bellini e o labirinto

Entrevista: Tony Bellotto lança “Bellini e o Labirinto”


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BELLINI GOT THE BLUES – Já faz tempo que os fãs de Remo Bellini não topam com o detetive pelas livrarias do país. Ao menos não na seção de lançamentos, perseguindo pistas pelos inferninhos de São Paulo, a trilha de My Baby’s Gone ecoando ao fundo e Dora Lobo com uma nova missão em mãos. Criado pelo guitarrista Tony Bellotto, o último caso do personagem foi “Bellini e os Espíritos”, em 2005. Desde então, ele escreveu outros três livros sem o detetive (Os Insones, No Buraco e Machu Picchu), manteve a agenda de shows com o Titãs e também a apresentação do programa ‘Afinando a Língua’, no Canal Futura. Mas como diria Bellini, “existe uma qualidade indispensável ao detetive: a paciência”. E é para os pacientes que agosto chega com uma boa notícia: Bellini voltou.

No quarto livro da série o detetive vai parar em Goiânia, numa trama sobre sequestro, assassinatos, o universo sertanejo e o césio 137, até hoje considerado o maior acidente radioativo no mundo ocorrido fora de usinas nucleares. Nesta entrevista exclusiva, Tony Bellotto falou sobre a retomada da série policial, a personalidade de Bellini e seus livros favoritos.

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Depois de nove anos sem novidades sobre Remo Bellini, sai em 15 de agosto, pela Companhia das Letras, o novo romance policial da série com o detetive. Como foi o processo de criação de “Bellini e o Labirinto”? E por que tanto tempo sem lançar uma história com o personagem?
O Bellini andou meio sumido. Não sei se ele sumiu de mim ou fui eu que sumi dele, mas por alguns anos não me inspirei a escrever histórias do detetive. Talvez por ter participado de algumas mesas literárias em que escritores policiais mais pareciam interessados em “puzzles” e espécies de veneno, eu acabei me concentrando em fazer outras coisas, como o No Buraco e o Machu Picchu, por exemplo. Nunca quis ficar refém de um personagem. Mas há coisa de dois anos o Andre Conti, editor, me convidou a escrever uma HQ do Bellini com o quadrinista Pedro Franz. O Andre inclusive tinha uma ideia, uma aventura do Bellini já mais velho, que se passa em algum lugar de um futuro próximo. Gostei da ideia e escrevi “Bellini e o Corvo”, que deve sair no ano que vem. E então o Bellini voltou com tudo, foi localizado em Goiânia, e escrevi Bellini e o Labirinto de supetão, em apenas três meses.

Bellini, tal qual Philip Marlowe, será um eterno solteirão?
Sim, não consigo ver o Bellini casado, ele é um homem essencialmente solitário. Mas que ele não saiba disso, pois é um romântico no fundo, e nutre a ilusão de que um dia encontrará a mulher certa.

Em uma palestra recente, você disse que Bellini ‘transfere uma doçura não imaginada no momento da concepção’. Neste novo livro, o detetive mantém um lado terno ou mostra-se um personagem mais áspero?
O Bellini tenta sempre ser áspero e desiludido, como o citado Marlowe, e quase sempre consegue sê-lo. Mas o outro “pai” literário do Bellini, além do Philip Marlowe, é o Arturo Bandini, do Fante. E o Bandini é sempre muito doce, mesmo quando tenta ser duro. Acho que é uma característica de descendentes de italianos. Há sempre uma ternura quase piegas rondando tudo.

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Tony Bellotto.

“Na infância, preferia o Monteiro Lobato, Stevenson e o Melville. Gostava também do Robinson Crusoé e do Dom Quixote. E então descobri Rubem Fonseca e Bukowsky na adolescência e tudo mudou.”

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Como você enxerga o cenário do gênero no Brasil hoje? Existe um movimento crescente no país ou apenas autores dispersos fazendo literatura policial?
Sinto que a literatura policial vive um bom momento no Brasil. O Bellini voltando, livro novo do Garcia-Roza, a estreia do Raphael Montes…

Você disse em entrevistas que gostava de escrever desde pequeno. Quais autores ou gêneros lia quando criança? Literatura policial já estava entre os gêneros favoritos?
Eu lia Agatha Christie e Conan Doyle quando criança, mas a literatura policial não era das favoritas – e não é até hoje, confesso. Na infância eu preferia o Monteiro Lobato, o Stevenson – Ilha do Tesouro – e o Melville, com Moby Dick. Gostava também do Robinson Crusoé e do Dom Quixote. E então descobri Rubem Fonseca e Bukowsky na adolescência e tudo mudou.

Até que ponto eventos factuais influenciam no andamento da sua escrita? Você fica atento a manifestações da opinião pública ou sua obra tem um caráter estritamente fictício?
Eventos factuais às vezes podem inspirar as tramas: uma notícia de jornal, um crime real, etc. Mas o resto é pura ficção.

Hoje em dia, há inúmeras séries dedicadas ao universo do mistério, espionagem e crime nas grades de canais da TV paga. Você acompanha esse tipo de programa? Tem alguma série favorita?
Gosto muito, e meu favorito é Breaking Bad.

Há planos para que “Bellini e o Labirinto” vá parar nas telas de cinema? Se sim, pode falar mais sobre isso?
Não há planos, mas estou aberto a propostas.

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