amor que nos faz guardar certas pessoas – e que chamamos de amizade – é uma ideia poderosa nesta história. Para quem segue a vida do tenente, é divertido reencontrar Manolo, Magro Carlos, Andrés, Candito e Tamara, sem contar o peixe-de-briga Rufino e o cachorro Lixeira. Na companhia deles, somos convidados a refletir sobre o próprio sentido de felicidade e sobre o que resta em existências comuns como as nossas.</p>
<p>Muito para uma novela policial? Nem um pouco. Tudo é na medida. Até mesmo os charutos indizíveis e o contrabandeado uísque de primeira. Um dos mais importantes nomes da literatura cubana, Leonardo Padura nos oferece generosas oportunidades para revisar o caráter humano e as condições que o moldam. Félix, o furacão insinuante, é uma excelente metáfora do que teremos adiante no que chamamos de vida real. No começo de novembro de 1989, poucas semanas após os acontecimentos de “Paisagem de Outono”, teremos a queda do Muro de Berlim e nada será como antes. Nem para Conde, os cubanos, os brasileiros ou qualquer terráqueo. Fortes ventos arrastam ideias, mas também trazem notícias e arrancam nossas certezas dos cercados. Furacões deixam rastros que não se pode ignorar, e as memórias que tatuam em nossas mentes são igualmente indeléveis.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ss&amp;ref=as_ss_li_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=B01NGUFHFD&amp;asins=B01NGUFHFD&amp;linkId=4b65ece31269d6fad7094721841b3d32&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=true" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>Esta edição da Boitempo tem ainda dois trunfos memoráveis: a caprichosa tradução de Ivone Benedetti (autora do ótimo <a href="https://literaturapolicial.com/2016/09/07/cabo-de-guerra-de-ivone-benedetti/">Cabo de Guerra</a>) e um texto do próprio Padura contando a gênese de seu personagem mais amado. É confessional e quase mediúnico. Uma fresta da intimidade de Conde e seu criador, nascidos no mesmo dia (!) e testemunhas/cúmplices de tantas ilusões, incertezas e temores.</p>
<p>Para quem ainda não foi devidamente apresentado ao tenente investigador Mario Conde, uma recomendação: leia os volumes da série “Estações Havana” na sequência para que a cena final de “Paisagem de Outono” alcance o patamar merecido. E não se surpreenda em sorrir ao mesmo tempo em que uma lágrima descer sem qualquer cerimônia.</p>
<p style="text-align: justify;"><img  title="" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-11297" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/11/parceria_boitempo.jpg"  alt="parceria_boitempo Paisagem de Outono, de Leonardo Padura"  width="226" height="70" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<h4 style="text-align: justify;">SOBRE O LIVRO</h4>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Paisagem-outono-Outono-Esta%C3%A7%C3%B5es-Havana-ebook/dp/B01NGUFHFD/ref=as_li_ss_il?_encoding=UTF8&amp;qid=1560425096&amp;sr=8-1&amp;linkCode=li3&amp;tag=literaturapol-20&amp;linkId=2a1ccf3172ee8c25e73de3f4a20fe550" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img  title=""  alt="q?_encoding=UTF8&amp;ASIN=B01NGUFHFD&amp;Format=_SL250_&amp;ID=AsinImage&amp;MarketPlace=BR&amp;ServiceVersion=20070822&amp;WS=1&amp;tag=literaturapol-20 Paisagem de Outono, de Leonardo Padura" decoding="async" class="alignleft" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;ASIN=B01NGUFHFD&amp;Format=_SL250_&amp;ID=AsinImage&amp;MarketPlace=BR&amp;ServiceVersion=20070822&amp;WS=1&amp;tag=literaturapol-20" border="0" /></a><img  title="" decoding="async" style="border: none !important; margin: 0px !important;" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=literaturapol-20&amp;l=li3&amp;o=33&amp;a=B01NGUFHFD"  alt="ir?t=literaturapol-20&amp;l=li3&amp;o=33&amp;a=B01NGUFHFD Paisagem de Outono, de Leonardo Padura"  width="1" height="1" border="0" /><strong>Título</strong>: Paisagem de Outono<br />
<strong>Autor</strong>: Leonardo Padura<br />
<strong>Tradução</strong>: Ivone Benedetti<br />
<strong>Páginas</strong>: 248<br />
<strong>Editora</strong>: Boitempo Editorial<br />
<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://amzn.to/2WDpo4O" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Compre o livro</a><br />
<a style="color: #0000ff;" href="https://amzn.to/2F77P2u" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Compre o e-book</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SINOPSE</strong> – Na iminência de um furacão que ameaça assolar Havana – e na ressaca de um outro furacão que acaba de virar de pernas para o ar a Central de Polícia em que trabalha –, o investigador Mario Conde está prestas a completar trinta e seis anos e se vê diante de uma oportunidade de reconstruir sua vida e seus sonhos. Porém, primeiro ele precisa realizar uma última e hercúlea tarefa: descobrir o assassino de Miguel Forcade, ex-funcionário do governo cubano que havia desertado para Miami nos anos setenta e subitamente reaparecera em Cuba, sem maiores explicações. Em seus tempos áureos, Forcade havia sido responsável por decidir o destino de inúmeras obras de arte confiscadas das famílias burguesas que deixaram a ilha após a Revolução. O que teria ele vindo buscar? E por que fora tão brutalmente morto, com toques sádicos de vingança? Como todas as obras de Padura, este quarto volume da série Estações Havana é uma ode de amor a Cuba e ao povo cubano, assim como à força da amizade.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g Paisagem de Outono, de Leonardo Padura" alt='Rogerio Christofoletti' src='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/monitorando/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rogerio Christofoletti</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista, dramaturgo e professor universitário. Já publicou 12 livros na área acadêmica e escreveu oito peças de teatro. É um dos autores do e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx).</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="http://christofoletti.com/" target="_self" >christofoletti.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/01/10/paisagem-de-outono-de-leonardo-padura/">Paisagem de Outono, de Leonardo Padura</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Minissérie baseada na obra policial de Leonardo Padura estreia no Netflix</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2016/12/14/minisserie-baseada-na-obra-policial-de-leonardo-padura-estreia-no-netflix/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Dec 2016 15:35:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[séries de tv]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>NOIR CUBANO &#8211; Estreou este mês no Netflix a minissérie &#8220;Quatro Estações em Havana&#8221;, uma adaptação da tetralogia do escritor</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/12/14/minisserie-baseada-na-obra-policial-de-leonardo-padura-estreia-no-netflix/">Minissérie baseada na obra policial de Leonardo Padura estreia no Netflix</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-16264 size-full" style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:0;margin-bottom:30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/12/havana.jpg"  alt="havana Minissérie baseada na obra policial de Leonardo Padura estreia no Netflix"  width="639" height="359" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;"><strong>NOIR CUBANO</strong> &#8211; Estreou este mês no Netflix a minissérie &#8220;Quatro Estações em Havana&#8221;, uma adaptação da tetralogia do escritor cubano Leonardo Padura com o detetive Mario Conde. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">A série de quatro episódios narra o dia a dia do policial cubano, mítico personagem de Padura, pelas ruas de Havana durante a década de 1990. Filmada em Cuba pelo canal espanhol TVE, traz Jorge Perrugorría no papel de Mario Conde, direção de Felix Viscarret e roteiro de Leonardo Padura em parceria com sua esposa, Lucia López Coll.</span></p>
<p style="text-align:center;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16266 size-large" style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:30px;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/12/havana2.jpg?w=639"  alt="havana2 Minissérie baseada na obra policial de Leonardo Padura estreia no Netflix"  width="639" height="359" />Jorge Perrugorría é o detetive Mario Conde em &#8220;Quatro estações em Havana&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">A coleção Estações Havana com quatro volumes foi lançada em novembro no Brasil, pela Boitempo Editorial. Três dos quatro livros já tinham saído anteriormente pela Companhia das Letras – “Passado Perfeito”, <a href="https://literaturapolicial.com/2015/07/22/ventos-de-quaresma-de-leonardo-padura/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ventos de Quaresma</a> e “Máscaras”. Faltava “Paisagem de Outono”, que chegou às estantes nacionais e tem na escritora Ivone Benedetti a sua tradutora.</span></p>
<p style="text-align:justify;">(Imagens: Divulgação, <a href="http://blog.lancamentosnetflix.com.br/2016/12/estreia-nesta-sexta-serie-espanhola.html">blog Netflix</a>)</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<h2 style="text-align:justify;">Assista ao trailer</h2>
<p style="text-align:left;">[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=5wKryjeI9VM&amp;w=726&amp;h=590]</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 Minissérie baseada na obra policial de Leonardo Padura estreia no Netflix"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/12/14/minisserie-baseada-na-obra-policial-de-leonardo-padura-estreia-no-netflix/">Minissérie baseada na obra policial de Leonardo Padura estreia no Netflix</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Leia com exclusividade um trecho de “Máscaras”, de Leonardo Padura</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2016/10/31/leia-com-exclusividade-um-trecho-de-mascaras-de-leonardo-padura/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Oct 2016 12:39:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rogério Christofoletti &#8211; Depois do sucesso de “O Homem Que Amava os Cachorros” (2013) e Hereges (2015), a Editora</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2016/10/31/leia-com-exclusividade-um-trecho-de-mascaras-de-leonardo-padura/">Leia com exclusividade um trecho de “Máscaras”, de Leonardo Padura</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-15126 " style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:0;margin-bottom:30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/10/image0071.jpg?w=639"  alt="image0071 Leia com exclusividade um trecho de “Máscaras”, de Leonardo Padura"  width="580" height="599" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;"><strong>Por Rogério Christofoletti</strong> &#8211; Depois do sucesso de “O Homem Que Amava os Cachorros” (2013) e <a href="https://literaturapolicial.com/2015/11/11/leonardo-padura-e-o-elogio-a-heresia-nossa-de-cada-dia/">Hereges</a> (2015), a Editora Boitempo movimentou-se para adquirir os direitos para publicar a série inicial com o detetive-tenente Mario Conde, o mítico personagem de Leonardo Padura.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">Três dos quatro livros já tinham saído no Brasil pela Companhia das Letras &#8211; “Passado Perfeito”, “Ventos de Quaresma” e “Máscaras”. Faltava “Paisagem de Outono”, que finalmente chega às estantes nacionais e tem na escritora Ivone Benedetti (<a href="https://literaturapolicial.com/2016/09/07/cabo-de-guerra-de-ivone-benedetti/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cabo de Guerra</a>, Boitempo, 2016) a sua tradutora.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 style="text-align:center;">A tetralogia, batizada como Estações Havana,<br />
desembarca de uma só vez neste mês de novembro</h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">Os livros receberam novos tratamentos de edição e tradução, além de projeto gráfico que dá unidade ao conjunto, o que ainda não havia sido feito antes também.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-15135 size-full" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/10/screenhunter_1284-oct-30-18-52.jpg"  alt="screenhunter_1284-oct-30-18-52 Leia com exclusividade um trecho de “Máscaras”, de Leonardo Padura"  width="639" height="269" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">São as quatro estações do mais celebrado escritor cubano da atualidade, e mostram o amadurecimento do detetive que anseia se tornar escritor, revelando uma Havana charmosa e ainda presa aos grilhões do passado. Amores, crimes, livros, bebedeiras homéricas e um senso de justiça implacável. Uma curiosidade: nos Estados Unidos, os livros da coleção não foram associados às estações do ano, mas a cores: Havana Blue, Red, Black e Gold…</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>O literaturapolicial.com antecipa agora um trecho de “Máscaras”, o terceiro volume da coleção</strong></h3>
<p><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15132" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/10/image011.jpg"  alt="image011 Leia com exclusividade um trecho de “Máscaras”, de Leonardo Padura"  width="150" height="200" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">&#8220;O calor é uma praga maligna que tudo invade. O calor cai como um manto de seda vermelha, maleável e compacto, envolvendo os corpos, as árvores, as coisas, para injetar-lhes o veneno escuro do desespero e a morte mais lenta e segura. É um castigo sem apelações nem atenuantes, que parece disposto a devastar o universo visível, embora seu vórtice fatal deva ter caído sobre a cidade herege, sobre o bairro condenado. É o martírio dos cachorros vira-latas, doentes de sarna e desespero, que procuram um lago no deserto; desses velhos que arrastam bengalas mais cansadas que suas próprias pernas, enquanto avançam contra a canícula na luta diária pela subsistência; das árvores antes majestosas, agora vergadas pela fúria dos graus em ascensão; da poeira morta nas calçadas, saudosa de uma chuva que não chega ou de um vento indulgente, capazes de reverter com sua presença esse destino imóvel e transformá-la em lodo ou em nuvens abrasivas ou em tormentas ou em cataclismos. O calor tudo esmaga, tiraniza o mundo, corrói o que ainda é possível salvar e desperta apenas as iras, os rancores, as invejas, os ódios mais infernais, como se seu objetivo fosse provocar o fim dos tempos, da história, da humanidade e da memória&#8230; Mas como é possível fazer tanto calor, porra?, sussurrou enquanto tirava os óculos escuros para enxugar o suor que sujava seu rosto, cuspindo para a rua uma saliva grossa e escassa que rolou sobre a poeira sedenta demais.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">O suor queimava seus olhos, e o tenente Mario Conde olhou para o céu, clamando pela piedade de alguma nuvem oportuna. E foi então que os gritos de júbilo ecoaram em seu cérebro. Voavam trazendo uma algaravia densa, de coro ensaiado, que se expandiu como se tivesse brotado da terra e deslizasse contra o calor da tarde, se levantasse por um instante sobre o ronco dos carros e caminhões que corriam pela Calzada e se abraçasse sorrateiramente à memória de Conde. Mas só ao chegar à esquina é que os viu: enquanto um grupo festejava, saudando-se com tapas e mais gritos, outros discutiam, também em voz alta e com cara de poucos amigos, culpando-se mutuamente pela mesma razão que os outros eram tão felizes: estes perderam e aqueles ganharam, concluiu facilmente quando parou para olhá-los. Havia rapazes de várias idades, entre doze e dezesseis anos, de todas as cores e todos os tipos, e Conde pensou que se alguém como ele, vinte anos antes, tivesse parado naquela mesma esquina do bairro ao escutar uma algaravia parecida teria visto exatamente o que ele estava vendo: rapazes de todas as cores e todos os tipos, só que aquele ali, o que mais discutia ou festejava, certamente teria sido Condesito, neto de Rufino Conde. De repente respirava a ilusão de que ali não existia o tempo, pois aquele mesmo cruzamento servira desde então para jogar beisebol, embora em certas temporadas aparecesse, infiel e traiçoeira, uma bola de futebol ou uma cesta de basquete cravada no poste de luz. Mas em pouco tempo a bola de beisebol – no bate, na mão, no quatro-esquinas, nos três rolling-un-fly ou na parede voltava a se impor, sem maiores controvérsias, sobre essas modas passageiras: o beisebol os contagiara, como uma paixão crônica, que Conde e seus amigos sofreram em virulentas proporções.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">Apesar do calor, as tardes de agosto sempre tinham sido as melhores para jogar beisebol na esquina. A época de férias propiciava que todos estivessem no bairro em todas as horas, sem nada melhor a fazer, e o sol exacerbado do verão permitia jogar até depois das oito da noite, quando alguma partida realmente o merecia. Mas ultimamente Conde vira poucos jogos de beisebol na esquina. Os rapazes pareciam preferir outras diversões menos enérgicas e fedorentas do que essa de correr, bater na bola e gritar, durante horas, sob o sol carbonizante do verão, e ele ficava pensando o que fariam os rapazes de agora nas longas tardes de agosto. Eles, não: sempre jogavam beisebol, lembrou-se, e lembrou-se de que já não restavam muitos deles no bairro: enquanto uns entravam e saíam da prisão por crimes maiores e menores, outros tinham se mudado para lugares tão distintos entre si como Alamar, Hialeah, Santiago de las Vegas, Union City, Cojímar ou Estocolmo, e até havia um com um bilhete só de ida para o cemitério de Colón: pobre Marquitos. Por isso, embora quisessem e tivessem forças nas pernas e resistência nos braços para tanto, os daquela época nunca mais poderiam organizar outro time de beisebol ali na esquina: a vida devastara essa possibilidade, como tantas outras.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">Quando a discussão e as comemorações terminaram, os rapazes resolveram organizar outra partida, e os dois líderes evidentes do grupo se prepararam para escolher os jogadores de cada equipe a fim de redistribuir as forças e prosseguir a guerra em condições mais equânimes. Então Conde teve uma ideia: pediria a eles para jogar. Sentia-se moído pelas oito horas de trabalho no Departamento de Informação da Central de Polícia, mas eram apenas seis da tarde e preferia não voltar já para o calor solitário de sua casa. O melhor que podia fazer era jogar beisebol. Se deixassem.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">Aproximou-se do grupo, que estava em volta da tábua escolhida como home-plate, e chamou o filho do negro Felicio. Felicio era um dos que sempre jogaram com ele e, como fazia muito tempo que não o via, Conde imaginou que estaria preso de novo. O rapaz era tão negro quanto o pai e também herdara aquele cheiro de suor, abrasivo e amargo, que Conde conhecia de cor por ter a faculdade de adquiri-lo toda vez que andava com Felicio.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">– Rubén – disse então ao pretinho, que o olhava desconfiado –, você acha que eu posso jogar um pouco com vocês?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">O rapaz continuou a observá-lo como se não tivesse escutado e, depois, olhou para os amigos. Conde achou que se impunha uma explicação.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">– Faz tempo que não jogo e me deu vontade de pegar umas bolas&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">Rubén se aproximou dos outros jogadores para não ser o único a assumir o peso da decisão. Neste país é melhor consultar todo mundo, pensou Conde, enquanto esperava o veredicto. As opiniões pareciam divididas, e o consentimento demorou mais que o previsto.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">– Tudo bem – disse Rubén enfim, em sua função de intermediário, mas nem ele nem os outros pareciam satisfeitos com essa concessão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">Enquanto discutiam a formação das equipes, Conde tirou a camisa e dobrou duas vezes a barra da calça. Por sorte, naquele dia não tinha levado a pistola para o trabalho. Pôs a camisa sobre o muro da casa onde vivera o galego Enrique – morto também, fazia dez, vinte, mil anos? –, e finalmente lhe disseram que ia ficar na equipe de Rubén e servir no campo. Mas, ao se ver cercado pelos rapazes, sem camisa como eles, Conde sentiu a evidência de que tudo era absurdo e forçado demais: </span><span style="font-size:1.15em;">percebia na pele o olhar dissimulado dos jovens e pensou que talvez deviam vê-lo como o primeiro missionário chegado a uma tribo remota: era um estranho, com outras palavras e outros costumes, e não seria fácil integrar-se naquela confraria que não o solicitara, nem o queria, nem podia entendê-lo. Além disso, todos os rapazes deviam saber que era um policial e, respondendo à ética ancestral do bairro, não lhes seria especialmente agradável que outros os vissem nessas intimidades com Conde, por mais amigos que tivessem sido seus pais ou irmãos mais velhos. Sim, havia certas coisas naquela esquina que não mudavam.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">Enquanto os de sua equipe avançavam para cobrir suas posições, Conde apanhou a camisa e se aproximou de Rubén. Quis passar o braço em seus ombros, mas se conteve ao pressentir o contato de sua pele com a camada de suor que cobria o rapaz.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">– Desculpe, Rubén, mas me lembrei de que estou esperando um telefonema. Jogamos outro dia – disse.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">E se afastou para a Calzada, sentindo que o sol, vermelho, ímpio, já batendo na altura de seus olhos, queimava-lhe o corpo e a alma.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;">Sobre sua cabeça pôde ver a espada em chamas que lhe indicava a saída irreversível do paraíso irremediavelmente perdido que fora seu, e já não era nem voltaria a ser. Se aquela esquina não lhe pertencia, restaria algo de seu título de propriedade?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-15146 size-full" style="margin-top:30px;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/10/bloggif_58167a8f13d7b.gif"  alt="bloggif_58167a8f13d7b Leia com exclusividade um trecho de “Máscaras”, de Leonardo Padura"  width="400" height="400" /></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 Leia com exclusividade um trecho de “Máscaras”, de Leonardo Padura"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
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		<title>Leonardo Padura e o elogio à heresia nossa de cada dia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rogerio Christofoletti]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Nov 2015 15:38:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[boitempo editorial]]></category>
		<category><![CDATA[hereges]]></category>
		<category><![CDATA[leonardo padura]]></category>
		<category><![CDATA[mario conde]]></category>
		<category><![CDATA[parceria]]></category>
		<category><![CDATA[rogério christofoletti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Rogério Christofoletti &#8211; Existem artistas em que é possível perceber quando chegaram ao seu auge. Eles cintilam, despregam-se</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><em>Por Rogério Christofoletti</em> &#8211; Existem artistas em que é possível perceber quando chegaram ao seu auge. Eles cintilam, despregam-se dos seus contemporâneos e recebem os mais diversos rótulos, sendo o mais comum o de “gênios”. Mas existem outros que vão além. Quando percebemos que foram longe, ainda mantêm uma trajetória ascendente, sinalizando novos marcos, demonstrando vigor e força. Foi assim com José Saramago.</p>
<p>Quando lançou “O evangelho segundo Jesus Cristo”, parecia ter chegado ao topo. Que nada! Depois, viriam obras maravilhosas como “Ensaio sobre a cegueira”, por exemplo. Com Leonardo Padura, acontece o mesmo. Não bastasse ter espalhado quase uma dezena de títulos com o detetive Mario Conde, exercitando uma literatura policial com estilo e suíngue, o escritor cubano nos ofereceu “O homem que amava os cachorros”, apoiado numa pesquisa monumental e com explícito domínio narrativo. Quando pensava que Padura havia tocado o céu, caí do cavalo. “Hereges”, lançado há pouco no Brasil, é outro romance maiúsculo, daqueles que se fala por anos e anos e anos.</p>
<p>Como o próprio autor gosta de explicar, não se trata de um livro de Mario Conde, mas COM Mario Conde. Mesmo afastado da polícia há quase vinte anos, ele não perde o jeito de farejar crimes e um intrigante pintor o procura para desvendar mais um mistério: como um quadro pintado por Rembrandt há 350 anos, que pertenceu a uma família de judeus poloneses que habitavam Cuba, reapareceu em Londres para ser leiloado? A partir daí, o leitor é levado à Europa do século 17, à Havana das vésperas da Segunda Guerra Mundial, à Cuba de 2007-2008&#8230; Somos apresentados a personagens marcantes, apaixonantes e inesquecíveis: o judeu que renega a religião, o pintor que desafia seus pares para seguir um mestre, a garota emo que persegue um amor e uma causa&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ss&amp;ref=as_ss_li_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8575594478&amp;asins=8575594478&amp;linkId=55c20011f9ca5c459c3ac571e303a90b&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=true" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>“Hereges” surpreende por muitas razões. Mescla romance histórico com crítica social, não renuncia à narrativa policial e se revela um extraordinário empreendimento humanístico. Impossível não se emocionar com os acontecimentos no Porto de Havana em 1939, quando o navio Saint Louis – lotado de imigrantes judeus, que tentavam escapar das perseguições nazistas – tem que retornar à origem sem desembarcar seus passageiros.</p>
<p>O impasse alfandegário daquele episódio real é uma ferida cubana, e no final das contas, uma boa metáfora do embargo comercial e seus muitos desdobramentos até hoje. Impossível não se emocionar também com a saga judaica, narrada a partir dos Kaminskys, e da forma respeitosa e sensível com que Padura trata a relação do homem com o sagrado. O velho Joseph tenta sobreviver e se adaptar à Ilha no final dos anos 30, seu filho Daniel nega a aceitação como estratégia de sobrevivência dos judeus, vendo nela uma submissão insuportável. Por isso, afasta o cálice que vai de Abrahão ao holocausto, assumindo sua condição herege. É a eles que Padura dedica seu livro, aos não ortodoxos, àqueles que amam a liberdade, que desafiam as normas estabelecidas, que enfrentam as consequências, que não se conformam.</p>
<p>Descobrimos, então, que temos nas mãos não só o destino, mas um livro que se insinua esperançoso e devotado no que o humano pode oferecer. De bom e de ruim. Com destreza, Padura conduz seus leitores por labirintos emocionais e por um cipoal de explicações sobre a trajetória do misterioso quadro de Rembrandt, que pode tanto retratar uma das suas famosas cabeças de Cristo quanto registrar um autêntico judeu do século 17.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-9842 " style="border: 1px solid #c0c0c0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/11/padura.jpg"  alt="padura Leonardo Padura e o elogio à heresia nossa de cada dia"  width="547" height="308" /></p>
<p>É bem verdade que Mario Conde está mais cansado desta vez, mas não deixa de oferecer seu caráter e inteligência ao mastodonte com rabo de cavalo que o contrata a cem dólares por dia. Percorre Havana atrás de um passado alheio, de uma causa que resiste aceitar. O leitor vai encontrar menos ação que em outras aventuras, mas está tudo lá! Os cozidos maravilhosos de Josefina, o magro Carlos e os amigos de sempre, os porres de rum, as noites (mais brandas) de amor com Tamara&#8230;</p>
<p>Quem já se habituou, vai reconhecer as referências a outros livros de Conde, como “Passado Perfeito” e “Ventos de Quaresma”. Mas se este é o seu primeiro encontro com o investigador, mantenha a calma. Padura costura bem os capítulos, esculpe com esmero os desfechos dos parágrafos e, como sempre faz, em meio ao lirismo de muitas descrições, dispara palavrões e petardos que nos fazem gargalhar.</p>
<p>O que se percebe também é que não temos um único romance nas mãos, mas quatro em um! Padura organiza a narrativa num quadrado: os livros de Daniel, Elias, Judith e Gênesis. Ironicamente, este último – que é pra ser o primeiro dos livros! &#8211; funciona como epílogo e faz convergir as pontas soltas deixadas propositadamente pelo autor ao longo das mais de 500 páginas do volume. A trama é bem urdida, e a catedral erigida pelo escritor cubano tem suas paredes cobertas por detalhes. São paralelismos diversos, a repetição intencional de nomes (à moda de García Márquez), e um mergulho profundo nos sentimentos, com especial apreço à liberdade, essa condição tão venerada e renegada pelos humanos.</p>
<p>Sim, Padura, a arte é poder, e é com ela que se pode chegar a um sentido para a vida, para as páginas de um livro, para as escolhas que fazemos (ou deixamos de fazer) todos os dias.</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://amzn.to/2ySbxNw" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Livros e e-books de Leonardo Padura</a></span></p>
<p><em>* Livro enviado ao site pela Boitempo Editorial</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>SOBRE O LIVRO</h4>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Hereges-Leonardo-Padura/dp/8575594478/ref=as_li_ss_il?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;keywords=hereges&amp;qid=1589552729&amp;sr=8-2&amp;linkCode=li3&amp;tag=literaturapol-20&amp;linkId=8811dd9a65e016d75d8a73a86fa96919" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img  title=""  alt="q?_encoding=UTF8&amp;ASIN=8575594478&amp;Format=_SL250_&amp;ID=AsinImage&amp;MarketPlace=BR&amp;ServiceVersion=20070822&amp;WS=1&amp;tag=literaturapol-20 Leonardo Padura e o elogio à heresia nossa de cada dia" decoding="async" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;ASIN=8575594478&amp;Format=_SL250_&amp;ID=AsinImage&amp;MarketPlace=BR&amp;ServiceVersion=20070822&amp;WS=1&amp;tag=literaturapol-20" border="0" /></a><img  title="" loading="lazy" decoding="async" style="border: none !important; margin: 0px !important;" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=literaturapol-20&amp;l=li3&amp;o=33&amp;a=8575594478"  alt="ir?t=literaturapol-20&amp;l=li3&amp;o=33&amp;a=8575594478 Leonardo Padura e o elogio à heresia nossa de cada dia"  width="1" height="1" border="0" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Título</strong>: Hereges<br />
<strong>Autor</strong>: Leonardo Padura<br />
<strong>Editora</strong>: Boitempo Editorial<br />
<strong>Páginas</strong>: 272<br />
<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://amzn.to/2Z33BUh" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Compre o livro/e-book</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>SINOPSE</em> &#8211; Em seu novo livro, o escritor cubano Leonardo Padura repete a façanha do best-seller premiado O homem que amava os cachorros ao criar uma mistura de romance histórico e noir, resultado de anos de investigação sobre a perseguição aos judeus. O ponto de partida é um episódio real: a chegada ao porto de Havana do navio S.S. Saint Louis, em 1939, onde se escondiam 900 refugiados vindos da Alemanha. A embarcação passou vários dias à espera de uma autorização para o desembarque. No romance, o garoto Daniel Kaminsky e seu tio, aguardavam nas docas, trazendo um pequeno quadro de Rembrandt que pertencia à família desde o século XVII e que esperavam utilizar como moeda de troca para garantir o desembarque da família que estava no navio. No entanto, o plano fracassa, a autorização não é concedida, e o navio retorna à Alemanha, levando também a esperança do reencontro. Quase setenta anos depois, em 2007, o filho de Daniel, Elías, viaja dos Estados Unidos a Havana para esclarecer o que aconteceu com o quadro e sua família. Hereges ganhou o X Prêmio Internacional de Romance Histórico &#8220;Ciudad de Zaragoza&#8221; e foi finalista dos prêmios Médicis e Fémina.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g Leonardo Padura e o elogio à heresia nossa de cada dia" alt='Rogerio Christofoletti' src='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/monitorando/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rogerio Christofoletti</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista, dramaturgo e professor universitário. Já publicou 12 livros na área acadêmica e escreveu oito peças de teatro. É um dos autores do e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx).</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="http://christofoletti.com/" target="_self" >christofoletti.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/11/11/leonardo-padura-e-o-elogio-a-heresia-nossa-de-cada-dia/">Leonardo Padura e o elogio à heresia nossa de cada dia</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Literatura policial: lançamentos de setembro</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2015/08/28/literatura-policial-lancamentos-de-setembro/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2015 18:45:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lançamentos]]></category>
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		<category><![CDATA[arthur conan doyle]]></category>
		<category><![CDATA[Caryl Férey]]></category>
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		<category><![CDATA[Sherlock Holmes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Confira os principais lançamentos policiais, de suspense e mistério para setembro. x ESTRANGEIROS ZULU, de Caryl Férey Editora Vestígio Quando</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.25em;">Confira os principais lançamentos policiais, de suspense e mistério para setembro.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="font-size:1.45em;">ESTRANGEIROS</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-8672 size-thumbnail" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/08/zulu.jpg?w=104"  alt="zulu Literatura policial: lançamentos de setembro"  width="104" height="150" /><span style="font-size:1.25em;">ZULU, de Caryl Férey</span><br />
</strong>Editora Vestígio<strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Quando criança, Ali Neuman fugiu de sua terra natal para escapar das milícias do Inkatha, em guerra com o partido rival, o Congresso Nacional Africano. Ele e sua mãe foram os únicos membros da família a sobreviver àqueles anos de terror, e Ali carrega traumas, emocionais e físicos, que não compartilha com ninguém. Hoje chefe da polícia criminal de Cape Town, vitrine da África do Sul, Neuman tem que lidar com dois terríveis flagelos que assolam a primeira democracia da África: a violência e a AIDS. Seu trabalho se complica quando a filha de um ex-campeão mundial de rugby da elite branca é encontrada brutalmente assassinada, com vestígios de uma droga desconhecida no sangue. Ali Neuman, Dan Fletcher – o jovem braço direito do capitão zulu –, e o turbulento tenente Brian Epkeen parecem andar em círculos na investigação, seguindo uma pista falsa após a outra, enquanto a carnificina se intensifica. Ainda que o apartheid tenha sido extirpado da cena política, velhos inimigos continuam agindo à sombra da reconciliação nacional. Carregado de violência e desvelado por um texto primoroso e premiado, Zulu é um raio-x estarrecedor da realidade criminal de uma nação marcada por desigualdades e contradições. <a href="http://grupoautentica.com.br/vestigio/livros/zulu/1250" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Conheça o livro</a></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span><span style="color:#ffffff;">x</span><br />
<strong><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-8683" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/08/hereges.jpg?w=122"  alt="hereges Literatura policial: lançamentos de setembro"  width="122" height="150" /><span style="font-size:1.25em;">Hereges, Leonardo Padura</span></strong><br />
Boitempo Editorial</p>
<p style="text-align:justify;">Em seu novo livro, Leonardo Padura cria uma mistura de romance histórico e noir com a volta do detetive Mario Conde. O ponto de partida é um episódio real: a chegada ao porto de Havana do navio S.S. Saint Louis, em 1939, onde se escondiam mais de novecentos refugiados vindos da Alemanha. A embarcação passou vários dias à espera de uma autorização para o desembarque. No romance, o garoto Daniel Kaminsky e seu tio aguardavam nas docas, trazendo um pequeno quadro de Rembrandt que pertencia à família desde o século XVII e que esperavam utilizar como moeda de troca para garantir o desembarque da família que estava no navio. No entanto, o plano fracassa, a autorização não é concedida e o navio retorna à Alemanha, levando também a esperança do reencontro. Quase setenta anos depois, em 2007, o filho de Daniel, Elías, viaja dos Estados Unidos a Havana para esclarecer o que aconteceu com o quadro e sua família. Só um homem como o investigador Mario Conde o poderá ajudar.</p>
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<strong><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-8695 size-thumbnail" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/08/nemesis.jpg?w=90"  alt="nemesis Literatura policial: lançamentos de setembro"  width="90" height="150" /><span style="font-size:1.25em;">Nêmesis, Agatha Christie</span></strong><br />
L&amp;PM Pocket</p>
<p style="text-align:justify;">Após receber uma estranha carta dos advogados de seu falecido amigo Jason Rafiel, Miss Jane Marple acaba sendo convocada para uma enigmática missão, sobre a qual aparentemente não tem qualquer informação. Poderia um morto conduzir uma investigação? Jane Marple terá de seguir as pistas mais obscuras para desvendar este intrigante mistério.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x<br />
x<br />
</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-8701 size-thumbnail" style="border:1px solid #000000;margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/08/zahar_1.png?w=105"  alt="zahar_1 Literatura policial: lançamentos de setembro"  width="105" height="150" /><span style="font-size:1.25em;">O signo dos quatro, Arthur Conan Doyle</span></strong><br />
Zahar</p>
<p style="text-align:justify;">O signo dos quatro traz Sherlock Holmes confiante como nunca, e irresistivelmente atraído pelas agruras de sua cliente Mary Morsan, uma bela mulher atormentada por um passado nebuloso. Com seu caro Watson, Holmes vê-se às voltas com uma aventura repleta de elementos dramáticos: as figuras misteriosas de um pigmeu e um homem com perna de pau, uma caçada desesperada, um cão digno de confiança e uma furiosa perseguição pelo Tâmisa. Essa edição traz texto integral e 22 ilustrações originais.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">x</span><br />
<span style="color:#ffffff;">x<br />
</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="font-size:1.45em;">NACIONAIS</span></strong><span style="color:#ffffff;">x</span><br />
<img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-8698" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/08/pssica.jpg?w=103"  alt="pssica Literatura policial: lançamentos de setembro"  width="103" height="150" /><strong><span style="font-size:1.25em;">Pssica, Edyr Augusto</span></strong><br />
Boitempo Editorial</p>
<p style="text-align:justify;">Classificado como romance noir,  a narrativa se desdobra em torno do tráfico de mulheres. Uma adolescente é raptada no centro de Belém do Pará e vendida como escrava branca para casas de show e prostituição em Caiena. Um imigrante angolano vai parar em Curralinho, no Marajó, onde monta uma pequena mercearia, que é atacada por ratos d&#8217;água (ladrões que roubam mercadorias das embarcações, os piratas da Amazônia) e, em seguida, entra em uma busca frenética para vingar a esposa assassinada. Entre os assaltantes está um garoto que logo assumirá a chefia do grupo. Esses três personagens se encontram em Breves, outra cidade do Marajó, e depois voltam a estar próximos em Caiena, capital da Guiana Francesa, em uma vertiginosa jornada de sexo, roubo, garimpo, drogas e assassinatos.<span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="https://literaturapolicial.com/lancamento/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size:1.25em;">Confira mais lançamentos aqui</span></a></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 Literatura policial: lançamentos de setembro"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/08/28/literatura-policial-lancamentos-de-setembro/">Literatura policial: lançamentos de setembro</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Ventos de Quaresma, o segundo policial da série de Leonardo Padura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Laux]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2015 20:30:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[ana paula laux]]></category>
		<category><![CDATA[cuba]]></category>
		<category><![CDATA[Havana]]></category>
		<category><![CDATA[leonardo padura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O detetive cubano Mario Conde é um personagem criado por Leonardo Padura, jornalista e escritor nascido em Havana, em 1955.</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/07/22/ventos-de-quaresma-de-leonardo-padura/">Ventos de Quaresma, o segundo policial da série de Leonardo Padura</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O detetive cubano Mario Conde é um personagem criado por Leonardo Padura, jornalista e escritor nascido em Havana, em 1955. Padura é o autor de uma série com esse policial, que inicialmente foi publicada no Brasil pela Companhia das Letras e que deve ser reeditada pela Boitempo Editorial, seu selo atual. Ele ainda é autor de “O Homem Que Amava os Cachorros”, romance (que não é policial) sobre Leon Trotski e seu assassino, o catalão Ramón Mercader, e esse talvez seja o livro de maior sucesso do autor no Brasil.</p>
<p>“Ventos de Quaresma” é o segundo romance policial da série, e foi originalmente publicado em 1994, pertencente a uma realidade cada vez mais distante dos ventos cubanos atuais. Aqui Conde deve descobrir quem matou uma jovem professora de química que leciona em uma escola de Havana, encontrada asfixiada no próprio apartamento ao lado de cigarros de maconha e álcool. Restam poucas pistas para os policiais, não há internet nem profundos recursos tecnológicos e ocorre que ninguém revela inconfidências sobre a vítima assim tão fácil. Isso dificulta o trabalho de Conde e do detetive Manolo, uma investigação tão complicada quanto a própria vida afetiva do detetive revela ser.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ss&amp;ref=as_ss_li_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;language=pt_BR&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=B01N9FSDIX&amp;asins=B01N9FSDIX&amp;linkId=cac33670503cb813e33a12f10106b12c&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=true" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas quem é o detetive Mario Conde? Definindo em poucas palavras, é um homem galanteador, amante das mulheres e da vida noturna, beberrão e incrivelmente saudosista. Queria ter sido escritor, mas acabou virando policial. Tem um peixe chamado Rufino e uma vontade louca de achar uma alma gêmea. Os ventos de quaresma são também uma referência às mudanças que a vida operou na sua trajetória e dos amigos, uma lembrança das paixões que perdeu, dos caminhos que preferiu não seguir, das mulheres que deixou de amar. Quem sabe o que esses novos ventos trarão, senão tempos de renascimento?</p>
<p>É por isso que o livro é muito mais detetive e muito menos enigma, muito mais uma história que usa como desculpa o crime da professora para contar o que acontece na vida deste cubano que enxerga o mundo mudar diante de seus olhos, e que não vê os tempos e a juventude melhores que os do seu passado. Viver a solidão com Rufino, a nostalgia dos momentos, a fidelidade às amizades, a carência afetiva que praticamente toma conta do seu norte nos picos de fragilidade e as memórias da infância e suas simplicidades são a alma da história. E tem ainda as belas metáforas que Padura presenteia o leitor, nos transportando para a Havana dos anos 1990.</p>
<p>Leonardo Padura esteve no segundo semestre de 2015 no Brasil para promover seus livros (<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/watch?v=GfPpExuuiq4" target="_blank" rel="noopener noreferrer">o literaturapolicial.com fez uma entrevista com ele</a></span> na Feira do Livro de Canoas), e falou sobre <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://literaturapolicial.com/2015/06/05/romance-de-leonardo-padura-sera-adaptado-para-o-cinema/">a adaptação deste livro para o cinema</a></span>. Se for bem adaptada, certamente será uma excelente versão para as telas e espero que chegue ao Brasil. Por enquanto, recomendo o livro!<em><span style="color: #ffffff;">x</span></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-7779 size-thumbnail" style="border: 1px solid #000000; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/07/ventos2.jpg?w=93"  alt="ventos2 Ventos de Quaresma, o segundo policial da série de Leonardo Padura"  width="93" height="150" /><strong>Título</strong>: Ventos de Quaresma<br />
<strong>Autor</strong>: Leonardo Padura<br />
<strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br />
<strong>Páginas</strong>: 232<br />
<a href="http://www.skoob.com.br/ventos-de-quaresma-45154ed49485.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> Este livro no Skoob</a></p>
<p><strong>SINOPSE</strong> – Uma professora de química é assassinada em casa. Em meio à paixão por uma desconhecida, o tenente Mario Conde retorna ao cenário de sua adolescência para descobrir os vínculos da explosiva Lissette.<em><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" src="https://literaturapolicial.com/wp-content/uploads/2023/09/WOsSxJON_400x400.jpg" width="100"  height="100"  alt="WOsSxJON_400x400 Ventos de Quaresma, o segundo policial da série de Leonardo Padura"  itemprop="image"></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/analaux/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Ana Paula Laux</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx). Contato: analaux@gmail.com</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/07/22/ventos-de-quaresma-de-leonardo-padura/">Ventos de Quaresma, o segundo policial da série de Leonardo Padura</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Leonardo Padura: o detetive para uma Cuba livre</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2015/06/30/o-detetive-para-uma-cuba-livre/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rogerio Christofoletti]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2015 17:02:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[boitempo editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Feira do Livro de Canoas]]></category>
		<category><![CDATA[frei betto]]></category>
		<category><![CDATA[Havana]]></category>
		<category><![CDATA[leonardo padura]]></category>
		<category><![CDATA[Lucía Lópes Coll]]></category>
		<category><![CDATA[mario conde]]></category>
		<category><![CDATA[rogério christofoletti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rogério Christofoletti &#8211; Leonardo Padura estava espalhado pelo sofazinho preto do camarim. Tinha pela frente algumas entrevistas, sessão de</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/06/30/o-detetive-para-uma-cuba-livre/">Leonardo Padura: o detetive para uma Cuba livre</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Rogério Christofoletti</em> &#8211; Leonardo Padura estava espalhado pelo sofazinho preto do camarim. Tinha pela frente algumas entrevistas, sessão de autógrafos, debate com Frei Betto, fotos com fãs e jantar com prefeito e outras autoridades. Talvez por isso a mesinha de quitutes tenha ficado intocada, com salgadinhos ainda embalados. Talvez por isso o escritor cubano mais celebrado do momento parecesse levemente contrariado.</p>
<p>Acontece que Padura não é um homem de “talvez”. Assertivo e bem disposto, desgrudou do canto do sofá, sentou-se próximo do repórter, desmanchou a carranca, e sorriu atrás da espessa barba branca. Observado de perto por sua mulher, Lucía Lópes Coll, também escritora e roteirista e que o acompanha em todas as viagens, Leonardo Padura falou com exclusividade ao literaturapolicial.com momentos antes de subir ao palco da 31ª Feira do Livro de Canoas (RS).</p>
<p>Na rápida conversa, deixou escapar alguma desconfiança frente ao fenômeno dos policiais nórdicos, entusiasmou-se com as produções que pretendem levar seu personagem principal para o cinema e a TV, e deixou pistas de seu próximo livro. Sim, em breve, teremos mais uma ficção policial de Padura, e o que ele reserva para Mario Conde está muito mais próximo de uma nova Cuba, tão sonhada por muitos. Ao que parece, a reaproximação de seu país com os Estados Unidos vai mudar a vida do detetive mais melancólico e sedutor de Havana. Bem, de alguma maneira, esses movimentos já estão afetando a literatura do próprio Padura&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Que papel tem a ficção policial na literatura de hoje em dia?</strong><br />
Tem havido uma renovação muito importante na literatura policial nos últimos 25 ou 30 anos. É um processo que começou antes, com autores isolados e que ninguém os classificava bem. Nos Estados Unidos, estava Chester Himes com suas novelas sobre o Harlem. Na Sicília, estava Leonardo Sciascia, com as histórias da máfia. No Brasil, estava Rubem Fonseca escrevendo sobre a cidade e a violência. Depois dos anos 70 e 80, começou um movimento por uma literatura policial que se preocupava muito mais com o social do que com o mistério, o enigma e sua construção perfeita. Eram novelas que tratavam das cidades porque o mundo se tornava mais urbano. Sempre com um fundo político e uma visão, sobretudo, social. Creio que este tipo de ficção se estabeleceu e há muitos nomes: Manuel Vásquez Montalbán, Paco Ignacio Taibo… É uma literatura que funciona como crônica da vida contemporânea, contada a partir do lado mais obscuro da sociedade, que é cada vez maior. Temas como a corrupção, o narcotráfico, a violência, o medo do cidadão e o terrorismo têm sido cada vez mais adotados. Uma jornalista me perguntava há pouco sobre os autores nórdicos. Respondi: Veja, eles tiveram a sorte de contar com um grande exercício de promoção, e há três ou quatro autores muito bons, como Mankell e Arnaldur Indridason, e o resto não são tão bons. Mas se apoiaram nesse projeto promocional e também participam desse notável espaço da criação literária dos últimos 30 ou 40 anos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Falando de Mario Conde. O que este personagem oferece para os leitores que outros detetives não trazem?</strong><br />
Ele traz o olhar cubano, uma pegada cubana, um sentido de que nenhuma sociedade é perfeita. Mario Conde vive numa sociedade socialista, onde a propaganda é oficial, onde durante muitos anos se falava que não existia corrupção. Cuba é um país onde até poucos anos não havia prostituição, não da sua forma mais comum. Havia drogas, mas a minha geração não as conheceu. Então, é uma sociedade que tinha suas imperfeições, mas ocultas. Nas novelas policiais cubanas, não havia personagens seriais antes de Mario Conde. Ele se dedica a olhar para o lado oculto da sociedade, a partir das esferas do poder. Por isso, há vice-ministros, militantes da juventude ou do partido, embaixadores, empresários, e eles estão envolvidos nessas novelas. O que tem funcionado muito do personagem é o seu lado humano, e uma visão de Cuba que desagrada a algumas pessoas, mas que é bastante próximo da realidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Já foram sete livros com Mario Conde&#8230;</strong><br />
Oito! Embora <a href="https://literaturapolicial.com/2015/11/11/leonardo-padura-e-o-elogio-a-heresia-nossa-de-cada-dia/">Hereges</a> não seja um livro de Mario Conde, mas com ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Sim, mas por que voltar a Conde, após escrever sobre Trotski em “O homem que amava os cachorros”?</strong><br />
Porque Mario Conde e a realidade cubana é uma combinação que me agrada muito. Através do olhar desse personagem, posso conseguir para mim e depois oferecer ao leitor uma perspectiva muito próxima da realidade e da visão que tem o cidadão cubano comum. Mario Conde não é um sujeito comum por muitas razões. A primeira é que é um personagem totalmente literário, com sua melancolia, nostalgia, frustrações, seu desejo de ser escritor, seu sentido ético. É um tipo bastante especial. Mas ele representa bem a forma do que é ser cubano. Alguém me perguntava: por que Mario Conde está sempre rodeado por seus amigos? Bom, nós cubanos somos gregários, gostamos de andar em grupo, e Conde se complementa com esse grupo! E todos me servem para oferecer essa imagem que quero da realidade cubana. Em “Hereges”, eu tinha um mistério com um quadro que Rembrandt pintou há 350 anos, e para busca-lo não conheço ninguém melhor que Mario Conde!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-7452 size-full" style="border: 1px solid #000000; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/06/entrevista_padura.jpg"  alt="entrevista_padura Leonardo Padura: o detetive para uma Cuba livre"  width="600" height="339"></p>
<blockquote><p>&#8220;Me perguntam: aonde vai chegar Mario Conde? Respondo que vai chegar ao dia 17 de dezembro de 2014, algumas horas antes do anúncio de que Cuba e Estados Unidos restabelecem relações. Porque a partir deste momento começa um processo na sociedade cubana, que é muito lento, mas que vai trazer mudanças.&#8221;</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Consegue imaginar este personagem numa Cuba livre e de economia de mercado, haja vista a recente aproximação entre a ilha e os Estados Unidos?</strong><br />
Sim, sim. Penso em escrever mais algumas novelas com ele. De fato, comecei a escrever um livro. E me perguntam: aonde vai chegar Mario Conde? Respondo: Vai chegar ao dia 17 de dezembro de 2014, algumas horas antes do anúncio de que Cuba e Estados Unidos restabelecem relações. Porque a partir deste momento começa um processo na sociedade cubana, que é muito lento, mas que vai trazer mudanças. Quero fechar com um momento simbólico que termina nesse dia. Toda a pesquisa que estou fazendo e que quero escrever tem a ver com o estado da sociedade cubana nesse período. É uma novela que terá um elemento importante que vem do passado que não é decisivo para o argumento, mas importante para o desenvolvimento da história. O fundamental vai ser a viagem de Mario Conde pela escala social cubana que é bem diferente de há 25 ou 30 anos. Vou falar de um país que segue sendo socialista, de partido único, de ideologia marxista, mas com uma sociedade onde já existem ricos e muito pobres. Os ricos não são muito ricos, são ricos cubanos (risos). Mas os pobres são muito pobres! Tudo isso é o fundamento da novela, amarrado a uma trama com acontecimentos para os personagens. Não vai ser tão chato como te contei aqui agora.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Já está em processo de escrita então?</strong><br />
Sim, mas tive que parar porque, como você sabe, nos últimos dois anos, eu e Lucía temos nos dedicado a escrever os roteiros da série televisiva de Mario Conde que se está gravando em Cuba. É um sonho que começou há 15 anos, quando um diretor espanhol me disse em casa que queria fazer um filme com uma das novelas de Mario Conde. “Tenho produtores que me apoiam, vamos começar a escrever um projeto&#8230;” E fizemos um roteiro e aquilo se frustrou porque não havia dinheiro. Depois, trabalhamos com produtores espanhóis, franceses, italianos, norte-americanos, e não se concretizava. Finalmente, conseguimos. Os primeiros quatro livros que formam a tetralogia inicial de Conde [Passado Perfeito, Ventos de Quaresma, Máscaras, Paisagem de Outono] vão virar episódios para a televisão de 90 minutos, e Ventos de Quaresma vai para o cinema. Basicamente, Lucía escreveu os roteiros e eu fui completando o trabalho. É uma produção espanhola com participação alemã, um diretor espanhol e roteiro cubano, o que garante que a história e o ambiente cubanos sejam verossímeis. O elenco também é cubano, com exceção de um ou outro ator por razões de contrato, <a href="https://literaturapolicial.com/2015/06/05/romance-de-leonardo-padura-sera-adaptado-para-o-cinema/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">e Jorge Perugorría no papel de Mario Conde</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=qf_sp_asin_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8575594478&amp;asins=8575594478&amp;linkId=a659ac16264a7cf2f5720ba36555269c&amp;show_border=false&amp;link_opens_in_new_window=true&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Uma última pergunta. Há alguns anos, o senhor escreveu um texto que se tornou famoso. Nele, desabafava que queria ser Paul Auster, um escritor para quem não se pergunta sobre o governo do seu país. O senhor acaba de ganhar o Prêmio Princesa de Astúrias de Literatura, o mesmo que Auster venceu em 2006, e Cuba e Estados Unidos começam a se reaproximar. O senhor ainda quer ser Paul Auster?</strong><br />
(risos) Sim, estou me aproximando dele. É verdade! Olha, fiquei três dias ao telefone respondendo aos jornalistas sobre esse prêmio que é muito conhecido na Espanha e no mundo. Eu dizia a eles: Vamos falar do prêmio e dos meus livros, afinal ele me foi dado como escritor e não como político. Mas era inevitável que me perguntassem dessas relações entre Estados Unidos e Cuba. Mas sim, prefiro falar da realidade cubana na minha literatura e <a href="https://literaturapolicial.com/2015/06/29/padura-esbanja-simpatia-em-canoas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">em ocasiões como esta aqui</a>, de divulgação, falar de meus livros porque sobre a realidade cubana podem falar muitas outras pessoas. Mas sobre a minha literatura, falo eu! Quando me perguntam sobre Cuba, respondo porque acredito que tenho uma responsabilidade civil com aquela sociedade. Ainda mais agora! Este prêmio me dá uma visibilidade importante, e como cidadão, como homem e que tem a possibilidade da palavra, creio que também devo falar de Cuba. Mas gostaria muito mais de fazê-lo pelos meus livros e pela literatura, e não em conteúdos políticos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(Imagens: Ana Paula Laux)</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img  title=""  alt="87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g Leonardo Padura: o detetive para uma Cuba livre" alt='Rogerio Christofoletti' src='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/87f28085d29f672a5c343e268eeb037a666688496455d0254804e2942865a66b?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/monitorando/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Rogerio Christofoletti</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Jornalista, dramaturgo e professor universitário. Já publicou 12 livros na área acadêmica e escreveu oito peças de teatro. É um dos autores do e-book &#8220;Os Maiores Detetives do Mundo&#8221; (Chris Lauxx).</p>
</div></div><div class="saboxplugin-web "><a href="http://christofoletti.com/" target="_self" >christofoletti.com/</a></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2015/06/30/o-detetive-para-uma-cuba-livre/">Leonardo Padura: o detetive para uma Cuba livre</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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