resenha

CRÍTICA | Onde Cantam os Pássaros, de Evie Wyld


passaros3Livro cedido em parceria com a Darkside Books

 

Por Raquel de Mattos – Tinha um livro no meio do caminho – e refiro Drummond aqui para dar uma ajuda ao livro (me perdoe, CDA!), mas é o que eu sinto um livro no meio do caminho – meio do caminho de ser bom, meio do caminho de ser ruim. 

Esta é uma das resenhas mais desafiadoras a ser feita por mim, pois nunca li um livro tão dual em toda a minha vida. E o fiel da balança pende para o lado negativo, infelizmente, o que me entristece muito. Mas nem só de tragédia é a vida do livro, correto? Pode ser uma questão de ponto de vista e gostaria que todos os livros que nós lêssemos na vida fossem bons ou ótimos ou mesmo espetaculares, mas a realidade é outra, um pouquinho diferente deste sonho idílico…

Bom, vamos lá. Vou começar pelos pontos negativos para ao menos finalizarmos com os positivos e ficarmos com a boa impressão no final, ok?

passaros_raquelPontas soltas
Nunca vi um livro onde tantas dúvidas ficassem pendentes ao seu final quanto este. É de uma agonia inaudita, pois as páginas vão chegando ao fim e aí você percebe que não cabem todas as explicações em tão pouco espaço. E elas não vêm mesmo! Claro que não seria um descaso total de uma autora que ganhou prêmios e está na lista da Granta, mas para mim foram pontas suficientes para me deixarem insatisfeita. O capítulo final então é de uma confusão de dar dó! Cheguei a pensar que tudo havia sido uma grande ilusão, o que não está descartado, uma vez que, com todas essas pontas soltas, tudo é possível!

Confusão temporal
A autora decide por uma narrativa não linear (apesar de eu considerar a ideia um ponto positivo) e no começo cheguei a pensar que era mais de uma protagonista, onde locais são diferentes, outros nomes são citados, menos o da “mocinha”, além de demorar muito para entender o que ela, autora, deseja com aquilo. Deveria ter uma segunda leitura para que pudesse – já de posse dos acontecimentos do final -, captar alguma coisa perdida (que eu não acredito haver), mas isso não vai acontecer. Recomendo a quem desejar se aventurar, tiver o máximo da atenção voltada para o livro, pois alguns deslizes podem ser fatais para o parco entendimento.

Observação importante: o livro tem dois recortes temporais – o tempo presente, avançando linearmente (para frente) e o tempo passado, que começa quase ao mesmo tempo e vai se retirando cada vez mais para trás, a cada capítulo. Parece confuso, mas com essa informação, pode facilitar um pouco.

Personagens que vem e vão
No presente, os personagens estão como devem ser, aparecendo ou desaparecendo com as devidas justificativas. Não que isso seja bom ou ruim, mas se tornou monótono em contraponto com o passado. A autora pareceu resolver bem o “feijão-com-arroz”, mas na hora de fazer o resto do livro caminhar para ter um final arrebatador, ela parece que desiste do livro. A história pregressa de Jake Whyte é deveras interessante, mas não vêm as explicações pelas quais tanto ansiamos durante o livro. Se tal coisa não foi resolvida naquele capítulo, não será quando passarmos ao próximo que fale de passado, pois ele só vai mais pra trás…

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Clichê
Quando a história toda termina, a sensação “eu já vi isso antes” passou a me incomodar; são vários clichês tão batidos, óbvios, que deveriam ser proibidos (!). Falar sobre eles me obrigaria a revelar partes importantes do livro, mas caso alguém queira conversar sobre o assunto, basta me escrever!

Ok, Raquel, mas esse livro é só tranqueira mesmo? Não salva nada? Salva sim e vou dizer agora o porquê.

A escolha da autora por fazer uma narrativa no passado e uma no presente (como eu já citei antes) que me deixaram meio perdida no começo, mas depois que eu comecei a entender a proposta, achei ótima! Em especial a que trata do passado em retrospectiva (enquanto que o presente se dá em perspectiva). É um recurso que eu não tinha visto ainda (não da forma que ela apresentou, em capítulos alternados) e achei bem curioso. Gostei bastante!

As informações sobre a quantidade de pássaros presentes nas paisagens – o que justifica o nome do livro – dá uma dimensão do que habita os céus australianos e ingleses, além dos outros animais citados, apesar de serem mais familiares ao nosso cotidiano.

Apesar de sempre ouvirmos a expressão “Não julgue um livro pela capa”, não posso deixar de salientar que a edição da Darkside Books está um luxo só. A exemplo das edições americanas dos livros, este (e alguns outros que já vi da mesma editora) vem com uma bela capa, dura, com marcador de páginas fixo, bordas de páginas coloridas de preto. Muito show! A arte da capa também é muito bem feita e não dá spoilers sobre a história.

Para finalizar, queria salientar que a ideia do livro como um todo é muito boa e, apesar da minha opinião contrária, sei que muita gente gostou do livro, uma vez que a capa e contracapa está cheias de elogios de críticos, chegando a ser comparada com Ian McEwan, que é um baita escritor. Pode ter sido uma implicância minha e que eu não tenha sabido aproveitar tudo o que o livro tinha a me oferecer, mas foi assim que vi a história.

Na balança literária, eu dou nota 3 pelo equilíbrio. Gostaria mesmo que pudesse ter dado um 4 ou 5… Fica para o próximo!

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passarosTítulo: Onde cantam os pássaros
Autora: Evie Wyld
Editora: Darkside Books
Páginas: 256
Este livro no Skoob

SINOPSE – A fazendeira Jake White leva uma vida simples numa ilha inglesa. Suas únicas companhias são rochedos, a chuva incessante, suas ovelhas e um cachorro, que atende pelo nome de Cão. Tendo escolhido a solidão por vontade própria, Jake precisa lidar com acontecimentos recentes que põem em dúvida o quanto ela realmente está sozinha – e o quanto estará segura. De tempos em tempos, uma de suas ovelhas aparece morta, o que pode ser muito bem obra das raposas que habitam a floresta próxima à sua fazenda. Ou de algo pior. Um menino perdido, um homem estranho, rumores sobre uma fera e fantasmas do seu próprio passado atormentam a vida de uma mulher que sonha com a redenção.

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