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Bellini e o labirinto, de Tony Bellotto


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Por Ana Paula Laux – Após 25 anos de investigações, Remo Bellini continua ácido, mulherengo, duro, beberrão e musical. Amante incondicional do blues, mergulha com a mesma vontade nos acordes de John Lee Hooker e nos gemidos melódicos de Janis Joplin, mesmo que a memória já não seja das melhores. Em “Bellini e o labirinto”, ele reaparece no quarto romance policial da série de Tony Bellotto.

Dessa vez, a história acontece entre Goiânia e São Paulo, esta ainda é o ninho do detetive mesmo que ele mantenha a mesma vida solitária, emocionalmente instável e sem perspectivas de um futuro promissor. Contratado para intermediar o sequestro de um cantor sertanejo, Bellini viaja até Goiânia para tentar salvar Brandão, segunda voz da dupla Marlon & Brandão. Nada pode prepará-lo para o imprevisível: o cantor é morto durante a operação de resgate (e isso não é spoiler não! a informação faz parte da sinopse oficial), num desfecho que se mostra uma armadilha arquitetada especialmente para ele. A música sertaneja vira uma desculpa para elogiar figurões como Chitãozinho e Xororó, mas também é mote para dar umas cutucadas, como quando cita “os penteados no estilo bagaço de cana” de outros sertanejos.

O primeiro ambiente é Goiânia, terra do acidente radiológico com o Césio 137, a tragédia de 1987 considerada até hoje o pior acidente dessa natureza. A personagem mais legal é Marianne da Ira, despojada e uma das várias mulheres de Bellini, uma alma problemática que inspira citações roqueiras e apaixonadas (Jimi Hendrix tem apenas um “m”, e não dois, como aparece no livro). O nome é uma homenagem a Mariane Faithfull, cantora da década de 1960 famosa também por ter namorado Mick Jagger no auge dos Rolling Stones. No decorrer dos capítulos, as ações transformam-se, direta ou indiretamente, em peças do quebra-cabeças que explicará a morte de Brandão e o envolvimento de Bellini no caso do sequestro.

Alguns lugares e figuras essenciais reaparecem no labirinto de Bellini, como a sempre doce Dora Lobo (Dora? – Não, é a Nair Bello, puta que o pariu! Claro que sou eu. Por que não atende o celular?), a hacker Gisele e o bar Luar de Agosto, coladinho na quitinete dele na esquina da rua Peixoto Gomide com a alameda Santos. Apesar da natureza do crime ivnestigado a história tem um verniz suave, uma leveza sentida nas tiradas de Bellini.

Criado pelo músico Tony Bellotto em 1995, Remo Bellini estreou em “Bellini e a Esfinge” e, no cinema, foi vivido por Fábio Assunção. Por enquanto não há planos de adaptação do livro para o cinema, mas o autor já se mostrou aberto a propostas, como revelou em entrevista para o literaturapolicial.com. Boa pedida, boa série!

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Título: Bellini e o Labirinto
Autor: Tony Bellotto
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 280
Ano: 2014
Este livro no Skoob

SINOPSE: O tempo passou, mas Bellini ainda mora sozinho num apartamento na região da avenida Paulista, coração de São Paulo. Algumas manias também permanecem, como almoçar todos os dias no Luar de Agosto, boteco próximo à sua casa. O crime para o qual será atraído, no entanto, não tem nada de comum. Depois de receber um telefonema de Marlon, parte da famosíssima dupla sertaneja Marlon & Brandão, Bellini terá de sair da sua conhecida São Paulo e viajar ao coração de Goiânia, onde se verá embrenhado num universo de música sertaneja, césio-137, intriga e pelo menos uma dama fatal.

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