colunista

Social Killers.com, de R.J. Parker e J.J.Slate


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Um catálogo de predadores virtuais
Rogério Christofoletti

 

Que o mundo é um lugar muito perigoso todos sabem. Que a internet é um ótimo local para encontrar pessoas também. Mas “Social Killers.com” oferece um panorama muito assustador de como criminosos buscam suas vítimas na rede mundial. O subtítulo dado na versão brasileira editada pela Darkside Books dá uma boa medida do que o leitor vai encontrar: “Amigos virtuais, assassinos reais”. Portanto, não se trata de um romance policial ou de qualquer ficção do tipo. Talvez o mais apropriado seja classificar “Social Killers.com” como um bestiário de criminosos, uma coletânea com 33 casos escabrosos de quem se deixou seduzir na web e acabou sem vida. São histórias recentes e ocorridas, na maior parte das vezes, nos Estados Unidos. Mas são contados também episódios da Alemanha, Japão e Austrália, o que derruba a ideia de que esse tipo de crime só acontece entre os norte-americanos…

Habituados a escrever sobre crimes espetaculares e serial killers, R.J. Parker e J.J.Slate fazem desfilar personagens sombrios, doentios e violentos, como John Edward Robinson, o “primeiro serial killer da internet”, os “assassinos da Craig List” ou “o assassino do Facebook”. Mas para o pânico geral há os personagens surpreendentes, que estariam acima de qualquer suspeita: o vizinho que faz caridade, o jovem frequentador de igreja, o tio abstêmio, a prima pacata e discreta… Gente aparentemente normal que se relaciona com desconhecidos pela internet, seduz, envolve e mata. São pessoas que se aproveitam da ingenuidade, da solidão e do descuido alheios para se aproximar e cometer as maiores barbaridades possíveis: estupros, mutilações, sequestros, ocultação de cadáver, pedofilia, canibalismo, homicídios, tortura, sevícia, necrofilia…

Por outro lado, há também as vítimas que buscam seus algozes: a mulher que procura sexo casual e selvagem com sufocamento, o jovem que deseja ser devorado vivo, o amargurado que não quer se suicidar sozinho.

Essa estranha galeria se encontra em sites de classificados, nas salas de bate-papo, no Facebook ou MySpace. Usam nicknames, trocam e-mails, conversam em fóruns, compartilham vídeos e fotos e – extasiados! – marcam encontros presenciais. É quando o pior acontece. Os autores lembram que crimes semelhantes já aconteciam antes mesmo do surgimento da internet. Assassinos “escolhiam” suas vítimas pelos anúncios dos jornais! Afinal, se o homem é um animal social, o criminoso é mais ainda, explicarão Parker e Slate. Se a internet é onde as pessoas estão, claro que os malfeitores também passarão por lá. Eles já frequentavam as baladas, as igrejas, as escolas, os salões de dança.

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Nas 272 páginas, não são narrados apenas os crimes e suas circunstâncias. Em capítulos curtos e escrita própria dos relatos jornalísticos, “Social Killers.com” lança algumas pistas para explicar tanto sangue e dor: infâncias conturbadas, lares desfeitos, abuso de drogas, isolamento social, taras doentias, sem contar a velha e insuperável maldade. Os casos são apresentados até o seu desfecho, quase sempre com condenações judiciais exemplares, como se os autores quisessem demonstrar que crimes como aqueles não podem ficar impunes. Como o livro foi lançado em 2014 nos Estados Unidos, os episódios ainda inconclusos foram atualizados em bem-vindas notas de rodapé na versão brasileira. E esse foi apenas um dos muitos cuidados que a editora teve com o lançamento. Destaco três indicativos do capricho:

Classificação indicativa: o tema delicado (e fascinante!) e as muitas cenas descritivas de extrema violência levaram a Darkside Books a estamparem na contracapa uma advertência, recomendando “expressamente” que o livro seja consumido por maiores de 18 anos.

Acabamento: “Social Killers.com” chega ao leitor em encadernação nobre, com capa dura e metalizada. O miolo tem papel poroso que ajuda na absorção da tinta e no contraste entre as páginas impressas e folhas negras que separam as seções. O tratamento gráfico não chega a encarecer muito a obra, e o apuro estético até excede a importância do livro, sejamos francos. Por outro lado, demonstra a disposição da editora em oferecer produtos de alta qualidade. É um livro para ler, exibir e deixar na estante como objeto decorativo.

Realidade aumentada: embora os casos sejam bem narrados, o livro não traz documentação complementar com referências e registros de ocorrência. Isso faz com que o leitor tenha que acreditar piamente nos autores, o que pode ser uma falha para os mais exigentes. Entretanto, a versão brasileira tenta compensar a falta aplicando QR Codes na abertura de cada caso, permitindo que o público usando softwares de leitura acessem conteúdos extras, principalmente fotos dos criminosos relacionados. O recurso é econômico – porque não incha a edição com imagens – e criativo – porque amplia a experiência de leitura com gadgets e novidades.

A jornada por esses monstros das mídias sociais termina com dois capítulos mais tranquilizadores. Num deles, sabemos como as autoridades policiais usam as redes sociais para caçar os criminosos. Em outro, os autores recomendam reforços à segurança e à privacidade na internet. As dicas são muito úteis, afinal a maior parte das vítimas é descuidada, ingênua, se expõe demais e de forma gratuita. Tudo isso permite que gente desconhecida e mal intencionada se aproxime. Aliás, se eu fosse você revisava agora sua lista de contatos no Facebook…

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social+darkTítulo: Socialkillers.com
Autores: R.J. Parker e J.J.Slate
Editora: Darkside Books
Páginas: 272
Este livro no Skoob

SINOPSE: RJ Parker e JJ Slate reúnem alguns dos casos mais angustiantes de criminosos que usaram as redes sociais para se aproximar de suas vítimas. Stalkers, predadores sexuais, assassinos, canibais, torturadores. A lista, infelizmente, não é pequena. E novas solicitações de amizade continuam chegando a cada dia.

roger1

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2 respostas »

  1. Sim, é verdade. Parece que todos os malucos usam a internet nos Estados Unidos…. aliás, seria muito bem-vinda uma versão brasileira desse livro, não acha?
    Para isso, precisaríamos que a polícia pegasse os criminosos, que a justiça funcionasse, que as leis fossem cumpridas… ah, deixa pra lá…

    Curtir

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