O Cavalariço da Providence, de Georges Simenon

O Cavalariço da Providence, de Georges Simenon

 

Por Ana Paula Laux – Em O Cavalariço da Providence (Le Charretier de la Providence), romance policial de George Simenon, a trama é sobre o assassinato de Mary Lampson, uma bela mulher encontrada estrangulada misteriosamente em uma cocheira. O caso é investigado pelo comissário Maigret, e seus desdobramentos acontecem entre os canais franceses de Dizy e Vitry-le-François.

O livro é aclimatado num horizonte arenoso e pesado, de dias quase sempre chuvosos entre balsas, rebocadores e eclusas. Mary Lampson é uma mulher rica, e causa estranheza seu corpo ser encontrado num lugar tão incomum, ao lado de cinco cavalos e uma pilha de palha.

No ambiente de balseiros e embarcações, Maigret tenta compreender as poucas pistas que encontra. Elas têm pouca conexão com o caso. Sua dúvida inicial é: como uma mulher usando vestido de seda, pérolas nas orelhas e sapatos de camurça foi parar em uma cocheira?

A busca por suspeitos se concentra no marido da vítima – um coronel reformado do Exército que perpassa os canais a bordo do iate Southern Cross, bebendo e curtindo a vida. Junto a ele estão um marujo russo, um secretário e amante da vítima e a viúva de um deputado chileno. Há ainda os balseiros de embarcações vizinhas, como a Providence e a Eco III, e potenciais suspeitos em terra.

O crime não tem motivo aparente e ninguém parece disposto a falar sobre o assunto. Sem respostas, Maigret ainda precisa interrogar suspeitos fora do seu ambiente de trabalho, no camarote de barcos, em cafeterias e no quarto do pequeno hotel onde se hospeda. Ele também persegue o itinerário das balsas em uma bicicleta alugada, tentando entender a reação das pessoas e traduzir seus silêncios. Suas desconfianças se confirmam após detalhes descobertos nos últimos capítulos, quando finalmente resolve o caso.

Uma curiosidade é que Simenon conheceu o vilarejo de Dizy em 1924, durante uma de suas primeiras viagens pela França com o pequeno barco “Le Ginette”. Ele escreveu a história no verão de 1930, e lançou o livro em março do ano seguinte.

Mais curiosidades

a) O vilarejo de Dizy fica a 140km a leste de Paris;
b) Será que Simenon faz uma homenagem a Edgar Allan Poe no livro? Uma das personagens chama-se “Marie Dupin” (referência ao detetive Auguste Dupin);
c) A história já foi adaptada para a TV em 1980, na série francesa “Les enquêtes du commissaire Maigret”, com Jean Richard no papel do Comissário Maigret.

 

SOBRE O LIVRO

Título: O cavalariço da Providence
Autor: Georges Simenon
Tradução: André Telles
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 136
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SINOPSE – O que primeiro vem à mente quando se fala em Georges Simenon são os números: ele escreveu mais de quatrocentos livros, que venderam mais de 500 milhões de exemplares e foram traduzidos para cinquenta idiomas. Para o cinema foram mais de sessenta adaptações. Para a televisão, mais de 280. Simenon foi um dos maiores escritores do século XX. Entre seus admiradores, figuravam artistas do calibre de André Gide, Charles Chaplin, Henry Miller e Federico Fellini. Em meio a suas histórias policiais, figuram 41 “romances duros” de alta densidade psicológica e situados entre as obras de maior consistência da literatura europeia. Em O cavalariço da Providence, o comissário Maigret está sob a chuva perto de um canal. Uma mulher bem vestida, Mary Lampson, foi estrangulada num estábulo ali perto. Por que sua vida hedonista e cheia de glamour teve um fim brutal num lugar ermo como esse? Decerto seu marido taciturno, Sir Walter, sabe alguma coisa – ou talvez as respostas estejam com a tripulação da balsa Providence.

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