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10 regras de Dennis Lehane para ser escritor


Dennis Lehane é um dos mais bem sucedidos escritores da atualidade. Criador da série com os detetives Patrick Kenzie e Angela Gennaro – o primeiro livro foi Um Drink Antes da Guerra –, seu trabalho mais conhecido talvez seja o romance Sobre Meninos e Lobos, que foi belamente adaptado para o cinema por Clint Eastwood.

Para além das tramas policiais, Lehane também tem transitado no universo dos roteiristas. Com tanta experiência acumulada, ele tem bagagem suficiente para falar sobre as necessidades da carreira de escritor.

Por isso, traduzimos essa lista com 10 regras de Dennis Lehane para ser escritor, originalmente publicada no jornal The Telegraph. Veja se você concorda.

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1. Leia tudo que você conseguir colocar suas mãos

Nós éramos operários. Não havia livros. Havia algumas enciclopédias – eu sempre digo que foi o dia em que meu pai não viu o vendedor chegando. E havia uma Bíblia. Li a Bíblia de cabo a rabo quando eu era criança. A Bíblia é um incrível apanhado de histórias. Então minha mãe ouviu das freiras -, provavelmente a única coisa boa que uma freira disse para mim – que eu gostava de ler. Ela me levou para a biblioteca. Até este dia, eu sou um grande benfeitor das bibliotecas. Sem as bibliotecas eu não estaria sentado aqui.

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2. Escreva pela necessidade de escrever

Comecei a escrever quando eu era pobre demais para sair e me divertir. Eu estava vivendo em uma pequena comunidade na Flórida, onde meus pais tinham uma pequena casa. Estava sem dinheiro e ficando na casa deles. Eu tinha 25 anos e não tinha dinheiro algum. Aí eu disse, ‘Vou escrever para me entreter’.

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3. Não há nada errado em ter um ego “titânico”

Pessoas que conheci que são ególatras no trabalho são aquelas com quem quero trabalhar. Elas sabem por que estão na área. Não são inseguras, não voltam para casa se sentindo inferiores e não fazem disso um problema para todos. As pessoas com os piores egos são as piores no trabalho.

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4. Acredite que você está escrevendo algo bom, mesmo que ninguém ache

Sabíamos que estávamos fazendo algo especial (na série The Wire), embora ninguém estivesse nos assistindo. Isso não importava para a HBO. Sério, eles estavam na onda, “Se pudéssemos encontrar outra coisa para substituí-los nós faríamos, mas não temos nada agora então continuem criando sua historinha sobre Baltimore”. Com The Wire, todo ano achávamos que a série ia ser cancelada. Tínhamos certeza que a 4ª temporada ia ser a última, e é por isso que ela é a melhor.

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5. Tenha um ouvido para o diálogo

Onde eu cresci, todo mundo sabia “italizar”. As pessoas sabiam valorizar a palavra certa numa frase. Eu estava morando em Miami e senti que perdia a alma de Boston. Voltei para casa e acabei encontrando um amigo meu. Eu disse, ‘Como você anda?’, e ele disse, ‘Estou bem, mas na verdade eu fui esfaqueado. Eu não sei o que você andou ouvindo, mas ser esfaqueado pode abater um cara.” ‘Não sei o que você andou ouvindo’, como se você tivesse a impressão de que ser esfaqueado é como uma massagem com pedras quentes – e em seguida vem a subestimação grosseira de “que pode abater um cara’. E não ‘eu estava rezando para o meu Deus’ ou ‘meus intestinos estavam pegando fogo’.

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6. A aprovação dos pais não é tão importante

Meu velho dormiu durante todos as minhas três adaptações para o cinema. Ele dormiu durante Sobre Meninos e Lobos, levantou-se no final e disse: ‘Oh, sua mãe disse que esse era sombrio’. Ele dormiu durante Medo da Verdade e disse, ‘Oh, sua mãe disse que você usou aquela palavra com F muitas vezes nesse”. E então, com Ilha do Medo ele disse: ‘Sua mãe não sabia que diabos tratava esse filme.’ Ele nunca leu nenhum dos meus livros e todo mundo acha isso tão triste. O que meu pai teria dito sobre isso é, ‘Seu irmão trabalha em uma prisão, mas você não me vê indo lá.”

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7. Escreva uma cena que te emocione

Dave é para mim o herói de Sobre Meninos e Lobos (a história de um homem perseguido pelo abuso que sofreu na infância). Trabalhei com vítimas de abuso na infância por anos e se você você for molestado, as suas chances de se tornar um abusador de crianças sobem vertiginosamente. Dave luta contra esse caminho até o fim. Ele tem uma atração por crianças e ele luta contra isso. Mas eu tive que fazer justiça à cena onde se vê essa atração. É até hoje a coisa mais difícil que eu já escrevi. Trabalhei na cena por dezesseis horas e quando terminei eu fechei meu escritório e não olhei pra isso por uma semana.

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8. Se Clint te chamar, não diga não
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Despedi meu agente de Hollywood porque eu não queria vender Sobre Meninos e Lobos. Mas Clint conseguiu atravessar minhas defesas. Uma das maiores piadas em Hollywood é, se você atender o telefone eles vão dizer, ‘Fulano de tal está na linha, pode esperar?”. Eles colocam uma assistente pra te chamar e ver que você está lá, estúpido o suficiente pra atender o seu próprio telefone. Eles são as únicas pessoas que te ligam e te deixam na espera. Clint só liga.

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9.  Ignore os críticos, porque o que eles sabem mesmo?

(Sobre a adaptação de Ilha do Medo, por Martin Scorsese) Achei que ele realmente captou o espírito da coisa. O livro é o meu menos realista. É um livro sobre livros – as irmãs Bronte, Mary Shelley, o grande neo-gótico Patrick McGrath – e filmes B dos anos 1950. E o Scorsese captou isso. Ele percorreu todo o caminho do gonzo (formato jornalístico desenvolvido por Hunter S. Thompson) nesse filme. Soube no momento em que eu vi: ‘Isto vai emputecer um monte de gente’. Pensei que o crítico de cinema do New York Times fosse infartar na página, ele foi tão balístico sobre o assunto. Mas se você sabe porque faz algo, então eu acho que você pode se sentir bem com a reação das pessoas.

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10. Nunca se sinta confortável em ser rico

É estranho. É uma coisa surreal. Eu ainda não me sinto 100% confortável quando estou em lugares chiques. Eu sinto como se fosse derrubar um copo ou algo assim. Vou te dar um exemplo de como esquizofrênico é. Um cara me cortou no trânsito umas semanas atrás e ele estava dirigindo um Range Rover. Eu disse, ‘Claro. Ele está dirigindo um Range Rover. Típico’. E então eu percebi que eu estava dirigindo o meu Range Rover.

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(Imagem:  Gaby Gerster)

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