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CRÍTICA | O homem que caiu na Terra, de Walter Tevis


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Por Ana Paula Laux – “O Homem que Caiu na Terra” é um livro de ficção científica escrito pelo norte-americano Walter Tevis (1928-1984). O livro foi publicado em 1963 com o título original de The Man Who Fell to EarthA história é sobre um extraterrestre que chega incógnito no planeta Terra na década de 1980 em busca de um lugar para trazer o povo remanescente do seu próprio planeta, um lugar chamado Anthea, que sucumbiu às guerras e teve praticamente todos os recursos naturais extintos.

O alienígena, que adota o nome de Thomas Jerome Newton, é escolhido para concluir a missão por ter uma ótima condição física, após se preparar por 10 anos para enfrentar as adversidades da Terra, como o clima quente e a gravidade ameaçadora ao seu corpo frágil. Fisicamente, Newton é uma espécie de humanóide que precisa disfarçar partes do corpo para se passar por um ser humano, como os olhos e as unhas. Ele até consegue enganar as pessoas, embora sua aparência esquisitona chame bastante a atenção.

Outra característica dos antheanos é o fato de eles serem muito mais evoluídos que os seres humanos, e é essa inteligência que Newton vai usar para colocar em prática o plano de construir uma nave espacial para resgatar seu povo. Para conseguir construir a nave, ele acumula uma grande fortuna patenteando uma série de invenções revolucionárias na Terra, fórmulas e procedimentos que não são conhecidos ainda pelos químicos e cientistas desse planeta. Em pouco tempo, a operação nave entra em ação.

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O problema é que Newton enfrenta imprevistos pelo caminho, mesmo tendo estudado o comportamento dos terráqueos por uma década. Seu primeiro alerta acontece quando se vicia em álcool e esse vício o faz entrar numa crise existencial. Isso o leva a descobrir que o ser humano (e que conviver com seres humanos) é mais complexo do que imaginava.

“O homem que caiu na Terra” não é um livro alegórico de ficção científica. Não tem “aliens invadindo o mundo”, “terráqueos lutando para sobreviver”, “batalhas no espaço sideral” e etc e tal. É um livro diferente nesse aspecto, e o que o difere é o tom que adota, um tom por vezes filosófico e reflexivo. É uma história sobre a solidão e a fragilidade das pessoas, sobre a desorientação das pessoas na vida, sobre essa mesma fragilidade diante dos vícios que acabamos criando para nós mesmos e como lidamos (ou falhamos em lidar) com o nosso vazio existencial.

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Como o livro foi escrito na década de 1960, a crítica associou o tom da história a um sentimento de conflito permanente que era uma coisa latente na época, por causa da própria Guerra Fria que começa no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e que termina com a queda do Muro de Berlim, em 1989. Fala-se muito sobre guerras nucleares, o homem destruindo o planeta, a escassez de recursos naturais como a água… temas que na verdade não deixaram de nos preocupar ainda hoje, principalmente quando os caminhos que a humanidade está escollhendo não transitam pelas vias mais pacíficas.

Há quem diga também que o livro foi uma espécie de autobiografia velada de Walter Tevis, que foi professor de literatura e que passou ele mesmo por problemas com alcoolismo. De qualquer forma, é um livro muito interessante porque te faz refletir sobre o ser humano, e é um livro considerado um clássico do gênero, tanto que já foi adaptado para o cinema também. Em 1976, um David Bowie marcado pelo visual andrógino de Ziggy Stardust se encaixou muito bem no papel do exótico Thomas Newton.

A edição do livro é da Darkside Books, uma edição muito bonita que veio com um marcador incrível do David Bowie, capa dura, diagramação impecável. Enfim, o livro é um clássico, a história é atual mesmo tendo sido escrita há tanto tempo.

Leitura super hiper recomendada!

 

Assista a resenha em vídeo no Youtube

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alien_bowieTítulo: O homem que caiu na Terra (2016)maxresdefault
Autor: Walter Tevis
Editora: Darkside Books
Páginas: 224
Este livro no Skoob

SINOPSE – Escrito com vigor e com uma prosa carregada de tensão poética, Walter Tevis produziu uma das ficções científicas mais realistas sobre um alienígena que vai absorvendo o dia a dia, o jeito e os vícios humanos pouco a pouco. Realista o suficiente para se tornar uma metáfora daquilo que todos nós carregamos: uma indescritível angústia e solidão existencial.

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